Independentemente do que você acha, os peixes corporativos decidiram: EDM já era, a onda agora é mamar nas tetas do techno.

A morte da EDM é um tema que foi bastante discutido recentemente. De 2013 pra cá, sobretudo no ano passado, incontáveis artistas e críticos musicais — tipo o Fatboy Slim — afirmaram que se tratava de uma bolha, prestes a estourar. Por outro lado, muitos [incluindo aqui na Phouse] têm defendido que a sigla ainda tem muita lenha pra queimar. Não há respostas certas e a questão passa por subjetividades como o próprio significado de EDM, um termo guarda-chuva que é capaz de abrigar diferentes definições sob si.

Agora, porém, o David Guetta alega ser o carrasco da EDM; ele, o Showtek e o Beardyman. O movimento vem atrasado e é previsível; foi uma bola que todo mundo deixou quicando, e o popstar francês é quem aproveitou. Depois de sua canção fraca e sem alma pra Eurocopa — faixa, aliás, acusada de plágio pelo Diplo e o DJ Snake —, ele precisava, afinal de contas, se reinventar. Eu até consigo imaginar os marqueteiros do cara se reunindo com ele, amparados em dezenas de pesquisas de tendências e dados de mercado: “Veja, David, você precisa vir com algo diferente. Essa onda de big room glamoroso com cantigas infantis, mãozinhas pro alto, cavalos e mulher pelada já deu! Você foi um pioneiro e precisa voltar à vanguarda! O que tá pegando agora é o techno, cara! E se você não produzir techno glamoroso com mãozinhas pro alto, cantigas infantis, cavalos e mulher pelada, quem vai? A porra do Tiësto?!”. Aí depois eles mostram um ppt [publicitários ainda amam power point, né?] com uns electro franceses de Brodinski, Mr. Oizo, Boys Noize, SebastiAn, Justice, Oliver, Gesaffelstein — aliás, o Dancing Astronaut que sacou que “The Death of EDM” é parecida demais com “Pursuit” — e outras pedradas da turma da Ed Banger Records circa 2013 [toda essa turma, aliás, super influenciada pelo Daft Punk], chamam isso de techno, porque avacalhar rótulos musicais é a especialidade dessa galera, e falam pro seu cliente, antes de encerrar a reunião e ir pra um puteiro de luxo fumar charutos e pagar lap dances: “esse é o briefing, David!”.

“Nos divertimos por um tempo, mas é hora de curtir um som novo — a EDM está morta, eu tive que matá-la”, diz a nova pérola de Guetta; uma regra de ouro da música comercial é ser o mais explícito possível

Essa é a música comercial em seu ponto mais alto: quando um time de empresários de um popstar se apropria do melhor que as pequenas cenas artísticas vêm fazendo há anos — lembram quando falei sobre cooptação? —, o remodela em uma versão esvaziada e empobrecida, vende como novidade e faz dinheiro como ninguém. E agora será a vez do techno — ou “techno” —, gênero mais vendido no Beatport nos últimos doze meses, ser tratado como uma pobre vaca na indústria do leite: estuprado periodicamente e com as tetas sugadas por máquinas até sangrar.

Abaixo, algumas músicas que provavelmente serviram como briefing pro “novo som” do Guetta e do Showtek:

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