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Novo projeto de Carl Craig ajuda a diluir a resistência popular ao techno

Jonas Fachi

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Fruto de colaboração do pioneiro do techno Carl Craig com Francesco Tristano e a Orquestra Les Siècles, Versus levou dez anos para ficar pronto.

Um dos projetos mais ambiciosos, senão o maior da extensa e admirável carreira de Carl Craig, finalmente está no ar. Lançado há poucos dias, o álbum Versus — originalmente uma gravação ao vivo do “Versus Show”, que acabou se transformando em uma seleção de quatorze faixas — contém as versões orquestradas de alguns dos maiores sucessos de Craig e reedições eletrônicas de trabalhos do pianista clássico e produtor eletrônico Francesco Tristano. Com eles, a Orquestra Les Siècles de Paris (sob a direção de François-Xavier Roth) denota um tipo de parceria entre mundos musicais distantes, mas ao mesmo tempo compatíveis, que constroem um olhar novo sobre a música eletrônica para os meios sociais. Muitos estigmas e muitas barreiras são quebradas em um projeto dessa magnitude.

Vivemos a era da expansão exponencial da música eletrônica em todo o mundo, com clubes e festas chegando a cidades menores e ajudando de maneira gradual a modificar o pensamento de toda uma comunidade. Isso é muito poderoso, pois há alguns anos esses grupos jamais teriam a oportunidade de ouvir um artista internacional — nosso país é um ótimo exemplo disso. Ainda assim, esses mesmos clubes e festas têm sofrido contestações em algumas cidades que historicamente são referência de qualidade artística. Posso citar Buenos Aires e Londres sendo pressionadas por autoridades governamentais, que também são pressionadas pela mídia. Quando pensamos que esse gênero sofre mais preconceito do que se imagina, umas das primeiras questões a se levantar é: como mudar isso?

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Nessas horas, eis que surgem os velhos heróis e pioneiros da música eletrônica para disparar um pouco de luz sobre o caminho. Carl Craig ajudou a criar o techno em Detroit e, trinta anos depois, se dispõe a alavancar um tipo de parceria musical que além de ser tendência para os próximos anos, é uma ótima forma de atingir um público do mais alto nível de exigência, como o da música erudita.

Outros artistas de techno, como Jeff Mills, Laurent Garnier e o brasileiro Anderson Noise, já experimentaram com orquestras, mas o Versus de Craig se distingue dos outros pelo tempo empregado em sua elaboração: o disco está em produção há quase uma década!

Neste vídeo de 2008, podemos ver Carl e Tristano apresentando “The Melody”, uma das faixas de maior sucesso do álbum Not For Piano, de 2007. Ela já conta com remix lançado por Carl em 2010 e agora ressurge com uma nova visão. Esse exemplo se aplica também a outros trabalhos do produtor, como a eterna “At Les”, de 1997, e “Sandstorms”, parte central do aclamado álbum Just Another Day, de 2004. Nesta música em específico, nota-se uma linha de baixo que ganha vida em um estilo como a house, com o BPM se ajustando para os tempos atuais.

É interessante como, a princípio, você pode esperar uma sonoridade fria e mecânica de alguém que se criou na “cidade dos motores”, um dos maiores polos industriais do mundo no século passado; Carl Craig, porém, sempre demostrou um lado emotivo em seus trabalhos. Versus, além de explorar essa faceta com mais intensidade, também carrega em conjunto um conceito cinematográfico, com músicas refeitas para caberem em espaços fora da pista de dança. Essa parece outra tendência bem evidente, visto o álbum Scene Delete, de Sasha, no ano passado. O techno e a música eletrônica, de forma geral, não precisariam estar buscando alguma espécie de legitimidade em outros gêneros que o público “comum” chama de “normal”, mas esse tipo de parceria, além de engrandecer os gêneros e a musicalidade, pode ajudar a diluir as barreiras, ainda fortes, em torno do gênero.

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DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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