Connect with us
Federal Leaderborder
Banner Sundance Leaderborder

“O caminho é outro”; o legado de David Bowie para além do rock ou da música eletrônica

Flávio Lerner

Publicado em

12/01/2016 - 12:00

David Bowie não foi uma lenda apenas para o rock, mas também foi fundamental para influenciar a música eletrônica e revolucionar a cultura pop, a arte e a contracultura.

Em claro tom de despedida, ‘Lazarus’ é o último videoclipe de Bowie, lançado um dia antes do seu 69º aniversário [data também de seu último álbum, Blackstar] e três antes de sua morte

É difícil ficar indiferente. Mesmo que você não goste ou sequer conheça a trajetória de David Bowie, é inegável que ele influenciou basicamente todo mundo no imaginário da cultura pop — e de quebra, influenciou sua vida em maior ou menor grau. Pense em Madonna, Marilyn Manson, Arcade Fire, Lady Gaga, Phillip Glass, Brian Eno, Lou Reed, of Montreal, Kanye West, Boy George, Kurt Kobain… Artistas das mais variadas escolas, todos drasticamente impactados por Bowie. Muito além da música, o “camaleão” foi igualmente importante para quebrar padrões e tabus em questões de comportamento, identidade, sexualidade e outras esferas da arte; ajudou a revolucionar os videoclipes e as noções de performance, bem como contribuiu para o cinema ao atuar em diversos filmes, além da composição de trilhas. Um verdadeiro espírito livre.

Nem todos sabem, mas Bowie teve sua relevância também na música eletrônica, seja no experimentalismo em forma livre com tecnologia, seja em sua relação com a dance music. Colaborou em diversas faixas com o também mítico Nile Rodgers, do Chic — incluíndo o hit Let’s Dance, de 1983, a provável maior aproximação do ícone com a disco music —, e deu destaque a Berlim muito antes da febre raver, a partir de uma trilogia de discos compostos quando morava na capital alemã e se inspirou em atos como Kraftwerk, Neu! e Can. A chamada “Berlin Trilogy” foi o momento de incursão de Bowie na música eletrônica, a partir dos álbuns Low e Heroes, de 1977, e Lodger, de 1979. Lodger, por sinal, contém o single “D.J.”, que é tido como uma crítica ao status de glamour que os disc jockeys estavam adquirindo em plena febre disco.

‘Let’s Dance’, de Heroes, é o hino disco de Bowie

“I am a DJ, I am what I play”

Nos anos 1990, David Bowie também teve sua “fase clubber”, carregada em synths e com bastante influência de soul, jazz, industrial, hip hop e jungle — vertente que antecipou o drum’n’bass e foi febre em Londres, cidade natal do músico. Uma excelente matéria de 2013, da DJ Mag, aborda justamente como ele influenciou diversos DJs contemporâneos, trazendo relatos de nomes como Tiga, DJ Hell e Soulwax. “O modo com o qual ele se renovava e mudava de estilo poderia ser comparado ao jeito que um DJ inteligentemente mistura gêneros para fazer uso do que há de mais novo”, escreveu Andrew Whitehurst. A reportagem ainda aborda a relação de pioneirismo de Bowie em questões que seriam fundamentais para o surgimento da cultura clubber — liberdade total de expressão, gênero e sexualidade —, bem como sua influência para bandas de synth pop dos anos 1980. Não à toa, até o Daft Punk já o mimetizou.

De 1997, ‘Dead Man Walking’ integra Earthling, álbum mais raver da discografia de David Bowie

Mas eu não sou nenhum especialista na vida e obra de Bowie, e por isso convidei meu ex-professor e orientador do TCC na faculdade, Ticiano Paludo, pra deixar algumas palavras. O Ticiano é produtor musical, pesquisador e professor da PUCRS, onde também ministra o Curso de Extensão em Produção Musical. Já levou alguns prêmios nacionais e internacionais na área de e-music, incluindo a lendária premiação de remixes DMC. A sua tese de doutorado está sendo em torno das obras de Kiss, Lady Gaga e David Bowie, então nada mais adequado do que ceder aqui um espaço a ele:

Hoje é um dia para se ficar catatônico. Bowie se foi. Mas o Flávio Lerner me pediu para dizer umas palavras sobre ele e sua relação com a música eletrônica. Vamos tentar, então. Bowie sempre foi um inquieto. Nunca assumiu uma identidade definitiva: era sempre Bowie, mas sempre diferente. Isso é um processo extremamente complexo que exige aprimoramento constante, conhecimento musical e estético, senso de oportunidade e, além da criatividade própria, cercar-se de pessoas bacanas para viabilizar os projetos. A primeira faixa que me vem à cabeça quando penso na relação Bowie + música eletrônica é “Little Wonder”, de 1997. Produzida com Reeves Gabrels e Mark Plati, soa como uma mistura de jungle, pop e rock, tudo ao mesmo tempo. Aqui começamos a entender o que é ser Bowie: misturar escolas diferentes, linguagens diferentes, mas manter a mesma identidade artística. Nesse aspecto, a dosagem entre elementos orgânicos e sintéticos é essencial. 

‘Little Wonder’ também faz parte de Earthling

Mas o namoro do artista com a música eletrônica começa antes, nos anos 1970, quando ele morou em Berlim e produziu álbuns memoráveis. Dessa fase, destaco “Heroes” (de 1977). Produzida por Tony Visconti (produtor dos dois últimos álbuns de Bowie, Next Day (2013) e Blackstar (2016)), a faixa conta com sintetizadores, uma atmosfera densa e sons de guitarra matadores do também grande músico experimental Robert Fripp, guitarrista que participou de uma banda que você deveria ouvir chamada King Crimson.  A faixa foi tema do filme “Cristiane F.”.

Já que é um comentário e não uma analise, meu último destaque vai para o testamento de Bowie, a faixa “Blackstar” lançada em novembro de 2015. Bowie foi calculista durante toda a sua carreira. “Blackstar” é uma despedida em grande estilo, um testamento vivo e uma aula de como ser inventivo/criativo misturando coisas díspares quando tudo parece já ter sido misturado. A música eletrônica ama rótulos. E ama misturar. Rótulos são importantes, mas acabam às vezes sendo fetichistas e engessando a obra. Misturas nem sempre produzem bons resultados. Porém, nesse tema musical, temos uma batida orgânica, misturada com o que parece ser uma batida eletrônica, cantos gregorianos, solo de sax jazzístico e synths perturbadores. Na verdade, não identificamos de todo se a batida é orgânica ou sintética. Ela segue um ritmo descompassado e agoniante. A música é doce e cruel, ao mesmo tempo.

Como outros estilos, independente da vertente, a música eletrônica vive de utilizar a tecnologia para criar novas ondas sonoras, novas atmosferas e cativar seus ouvintes. Seja para dançar ou para curtir uma viagem mental, devemos muito ao trabalho de Bowie. Sua obra sempre foi matriz e ponto de partida para novas texturas sonoras, seja pelas misturas que produziu, seja pelas possibilidades que demonstrou. Que consigamos aprender com ele, e sermos músicos cada vez melhores. Nunca esquecendo que por trás de qualquer programação eletrônica existe o humano. Bowie era um artista e um músico excepcional. O mesmo não se pode dizer de boa parte de quem trabalha com música, em especial com música eletrônica, hoje. Diversas vezes, encontro alunos querendo muito mais dominar softwares do que a arte da composição. Bowie já deu todas as pistas: o caminho é outro.

RECEBA NOVIDADES NO E-MAIL

Deixe um comentário

Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

Publicado há

Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

No Forte do Brum, o Boiler Room de Recife celebrou a música brasileira e fez história

Orgânica e ecumênica: uma história oral da Gop Tun

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

História e cultura da música eletrônica: Camilo Rocha ministra curso em SP

Continue Lendo

Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

Publicado há

Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

“Um negócio como o Laroc não pode durar menos de quatro anos, ou terá sido tempo e dinheiro perdido”

De Valinhos para o mundo: Laroc assina festas no exterior

Confira a posição do Laroc Club na nova lista da DJ Mag

Veja como ficou o novo palco do Laroc, debutado no aniversário do clube

Techno se mantém como gênero mais vendido no Beatport pelo 3º ano consecutivo

Continue Lendo

Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

Publicado há

Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

Exclusivo: DJ Marky fala sobre novos lançamentos e o que falta à cena brasileira

DJ Marky solta remix cheio de groove para grupo inglês

O que significa ser um DJ? Alguns dos principais nomes do país respondem

No Forte do Brum, o Boiler Room de Recife celebrou a música brasileira e fez história

30 músicas para 30 anos: DJ Mau Mau celebra 3 décadas de carreira com playlist exclusiva

Continue Lendo

Publicidade

Federal Music 300×250
Sundance (300×250)

Facebook

PLAYLIST

Trending

-->

Copyright © 2018 Phouse

Translate »
Sundance Pop Up