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Review

Sem jogar o óbvio no Warung, Danny Tenaglia mostrou por que é uma lenda

Jonas Fachi

Publicado em

03/08/2017 - 19:19

Por que demorou tanto? Um dos últimos mestres que ainda faltavam debutar no Templo, o pioneiro de Nova Iorque Danny Tenaglia se sentiu em casa, enquanto trouxe mais de 30 anos de sabedoria para uma noite emblemática e carregada de supresas.

* Fotos por Gustavo Remor

Os Warungs de inverno sempre são diferentes, e no último evento me senti naqueles anos mágicos da primeira década do club, quando as pessoas chegavam mais tarde — não existia limitação de horário — e não existia tanta lotação. De fato, era meia-noite, e o público ainda estava bem tímido. Por um momento acreditei estar revivendo o sentimento de uma das noites mais impressionantes que já vivi no Templo — com papa Sven Väth em 2012, quando chegou e tocou para meia pista no Inside, em pleno aniversário de dez anos do club! Um desastre de público que até hoje é inexplicável, porém com a meia pista mais feliz e animada que eu já vi lá dentro. Lembrando disso, fiquei animado e receoso ao mesmo tempo, pois o nível artístico com Danny Tenaglia fazendo sua aguardada estreia era equivalente, mas poderia ser terrível para a casa ter uma pista vazia. Felizmente, à 01h, parece que todos resolveram entrar juntos, criando volume nas duas pistas.

Tenaglia é um daqueles nomes que eu sempre me perguntei o porquê de nunca ter se apresentado no Warung. Seu estilo, sua maneira de tocar e a força do seu nome dentro do cenário conceitual pelo mundo sempre estiveram em consenso com a proposta do club. Sabemos que para uma casa noturna no Sul de um país emergente foi tudo mais difícil. Some isso ao fato do artista ter poucas passagens por nosso continente nos últimos dez anos; depois de décadas rodando o globo e de ter alcançado tudo, é normal optar por diminuir um pouco o ritmo. Porém, ele ainda parece ter um desejo imenso de mostrar o porquê é quem é, e isso fez com que a casa não perdesse a oportunidade de trazê-lo, não só para riscar da lista as poucas lendas que ainda faltam debutar, mas também por ele realmente ter muito a ensinar — e cada um que se dispôs a estar presente no dia 22 de julho, pôde sentir e aprender como se comanda uma pista de verdade.

+ O que esperar dos sets do lendário Danny Tenaglia em Warung e D-EDGE

Assisti no Garden até então o set do Leozinho com entusiasmo: ele jogou tracks de nomes como Rodriguez Jr. e 16 Bit Lolitas. Subi após a meia-noite para ouvir um pouco do final do set da residente Aninha — fazia tempo que não a ouvia. Ela é o tipo de DJ que você pode ficar anos sem prestigiar, e mesmo assim irá reconhecê-la comandando os decks com a mesma classe e o bom-gosto que a fizeram ser um dos artistas mais respeitados do país. Em seguida, Paulinho Boghosian era outra figura que eu não assistia a um bom tempo. Ele é um artista a quem você pode confiar o warmup de um horário mais avançado, porque é acima de tudo um grande pesquisador e conhecedor de DJs a nível global, desses que chegam aqui muitas vezes sem o público saber direito o que vai ouvir. Era exatamente esse o caso com Danny Tenaglia. Paulinho estava dando a letra, com um set energético e linear, sério e com muita bateria no ritmo.

Paulinho Boghosian

Durante as semanas pré-evento, a comunicação do Warung, no que dizia respeito a promover quem é Danny Tenaglia e o que ele toca, foi direcionada especialmente a suas produções clássicas de house music, e a sua trajetória vencedora de inúmeros prémios por ajudar a expandir a música eletrônica a nível mundial. Isso tudo é incrível, porém muitas pessoas ficaram em dúvida quanto ao que ele iria tocar durante suas 4 horas de apresentação. Seria somente essa linha de house, lenta e cheia de vocais? Meu artigo que antecipava o evento tentava desmistificar essa questão, e mostrar que não: Tenaglia é reconhecido como o “DJ dos DJs” por sua outra face na pista de dança. A prova era seu set gravado no Output em NY, no ano passado, em que ele emergiu novamente com a linha de som que o fez explodir no final dos anos 90, através da compilação Global Underground 010: Athens, jogando seu inimitável progressive house, dark, tribal e rápido! Era o que eu esperava, e quando finalmente o americano acenou com seu velho boné ianque e assumiu o controle às 03h, descobri que meu feeling não estava enganado.

Danny Tenaglia

No meio da noite, pressupõe-se que o DJ não precisa de muita introdução para mostrar a que veio, porém, a velha escola da house sempre diz que, ainda assim, você deve trazer as atenções para si. Feito isso, na terceira música Tenaglia mixa ferozmente, jogando de maneira desconcertante o BPM para cima. Olhei ao redor e notei todos surpresos com o groove intenso e as fortes batidas que, por momentos, te davam a sensação de estar ouvindo techno — é verdade que o progressive nos anos 90 flertava com o techno. O melhor de ouvir uma sonoridade dessas em pleno 2017 é que você não faz ideia se são músicas daquela época ou atuais, é algo totalmente atemporal, e acredito que para muitos, soou futurista. Seria uma linha que artistas como Dixon e Mano Le Tough irão abordar daqui a pouco? É possível, e aí então o ciclo se fecharia.

Danny se mantém intacto em seu ritmo até às 05h, quando coloca algumas faixas com breaks longos e algo um pouco mais consciente. Na sequência, retorna com momentos obscuros e aparições um pouco mais leves. A pista estava toda tomada; são poucos os DJs que conseguem criar essa atmosfera, e Tenaglia parecia entender perfeitamente o que faz do Warung um lugar tão especial — sua confiança era de alguém que parecia conhecer aquele lugar há anos. Às 06h, ouço um jogo de baterias mecânico e inconfundível. Simplesmente um edit de “Spastik”, de Plastikman, ecoando sublimemente.

A intensidade voltou até próximo das 06:40h. A energia das pessoas estava ainda muito elevada. Em outros tempos seria um set para não parar antes das 10h, mas armando sua despedida, Danny começa então a jogar suas faixas de house, com mesclas de ritmos tribais, vocais emotivos e picos de conexão que eu não via neste ano desde John Digweed em fevereiro. Como os grandes DJs sempre fazem, não jogou o obvio, não soltou suas produções que tinham sido anunciadas; inseriu novidades, coisas que provavelmente nunca saberemos de onde vem.

O que difere a arte do DJing para outros tipos de artes musicais é isso: o desconhecido é o ponto que diferencia, que marca, e o que prevalece é o reconhecimento do estilo. Agora, o público da casa já sabe e reconhece quem é o verdadeiro DJ Danny Tenaglia. Sua expressão de felicidade contagiava a todos. Sabe aquela sensação de quando todo mundo está pensando a mesma coisa? “Esse cara sabe o que está fazendo, deixe-o nos conduzir.” Era isso. No fim, prestes a virar “Time”, do Pink Floyd — algo que seria surreal —, a frustração do limite de tempo bateu a porta, e ele teve que encerrar seu set sem conseguir esse feito. Ainda assim, os rostos espantados ao meu redor diziam tudo: que volte logo, Danny já é de casa.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

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Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

Publicado há

Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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