O que o Daft Punk sampleou [ou não] pra fazer um dos álbuns mais importantes da história

15 anos depois de seu lançamento, o clássicão Discovery — que projetou hits como “One More Time” e “Digital Love” — segue cheio de mistérios e controvérsia

Nessa última sexta-feira, dia 26, o clássico, lendário, espetacular e foderengo álbum Discovery completou uma década e meia de existência. O disco foi o responsável por confirmar o que o Daft Punk já vinha prometendo desde Homework — álbum de estreia de 1997, de muito sucesso — e definitivamente catapultar o duo de sensação underground para o estrelato, com hits eternos como “One More Time”, “Aerodynamic”, “Digital Love” e “Harder, Better, Faster, Stronger”.

Mas o Discovery é muito mais do que seus singles; é um Álbum com “A” maiúsculo, em que todas as faixas se complementam e mantêm o mesmo nível de excelência [eu chego a preferir, inclusive, faixas menos consagradas, como “Superheroes”, “Crescendolls” e “Voyager” a muitos dos hits].

Além disso, o disco foi inovador em diversas esferas, o que colaborou pro seu sucesso estrondoso. Pra promovê-lo, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo lançaram o filme Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem, que é uma animação japonesa, com todos os traços e clichês típicos dos animes, dirigida por Kazuhisa Takenouchi. O filme é baseado no andamento do álbum, em que cada faixa ganhou um videoclipe que traz um pedaço da narrativa — uma banda de extraterrestres que é raptada por um mestre maligno que os transforma em escravos humanos pra fazer sucesso na Terra.

Discovery, sobretudo, foi o apogeu do french touch, movimento estético que consistia em pegar pérolas da disco music dos anos 70 e 80, destrinchá-las, desconstruí-las e recauchutá-las em uma nova roupagem houseira, cheia de groove e filtros. Boa parte das faixas do Discovery, portanto, são baseadas em samples de canções disco, e isso fez com que a obra gerasse muita controvérsia, com todo aquele papo de que o Daft Punk estaria roubando e fazendo sucesso com o trabalho dos outros.

Com o passar do tempo, a dance music foi se tornando mais famosa e melhor compreendida, e apenas pessoas anacrônicas seguem insistindo em não ver a sampleagem como uma maneira criativa e genuína de se fazer arte. A controvérsia que ainda pega é que, oficialmente, no encarte do Discovery, o Daft Punk só creditou o uso de quatro samples [em “Digital Love”, “Harder, Better…”, “Crescendolls” e “Superheroes”]; o Thomas Bangalter chegou a declarar que os outros samples apontados por diversas fontes na internet [inclusive pelo aclamado Who Sampled] não são verdadeiros, e que boa parte do que foi sampleado no Discovery teria sido gravado ao vivo pela dupla.

Mesmo assim, alguns dos samples hipotéticos, não confirmados, apresentam semelhanças inegáveis, e se os artistas originais não foram creditados nem tiveram solicitação de autorização, é bem provável que eles entrariam na justiça por plágio, o que não parece ter ocorrido. Como o Daft Punk é cheio de mistérios e raramente dá entrevistas, isso tudo acaba se transformando em mais um daqueles casos cheios de boatos, enigmas e teorias, que acabam reforçando a construção mitológica da dupla.

Oficiais ou não, segue abaixo a lista de samples usados no Discovery, entre os confirmados e os hipotéticos. É interessante observar que o Daft Punk os trabalhou de maneiras diferentes, em alguns casos usando as bases originais, com alterações discretas [“I’ll Love You More” — “Digital Love” / “Cola Bottle Baby” — “Harder, Better…”] ao aproveitamento de pequenos trechos colocados em loop infinito [“Can You Imagine” — “Crescendolls” / “Who’s Been Sleeping In My Bed” — “Superheroes”] e até a desconstrução e remontagem total desses samples em composições completamente novas, como no caso de “More Spell On You”/“One More Time”, que já teve sua associação “comprovada” na internet, mas que segue negada até hoje pela dupla.

Escute, compare e tire suas próprias conclusões:

Eddie Johns – “More Spell on You” (1979) [supostamente sampleada em “One More Time”]

Sister Sledge – “Il Maquillage Lady” (1982) [supostamente sampleada em “Aerodynamic”]

George Duke – “I Love You More” (1979) [sampleada em “Digital Love”]

Edwin Birdsong – “Cola Bottle Baby” (1979) [sampleada em “Harder, Better, Faster, Stronger”]

Little Anthony and the Imperials – “Can you Imagine” (1977) [sampleada em “Crescendolls”]

10cc – “I’m Not in Love” (1975) [supostamente sampleada em “Nightvision”]

Barry Manilow – “Who’s Been Sleeping in My Bed” (1979) [sampleada em”Superheroes”]

Tavares – “Break Down for Love” (1980) [supostamente sampleada em “High Life”]

Oliver Cheatham – “Get Down Saturday Night” (1983) [supostamente sampleada em “Voyager”]

Cerrone – “Supernature” (1977) [supostamente sampleada em “Veridis Quo”]

Loggins & Messina – “House at Pooh Corner” (1972) [supostamente sampleada em “Face to Face”]

Electric Light Orchestra – “Evil Woman” (1975) [também supostamente sampleada em “Face to Face”]

Royse Roice – “First Come, First Serve” (1978) [supostamente sampleada em em “Too Long”]

Maze feat. Frankie Beverly – “Running Way” (1981) [também supostamente sampleada em “Too Long”]

Dá pra ver exatamente quais partes o Daft Punk teria sampleado dessas músicas neste vídeo abaixo, embora ele não tenha exemplos de todos os casos hipotéticos:

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