Estamos a pouquíssimos dias do maior festival de contracultura do mundo. Em 2013, consegui realizar meu maior sonho dos últimos anos – ir para o Burning Man. Até então, era tudo tão longe e distante, e parecia quase que impossível, até porque ir sozinha nunca esteve nos meus planos. Naquela época, fui como a primeira imprensa brasileira a fazer cobertura do evento, em vídeo, e ali gravei o meu primeiro programa sobre festivais, o Gypsy Road (Confira aqui todos os vídeos que gravamos em 2013. Clique na aba de vídeos https://www.facebook.com/gypsyroadtv/videos).

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Primeiramente, aprendi a acreditar em um mundo colaborativo, onde cada um ajuda o próximo, onde basta acreditar na causa, na ideia, em apenas acreditar que fazer bem ao próximo é fazer bem para você também. Lembrando que o Burning Man é uma cidade temporária, e a construção dessa cidade é feita pelos próprios participantes, ou seja, a cidade é construída de maneira colaborativa pelas pessoas que lá vivem por 8 dias.

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Passei a olhar para a arte de outra maneira. O deserto de Black Rock City recebe em torno de 300 a 400 instalações de artes que são espalhadas por toda a Playa. São artes de todos os tipos, tamanhos, formatos, cores e texturas. Algumas para olhar, outras para tocar, para sentir, para subir. Nunca tive tanto contato com a arte, da forma que eu tive no Burning Man.

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Tudo lá é arte. Você respira arte. São inúmeros carros mutantes – que lembram um pouco os nossos carros alegóricos de Carnaval – para lá e para cá. Qualquer um pode subir neles e dar uma volta na Playa, fazer novas amizades e admirar tudo que acontece naquele deserto. São campings decorados e pessoas fantasiadas. É arte pura.

Eu nunca imaginei que algum dia eu pudesse me envolver a fundo em um projeto de arte, pois, em 2015, de maneira colaborativa, criamos o Coletivo Brazilian Burners e levamos a primeira instalação de arte Brasileira para aquele deserto. Sensação de realização pura, e a certeza que se não fosse por cada um dos envolvidos, jamais teria dado certo. O Burning Man me fez perceber que juntos somos mais, e que juntos podemos tudo.

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Outra coisa que aprendi a dar valor no Burning Man é de simplesmente não dar tanto valor ao dinheiro. Lá o nosso dinheiro não vale nada. O que vale mesmo são nossas atitudes. O festival funciona com base na “gifting economy”, o ato de presentear sem esperar nada em troca.

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Quantas fitinhas do Bomfim e cristais eu distribui paras as pessoas com quem eu me conectava… E o mais legal, mesmo, era perceber que por menor ou por mais simples que fosse o meu “gift” (presente), lá ele tinha um valor muito maior, físico e simbólico. Quantas mensagens eu recebi, pulseiras que ganhei, drinks que tomei, tomates que comi, geladinhos que chupei; todos gifts.

Me permiti a explorar um pouco mais o meu lado espiritual depois das minhas experiências no Burning Man. Como em qualquer outra cidade, em Black Rock City existe o templo – um espaço sagrado onde a energia que flui é outra, a frequência é outra.

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É um encontro de energia muito forte, de muitas crenças. Impressionante como dá para sentir todas as energias lá. E isso me transformou. O templo é um espaço onde as pessoas vão para meditar, praticar yoga, rezar, pedir, agradecer e deixar lembranças de amigos e/ou parentes falecidos.

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No último dia do Burning Man, colocam fogo no templo. A celebração é outra, é de calmaria, choros, risos – nada de festa e farra. O momento da queima do templo é muito forte, introspectivo, transformador e sagrado.

Hoje, eu me permito conhecer e buscar muito mais informação sobre crenças que antes eu não me permitia simplesmente por sentir a força da nossa energia naquele espaço sagrado, em uma cidade temporária, perdida no meio do deserto.

Fiz amigos, de todos os lugares do mundo, que hoje considero família. Estamos conectados sempre, e sempre nos conectando com outros amigos, fazendo com que essa rede de amizade cresça. O Burning Man me fez aprender que todos nós somos conectados.

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Também aprendi a dar mais valor a mim, as minhas vontades, e me expressar da forma que eu acho que devo, sem me preocupar tanto com o que os outros pensam, até porque o que os outros pensam de mim pode ser um grande equívoco. Só eu sei quem sou, do que gosto, quero, e sou capaz!

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Este é só o começo das grandes transformações na minha vida.

Estamos a poucos dias do Burning Man e, dessa vez, irei viver uma experiência completamente diferente das demais. Este ano embarco em uma aventura sozinha. Não levarei amigos, mas, com certeza, irei encontrar e fazer muitos por lá.

Não levo comigo muitas responsabilidades, apenas a maior delas, que é viver abertamente, puramente e verdadeiramente a experiência completa de um participante naquele deserto.

Com certeza irão acontecer muitas trocas, e voltarei ainda mais transformada e com a mente mais criativa. Com certeza, voltarei com muitas fotos e vídeos para dividir com vocês!

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Por enquanto, aqui está o programa que gravamos no Burning Man em 2014. Enjoy!

Lets burn!

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