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O produtor israelense Guy J em uma entrevista exclusiva

Guy J faz parte de uma nova safra de produtores israelenses que vem encantando o mundo por apresentar produções que parecem ter influências enraizadas na cultura milenar do país. Através da gravadora Lost&Found ele tem liderado um time de produtores de talento singular, nomes como Guy Mantzur, Sahar Z, Chaim, Chicola, Khen entre outros, estão conseguindo cada vez mais impor em todas as partes do mundo um estilo que pode ser caracterizado como techno progressivo, uma evolução das melodias e o balanço do antigo house progressivo, com arranjos de bateria e percussão vindos do techno contemporâneo.

Sua personalidade introspectiva e serena tem estabelecido seu nome na cena de forma sutil e delicada, Guy J é o tipo de artista que depois que você entende sua mensagem sonora, fica difícil não virar fã. Descoberto pelo olhar de ouro do lendário DJ inglês John Digweed, ele apresentou seu primeiro álbum ‘’Esperanza’’ em 2008 chamando atenção pela habilidade única de tratar com os sintetizadores, timbres e efeitos jamais vistos que ele carrega até hoje como sua arma letal, expandindo e afetando subliminarmente o subconsciente de qualquer um que se deixe entorpecer por suas melodias. Desde então tem acumulado admiradores por todo o mundo com apresentações intensas e aqui não deve ser diferente. Ainda na argentina ele gentilmente conversou com a nossa equipe, e você pode conferir esse conteúdo exclusivo que a Phouse preparou:

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Gostaria de começar dizendo que você conquistou uma base de fãs muito boa nesses últimos anos aqui no Brasil e eles tem muita curiosidade em saber mais sobre o início da sua carreira, suas influências, como você entrou na música eletrônica, poderia contar?

Eu comecei na música eletrônica ainda jovem aos 13 anos de idade em Tel Aviv, a cena eletrônica foi e ainda é muito grande em Israel, assim era fácil se expor a ela, trance e progressive tiveram a maior parte de minha atenção e eu acho que foi mágico ouvir essas sonoridades e fazer as pessoas dançarem com elas, sem palavras, poucas letras, apenas música e muita energia, então depois eu quis tentar criar um pouco dessa magia.

Você acaba de vir de uma tour pelos EUA, como foram esses dias por lá e como você tem visto todo o crescimento que a cena norte americana sofreu nos últimos anos?

Ultimamente eu estou viajando mais e mais para os EUA e vejo que a cena está crescendo muito rápido, claro, grandes cidades de todo o mundo tem altos e baixos, mas agora eu comecei a viajar para mais cidades que ainda não tinha ouvido falar e notei que ainda não tinha visto tudo sobre a cena eletrônica de lá, por isso é bom ver essa mudança, eu penso que a EDM tem algo a ver com isso também, pois foi e ainda é grande por lá.

A sua Label Lost & Found tem conseguido lançar ótimos produtores como Guy Mantzur, Sahar Z e Khen, como tem sido liderar essa marca que hoje é referência do seu estilo musical? Alguma novidade para os próximos meses?

Minha gravadora Lost & Found está crescendo em pequenos passos, porém constantes, os produtores da label são muito talentosos e eles fazem a maior parte do trabalho para ser honesto, tornam o som único. O próximo na gravadora é “Childhood” de Chicola com remixes de Hernan Cattaneo & Soundexile, será lançado também em vinil. Khen lançará seu primeiro álbum autoral e é maravilhoso o que eu ouvi até agora, estou muito animado sobre este projeto, Sahar Z & Navar estarão de volta em breve, então temos muitas músicas especiais chegando.

No ano passado eu escrevi uma matéria sobre a nova geração de produtores de Israel, principalmente advindos de Tel Aviv, como você tem visto a evolução da música eletrônica do seu país? Qual é o segredo para surgirem tantos ótimos Djs e produtores de um mesmo lugar?

Eu acho que a energia em Israel é muito especial, mesmo com todas as coisas que acontecem ao seu entorno para o bem e para o mal, as situações extremas fazem com que as pessoas também sejam extremas, talvez por isso a música vira uma forma de expressão, e certamente é o motivo dos músicos acabarem vindo com algo um pouco diferente.

Você hoje é visto como uma referência de um estilo musical com profundidade e melodia, que agora está ficando novamente em evidência no mundo todo, como você tem sentido a evolução da sua carreira?

Eu acho que pra mim é parte da jornada isso que está acontecendo, que estou evoluindo na minha carreira com pequenos passos de cada vez, igual com a Lost & Found, estou trabalhando em todas as chances que eu tenho em casa, escrevendo músicas com originalidade e características que eu acredito.

Você é um dos artistas mais aguardados do nosso pais vizinho argentina todos os anos, muito por conta do alinhamento sonoro que você tem com Hernan Cattaneo, como é sua relação com ele e com o povo argentino?

Eu amo vir para a Argentina e amo o Hernan, o conheci há muitos anos e ele me apoiou desde o primeiro momento, eu tento aprender muito com ele, assim como com o John Digweed, são duas figuras importantes na minha vida e também na minha carreira. As pessoas na Argentina são muito apaixonadas e muito educadas com sua música, é uma experiência única ir lá pois eles entendem muito, e isso é um desafio para você, sendo também a melhor maneira para se tornar cada vez melhor.

Em seus álbuns e Eps você sempre consegue encontrar timbres muito distintos, conte-nos um pouco sobre seu processo de criação no estúdio, teria algum sintetizador favorito?!

No momento o meu Synth favorito é o DSI Prophet 6, ele tem elementos incríveis pra se descobrir, muito quentes e você pode fazer muita coisa com ele! No Estúdio eu não tenho nenhum ritual especial, a única coisa importante é vir para o estúdio inspirado e com a mente fresca.

John Digweed foi uma pessoa fundamental no início da sua carreira, te apoiando e lançando seus trabalhos através da Bedrock, no final de 2015 você voltou a gravadora com o albúm The Tress, The Sea & The Sun, poderia falar um pouco sobre o trabalho?

O Tress, The Sea & The Sun é o meu terceiro álbum pela Bedrock, eu acredito que a Bedrock é um dos poucos selos que conseguiram se manter por tanto tempo graças ao trabalho incrível do John Digweed e eu sempre vou querer ter uma conexão com isso, estou feliz ter voltado com um projeto como este.

Aqui no Brasil você teve poucas passagens, eu estive em sua estreia no Warung quando abriu a noite para o John Digweed em 2012, foi um set especial, qual é sua expectativa para esse retorno agora como headliner?

Ufff… Estou tão animado em voltar, eu tenho tanta música para tocar para as pessoas no Warung, e tenho certeza que o clube e o público ainda tem a mesma magia, elas vão fazer disso uma noite tão especial que vamos ter de repeti-la com mais frequência!

Nota do autor: Agradecimento em especial a Michelle Schneider Luchtemberg pela colaboração imprescindível nesta matéria.

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