Noise Music

“Você aprendia na raça”; Anderson Noise fala sobre os 20 anos de Noise Music

DJ preparou coletânea com lançamentos do selo através das décadas
* Edição e revisão: Flávio Lerner

O sucesso pode ter diferentes significados na vida de uma pessoa; tudo depende de como ela enxerga esse substantivo. No cenário musical, por exemplo, ele pode ser alcançado por um artista com o reconhecimento do público ou com o suporte de um big name do cenário. Mas e se quando, além dessas conquistas, o personagem da história também foi um agente transformador da cena eletrônica nacional? Estamos falando de Anderson Noise, DJ e produtor há mais de três décadas e nome por trás da Noise Music, selo brasileiro de techno que está completando 20 anos neste mês.

Como você deve imaginar, a vida no final dos anos 90 era muito diferente, a internet estava longe de ser o que é hoje, e não existiam plataformas como YouTube, Spotify ou Beatport. Comandar um selo naquela época, então, era um processo bem mais trabalhoso. “Foi doloroso, mas muito interessante. Os processos da produção de vinil eram difíceis, as coisas eram feitas em lugares diferentes; prensagem ali, master lá, rótulo acolá… Não tinha ninguém pra te explicar como fazer, você aprendia na raça”, contou Noise, em papo por telefone.

Anderson Noise em Tóquio, 2008. Foto: STRO!ROBO/Divulgação

E se você tem qualquer plataforma de música a sua disposição, agradeça, porque antigamente você ralava para comprar e depois, claro, pra carregar. “Eu comprava discos lá de fora, ou seja, sem mesmo ouvir as músicas. Eu lia a revista da loja com a lista dos principais lançamentos e pedia para um amigo meu que era comissário de bordo trazer. Então eu acabava levando para as festas os discos que só eu tinha, e ainda cuidava para não perder ou ter meu case roubado. Hoje em dia todo mundo tem acesso a quase tudo”, continou o DJ.

Alguns anos depois, porém, a mídia digital começou a ganhar força em detrimento do vinil, o que levou a distribuidora com quem trabalhava à falência. “O baque de ter parado o vinil foi muito grande, a receita que estava certa não funcionava mais. Lançamos 18 discos e logo depois tivemos que nos adaptar a essa transformação”, seguiu.

Carregando alguns discos entre uma viagem e outra. Foto: Fábio Mergulhão/Divulgação

Noise ainda lembrou que para enviar uma promo a algum DJ, era necessário fazer um alto investimento. “A gente pagava uns cem dólares para uma agência especializada, mais o papelão do vinil, o frete, isso só pra mandar para a casa do DJ, porque só essas agências tinham o endereço dos caras como Carl Cox, Laurent Garnier…”.

Hoje, Anderson diz não lembrar de um processo similar ao daqueles tempos. As coisas evoluíram a um ponto tão brutal que, segundo ele, o glamour de ouvir uma determinada música já não é mais o mesmo. “A distribuição hoje é muito diferente. Para algum produtor fazer sucesso é necessário que o cara tenha um grande suporte, senão fica muito difícil. Pela Noise já saíram mais de 140 artistas, lanço muita gente nova, mas hoje vivo um momento em que não posso mais arriscar. Lançamos apenas quando acreditamos que a música é boa de verdade e que ela vai bombar”, explicou o mineiro.

Carl Cox entregando a pista para Noise, em Maresias–SP, 2002. Foto: Fábio Mergulhão/Divulgação

Se você é um DJ novo na cena, leve isso como como um desafio para sua carreira, afinal, se tem alguém que alcançou a atual posição com muito trabalho, suor e dedicação, esse alguém é Noise. “Meu primeiro disco, pedi para meu pai comprar. Eu tinha sete anos e, em troca, tive que ajudá-lo a pintar uma parede. O que eu quero dizer é: tudo que vem fácil, vai fácil. A prática e o gosto da conquista são o que faz um artista ter projeção, e trabalhar para isso é um dos prazeres da vida. É necessário pensar pequeno, começar de baixo, ir subindo degraus para depois chegar ao lugar em que você sonha”, disse ele.

Hoje, com muita força e saúde, o veterano ainda encanta multidões e pequenos públicos por onde se apresenta. Para celebrar essa data super importante em sua carreira e na história do selo, ele preparou uma compilação super especial com grandes clássicos que foram lançados por seu selo. Na seleção — que também está à venda em lojas digitais —, estão nomes como Renato Cohen, Gui Boratto, Victor Ruiz, Jamie Anderson e muitos outros. Aumente o volume e curta as sonzeiras old school.

* Marllon Gauche é colaborador da Phouse.

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