Connect with us
Burn Residency – Leaderborder
XXX Leaderborder
Cat House Leaderborder

No Brasil, a EDM não morreu, ela apenas foi adaptada

Luckas Wagg

Publicado em

27/03/2017 - 20:24

Os últimos grandes festivais no Brasil mostram que o estilo está mais vivo do que nunca — embora diferente.

Sei que esse papo de que EDM morreu já deu no saco. Há anos vemos declarações de que a EDM está morrendo ou está morta, vindo de grandes nomes como Skrillex e Fatboy Slim — mesmo aqui na Phouse, que abre a possibilidade para diferentes opiniões de diferentes jornalistas, essa tese já foi defendida. Mas agora, talvez mais do que nunca, está claro que a EDM segue viva. E essa noção veio com muita força depois do que vimos no último final de semana no Ultra Music Festival, em Miami, e no Lollapalooza Brasil, em São Paulo. Os dois grandes festivais mostraram que o público, mais do que nunca, está curtindo o gênero.

A ironia com a “morte da EDM” voltou a bombar nas redes sociais da cena eletrônica brasileira nesse último final de semana.

No Lollapalooza, tivemos várias demonstrações do quanto a EDM está gigante e incomodando muita gente. Ao G1, Braulio Lorentz, por exemplo, defecou pelos dedos em uma matéria sobre o duo americano The Chainsmokers, que fez um dos melhores shows do festival, mas que, para o jornalista, “roubou o público da tão aguardada banda de rock Metallica“, “utilizando truques de DJs” e “tocando músicas pop” como “Closer”, “Roses” e “Something Just Like This” (esta, fruto de uma parceria com o Coldplay). 

Toda essa revolta talvez fizesse algum sentido se as músicas pop que os caras tocaram (e cantaram) não fossem de sua própria autoria, se eles não fossem DJs para usar tais “truques”, ou se até mesmo não tivessem alcançado o topo das paradas mundiais com suas excelentes faixas — as quais, sem dúvidas, o público foi ali para ouvir. Além disso, vale lembrar que ninguém rouba público de ninguém. Quem foi para ver Metallica estava vendo Metallica, quem foi para ver The Chainsmokers, viu The Chainsmokers; e nos anos anteriores não foi diferente, com nomes como Jack Ü, Calvin Harris, etc.

Claro, em muitos aspectos um show do Chainsmokers é mais simples do que um Marky, Solomun, Riche Hawtin (que me pergunto se o jornalista em questão conhece e consegue distinguir, ou se para ele é tudo igual), mas nem por isso é inferior; são apenas propostas diferentes. Se fosse uma piada, como Lorentz sugeriu, como seria capaz de roubar o público da maior atração do festival? Os fãs foram ver a atração certa, e talvez quem não estivesse no lugar certo fosse o jornalista, que, como boa parte da grande imprensa brasileira, parece ainda não ter entendido o valor da cultura DJ, ficando naquele papo antigo de que um DJ set é inferior a um show de uma banda, de que a música eletrônica é inferior ao rock. Mas infelizmente, não é novidade: como nosso colunista Flávio Lerner escreveu aqui em fevereiro, à ocasião da campanha difamatória da Jovem Pan com o festival Dekmantel São Paulo, o preconceito disseminado pela grande mídia ainda é um dos maiores obstáculos que nossa cena enfrenta.


LEIA TAMBÉM: A Jovem Pan e o “jornalismo” que atrasa a música eletrônica no Brasil


No mesmo Lollapalooza, pode-se destacar também mais uma apresentação que mostrou a grande força da música eletrônica no Brasil. Vintage Culture teve a entrada da pista do Palco Perry interditada por conta da superlotação. Muita gente ficou de fora sem poder assistir à apresentação do fenômeno brasileiro.

Esse tipo de constatação volta a nos questionar sobre a tal “queda da EDM”. E é aqui que precisamos esclarecer um ponto que gera muitas desavenças: EDM, para muitos, é sinônimo de Big Room/progressive house, o gênero mais mainstream que dominava a cena. Partindo dessa constatação, quando falam que a EDM caiu, faz sentido. Observando como CEO da Phouse nesses últimos três anos, eu entendo que houve uma falta de curadoria especializada em alguns clubs e festivais, que abriram espaço para “artistas” que mal dominavam a arte de discotecagem ou sequer entendiam a essência de se construir uma pista, fazer um bom warmup… Isso levou à saturação da EDM enquanto Big Room.

Esse ciclo é normal, e acredito que estamos voltando a vivenciá-lo no Brasil com a bolha que está se formando em volta do low-bpm/deep house/Brazilian Bass. Há muitos bons nomes por aí que têm grande potencial de conquistar o mundo, ao exemplo de Chemical Surf, Cat Dealers, Jord, Ricci, Illusionize, Malik Mustache e até os pioneiros Vintage Culture e Alok. Podemos considerar que essa turma nova representa uma nova fase da EDM no Brasil, na qual se mudou o estilo, mas não a essência: com fogos, efeitos e muita tecnologia envolvida, podemos ousadamente afirmar que Vintage Culture e Alok não ficam tão longe de um grande show de EDM. A fórmula continua igual, tendo sido apenas adaptada para o mercado brasileiro.


LEIA TAMBÉM: O Tomorrowland Brasil provou que a EDM não morreu


No entanto, a curadoria de um bom lineup e os artistas com bom feeling de pista seguem sendo fundamentais — e nesse sentido já estamos nos perdendo mais uma vez, pois muita gente já não aguenta ir a um club para ouvir vários headliners, e novatos que se acham headliners, tocando a noite toda a mesma coisa. Está rolando novamente a mesma confusão que ocorreu com a geração Big Room, que achava que ser produtor musical é o bastante para poder comandar uma pista. Esse tipo de falha gera os mesmos problemas de antes: DJs iniciantes querem bancar de Hardwell e Dimitri Vegas & Like Mike, tentando transformar clubs em grandes festivais como Tomorrowland, com direito a berros e até xingamentos aos microfones em seus 15 segundos de fama. Isso tudo só serve para esvaziar a cultura eletrônica e reforçar a visão de críticos como Braulio Lorentz.

Por outro lado, alguns dos grandes clubs e DJs/produtores nacionais têm trabalhado com seriedade para levar a uma renovação da EDM, sem pecar no quesito de curadoria. Um exemplo é o nosso caçula Laroc, que recentemente apresentou artistas como Sunnery James & Ryan Marciano, Kryder, Eric Morillo, Ferry Corsten e Galantis. Já o veterano Green Valley anunciou Hardwell para abril, indicando que os bons tempos de EDM no club estão voltando, sem contar o próximo Ultra Brasil, que deve vir com uma dose cavalar do gênero, assim como os principais headliners do Electric Zoo, que chega ao país pela primeira vez.

Artistas brasileiros como FTampa, Marcelo CIC, JAKKO e Felguk estão se reinventando e voltando com seus shows e músicas mais comerciais, deixando um pouco de lado o Big Room e apostando em uma sonoridade mais pop/radiofônica, tal qual os próprios Chainsmokers. Foi o caso também de “Hear Me Now”, a mais recente produção do Alok com Bruno Martini e Zeeba, que pouco tem da sua marca registrada Brazilian Bass. Portanto, é simples de entender que por mais que tentem matá-la, a EDM está bem longe de morrer — ela apenas se transforma.

Foto: Gui Ubarn – Laroc

LEIA TAMBÉM:

[Ainda] Precisamos falar sobre a EDM

“Um negócio como o Laroc não pode durar menos de quatro anos, ou terá sido tempo e dinheiro perdidos”

Quem ainda tem medo da música eletrônica?

Exclusivo: DJ Marky fala sobre novos lançamentos e o que falta na cena brasileira

Como a crise e as mudanças de mercado geraram um novo perfil de festivais no Brasil

Faça parte da maior plataforma de música eletrônica do Brasil! Curta nossa página no Facebookinscreva-se em nossa newsletter.
RECEBA NOVIDADES NO E-MAIL

Deixe um comentário

Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

Publicado há

Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

No Forte do Brum, o Boiler Room de Recife celebrou a música brasileira e fez história

Orgânica e ecumênica: uma história oral da Gop Tun

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

História e cultura da música eletrônica: Camilo Rocha ministra curso em SP

Continue Lendo

Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

Publicado há

Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

“Um negócio como o Laroc não pode durar menos de quatro anos, ou terá sido tempo e dinheiro perdido”

De Valinhos para o mundo: Laroc assina festas no exterior

Confira a posição do Laroc Club na nova lista da DJ Mag

Veja como ficou o novo palco do Laroc, debutado no aniversário do clube

Techno se mantém como gênero mais vendido no Beatport pelo 3º ano consecutivo

Continue Lendo

Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

Publicado há

Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

Exclusivo: DJ Marky fala sobre novos lançamentos e o que falta à cena brasileira

DJ Marky solta remix cheio de groove para grupo inglês

O que significa ser um DJ? Alguns dos principais nomes do país respondem

No Forte do Brum, o Boiler Room de Recife celebrou a música brasileira e fez história

30 músicas para 30 anos: DJ Mau Mau celebra 3 décadas de carreira com playlist exclusiva

Continue Lendo

Publicidade

XXXperience 300×250
Cat House 300×250

Facebook

PLAYLIST

Trending

-->

Copyright © 2018 Phouse

Translate »
Cat House Pop Up