O house brasileiro pulsa forte. Confira entrevista com o duo Anhanguera!

Formado por Dudu Palandre e Décio Freitas, o duo Anhanguera é um dos maiores representante da real house music em solo brasileiro. Juntos, eles já somam mais de dois dígitos de carreira pelas pistas do Brasil e uma bagagem forte no estúdio, que inclui lançamentos para selos do calibre de Robsoul, Guesthouse, 294 Records e Tango.

Além disso, já tiveram suas músicas sendo tocadas por nomes como Mark Farina, Dj Sneak e Derrick Carter. Aproveitamos o bom momento da dupla, que acaba de lançar um novo EP, para uma entrevista exclusiva. Confira abaixo:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE ...

Dudu e Décio, primeiramente é um prazer falar com vocês. Obrigada pelo tempo e atenção! Então, vocês começaram o duo oficialmente em 2004 certo? O que mudou nesses últimos 13 anos? 

Já vimos a House Music entrar e sair de moda nesses últimos 13 anos. Claro que em determinados anos nossos sets se aproximavam mais do tech house, em outros mais do deep house, seguindo um pouco as tendências da época, mas basicamente nosso som nunca deixou de ser house na essência. Se você ouvir o set de 10 anos do Anhanguera vai observar que embora ele mixe músicas de diferentes épocas segue a mesma linha musical, por exemplo.

Ribeirão Preto foi aonde o duo nasceu, ainda existe algo desse local de origem presente na essência do Anhanguera? 

Sim. Mantemos um vínculo forte com os amigos conterrâneos que acompanham a trajetória do Anhanguera desde o seu surgimento mas já faz um tempo que não tocamos mais na cidade pois a cena local tem mudado muito.

Como foi a experiência que vocês dois tiveram na AMP MTV House? Como a mesma se refletiu (e ainda se reflete) na sua produção?

Musicalmente evoluímos muito desde então. Na época do AMP nossas produções eram mais cruas. Hoje temos um cuidado maior no tratamento do sample, na confecção da bateria e do baixo e principalmente no acabamento da música, o que faz ela soar muito melhor na pista. Além disso, variamos mais sem perder a identidade. Antes estávamos muito focados no Jackin House.

A dinâmica da co-produção é algo que eu acho particularmente fascinante. A convergência de duas mentes com toda sua gama de referências e gostos pessoais, se encontrando com outra mente que precisa ter elementos diferenciais para que a colaboração seja frutífera, mas não pode se diferenciar demais se não acaba com a harmonia sonora. Como vocês lidam com a complexidade desse processo? É algo que vem naturalmente para vocês ou existe todo um planejamento/discussões sobre?

O mais importante é chegar num consenso em relação à identidade musical ou o que se chama de assinatura do artista. E isso alcançamos de forma natural logo no começo do projeto pois sabíamos que queríamos lançar músicas como as que tocamos, então não foi um processo difícil, principalmente porque temos gostos musicais bem parecidos. E se você observar o catálogo do Anhanguera vai perceber que ele representa bem as semelhanças e nuances entre os nossos gostos pessoais. Isso acontece basicamente pois existe uma admiração mútua entre a gente e procuramos sempre aprender com as referências de cada um e respeitar a inspiração que pode vir de qualquer lado. Mas como em qualquer trabalho em equipe é preciso haver confiança no parceiro e saber quando e onde ceder.

Não estamos nem na metade do ano e vocês já tocaram gigs importantíssimos como o carnaval da D-Edge e lançaram novo EP, Changes Changin pela 294 Records. Qual foi o momento preferido desse primeiro semestre de 2017? O que ainda está por vir? 

A festa de 17 anos do D-EDGE foi bem interessante. Apesar do nosso set ser curto, ficamos bastante orgulhos com o flow, as mixagens e a variedade de estilos condensados em apenas uma hora de apresentação. Além disso, tocamos várias músicas pela primeira vez nesse dia, sejam elas lançamentos ou clássicos da house music. Este set está disponível em nosso Soundcloud. O Sul é a região onde mais tocamos então podem esperar várias gigs por lá esse ano.

Complete a frase:
a) O lugar ideal para tocar seria… no Smartbar, em Chicago.
b) O B2B dos sonhos seria com… Derrick Carter
c) Para uma noite harmoniosa entre a pista e a cabine não pode faltar… um case com opções

O Jackin House é um estilo que nasceu no fim dos anos 80 e marca uma evolução da house music que vai muito além das suas conotações com disco. O estilo nasceu nas ruas e baladas de Chicago em meio a um panorama politico bem critico. Segregação racial ainda era um problema sério nos Estados Unidos, mesmo depois do movimento de direitos civis, e a epidemia de AIDS matava a comunidade LGBTQ aos montes. De certa forma existe um contexto muito profundo ligado a esse estilo musical e hoje em dia muito se fala em apropriação cultural. Não que seja apropriação explorar esse estilo, mas vocês tem consciência de todo o peso da história do House durante a produção de faixas nesse estilo? Vocês acham que criar música (arte, filme, poesia, etc) é um ato político?  

Queremos fazer música para as pessoas dançarem e se deixarem levar pela batida e pelo inconsciente. A house music nasceu num contexto de libertação, que na época atraiu majoritariamente o público gay, mas que hoje une diferentes públicos na mesma pista em busca de diversão.

Deixe um comentário

No Comments Yet

Comments are closed