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No Forte do Brum, o Boiler Room de Recife celebrou a música brasileira e fez história

Flávio Lerner

Publicado em

26/01/2016 - 9:31

Evento mostrou como a dance music e a cultura DJ vão muito além de house e techno.

Na última quinta-feira, tivemos o primeiro Boiler Room brasileiro de 2016, no Forte do Brum, em Recife. E que Boiler Room!  A convite da galera da Ballantine’s — agradecimentos do coração a Adriana Texeira, Manuela Reis, Caio Cruz, Gigi Costa e Ken Lindsay —, a Phouse esteve lá representada por seu CEO, o Luckas Wagg, e o Fernando Cruz, diretor de marketing e repórter da Phouse TV.

todd terry - Luckas Wagg - Fernando Cruz

O Luckas e o Fernando foram muito bem recebidos desde o dia anterior, com direito a jantar especial e degustação de uísque na companhia do diretor de desenvolvimento do BR, o londrino Steven Appleyard. Na quinta-feira, puderam conferir a passagem de som do Gilles Peterson, tietar o Todd Terry e trocar uma ideia no camarim com os DJs Nuts e Tahira e com o diretor de marketing da Pernod Ricard Brasil, o Rafael Nadale [tudo isso rendeu material pro próximo episódio da Phouse TV]. O rolê começou perto das 20h [horário local], e a dupla da Phouse só conseguiu entrar porque tinha passaporte de imprensa — às 21h o pico já tinha atingido a lotação máxima [600 pessoas], e, sem brincadeira, umas mil ficaram do lado de fora.

Mais cedo, quando o Luckas e o Fernando foram fazer o reconhecimento do terreno — no local que é atualmente a base do exército em Recife —, se surpreenderam por ver uma instalação muito diferente do imaginário típico do Boiler Room. As salas herméticas davam espaço a uma estrutura de festival, com palco em espaço semiaberto. Na verdade, um dos grandes lances do BR é justamente a capacidade de se reinventar e abrir novas possibilidades sem perder sua essência: o projeto, que começou em 2011 com festinhas secretas em escritórios londrinos transmitidas ao vivo na web, cresceu muito em cinco anos, se expandiu pra diversos outros países e teve a capacidade de romper as fronteiras do seu próprio formato. Os DJs e as pistas de dança intimistas ainda são o foco, mas isso não impede edições em espaços maiores, planos de câmera diferentes e sessões com grupos de jazz.

Essa edição pernambucana, porém, teve outro grande diferencial: fez parte da série Stay True, que foi justamente lançada em conjunto com a Ballantine’s para explorar as influências musicais de vários países. A Stay True começou em 2014, no México, e nesses quase dois anos passou por Chile, Polônia, Alemanha, África do Sul, Rússia, Escócia e Espanha, até chegar ao nosso país.

Vamos ao que interessa: música

Infelizmente eu não pude estar presente in loco, mas o barato do Boiler Room é poder participar da festa pelo computador. E fiquei de queixo caído. A noite toda foi reprisada na web da sexta-feira até o domingo, em loop, e eu devo ter assistido a cada set de três a seis vezes. Foi efetivamente uma grande aula de cultura DJ e de música brasileira ao mesmo tempo — os DJs, todos fora de série, construíram sets brilhantes que trafegavam, cada qual a seu estilo, entre episódios da nossa história musical, mostrando ao mundo nossa bagagem e a importância do DJ como artista, curador e pesquisador.

O line-up foi escolhido a dedo para representar toda essa brasilidade, e brilhou mesmo com as mudanças de última hora: não sabemos por que, mas o lendário-porém-subvalorizado-no-Brasil Marcos Valle foi substituído poucos dias antes por dois reforços de peso: o local 440 e o gigante britânico Nightmares on Wax. O time todo, no fim, tinha uma ligação enorme com a música brazuca.

Tirando os BRs que não trouxeram DJs, mas grupos como os de Hermeto Pascoal, o trio de jazz carioca Azymuth ou a banda de jazz contemporâneo Bad Bad Not Good — estes dois últimos, por sinal, apresentados na casa do Gilles Peterson —, eu nunca havia visto um Boiler Room em que a música eletrônica não tinha sido a protagonista. A maior parte dos sets enfatizou uma forma mais primitiva da dance music: o samba, a bossa nova, o jazz-funk, o Jorge Ben; as batidas africanas de ritmos folclóricos típicos do nordeste; a antropofagia da tropicália e do mangue beat. Foram sete horas de imersão que revelaram a riqueza da nossa herança cultural, que é infelizmente desprezada por enorme parte dos DJs de expressão do Brasil atualmente.

O destaque pernambucano 440 foi o responsável pela abertura. Artista menos famoso e com menor autoridade da noite, fez um dos sets mais tesão, com um interessantíssimo global bass que misturava regionalismos e organicidade com beats sincopados e bass. Uma gratíssima surpresa. O Tahira, que é celebrado por incorporar muitos ritmos étnicos em sua arte, também mandou DEMAIS em uma performance que lançou mão de muita música nordestina — sobretudo o samba de coco e o coco de embolada/coco de repente —, além de MPB, como “Bola de Meia, Bola de Gude”, do Milton Nascimento; tudo sem remixes. A música típica brasileira é dançante por si só.

O samba de coco do Coco Raízes do Arcoverde integrou o baita set do Tahira

Depois, foi a vez do Gilles Peterson assumir os toca-discos. Nascido na França, mas criado em Londres, Peterson é uma instituição da música brasileira, já que vem escavando tesouros do nosso País pra importar pra Europa há mais de 30 anos. Em 2014 ele fundou o grupo Sonzeira, com músicos do calibre de Elza Soares, Seu Jorge, Kassin, Mart’nalia e o próprio Marcos Valle, e aí produziu e lançou com eles o disco Brasil Bam Bam Bam. Agora, o DJ nos deu a honra de apresentar em primeira mão seu mais novo projeto: a releitura eletrônica do fantástico disco Tam Tam Tam, de José Prates, de 1958. Sim, nosso amigo Gilles gosta de sílabas onomatopeias.

Com o auxílio de dois produtores que o auxiliaram com controladoras e synths, o DJ fez uso de vinil e pendrive pra mandar o set mais quebrado da noite. Gilles é muito mais um DJ de rádio, pesquisador e apresentador de sons raros, do que um DJ artista, que costura sets coesos. Assim, mandou uma mistureba de global bass, acid jazz — estilo que ajudou a difundir no início dos anos 1990 e que se popularizou em bandas como o Jamiroquai — e ritmos folclóricos brasileiros, com bastante coco, maracatu e baião. A maior parte dos sons foi orgânica, mas foi possível detectar alguns remixes dessas faixas tradicionalistas, como um edit do francês iZem para “Tarde Nordestina”, da Marinalva. O set, que foi mais contemplativo do que pista, ainda contou com uma palhinha de MC da rapper Karol Conka, que a convite do Gilles cantou duas músicas por cima de percussões africanas: “É o Poder”, faixa sua produzida pelo Tropkillaz, e “Maracatu Atômico”, clássico do Chico Science & Nação Zumbi.

‘Tam Tam Tam’ é um disco raro e histórico; sua terceira faixa, ‘Nânâ Imborô’, foi chupada por Jorge Ben na criação de ‘Mas que Nada’; Gilles Peterson esteve atrás desse álbum por anos

Se o set do inglês foi o menos técnico, o de Nuts foi o mais: o DJ, que já cansou de tocar em turnês com o Marcelo D2, mandou um mix quase todo de samba e bossa nova. Com cortes e transições rápidas, ele fez a costura musical mais classuda e habilidosa desse Boiler Room. A essas alturas, a galera presente já estava dançando pacas, e roubou a cena um time de b-boys e b-girls mandando ver nos brakes.

Depois de muitas horas em que os sons orgânicos e quebrados dominaram, as coisas começaram a ficar mais eletrônicas e 4×4. O Nightmares on Wax, natural do Reino Unido mas hoje cidadão de Ibiza, começou a injetar seu delicioso house baleárico e pouco ortodoxo, construindo, talvez, o set mais brasilidades da sua vida. E se os artistas anteriores enfatizaram o passado da música do nosso País, o britânico mostrou um pouco do nosso futuro, ao tocar “Karma” — nova track do excelente-mas-subvalorizado-no-Brasil [lembra alguém?] duo Fatnotronic. “Karma” foi lançada semana passada pela Deewee, selo dos 2manydjs, e é a melhor faixa dos caras até hoje; uma bomba acid house futurista, conforme eu já havia descrito em uma matéria sobre eles. Ela ainda não está disponível digitalmente, mas vai ter clipe saindo ainda nesta semana.

Por fim, outra lenda, o nova-iorquino Todd Terry, fez o set mais dissonante, com pouca música brasileira. A influência de Terry pela nossa música aparece em elementos mínimos, como samples de cuíca em faixas como “Samba”, “Sume Sigh Say” e “Jum Bah Day”. A onda do cara, mesmo, é a house clássica, e foi isso que ele trouxe pro Forte do Brum. Em vez de uma discotecagem óbvia, porém, preferiu usar três CDJs [foi o único a não tocar com vinil] pra mandar edits ao vivo de clássicos noventistas como “Show Me Love”, “Gypsy Woman”, “You Don’t Know Me”, “Music Sounds Better With You” e, claro, seu próprio remix de “Missing”, do Everything But the Girl. Um set bastante saudosista, que nos fez voltar à época em que os hits da música de pista tinham mais alma e eram menos bregas.

Assim, encerrou-se um evento absolutamente único, histórico, que eu espero que possa vir a ser um divisor de águas pra nossa cena clubber. Essa noite foi uma aula de como dance music e cultura DJ significam muito mais do que house e techno, e todo artista nacional deveria ter assistido; sem uma cabeça fechada, qualquer um teria expandido muito seus horizontes. A reprise saiu do ar, mas esperamos que a turma do Boiler Room coloque os vídeos no Youtube em breve — pelo bem da nação.

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Entrevista

Conquistando a Ásia: DJs brasileiros falam sobre o novo polo da música eletrônica

Nayara Storquio

Publicado há

Ásia
O jovem Liu estreia na Ásia nesta semana. Foto: Rafael Oliveira/Divulgação
Bhaskar, Liu, FELGUK e Cat Dealers relatam suas experiências no continente
* Com a colaboração, revisão e edição de Flávio Lerner

Quando falamos de dance music no contexto internacional, os primeiros destinos que vêm na nossa cabeça são Europa e Estados Unidos. Não se iluda; este é apenas mais um reflexo da influência musical e cultural que esses lugares têm sobre nós. A verdade é que o novo oásis da indústria da música eletrônica está bem mais longe do que imaginamos: na Ásia. E é pensando nisso que não só os Top DJs mundiais como também os brasileiros estão se aventurando em terras orientais e fazendo muito sucesso.

Que a Ásia vem roubando a atenção do mercado não é de hoje. É evidente que o continente proporciona condições ideais para realização de festivais, por exemplo. Se avaliarmos o clima, o público, as paisagens e o custo, fica fácil saber o porquê. Ainda em 2015, o CGA Strategy divulgou um ranking dos 250 melhores festivais do planeta, e a Ásia, com apenas dez concorrentes, emplacou cinco: o Sunburn, na Índia; o Zoukout, em Singapura; e Clockenflap e Storm Electronic Festival, na China. De lá pra cá, a cena só cresceu.

Sabendo da mina de ouro que se tornou o “mundo oriental”, os nossos DJs também resolveram desbravar o continente. Alok, FELGUK, Cat Dealers, Sevenn, Liu, Bhaskar, D-Stroyer, Gaby Endo, Wav3motion, Renato Cohen, Gui Boratto e André Pulse são alguns dos que se destacam nessa aventura, e a Phouse entrevistou alguns dessa lista que só aumenta.

Ásia

Foto: Divulgação

Neste sábado, dia 04, a label UP Club desembarca no Half Moon Festival, em Koh Phangan, Tailândia. O showcase do selo de Alok vai levar muita brasilidade consigo com Liu, Bhaskar, Shapeless, Ekanta, Logica (antigo projeto de Bhaskar e Alok) e o Tripical (o único artista que não é brasileiro) fechando o line. Alok já deixou suas marcas no Oriente, e é visto como um dos nomes que “puxou o carro” para os seus colegas terem mais espaço no outro lado do planeta. O DJ mais popular do Brasil faz várias turnês no continente asiático desde 2016, tocando em países como China, Indonésia, Vietnã e Filipinas.

Seu irmão, Bhaskar, também tem experiência no continente. O DJ já tocou no SKY Garden, em Bali, no 1900 Le Theatre, no Vietnã, além do próprio Half Moon Festival, e nos contou sobre suas impressões. “[Os asiáticos são] Um povo muito evoluído mentalmente. O que sinto é que é mais difícil perder a pista na Ásia. Todos estão super envolvidos do começo ao fim da apresentação, e parecem não se cansar nunca!”, complementa o DJ. O artista comentou também sobre as limitações da cena e sua crescente evolução. “Como a música eletrônica não tem barreiras, era de se esperar que chegasse aqui [na Ásia], e esse crescimento tem sido constante. Cada vez que eu volto eu noto a diferença. A única parte chata é que vários clubs têm limites de horários bem restritos, então se torna difícil fazer sets mais longos.”

Já o jovem Liu, que inclusive tem descendência chinesa, está chegando agora na cena oriental, e entende que o mercado asiático é promissor. “A Ásia é um dos maiores novos polos de música eletrônica do mundo, pois é um continente massivamente populoso e que está em constante expansão econômica”, argumentou. Ele defendeu ainda o “up” que tocar no continente pode dar na carreira.

“Acredito que exista uma grande relevância e respeito na carreira dos artistas em atingirem a Ásia, já que é um mercado fechado e difícil de chegar”. Liu revelou que já foi até convidado para participar de um reality show sobre DJs na China. “Foi uma grande honra em saber que represento os DJs chineses no Ocidente. Não sei se vou poder participar devido às minhas datas no Brasil”. O garoto toca nesta semana em dois showcases da UP Club (Vietnã, no dia 03, e Tailândia, no dia 04).

Os caras do Sevenn também podem ser considerados parte dessa história. Americanos de nascimento, mas brazucas de coração, os dois têm a maior parte da sua agenda hoje em dia voltada para o nosso país, sendo inclusive representados pela Artist Factory — agência de São Paulo que cuida da carreira de muitos dos nomes aqui citados. O Sevenn está com uma turnê recheada de destinos asiáticos para 2018. Só neste mês de agosto eles vão tocar no Japão, na Índia, na Tailândia e na Coreia no Sul. A Phouse tentou contato com o duo e o Alok para mais detalhes de suas experiências orientais, mas não recebemos resposta até o fechamento desta matéria.

Enquanto para uns a Ásia ainda parece ser “outro planeta”, para outros ela já faz parte da vida profissional. É o caso do FELGUK. Os brasileiros já tocam por lá há quatro anos, e revelaram pra gente que a presença eletrônica no continente só cresce. “Quando falamos da Ásia, falamos da maior população do mundo, a velocidade com que a música eletrônica cresce lá é impressionante. Os menores festivais são quase do tamanho dos maiores daqui. Acredito que nos próximos anos a Ásia será o novo polo da música eletrônica, se já não é”, comentam.

Os dois acrescentam que antes deles, o Wrecked Machines, antigo projeto do Gabe, já havia passado por lá. Ainda segundo os DJs, a vertente mais popular era o psytrance, e a maioria das festas e festivais aconteciam no Japão. Outra característica de destaque no cenário asiático de dance music é a estrutura. “São extremamente inovadores quando o assunto é produção de eventos. Os níveis de produção e tecnologia usados nos clubs e festivais, é de ficar de boca aberta”, lembrou o duo, que já tocou no M2 Club, em Shanghai, e V2Tokyo, no Japão.

“A música como um todo, inclusive a EDM, tem a capacidade de unir as pessoas, independentemente da cultura, do credo e da filosofia” — FELGUK.

Outra dupla que chegou na empreitada oriental recentemente é o Cat Dealers, cujos integrantes destacaram que grande parte da cena de lá é influenciada por padrões ocidentais. “O Top 100 da DJ Mag é bastante influente entre o público asiático. Vários países do continente têm acesso restrito a sites e redes sociais ocidentais, portanto países como a China usam o ranking para saber quem são os DJs em alta pelo mundo”, disseram, indo ao encontro da carta aberta ao público que 3LAU escreveu sobre a relação entre o Top 100 e a Ásia, em 2016.

Para os Dealers, a chegada ao continente asiático também foi proporcionada pela popularização de uma de suas produções mais recentes. Eles revelaram que “depois de ‘Sunshine’, que fez bastante sucesso na Rússia”, foi possível pôr a Ásia na agenda. A turnê incluiu shows na China, Hong Kong, Vietnã e Coreia do Sul, em julho deste ano. Apesar do crescimento do mercado, eles confessam que chegar na Ásia ainda é um “feito inusitado” para alguns. “Os outros DJs sempre nos perguntam como são os detalhes, como é a vibe do público, como são os clubs… Rola curiosidade demais, parece que fomos tocar na Lua”, brincam.

Os números não mentem: tanto os exemplos da exportação dos nossos DJs quanto as pesquisas evidenciam a Ásia como um potente mercado para o setor. Divulgado em maio, o IMS Business Report 2018 já tinha apontado a música eletrônica como o gênero que mais cresceu em popularidade no continente. O estudo revela que 64% da China e do Taiwan escutam dance music, chegando a 74% na Coreia do Sul. Dá pra apostar, então, que vai ter muito DJ indo pra lá nos próximos anos — e, tomara, cada vez mais brasileiros espalhando a sua arte.

Nayara Storquio é redatora da Phouse.

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Entrevista

Federal Music aposta em racionalidade e “pés no chão” para seguir bombando no Brasil

Nayara Storquio

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Federal Music
Raul Mendes no Federal Music. Foto: Filipe Miranda/Reprodução
Raul Mendes explica como driblou o desânimo e os obstáculos para seguir firme com seu festival

O nosso país não passa por um dos melhores momentos econômicos já há algum tempo, e isso afeta vários setores da dance music nacional, entre eles os festivais. Em tempos de vacas magras, o Federal Music Festival vem procurando se reinventar para se manter na agenda, driblando as adversidades impostas pelo momento, pelo público e pelo mercado.

Em 2015, depois de uma intensa campanha publicitária que atraiu pessoas de todas as partes do país, o Brasil conheceu o Federal Music. O festival surgiu em 2011, com o intuito de tornar Brasília uma das cidades referência em música eletrônica, e nesses sete anos acumulou mais de 190 mil frequentadores, virando tradição na capital nacional.

“É muito triste apostar em tendências e as pessoas quererem somente o ‘feijão com arroz’. Meus sócios me fizeram enxergar o evento mais como business: fazer só o que o público quer” — Raul Mendes

O “Federal”, como os brasilienses o apelidaram, é hoje o maior evento de música eletrônica da sua região. “Criamos a maior marca de música eletrônica do Centro-Oeste do país e temos grande parte nisso, pois não medimos esforços até então para trazer o que há de melhor no mundo para cá”, comenta o DJ e produtor Raul Mendes — sócio-fundador do evento ao lado do DJ Raff —, em contato com a Phouse.

Mesmo com os grandes resultados da popularização do gênero no Planalto Central, nem tudo foram flores na trajetória do evento. Com a chegada da crise, que forçou cancelamentos de festivais ao redor do país nos últimos anos, o Federal teve que remar para não desaparecer. “Brasília é uma cidade que anda para trás. Fica cada vez fica mais difícil empreender no mercado de entretenimento. É a comunidade batendo de um lado, a gente tentando resolver de outro, e o público criticando. Difícil equalizar essa vibe. Se tivéssemos mais incentivo e mais tolerância, seria o ideal”, segue Mendes.

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As dificuldades chegaram a um ponto crítico no ano passado, quando Raul chegou a anunciar seu afastamento, alegando desmotivação. “É muito triste apostar em tendências, investir pesado e as pessoas quererem somente o ‘feijão com arroz’ comercial que toca toda hora”, explica. “Em 2015, 2016 e 2017 foi assim, e cada vez piorando, então tomei a decisão de sair. Porém, o negócio não anda 100% sem a minha presença, e meus sócios me fizeram enxergar o evento mais como business: fazer só o que o público quer realmente ouvir, e pronto.”

A partir de agora, o Federal se planeja para driblar os imprevistos, contratempos e dificuldades impostas pelo macroambiente com “pé no chão, pouca emoção e trabalhando mais dentro do racional”. A edição de 2018 segue dentro dos conformes, e já tem algumas atrações confirmadas. Infected Mushroom, SKAZI, Astrix, Paranormal Attack, Reality Test, Trindade B2B Dimitri Nakov, Freakaholics e Hi-Profile são os nomes para o palco de psytrance em destaque até agora, enquanto os brasileiros Felguk, Liu, Devochka, Cat Dealers, Evokings, KVSH e VINNE, além do italiano Jude & Frank, são os DJs já escalados para o segundo palco, de low BPM/brazilian bass. Diversos outros nomes ainda serão anunciados.

Primeira fase, anunciada no começo do mês, já tem acréscimos

“No psytrance, os heróis são os artistas internacionais. Na house, deixamos de priorizar os gringos e estamos consumindo mais cena nacional. Analisamos quem está mais em evidência no momento em nossa cena — os artistas mais pedidos e os eventos que estão mais bombando”, explica o boss do Federal Music. Além dos dois palcos, em que prometem “cenografia inédita”, o evento trará novidades para este ano. Em primeira a mão, Raul nos adiantou que desta vez o festival terá sua primeira edição “que adentrará o dia”, em vez de se encerrar na madrugada, como de praxe. A produção ainda promete elevar as expectativas em qualidade: “Vamos ter uma entrega jamais vista. Nesta edição teremos muito a nível de experiência, fora o lineup”, concluiu.

Em local inédito, ainda mantido em segredo, a oitava edição do Federal Music vai rolar no dia 11 de outubro. Em lote promocional, os ingressos já disponíveis via Sympla.

Nayara Storquio é colaboradora da Phouse.

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Premiere

PREMIÈRE: Gezender, Moebiius – Samadhi (BLANCAh Remix)

Phouse Staff

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BLANCAh Hernan Cattaneo
Foto: Reprodução
Faixa será lançada em EP pela Neurom Records

Hoje tem lançamento de faixa exclusivo aqui pela Phouse. Trata-se do remix de BLANCAh para “Samadhi”, collab entre os produtores brasileiros Gezender e Moebius. A faixa faz parte do EP Tantra, que será lançado oficialmente no próximo dia 26, pelo selo berlinense Neurom Records. Além da original e da produção da BLANCAh, o disco traz remixes dos projetos paulistanos TessutoTeto Preto.

“A BLANCAh é nossa amiga há muitos anos. Ela é de Florianópolis, de onde eu vim, e onde o Moebiius mora, e nosso trabalho tem muitas coisas em comum”, explicou Gezender à imprensa. “Eu mostrei a música para ela, que adorou e topou fazer o remix.” Em contato com a Phouse, a artista complementou: 

“Geralmente quando eu aceito fazer remixes para outros artistas, tenho uma tendência de colocar muito da minha identidade, a ponto de quase parecer outra música. No caso desse remix específico, foi diferente. Foi o trabalho mais generoso que eu fiz porque fiz pensando no Tiago Franco [Gezender]. Pelo carinho que eu tenho por ele, pelo fato de eu já conhecê-lo há um tempão, por conhecer um pouquinho do gosto musical dele, da cena que ele criou em Floripa…”, declarou a BLANCAh. “Então eu tentei usar os sintetizadores um pouco mais rasgadinhos, alguns momentos lembrando de leve um electro, pensando bastante nas lembranças que eu tinha dele. Eu não criei muitas viagens etéreas nele, fui mais específica e direto ao ponto.”

E apesar de o EP só chegar daqui a sete dias, é nesta noite de quinta que vai rolar a festa de lançamento do EP. O rolê é no Tokyo, em São Paulo, a partir das 23h. O lineup traz os autores de Samadhi e dois dos remixers do EP: BLANCAh e Tessuto.

“Convidamos dois dos artistas que fizeram remixes para a ‘Samadhi’, com sets que passeiam entre house, electro e techno”, complementa Gezender. “As influências japonesas presentes no Tokyo, onde acontece a festa, passeiam também pelas nossas produções, e o local escolhido pra este lançamento vem muito a calhar. Vai ter pista fervendo até as 6h da manhã!”

Você pode conferir mais informações na página do evento.

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