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Opinião

O anúncio de Sasha & Digweed no Warung Day Festival é um marco para o Sul

Jonas Fachi

Publicado em

10/11/2017 - 18:11
Sasha John Digweed Warung
O festival do Warung acaba de anunciar o B2B entre as lendas do progressive house como primeira atração para 2018; entenda o significado especial deste momento

Foram anunciadas há poucas horas as duas primeiras atrações do Warung Day Festival 2018. O evento acontece no dia 14 de abril, em Curitiba, e irá receber nada mais, nada menos do que é considerado por muitos o B2B mais expressivo e influente de toda a história da dance music. Com mais de 20 anos de parceria, Sasha e John Digweed chegam para realizar um sonho antigo dos sócios-fundadores do club em Itajaí e também de todo um público formado a partir das influências delineadas em quase 15 anos de atividade.

Caminhando para a quinta edição na emblemática Pedreira Paulo Leminski, o festival da marca já vinha durante a semana anunciando nas redes sociais que “fortes emoções estavam por vir”. Todos sempre souberam que o desejo de trazê-los em um evento do Warung era o que faltava. Rumores começaram a surgir e, com a confirmação, as mídias sociais viraram de ponta cabeça. Pode-se dizer que era o título mais cobiçado para a cena eletrônica do Sul do país, e terá seu capítulo finalizado dentro de alguns meses.

Por que foi tão difícil e demorou tanto? São diversos fatores. Devemos lembrar que apesar de todo o respeito e a conexão que sempre demonstraram com o club durante seus diversos e marcantes shows na Praia Brava, trazê-los juntos era uma tarefa bem mais complexa do que questões de logística ou financeira. Em entrevista para a Phouse em abril, Gustavo Conti, um dos fundadores do Warung, quando perguntado sobre esse sonho de conseguir colocá-los juntos no Sul, respondeu: “Tudo o que vocês podem imaginar já foi tentado. Vamos continuar tentando insistentemente até eles entenderem que todos nós merecemos isso pela cena que construímos todos juntos aqui”.

+ Gustavo Conti: “Sou um clubber forçado a ser empresário para lutar pelo direito de realizar eventos”

É verdade que durante a primeira década de atividade do Templo, os artistas tinham agendas extremamente complexas e fortemente ligadas a grandes festivais quando se apresentavam juntos. Para piorar, em 2010 simplesmente pararam de fazer shows em parceria. Parecia que o sonho tinha acabado, mas tudo mudou no final de 2015, quando surgiu uma foto deles jantando antes do Ultra Music Festival em Tóquio. Comentários de uma possível volta do B2B tomaram conta da internet, reativando entre seus fãs mundo afora o sonho de poder vê-los em ação novamente, e para muitos, pela primeira vez.

Em 2016, durante o feriado de páscoa, John Digweed estava se apresentando em um longset no lendário club Ministry of Sound, em Londres, quando simplesmente Sasha apareceu e os dois começaram a tocar juntos, sem aviso prévio, por convite de Digweed. Assim, de surpresa e para delírio dos presentes, voltaram a dividir uma cabine após um hiato de seis anos.

Sasha John Digweed Warung

Foto durante show surpresa no Ministry of Sound, em 2016

Não precisamos entrar nos méritos que os levaram a ficar tanto tempo afastados. Neste ano, as esperanças ganharam forma quando foi anunciada uma imensa tour global em parceria do Ultra, onde a dupla dominou o palco Resistance por 11 cidades ao redor do planeta. Umas destas foi o Rio de Janeiro, quando, no dia 12 de outubro, muitos brasileiros finalmente tiveram a oportunidade de assisti-los, incluindo este colunista.

Sasha John Digweed Warung

Apresentação durante o último Ultra Brasil (foto por Aline Salgado)

Ao mesmo tempo, por ter sido em uma quinta-feira e pelo fato de a grande maioria dos admiradores das lendas se concentrar no Sul, boa parte não pode estar presente nesse momento tão importante para nossa cena nacional. Eram 12 anos desde a primeira e única apresentação deles aqui, realizada em 2005 no saudoso festival Skol Beats em São Paulo, com direito a um set de nada menos que seis horas!

Remanescentes daquele período são poucos ainda em atividade, porém com um público renovado atualmente, ainda existe um desejo que passou de geração em geração por experimentar ouvir o “dream team” da música eletrônica. Você pode se perguntar o porquê de a região Sul ter essa maior inclinação sobre os dois britânicos e o estilo de música que propõem. Bem, a resposta é simples. Atualmente, é impossível medir o tamanho da influência que o Warung Beach Club tem e teve sobre os gostos pessoais do público essencialmente sulista que forma noites intensas e manhãs mágicas na Praia Brava.

Momentos de uma apresentação recente da dupla em Lima, no Peru

É importante também lembrar que entre 1994 e 2005, “S&D” lançaram nove compilações. Esses trabalhos em conjunto acabaram ajudando a moldar o curso do que se entendia por música eletrônica no mundo, ao mesmo tempo em que deram forma ao que se conhece hoje como “house progressivo”.  Discos como The Mix Collection (1994) e as duas trilogias Northern Exposure (UK Mix, 1996, e US Mix, 1997) venderam milhares de cópias, como nunca antes se imaginou na cena eletrônica, entrando nos rankings dos mais ouvidos entre todos os gêneros.

Se hoje a dance music consegue bater de frente com o rock nas paradas, saiba que eles já tinham alcançado isso no Reino Unido e EUA ainda nos anos 90. Como consequência, seus status se elevaram ao patamar dos super astros de rock, e tudo isso culminou em 2005 no lançamento do DVD Delta Heavy, com bastidores de uma intensa tour de ônibus pelos EUA gravada dois anos antes, onde multidões se arrastaram para seus shows em diversos Estados.

Sasha John Digweed Warung

Apresentação durante o Kappa FuturFestival 2017, Itália.

Em 2002, também foram eleitos pela BBC Radio 1 como o Essential Mix Of The Year, com um set gravado durante o WMC em Miami. Esse é o único mix vencedor até hoje de dois DJs em B2B, sem ser devidamente um projeto. Após 2005, continuaram a se apresentar juntos em grandes festivais enquanto brilhavam também individualmente, até que a curva natural de saturação atingisse seu ápice em 2010.

Agora, com o retorno, mais fortes do que nunca, se ainda existia algum problema quanto à falta de um festival à altura, que tivesse profunda conexão com eles, ele foi sanado com a chegada do Warung Day há quatro anos. Então, no final, tudo estava conspirando para suas vindas — e mais, se tratando da qualidade e do interesse de todo o staff do evento de sempre estar buscando proporcionar o melhor, podemos esperar sem medo um set estendido. Que assim seja, estamos contando as horas!

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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LIFT OFF

Psytrance raiz: Mindbenderz lança álbum transcendental pela Iono Music

Review do debut do duo suíço-alemão é o primeiro texto da nova coluna da Phouse

Nazen Carneiro

Publicado há

Mindbenderz
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Instalar foguetes, preparar motores, verificar comunicação, iniciar sequência de lançamento. Cinco, quatro, três, dois, um… LIFT OFF!

Estreamos aqui a coluna LIFT OFF, que, escrita por Nazen Carneiro, traz um olhar sobre a indústria fonográfica psytrance nacional e internacional — estilo da música eletrônica que se manifesta como uma cultura vibrante e com muitos adeptos no Brasil.

De tempos em tempos a cena eletrônica se transforma e, como um organismo vivo, cresce e se reproduz. Um de seus pilares, o psy se reproduziu e está mais presente do que nunca, com “astronautas” consagrados mantendo-se relevantes, assim como novos “cosmonautas” surgem, evidenciando uma realidade produtiva e frutífera para a criação musical.

Com o crescimento do público, as festas também se multiplicaram Brasil adentro, e os produtores passaram a ter mais espaço para caírem no gosto do público da terrinha e de além-mar. Hoje, o psy mantém viva sua cena underground, enquanto estica seus tentáculos a outros nichos, influenciando — e sendo influenciado — até mesmo pela EDM.

Sem mais delongas, confira o primeiro texto abaixo, sobre o novo álbum do Mindbenderz.

 

Formado pelo alemão Matthias Sperlich e o suíço Philip Guillaume, o Mindbenderz traz, sem dúvida, um dos principais lançamentos do ano no cenário psytrance. Os veteranos, que são muito respeitados na cena eletrônica individualmente como Cubixx e Motion Drive, juntos ficam ainda mais fortes. É o que se vê no álbum Tribalism, lançado em 31/10, pela Iono Music.

O álbum conta com nove faixas que somam mais de 75 minutos. A primeira, “A New Dawn”, traz desde o primeiro minuto muita energia e reflexão num som que conduz o ouvinte a outra dimensão. A segunda faixa dá sentido a expressão “lineup” numa ascendente contínua, revelando uma verdadeira jornada ao desconhecido que segue até meados da faixa seis — “Hybrids” —, causando aquele frio na espinha. Nesse momento de percepção cósmica, uma pausa reconecta o corpo e mente à nossa tribo, e há de fato uma sensação híbrida de se estar em ambas as realidades ao mesmo tempo.

A essa altura, o álbum apresenta suas três últimas faixas no ápice de uma jornada espiritual, e nos encontramos num momento épico em que as características sonoras do psytrance alcançam sua maior amplitude, com uma ampla gama de efeitos numa base transcendental. É puro trance. A mente processa essas informações e a energia flui na forma de dança.

Voltamos para a Terra, mas a memória do que acaba de acontecer permanece. Tontura; excitação… O reator psicodélico agora transforma a energia através de instrumentos humanos. A última faixa dá nome ao álbum. “Tribalism” une percussões especiais, agogô, psy, Ayahuasca e vocais de xangô. Todos no mesmo pitch, como uma onda. Algo nos une, nos traz ao dancefloor, tornando-nos verdadeiramente uma tribo.

Tribalism revela uma composição muito bem realizada, fruto de meses de trabalho e muito detalhismo. Cada segundo do álbum revela a ação do Mindbenderz em promover um som extraordinário e comprometido com aquele pegada tribal, sem deixar de lado os elementos mais futuristas.

No momento do fechamento deste artigo, o álbum ocupava a primeira posição no Top 10 de psy do Beatport, o que mostra a força desse som mais ligado às raízes do estilo entre os DJs e produtores.

Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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Perfil

Entenda a ascensão internacional do DJ e produtor brasileiro Kalil

Lançamentos por grandes labels fazem do paulista um dos principais nomes do techno no Brasil

Alan Medeiros

Publicado há

Kalil
Foto: Divulgação

Nos últimos anos a cena techno brasileira tem servido ao mundo alguns talentos em ascensão, como o caso do talentoso produtor paulista Kalil. O começo de sua carreira foi justamente em um período de grandes inovações relacionadas à forma de consumo de música, e isso foi fundamental para o desenvolvimento não só dele, mas de toda uma geração.

Na virada da última década, a internet passou a representar um capítulo importante na disseminação de conteúdo por parte de artistas independentes, principalmente através de plataformas como SoundCloud e YouTube, que de certa forma reduziram a importância de uma grande gravadora para o start de uma carreira consolidada. Em paralelo com o Facebook e outras redes, colocaram uma ferramenta poderosa na mão de alguns artistas.

      

Kalil claramente soube aproveitar esse momento e foi capaz de construir uma base de fãs engajada, e o mais importante: evoluir seu próprio perfil artístico ao longo dos anos. Desde o começo se comentava que suas produções tinham algo diferenciado, e hoje isso não se trata de uma aposta — estamos falando de algo concreto, especialmente se levarmos em consideração os últimos acontecimentos de sua carreira.

Com uma presença mais forte no mercado nacional, Kalil passou a alçar voos internacionais também, seja através de gigs em países como França, Suíça e Alemanha, ou através de lançamentos por labels como Noir Music, Senso Sounds e Sprout — referências absolutas dentro do techno. Algumas de suas últimas conquistas incluem suportes de nomes como Carl Cox, Maceo Plex, Monika Kruse, Karotte e outros big names da dance music internacional.

     

Ainda é cedo para dizer se Kalil se tornará em breve uma grande estrela do estilo a nível global. Não há como negar, porém, que o brasileiro está mostrando maturidade para guiar sua própria jornada de evolução com sabedoria e inteligência, sempre influenciado pelas batidas inspiradoras de seu próprio coração.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Notícia

Nevoeiro desfalca XXXPERIENCE e TribalTech; entenda o caso

Artistas que iriam de um festival para o outro acabaram não conseguindo viajar

Flávio Lerner

Publicado há

XXXPERIENCE e TribalTech
Foto: Sigma F/Reprodução

Nesse sábado, 22, dois dos mais aguardados festivais da cena eletrônica nacional aconteceram simultaneamente: XXXPERIENCE e TribalTech. Tentando evitar o mau tempo que atrapalhou anos anteriores de ambos os eventos — o que justamente motivou a XXX para transferir sua data de novembro para setembro —, os dois rolaram numa boa, sem temporal nenhum pra acabar com a vibe. Mesmo assim, a zica climática atacou por outro lado, e acabou desfalcando as duas festas.

Por causa do forte nevoeiro que atingiu Curitiba, os dois aeroportos da capital [Afonso Pena e Bacacheri] fecharam, além do Aeroporto Municipal de Ponta Grossa e do Aeroporto Internacional de Navegantes, em Santa Catarina. Com isso, a aeronave particular — contratada em parceria entre os dois festivais — que sairia no começo da madrugada de São Paulo para levar Len Faki, Dubfire e Tessuto ao TribalTech, e posteriormente Ben Klock e Gabe para São Paulo, não conseguiu decolar.

+ “O festival vai ficar muito mais interativo”; Erick Dias fala sobre a #XXX22

Além deles, Guy Gerber cancelou anteriormente com os dois festivais, alegando na última quinta-feira que teve sua casa invadida e pertences roubados, incluindo seu passaporte. Já o voo comercial que levava o sueco Gaudium, atração do palco de trance 3DTTRIP, do TribalTech, atrasou, o que fez com o que o artista não chegasse a tempo para tocar. 

A XXX contornou o problema colocando Renato Ratier para estender o seu set, que já encerraria o Union Stage, por quatro horas, assumindo também o horário de Ben Klock, enquanto o Joy Stage, que fecharia com o Gabe, acabou terminando mais cedo; já o Guy Gerber foi substituído por um B2B entre ANNA e Patrice Bäumel, que já eram atrações do Union. 

+ TribalTech Enlighten: confira detalhes da próxima edição do festival

No TribalTech, Len Faki e Dubfire, que seriam as últimas atrações do TribalTech Stage, foram substituídos por Ben Klock [que estendeu seu set em meia hora] e Anthony Parasole, que originalmente tocaria no Timetech [e acabou sendo substituído por um segundo set do alemão Sammy Dee]. Já no Secret Stage, um B2B entre Renato Cohen e RHR fechou o palco, no lugar de Tessuto. O festival acabou sendo encerrado uma hora antes do programado.

Em contato com a Phouse, a assessoria do TT afirmou que já está em contato com as agências dos artistas para tentar trazê-los novamente a Curitiba. Enquanto isso, a produção da XXX afirma também ter a intenção de trazer Ben Klock para a edição do ano que vem.

Antes, ambas as labels já haviam pedido desculpas ao público e explicado o problema em suas respectivas redes sociais.

NOTA OFICIAL.

Posted by Tribaltech on Sunday, September 23, 2018

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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