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No Brasil, a EDM não morreu, ela apenas foi adaptada

Luckas Wagg

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Os últimos grandes festivais no Brasil mostram que o estilo está mais vivo do que nunca — embora diferente.

Sei que esse papo de que EDM morreu já deu no saco. Há anos vemos declarações de que a EDM está morrendo ou está morta, vindo de grandes nomes como Skrillex e Fatboy Slim — mesmo aqui na Phouse, que abre a possibilidade para diferentes opiniões de diferentes jornalistas, essa tese já foi defendida. Mas agora, talvez mais do que nunca, está claro que a EDM segue viva. E essa noção veio com muita força depois do que vimos no último final de semana no Ultra Music Festival, em Miami, e no Lollapalooza Brasil, em São Paulo. Os dois grandes festivais mostraram que o público, mais do que nunca, está curtindo o gênero.

A ironia com a “morte da EDM” voltou a bombar nas redes sociais da cena eletrônica brasileira nesse último final de semana.

No Lollapalooza, tivemos várias demonstrações do quanto a EDM está gigante e incomodando muita gente. Ao G1, Braulio Lorentz, por exemplo, defecou pelos dedos em uma matéria sobre o duo americano The Chainsmokers, que fez um dos melhores shows do festival, mas que, para o jornalista, “roubou o público da tão aguardada banda de rock Metallica“, “utilizando truques de DJs” e “tocando músicas pop” como “Closer”, “Roses” e “Something Just Like This” (esta, fruto de uma parceria com o Coldplay). 

Toda essa revolta talvez fizesse algum sentido se as músicas pop que os caras tocaram (e cantaram) não fossem de sua própria autoria, se eles não fossem DJs para usar tais “truques”, ou se até mesmo não tivessem alcançado o topo das paradas mundiais com suas excelentes faixas — as quais, sem dúvidas, o público foi ali para ouvir. Além disso, vale lembrar que ninguém rouba público de ninguém. Quem foi para ver Metallica estava vendo Metallica, quem foi para ver The Chainsmokers, viu The Chainsmokers; e nos anos anteriores não foi diferente, com nomes como Jack Ü, Calvin Harris, etc.

Claro, em muitos aspectos um show do Chainsmokers é mais simples do que um Marky, Solomun, Riche Hawtin (que me pergunto se o jornalista em questão conhece e consegue distinguir, ou se para ele é tudo igual), mas nem por isso é inferior; são apenas propostas diferentes. Se fosse uma piada, como Lorentz sugeriu, como seria capaz de roubar o público da maior atração do festival? Os fãs foram ver a atração certa, e talvez quem não estivesse no lugar certo fosse o jornalista, que, como boa parte da grande imprensa brasileira, parece ainda não ter entendido o valor da cultura DJ, ficando naquele papo antigo de que um DJ set é inferior a um show de uma banda, de que a música eletrônica é inferior ao rock. Mas infelizmente, não é novidade: como nosso colunista Flávio Lerner escreveu aqui em fevereiro, à ocasião da campanha difamatória da Jovem Pan com o festival Dekmantel São Paulo, o preconceito disseminado pela grande mídia ainda é um dos maiores obstáculos que nossa cena enfrenta.


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No mesmo Lollapalooza, pode-se destacar também mais uma apresentação que mostrou a grande força da música eletrônica no Brasil. Vintage Culture teve a entrada da pista do Palco Perry interditada por conta da superlotação. Muita gente ficou de fora sem poder assistir à apresentação do fenômeno brasileiro.

Esse tipo de constatação volta a nos questionar sobre a tal “queda da EDM”. E é aqui que precisamos esclarecer um ponto que gera muitas desavenças: EDM, para muitos, é sinônimo de Big Room/progressive house, o gênero mais mainstream que dominava a cena. Partindo dessa constatação, quando falam que a EDM caiu, faz sentido. Observando como CEO da Phouse nesses últimos três anos, eu entendo que houve uma falta de curadoria especializada em alguns clubs e festivais, que abriram espaço para “artistas” que mal dominavam a arte de discotecagem ou sequer entendiam a essência de se construir uma pista, fazer um bom warmup… Isso levou à saturação da EDM enquanto Big Room.

Esse ciclo é normal, e acredito que estamos voltando a vivenciá-lo no Brasil com a bolha que está se formando em volta do low-bpm/deep house/Brazilian Bass. Há muitos bons nomes por aí que têm grande potencial de conquistar o mundo, ao exemplo de Chemical Surf, Cat Dealers, Jord, Ricci, Illusionize, Malik Mustache e até os pioneiros Vintage Culture e Alok. Podemos considerar que essa turma nova representa uma nova fase da EDM no Brasil, na qual se mudou o estilo, mas não a essência: com fogos, efeitos e muita tecnologia envolvida, podemos ousadamente afirmar que Vintage Culture e Alok não ficam tão longe de um grande show de EDM. A fórmula continua igual, tendo sido apenas adaptada para o mercado brasileiro.


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No entanto, a curadoria de um bom lineup e os artistas com bom feeling de pista seguem sendo fundamentais — e nesse sentido já estamos nos perdendo mais uma vez, pois muita gente já não aguenta ir a um club para ouvir vários headliners, e novatos que se acham headliners, tocando a noite toda a mesma coisa. Está rolando novamente a mesma confusão que ocorreu com a geração Big Room, que achava que ser produtor musical é o bastante para poder comandar uma pista. Esse tipo de falha gera os mesmos problemas de antes: DJs iniciantes querem bancar de Hardwell e Dimitri Vegas & Like Mike, tentando transformar clubs em grandes festivais como Tomorrowland, com direito a berros e até xingamentos aos microfones em seus 15 segundos de fama. Isso tudo só serve para esvaziar a cultura eletrônica e reforçar a visão de críticos como Braulio Lorentz.

Por outro lado, alguns dos grandes clubs e DJs/produtores nacionais têm trabalhado com seriedade para levar a uma renovação da EDM, sem pecar no quesito de curadoria. Um exemplo é o nosso caçula Laroc, que recentemente apresentou artistas como Sunnery James & Ryan Marciano, Kryder, Eric Morillo, Ferry Corsten e Galantis. Já o veterano Green Valley anunciou Hardwell para abril, indicando que os bons tempos de EDM no club estão voltando, sem contar o próximo Ultra Brasil, que deve vir com uma dose cavalar do gênero, assim como os principais headliners do Electric Zoo, que chega ao país pela primeira vez.

Artistas brasileiros como FTampa, Marcelo CIC, JAKKO e Felguk estão se reinventando e voltando com seus shows e músicas mais comerciais, deixando um pouco de lado o Big Room e apostando em uma sonoridade mais pop/radiofônica, tal qual os próprios Chainsmokers. Foi o caso também de “Hear Me Now”, a mais recente produção do Alok com Bruno Martini e Zeeba, que pouco tem da sua marca registrada Brazilian Bass. Portanto, é simples de entender que por mais que tentem matá-la, a EDM está bem longe de morrer — ela apenas se transforma.

Foto: Gui Ubarn – Laroc

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Opinião

20 artistas do mainstream nacional para ficar de olho em 2018

Luckas Wagg

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20 artistas 2018
Liu é uma das nossas grandes apostas para 2018. (Foto: Yohan Augusto)
Uma seleção de nomes que têm tudo pra explodir no cenário eletrônico brasileiro nesta temporada

O ano está apenas começando, mas já dá pra trazer aqueles listões que todo mundo curte. Então selecionamos aqui 20 artistas da cena mais mainstream da música eletrônica que valem ficar de olho pra esta temporada.

São nomes que não necessariamente estão começando ou são promessas; parte deles inclusive teve um 2017 já de bastante destaque. Porém, são DJs em quem acreditamos que, justamente por já terem revelado bastante potencial em uma amostra recente, têm uma margem de crescimento bem alta a curto prazo, e devem vir agora com tudo pra emplacar definitivamente no cenário nacional.

Longe de ser qualquer tipo de ranking, a seleção abaixo é apenas um acervo de alguns dos muitos artistas que entendemos que chamaram a atenção pela sua música ou apresentação em eventos que marcamos presença em 2017.

Liu

20 artistas 2018

Longe de ser mais uma promessa, Cristian Liu já pode — e deve — ser considerado como uma das novas e grandes estrelas da dance music nacional. Apadrinhado por ninguém menos que Alok, o DJ/produtor de traços asiáticos ficou conhecido por sua track “Don’t Look Back”, e desde então vem fazendo shows pelos quatro cantos do país. Seu lançamento mais recente é “Coastline”, em parceria com o garoto prodígio WOAK. A faixa já atingiu mais de 3 milhões de streams entre Spotify e YouTube.

Kiko Franco

Com remixes oficiais para grandes artistas como ZHU e J Balvin, Kiko Franco ganhou notoriedade no mercado nacional e a cada dia vem surpreendendo mais e mais. Em 2016, o DJ ficou conhecido pelo seu remix com Kubski para “Panda”, do rapper americano Desiigner. A faixa caiu no gosto de gigantes do cenário, como EDX, Vintage Culture e muitos outros. Seu lançamento mais recente é um remix para a faixa do 1Kilo, “Deixe-Me Ir”, em parceria com WOAK.

SELVA

Com certeza você já ouviu alguma músicas desses caras. Só para refrescar sua memória, eles são autores dos sucessos “Why Don’t U Love” — em parceria com Vintage Culture, Cat Dealers e Lazy Bear — e “Make Me Wanna”, com Zerky. Além de DJs e produtores, Pelu e Brian Cohen também são instrumentistas, e têm como destaque em suas performances um live de bateria e guitarra. O mais recente lançamento da dupla é “O Amor Existe”.

Öwnboss

Formado por Mario Camargo e Eduardo Zaniolo, o projeto Öwnboss vem ganhando notoriedade no cenário da música eletrônica desde os seus primeiros lançamentos — “Stressed Out” e “Take Me Out”, com Bruno Be. Em 2017, o grande destaque da dupla foi um rework para a faixa “Intro”, de The xx, com ninguém menos que Vintage Culture.

Future Class

Autores de diversas tracks que hoje compõem sets dos principais artistas do cenário nacional, Igor Dantas e Allan Deckii vêm chamando a nossa atenção há muito tempo. Com um 2017 super agitado, os garotos se apresentaram nos principais clubs e festivais do país, como Kaballah, Lollapalooza, Só Track Boa, Green Valley e Laroc. O lançamento mais recente da dupla é “Shooting Stars”, com Vintage Culture.

RADIØMATIK

O projeto de música eletrônica que marca a união do DJ/produtor Diego Moura com o músico Mario Veloso é a mais nova bola da vez. Com pouco tempo de formação, o RADIØMATIK já lançou duas faixas e tem agenda cheia pelos quatro cantos do Brasil. Seu mais recente lançamento é “Too Close”, que ganhou destaque na playlist MINT, do Spotify.

Dubdogz

Os irmão gêmeos Marcos e Lucas Schmidt, que juntos formam o projeto Dubdogz, sem dúvidas não poderiam ficar de fora desta lista. Os paulistas foram grande destaque em festivais como Tomorrowland, XXXPERIENCE e Electric Zoo Brasil — para o qual, inclusive, compuseram o tema oficial de sua última edição, “Sunrise”.

KVSH

Autor do grande sucesso do verão “Sede Pra Te Ver”, KVSH também é presença obrigatória por aqui. Produtor de mão cheia, Luciano Ferreira tem conquistado o público dos quatro cantos do país. Seu lançamento mais recente é “Eu Não Valho Nada”, com a DJ Samhara.

Evokings

Frutos da escola de produção Make Music Now, os meninos do Evokings são mais do que uma promessa. Em 2017 emplacaram o hit “Gravity” com Cat Dealers, e em seguida “My Way”, que já conta com mais de um milhão de reproduções no Spotify.

Breaking Beattz

Formado por Lauro Viotti e Rafael Zocrato, o duo Breaking Beattz despontou no Beatport em 2017 com uma de suas tracks entre as mais vendidas do ano. A dupla é dona de diversas faixas que invadiram as pistas dos principais clubs e festivais do Brasil no último ano. Entre elas, “Perfect Exceeder”, com Gabriel Boni, “Let The Bass Go”, com FractaLL, e “Get Low”, com Sharam Jey e Chemical Surf; com o duo brasileiro, também tiveram seu mais recente som, “Don’t Stop”.

RICCI

Um nome que dispensa comentários, Gabriel Ricci é uma das nossas grandes apostas para este ano.
Dificilmente você não ouviu diversas músicas desse jovem hitmaker em 2017, que assinou música inclusive pelo selo de Steve Aoki. Entre seus maiores sucessos estão “Lost Generation” e “Later”, além de “Wild Kidz”, com Vintage Culture. Mais recentemente, participou de uma mistura inusitada com o duo Seakret e o rapper Rael, em “Tá Pra Nascer Quem Não Gosta”.

WOAK

De identidade ainda não revelada, WOAK tem apenas 16 anos e já está dando muito o que falar. Só no Spotify o jovem garoto acumula quase um milhão de ouvintes mensais. Entre seus lançamentos, podemos destacar “Coastline”, com Liu, e “Deixe-Me Ir”, com Kiko Franco.

Zebu

De uma maneira bem interessante, Zebu mistura em suas produções  o future bass com sertanejo, samba, funk e outros gêneros nacionais. Sem dúvidas, um dos artistas mais ousados que conhecemos no último ano.

rrotik

Com lançamento por importantes gravadoras como Armada Music, rrotik não poderia ficar de fora da nossa lista. O jovem mineiro tem ganhado a nossa atenção com seus lançamentos de low bass, como “MYNE” e “Talking Bass”.

Joe Kinni

Autor do grande hit “Carioca”, com Jakko e Bianca Chami, Joe Kinni continua mostrando seu lado versátil na produção musical. Em 2017, o artista lançou diversas faixas com pés dentro e fora da música eletrônica. Seu lançamentos mais recentes são “Moça” e “Mensagem de Amor”. Pra quem curte essa nova onda do eletrônico com vocais nacionais, vale muito a pena seguir esse cara.

JØRD

Não foi a toa que o famoso “Jordinha” conquistou uma legião de fãs pelo Brasil. Apadrinhado por ninguém menos que o mestre Felippe Senne, o jovem de Belém do Pará tem sido uma das grandes referências para a nova geração de produtores. Sem muitos comentários, tirem a própria conclusão com aquele “bass” inconfundível do garoto:

Santti

Autor do hit “Sober”, com Cat Dealers, Santti é mais um nome em nossa lista que dispensa comentários. O garoto tem demonstrado ser um grande hitmaker e está entre as nossas descobertas favoritas de 2017. Seu lançamentos mais recentes são “Sunshine”, com Cat Dealers e LOthief, e “Céu Azul”, com Vintage Culture.

LOthief

Produtor de mão cheia, Leandro Souza é outro grande destaque do Low Bass que não poderia faltar nesta lista. Sob o nome de LOthief, o jovem produtor mineiro de 23 anos vem chamando a atenção com suas produções e conquistando diversos fãs Brasil afora. Seu lançamento mais recente é “Sunshine”, com Cat Dealers e Santti.

LIVIT

LIVIT set comemorativo

Coautores do hit “On Fire”, lançado pela Phouse Tracks — e que já conta com mais de um milhão e meio de reproduções no Spotify —, o LIVIT vem sendo destaque em diversas playlists no Spotify. O lançamento mais recente da dupla é “Give Me All You Got”, pela Sony Music.

The Fish House

Uma das melhores surpresas de 2017 foi o hit “Menina”, de Rafa Gontijo com seu primo Breno. Lançada pela Deepink, a música chegou a ser uma das mais tocadas em Minas Gerais. Outro grande lançamento de destaque do projeto de Gotijo foi “Hey Hey Hey”, com Doozie. A faixa foi tocada em diversos festivais por expoentes como Alok.

BÔNUS: SCORSI

Por último, mas não menos importante: SCORSI. Somos suspeitos a falar deste cara (ele é um dos nossos A&R na Phouse Tracks). Porém, fica a dica: FIQUEM BEM DE OLHO!

Luckas Wagg é CEO da Phouse.

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Review

Hernan Cattaneo faz história com o primeiro “All Night Long” do Warung

Jonas Fachi

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Hernan Cattaneo All Night Long
Em seu tradicional set de fim de ano, El Maestro rompeu novas barreiras e se tornou o primeiro artista dos 15 anos de Warung a tocar pela noite inteira
* Fotos por Gustavo Remor e Ebraim Martini
* Vídeos por Fernando Hauenstein e Sebastian Tallon

Não existe data mais simbólica do que o dia 28 de dezembro no Warung Beach Club. O dia é reservado e sinônimo do desembarque de Hernan Cattaneo à Praia Brava. É fácil entender o porquê. Devido a sua consistência ao longo dos anos, o maestro argentino se tornou um embaixador da música que ajudou a criar. Aqui, sua ligação se fez por sua “experiência musical” se tratar de nada menos do que a identidade sonora que mais se enquadra com as expectativas do club, se tornando assim uma noite imprescindível para qualquer um que esteja em busca da famosa “mágica do Templo”.

O final de ano é estratégico porque consegue reunir elementos importantes: primeiro pelo verão no Hemisfério Sul ser uma das marcas do beach club. Segundo, pela quantidade de argentinos que estão de férias no litoral catarinense, somando-se aos fãs brasileiros que moram longe e que podem estar presentes. Para finalizar, turistas e público novo buscando conhecimento. Tudo isso forma uma das pistas mais divertidas e democráticas do ano na casa.

Após se apresentar no feriado de Independência do Brasil — data que tem se tornado sua referência também —, Hernan retornava sob expectativas que nunca diminuem. Neste review, como sempre, tentarei desvendar as ideias musicais e sua construção de set a fim de que todos possam ao mesmo tempo relembrar momentos marcantes, mas também entender a proposta musical para a noite. Ainda, buscarei mostrar a importância que ambos, artista e club, têm um para o outro. Veremos que é algo único.

O maior destaque dos meses pré-evento foi o pedido exclusivo de Cattaneo para ter a noite só para si, desde a abertura até o final. Todos sabem que a forma como conduz a pista de dança por longas horas é uma de suas marcas registradas, e ele estaria vindo do embalo de um back to back de espantosas 20 horas com Guy J no Canadá, em um club que mencionarei mais à frente.

Hernan Cattaneo All Night Long

Seu longset no Warung é considerado um clássico, porém para que tantas horas de música sejam bem-sucedidas, deve-se passar fundamentalmente por quão ambientado está o público antes de o artista principal iniciar. Hernan sabe tão bem disso que ele mesmo se propôs ao warmup dessa noite.

Tocar nesse ritmo de abertura é algo que ele adora, e fazia esse modelo de apresentação no início da carreira, quando a música eletrônica mal existia na América do Sul. Ao longo dos anos o Warung proporcionou ótimas aberturas a ele; nomes como Daniel Kuhnen, Leozinho e Danee são constantemente elogiados. Porém, Catta busca sempre ir além, se dispondo a fazer o que ninguém faria, e isso tem um motivo que entenderemos adiante.

Hernan Cattaneo All Night Long

Acertadamente, o club previu a abertura dos portões para as 21h, podendo assim deixar os mais interessados chegarem, se ambientarem e esperá-lo da melhor forma possível. Entretanto, o protocolo imaginado foi quebrado por volta das 21h25, quando ao chegar no club e ver que já havia pessoas a sua espera (cerca de 30), Hernan não hesitou e resolveu antecipar os trabalhos, sendo a primeira boa surpresa da noite.

O sistema de som ainda era tímido; ele propôs uma levada de deep house dançante com BPM bem baixo. Foi recebendo o público aos poucos, como se estivesse tocando na sala de casa. Que honra! Nesse começo, é impossível não destacar duas musicas de duas bandas eletrônicas icônicas. A primeira é “Damage Done” de Moderat, em um remix que não consegui descobrir, mas que seria algo aproximado com o do produtor Silinder. A segunda é nada menos que “Dream On”, do Depeche Mode — daquelas que você lembra pelo vocal inconfundível, em mais um remix não identificado. A partir das 23h, o sistema de som ganha seu devido ganho, e a pista que já estava cheia reage com a primeira euforia da noite. Agora era pra valer! Tocar desde o início é uma atitude que o público do Warung jamais esquecerá por duas razões: era algo que nunca havia ocorrido com um artista em 15 anos, e porque ficou evidente que o título de melhor warmup para o maestro já feito no club só poderia ser dele mesmo.

Hernan Cattaneo All Night Long

Se você está se perguntando se existe um motivo maior para esse pedido e desejo em abrir a própria noite, está correto. Vamos a ele. Existem certos clubs e eventos especiais na extensa carreira do argentino, alguns já extintos, outros ainda em atividade. A Stereo em Montreal, o Woodstock 69 em Amsterdã, a Moonpark e o Clubland (seu club formador) em Buenos Aires, o Cream de Liverpool e o Yellow de Tóquio são alguns dos quais Hernan tem registros de longsets históricos — como o de 12 horas no encerramento do club japonês em 2008.

Nesses “clubs para clubbers profissionais”, como ele costuma falar, criou laços mais profundos do que apenas apresentações marcantes de um DJ internacional para o público local. Porém, quando falamos de Warung, que é um desses lugares onde o frequentador recebe uma graduação musical, parece existir algo que transcende a todos e que honestamente não sei explicar.

+ Retrospectiva: 10 momentos marcantes de Hernan Cattaneo no Warung

+ Uma nova experiência: Como foi o extended set de Hernan Cattaneo no Warung

Pode parecer imprudência alguém fazer tamanha afirmação sem ter experimentado experiências musicais com ele nos lugares citados. Porém, olhando através de seu comportamento quando está dissipando o que tem de melhor na pista do Templo, arrisco dizer que em nenhum outro lugar sua música foi e tem sido recebida por um período tão extenso com tanta singularidade. Hernan tem sua figura tão em conformidade com a cabine, que a sensação de todos ao vê-lo ali em cima sob completa sintonia, repetindo os mesmos movimentos corporais e mentais necessários para se colocar músicas em sequência, é de que estamos diante algo mítico. O DJ que vemos no Warung parece ser daquele jeito somente ali.

Toda essa conexão ao longo do tempo gerou um resultado que poucos alcançaram dentro de toda indústria musical eletrônica: ser a figura central da criação de uma comunidade em torno do estilo musical que acredita e propaga desde quando ainda só ouvia discos de bandas de rock progressivo que suas irmãs colocavam para rodar. É claro que no final de tudo estamos tratando de entretenimento, porém com um nível de interação que é capaz de moldar ideias e visões das pessoas que decidem participar, e então colocá-las em união. Esse seu interesse em fazer o algo a mais, em tocar o máximo de tempo possível, é um tipo de realização que não se apaga tão fácil — ao contrário, se perpetua nas lembranças mais profundas dos participantes.

Hernan Cattaneo All Night Long

Considerações feitas, voltamos à música, e ela estava se desenvolvendo com toques viajantes moderados, temas com pequenos recortes emotivos e tribais, tudo bem cadenciado, sem exagero. Após a 01h, tive a sensação de que tínhamos atingido a velocidade de cruzeiro. Em navegação, é comum se falar sobre a relação da velocidade ideal e o perfeito equilíbrio do motor com o casco, ou seja, máximo desempenho aliado a maior economia. Hernan é especialista em estabelecer uma faixa sonora dentro da qual não se força a pista de dança, mas que nela atua naturalmente e em perfeito desempenho. O “ponto de cruzeiro” dessa relação é quando a música inserida pelas mãos do artista é capaz de extrair o máximo de cada individuo, mas sem que eles se desgastem antes do término.

Estava esperando mais alguma faixa para reconhecer, e então ouço uma melodia inconfundível para meus ouvidos. Procuro alguém para compartilhar a emoção de estar ouvindo “Take My Away”, de Fefo e Dario Arcas —  um dos melhores lançamentos da Sudbeat já feitos. Em 2010, ela marcou o décimo lançamento da gravadora de Hernan, recebendo inclusive um remix esplêndido do boss com Soundelixe. A faixa ainda fez parte de sua compilação The Masters Series – Parallel, para a Renaissance no mesmo ano. Novamente, se tratava de um edit que não consegui identificar.

Após isso, a construção musical começa a ganhar sua verdadeira cara, entrando em um tom mais dramático e infernal. Menos elementos, mais intensidade, e claro, as indispensáveis linhas de baixo aterrorizantes cortando e balançando toda a pista. No vídeo abaixo, que capturou momento próximo das 03h, está um daqueles sons que eu provavelmente não esquecerei até encontrar. Analisando o set inteiro, essa faixa seria uma espécie de previsão do que ele iria jogar nas horas que viriam.

Para mim, sempre foi impressionante como Hernan consegue ter amplitude musical dentro do seu estilo particular. Você pode dizer que esse é um dos papéis fundamentais de um DJ, porém conseguir executá-lo sem perder a essência é um dos grandes desafios da atualidade. Seguindo, outra faixa impressionante: “Robot Funk”, com remix de Phuture Phunk, fez todos entrarem em imersão. Essa música nada mais é que um ripping de “On The Run”, da banda Pink Floyd, adicionada a um baixo poderoso, um arranjo de bateria e um kick forte. Trata-se na verdade de um excelente remix, podendo ter sido apresentado pelo produtor Framewerk como tal, mesmo que não pudesse comercializá-lo.

Às 04h, entrou em ação “Strand”, de Stephan Bodzin — uma faixa com efeito progressivo e hipnótico, espécie de ponto de amostragem do que ele estava apresentando. A intensidade aumentava mais do que de costume. Comecei a imaginar que ele estava tocando por um bom tempo no mesmo ritmo para chegar em algo especial. Em meia-hora houve a quebra, não de ritmo, mas de sintonia. “Sirens”, remixada magistralmente por Patrice Bäumel, foi a escolhida para esse momento clássico dos sets de Hernan. Ele cantava sua maravilhosa letra tranquilamente enquanto todos ainda estavam se dando conta de que era um momento de pôr os pés no chão, mas só por uns minutos.

Hernan Cattaneo All Night Long

A partir das 05h, a sonoridade estava reta e nivelada, caracterizada pela maior altitude possível de energia e velocidade rítmica que El Maestro gosta de trabalhar, entregando para a pista de dança a melhor relação entre pessoas, ambiente e música. Sempre comento sobre esse momento do set até as 06h, que mostra o quão bem pensada e elaborada é sua construção. Havia nesse momento alguns aspectos mais obscuros, e sequência sem descanso.

Entramos na fase do amanhecer e era hora de algum clássico. A escolha foi por um que eu aguardava desde quando assisti ao vídeo dele o soltando no club Mamacas, em Atenas 2012. Tratava-se de “Eterna”, de Slam; uma faixa atemporal, produzida em 1991, e que recebeu um remix fantástico de John Digweed e Nick Muir 21 anos depois.

Próximo de chegar à fase da última hora, uma daquelas músicas que parecem já nascer clássicas. Seu vocal emitido como um mantra lembrou-me de um momento especial que tive em 2010, quando quase no mesmo horário, Hernan soltou “Love Stimulation”, de Humate, em remix de Tom Middleton — um momento que guardo até hoje de minha primeira experiência com o maestro. De alguma forma, isso surgiu em minha mente e tudo parecia ter voltado no tempo, reavivado por “Chanjira”, de Stuart King em remix de Mongo. Que momento!

Essa última hora é uma mistura de sentimentos. A já tradicional paradinha das 07h20 foi calculada com um lindo trabalho de um dos melhores produtores argentinos da atualidade: Kevin Di Serna, com “Horizons” — um arranjo limpo de piano, leves baterias e uma mensagem no vocal do break. Depois da calmaria, a volta é novamente cheia de intensidade, o sprint final para esgotar as últimas energias. A finaleira voltou-se novamente para o lado emocional com “Sofia” remixada por Guy Mantzur e, para minha maior surpresa, o encerramento veio com uma música que me fez pôr as mãos no rosto e apreciar sem querer que acabasse.

Eu já perdi as contas de quantas vezes assisti ao filme Inception. Além de elenco e direção brilhantes, ele tem uma das melhores trilhas sonoras da última década. E quando se fala em trilha sonora, hoje ninguém está no nível de Hans Zimmer. Sua composição chamada “Time” para o longa é algo que não se deve colocar em palavras. Felizmente, ela recebeu uma versão à altura para as pistas de dança, por Deeparture. A saudação mútua de agradecimento estava acontecendo junto do sentimento de maratona musical mais do que cumprida.

Hernan Cattaneo All Night Long

Escrevendo este review, pesquisando e relembrando faixas que foram apresentadas, notei que havia outras dezenas de detalhes especiais ainda para serem mencionados. Dar-me conta de que eu poderia simplesmente excluir tudo que tinha escrito e mesmo assim teria outras tantas coisas incríveis para contar, foi como uma cortina que se abriu em minha frente. Até onde vai a dedicação e o interesse de um artista para trazer ao seu público uma narrativa musical tão rica? Minha saída foi aceitar que algumas coisas vão e devem ficar apenas na lembrança.

Em 28 de dezembro, Hernan Cattaneo fez uma espécie de volta para casa, como quando ainda jogava no extinto Clubland de Buenos Aires. Agora, contudo, essa outra casa que ele descobriu e ajudou a formar tem um sentido diferente — afinal, seria como voltar, mas ainda estar jogando em um dos maiores palcos do planeta, um Camp Nou brasileiro, com sua grama (soundsystem) lisa, molhada, e um fundo de campo que parece não ter fim (mar). Seu conjunto musical estava nos dizendo isso o tempo todo: o Warung é um palco vivendo seu melhor momento, moldado por anos de uma identidade sonora inconfundível, onde, claro, só existe um camisa 10.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Review

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Jonas Fachi

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Patrice Bäumel Warung
Tocando no Warung no final de dezembro, o DJ holandês surpreendeu em evento que ainda contava com nomes do calibre de Carl Craig e ANNA
Fotos por Gustavo Remor e Ebraim Martini

Em uma temporada de verão repleta de grandes artistas e retornos aguardados, o dia 26 de dezembro de 2017 ficou marcado no Warung Beach Club pela aposta em artistas que mesclam partes importantes da história e do futuro dentro da música eletrônica global. É preciso delinear onde cada um dos dois nomes que considero principais da noite se enquadram nessas características mencionadas.

Falar de história é falar de Carl Craig. A lenda de Detroit demorou para estrear na casa, porém agora já estava em sua terceira apresentação. Receber um artista com tanta bagagem e respeito no cenário mundial é sempre uma honra para qualquer club do mundo. Porém, Carl teria que dividir horário com outro nome no Garden, e às vezes só a história é incapaz de tomar as atenções de um público que não estava em grande quantidade.

Patrice Bäumel assumiria o Garden como a outra grande atração do evento após ter provavelmente o melhor ano de sua carreira. O respeitado residente do antigo club Trouw, de Amsterdã, e um dos produtores mais originais do momento era aguardado por muitos aqui no Sul — um retorno necessário e musicalmente muito bem alinhado com a identidade do Templo.

Para mim, era o artista mais cotado para se assistir no ano. Tinha ouvido muitas coisas boas sobre sua capacidade comandando uma pista, porém, só é possível saber tendo sua própria experiência. Os dois artistas começaram quase no mesmo tempo, e cada frequentador teve que escolher um lado para se entreter, provavelmente sabendo que a escolha seria para o resto da noite, visto a capacidade que cada um deles tem de construir grandes sets em pistas mundo afora.

Patrice Bäumel Warung

Porém, antes de tudo, tivemos ótimos artistas nacionais comandando as duas pistas, e é preciso mencioná-los. Com um set de nada menos que três horas e meia, os residentes não oficiais do Warung, Danee e Edu Schwartz debutaram um B2B que havia sido bastante comentado na semana da festa pelo público local. Quando comecei a ouvi-los, por volta das 23h, logo nas primeiras faixas observei que eles estavam em uma boa sintonia, cada um buscando se ajustar ao outro e levando suas ideias musicais de encontro.

Uma boa amostragem de música conceitual, com momentos sérios e outros dançantes, que deixou a pista muito bem ambientada para a continuação da noite. O melhor de tudo? São DJs que nasceram da cena que se desenvolveu a partir da influência do club no litoral e vale do itajaí.

Em seguida, a brasileira radicada em Barcelona ANNA assumiu o comando do Inside. Ela tem sido uma constante nas noites de techno do club, sendo sempre uma boa peça para fazer a transição até o artista principal. Deu start em seu conjunto com um vocal metálico e levemente robótico, que estava sobre uma camada obscura de sintetizadores. Quando o restante dos elementos entrou em ação, um baixo rápido e pesado, todos perceberam que era o cartão de visitas que ela imprimiria para as duas horas lhe designadas. Ah, a música se tratava de “Unfold”, de Wehbba — uma belo trabalho.

Patrice Bäumel Warung

Às 03h30, minha escolha, que só poderia ser uma, foi pelo nome que mais me chamou atenção em 2017. Patrice Bäumel já tinha feito outros dois shows no club muito elogiados, porém somente agora pude tirar a prova real. Seu set começou bem cadenciado e sério, com alguns toques tribais fazendo parte da cena. Confesso que nunca fui fã do Garden, porém é preciso dizer que ao longo do tempo o espaço criou sua própria alma — diferente de cima, é verdade, mas também capaz de ajudar a criar magia entre artista e público. Para isso acontecer, precisa passar fundamentalmente por quão à vontade o DJ se sente.

Quanto a isso, pode-se dizer que Patrice parecia em casa. Sua atitude concentrada em grande parte do set era intercalada com certos momentos em que ele deixava clara sua satisfação em jogar ali. A pista não estava lotada, era perfeita para todos. O soundsystem estava brilhando, e Bäumel aos poucos foi deixando toques progressivos ganharem espaço na apresentação. A partir do momento em que ele sentiu que tinha criado a atmosfera ideal — lembrando que precisou começar uma pista do zero —, pôde finalmente soltar suas armas para a noite. Uma delas, “Atacama”, obra produzida em parceria com Audiofly.

A partir das 04h, com ritmo já estabelecido, era visível a sintonia das pessoas em resposta ao seu trabalho muito bem elaborado, com mixagens longas e bem pensado. Todos vibravam a cada passagem mais emotiva. Em seguida, entra em ação um dos remixes do ano: “Sirens”. A faixa é uma aula de Bäumel no estúdio sobre como se deve aproveitar o potencial máximo de um vocal e colocá-lo dentro de um conjunto de elementos eletrônicos que fazem sentido. É daquelas musicas que você canta junto, e se arrepia com os sintetizadores que entram em cada break. Sua linha de baixo, rápida e bem firme, é capaz de te jogar para frente na pista. Que momento!

Continuando o trabalho, Patrice parecia que ainda não tinha mostrado tudo; ele continua girando seu set, buscando o momento ideal para mostrar algo especial. Se antes trouxe uma produção nova, agora tinha preparado para o último arremate antes do amanhecer: um clássico daqueles. “Mongoose” pertence ao hall das músicas atemporais, e que talvez não esteja entre as primeiras lembradas do seu criador, mas certamente é uma das mais singulares e originais que o artista já fez. Sasha, uma das grandes influencias de Bäumel, produziu essa maravilha em um dos melhores momentos de sua carreira, sendo lançada em 2007 por sua antiga label emFire. Eu simplesmente não sabia como reagir — sempre imaginei poder ouvi-la na pista, e finalmente estava acontecendo. Nunca apostaria antes do show que Bäumel seria o cara que iria jogá-la, porém quando aconteceu, ela soou algo totalmente alinhado com sua proposta sonora.

Patrice Bäumel Warung

Entramos no amanhecer com um clima nebuloso e de céu fechado, porém a atmosfera estava completamente preenchida com o sentimento das manhãs de verão. Por volta das 06h30, Patrice segura um pouco as energias e começa a preparar o fechamento. Suas últimas músicas foram mixadas de forma desconcertante, quando o DJ está em seu ápice técnico e munido de um público beirando a perfeição. Para o fechamento, escolhe o mesmo clássico que usou para fechar seu aclamado Essential Mix pela BBC Radio 1: Groove Armada em “History”, com o excelente remix de Still Going. Essa é daquelas que não nos esqueceremos tão cedo.

As impressões pós-show eram unânimes. Patrice Bäumel se coloca como um dos artistas mais completos da atualidade, abusando de excelência tanto quando se dispõe a produzir como quando está no comando de um dancefloor distante na América do Sul. No dia 26, o passado de Carl Craig estava assombrando o Inside com o fabuloso techno de Detroit, porém o futuro brilhante que o nome do Garden tem pavimentado parece ter deixado marcas mais vibrantes.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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