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Opinião

O anúncio de Sasha & Digweed no Warung Day Festival é um marco para o Sul

Jonas Fachi

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Sasha John Digweed Warung
O festival do Warung acaba de anunciar o B2B entre as lendas do progressive house como primeira atração para 2018; entenda o significado especial deste momento

Foram anunciadas há poucas horas as duas primeiras atrações do Warung Day Festival 2018. O evento acontece no dia 14 de abril, em Curitiba, e irá receber nada mais, nada menos do que é considerado por muitos o B2B mais expressivo e influente de toda a história da dance music. Com mais de 20 anos de parceria, Sasha e John Digweed chegam para realizar um sonho antigo dos sócios-fundadores do club em Itajaí e também de todo um público formado a partir das influências delineadas em quase 15 anos de atividade.

Caminhando para a quinta edição na emblemática Pedreira Paulo Leminski, o festival da marca já vinha durante a semana anunciando nas redes sociais que “fortes emoções estavam por vir”. Todos sempre souberam que o desejo de trazê-los em um evento do Warung era o que faltava. Rumores começaram a surgir e, com a confirmação, as mídias sociais viraram de ponta cabeça. Pode-se dizer que era o título mais cobiçado para a cena eletrônica do Sul do país, e terá seu capítulo finalizado dentro de alguns meses.

Por que foi tão difícil e demorou tanto? São diversos fatores. Devemos lembrar que apesar de todo o respeito e a conexão que sempre demonstraram com o club durante seus diversos e marcantes shows na Praia Brava, trazê-los juntos era uma tarefa bem mais complexa do que questões de logística ou financeira. Em entrevista para a Phouse em abril, Gustavo Conti, um dos fundadores do Warung, quando perguntado sobre esse sonho de conseguir colocá-los juntos no Sul, respondeu: “Tudo o que vocês podem imaginar já foi tentado. Vamos continuar tentando insistentemente até eles entenderem que todos nós merecemos isso pela cena que construímos todos juntos aqui”.

+ Gustavo Conti: “Sou um clubber forçado a ser empresário para lutar pelo direito de realizar eventos”

É verdade que durante a primeira década de atividade do Templo, os artistas tinham agendas extremamente complexas e fortemente ligadas a grandes festivais quando se apresentavam juntos. Para piorar, em 2010 simplesmente pararam de fazer shows em parceria. Parecia que o sonho tinha acabado, mas tudo mudou no final de 2015, quando surgiu uma foto deles jantando antes do Ultra Music Festival em Tóquio. Comentários de uma possível volta do B2B tomaram conta da internet, reativando entre seus fãs mundo afora o sonho de poder vê-los em ação novamente, e para muitos, pela primeira vez.

Em 2016, durante o feriado de páscoa, John Digweed estava se apresentando em um longset no lendário club Ministry of Sound, em Londres, quando simplesmente Sasha apareceu e os dois começaram a tocar juntos, sem aviso prévio, por convite de Digweed. Assim, de surpresa e para delírio dos presentes, voltaram a dividir uma cabine após um hiato de seis anos.

Sasha John Digweed Warung

Foto durante show surpresa no Ministry of Sound, em 2016

Não precisamos entrar nos méritos que os levaram a ficar tanto tempo afastados. Neste ano, as esperanças ganharam forma quando foi anunciada uma imensa tour global em parceria do Ultra, onde a dupla dominou o palco Resistance por 11 cidades ao redor do planeta. Umas destas foi o Rio de Janeiro, quando, no dia 12 de outubro, muitos brasileiros finalmente tiveram a oportunidade de assisti-los, incluindo este colunista.

Sasha John Digweed Warung

Apresentação durante o último Ultra Brasil (foto por Aline Salgado)

Ao mesmo tempo, por ter sido em uma quinta-feira e pelo fato de a grande maioria dos admiradores das lendas se concentrar no Sul, boa parte não pode estar presente nesse momento tão importante para nossa cena nacional. Eram 12 anos desde a primeira e única apresentação deles aqui, realizada em 2005 no saudoso festival Skol Beats em São Paulo, com direito a um set de nada menos que seis horas!

Remanescentes daquele período são poucos ainda em atividade, porém com um público renovado atualmente, ainda existe um desejo que passou de geração em geração por experimentar ouvir o “dream team” da música eletrônica. Você pode se perguntar o porquê de a região Sul ter essa maior inclinação sobre os dois britânicos e o estilo de música que propõem. Bem, a resposta é simples. Atualmente, é impossível medir o tamanho da influência que o Warung Beach Club tem e teve sobre os gostos pessoais do público essencialmente sulista que forma noites intensas e manhãs mágicas na Praia Brava.

Momentos de uma apresentação recente da dupla em Lima, no Peru

É importante também lembrar que entre 1994 e 2005, “S&D” lançaram nove compilações. Esses trabalhos em conjunto acabaram ajudando a moldar o curso do que se entendia por música eletrônica no mundo, ao mesmo tempo em que deram forma ao que se conhece hoje como “house progressivo”.  Discos como The Mix Collection (1994) e as duas trilogias Northern Exposure (UK Mix, 1996, e US Mix, 1997) venderam milhares de cópias, como nunca antes se imaginou na cena eletrônica, entrando nos rankings dos mais ouvidos entre todos os gêneros.

Se hoje a dance music consegue bater de frente com o rock nas paradas, saiba que eles já tinham alcançado isso no Reino Unido e EUA ainda nos anos 90. Como consequência, seus status se elevaram ao patamar dos super astros de rock, e tudo isso culminou em 2005 no lançamento do DVD Delta Heavy, com bastidores de uma intensa tour de ônibus pelos EUA gravada dois anos antes, onde multidões se arrastaram para seus shows em diversos Estados.

Sasha John Digweed Warung

Apresentação durante o Kappa FuturFestival 2017, Itália.

Em 2002, também foram eleitos pela BBC Radio 1 como o Essential Mix Of The Year, com um set gravado durante o WMC em Miami. Esse é o único mix vencedor até hoje de dois DJs em B2B, sem ser devidamente um projeto. Após 2005, continuaram a se apresentar juntos em grandes festivais enquanto brilhavam também individualmente, até que a curva natural de saturação atingisse seu ápice em 2010.

Agora, com o retorno, mais fortes do que nunca, se ainda existia algum problema quanto à falta de um festival à altura, que tivesse profunda conexão com eles, ele foi sanado com a chegada do Warung Day há quatro anos. Então, no final, tudo estava conspirando para suas vindas — e mais, se tratando da qualidade e do interesse de todo o staff do evento de sempre estar buscando proporcionar o melhor, podemos esperar sem medo um set estendido. Que assim seja, estamos contando as horas!

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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