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O que o Daft Punk sampleou [ou não] pra fazer um dos álbuns mais importantes da história

Flávio Lerner

Publicado em

01/03/2016 - 8:13

15 anos depois de seu lançamento, o clássicão Discovery — que projetou hits como “One More Time” e “Digital Love” — segue cheio de mistérios e controvérsia em relação aos seus samples.

Nessa última sexta-feira, dia 26, o clássico, lendário, espetacular e foderengo álbum Discovery completou uma década e meia de existência. O disco foi o responsável por confirmar o que o Daft Punk já vinha prometendo desde Homework — álbum de estreia de 1997, de muito sucesso — e definitivamente catapultar o duo de sensação underground para o estrelato, com hits eternos como “One More Time”, “Aerodynamic”, “Digital Love” e “Harder, Better, Faster, Stronger”.

Mas o Discovery é muito mais do que seus singles; é um Álbum com “A” maiúsculo, em que todas as faixas se complementam e mantém o mesmo nível de excelência [eu chego a preferir, inclusive, faixas menos consagradas, como “Superheroes”, “Crescendolls” e “Voyager” a muitos dos hits]. Além disso, o disco foi inovador em diversas esferas, o que colaborou pro seu sucesso estrondoso: pra promovê-lo, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo lançaram o filme Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem, que é uma animação japonesa, com todos os traços e clichês típicos dos animes, dirigida por Kazuhisa Takenouchi. O filme é basicamente baseado no andamento do álbum, em que cada faixa ganhou um videoclipe que traz um pedaço da narrativa — uma banda de extraterrestres que é raptada por um mestre maligno que os transforma em escravos humanos pra fazer sucesso na Terra.

Discovery, sobretudo, foi o apogeu do french touch, movimento estético que consistia em pegar pérolas da disco music dos anos 70 e 80, destrinchá-las, desconstruí-las e recauchutá-las em uma nova roupagem houseira, cheia de groove e filtros. Boa parte das faixas do Discovery, portanto, são baseadas em samples de canções disco, e isso fez com que a obra gerasse muita controvérsia, com todo aquele papo de que o Daft Punk estaria roubando e fazendo sucesso com o trabalho dos outros.

Com o passar do tempo, a dance music foi se tornando mais famosa e melhor compreendida, e apenas pessoas anacrônicas seguem insistindo em não ver a sampleagem como uma maneira criativa e genuína de se fazer arte. A controvérsia que ainda pega é que, oficialmente, no encarte do Discovery, o Daft Punk só creditou o uso de quatro samples [em “Digital Love”, “Harder, Better…”, “Crescendolls” e “Superheroes”]; o Thomas Bangalter chegou a declarar que os outros samples apontados por diversas fontes na internet [inclusive pelo aclamado Who Sampled] não são verdadeiros, e que boa parte do que foi sampleado no Discovery teria sido gravado ao vivo pela dupla. Mesmo assim, alguns dos samples hipotéticos, não confirmados, apresentam semelhanças inegáveis, e se os artistas originais não foram creditados nem tiveram solicitação de autorização, é bem provável que eles entrariam na justiça por plágio, o que não parece ter ocorrido. Como o Daft Punk é cheio de mistérios e raramente dá entrevistas, isso tudo acaba se transformando em mais um daqueles casos cheios de boatos, enigmas e teorias, que acabam reforçando a construção mitológica da dupla.

Oficiais ou não, segue abaixo a lista de samples usados no Discovery, entre os confirmados e os hipotéticos. É interessante observar que o Daft Punk os trabalhou de maneiras diferentes, em alguns casos usando as bases originais, com alterações discretas [“I’ll Love You More” — “Digital Love” / “Cola Bottle Baby” — “Harder, Better…”] ao aproveitamento de pequenos trechos colocados em loop infinito [“Can You Imagine” — “Crescendolls” / “Who’s Been Sleeping In My Bed” — “Superheroes”] e até a desconstrução e remontagem total desses samples em composições completamente novas, como no caso de “More Spell On You”/“One More Time”, que já teve sua associação “comprovada” na internet, mas que segue negada até hoje pela dupla. Escute, compare e tire suas próprias conclusões:

Eddie Johns – “More Spell on You” (1979) [supostamente sampleada em “One More Time”]

Sister Sledge – “Il Maquillage Lady” (1982) [supostamente sampleada em “Aerodynamic”]

George Duke – “I Love You More” (1979) [sampleada em “Digital Love”]

Edwin Birdsong – “Cola Bottle Baby” (1979) [sampleada em “Harder, Better, Faster, Stronger”]

Little Anthony and the Imperials – “Can you Imagine” (1977) [sampleada em “Crescendolls”]

10cc – “I’m Not in Love” (1975) [supostamente sampleada em “Nightvision”]

Barry Manilow – “Who’s Been Sleeping in My Bed” (1979) [sampleada em”Superheroes”]

Tavares – “Break Down for Love” (1980) [supostamente sampleada em “High Life”]

Oliver Cheatham – “Get Down Saturday Night” (1983) [supostamente sampleada em “Voyager”]

Cerrone – “Supernature” (1977) [supostamente sampleada em “Veridis Quo”]

Loggins & Messina – “House at Pooh Corner” (1972) [supostamente sampleada em “Face to Face”]

Electric Light Orchestra – “Evil Woman” (1975) [também supostamente sampleada em “Face to Face”]

Royse Roice – “First Come, First Serve” (1978) [supostamente sampleada em em “Too Long”]

Maze feat. Frankie Beverly – “Running Way” (1981) [também supostamente sampleada em “Too Long”]

Dá pra ver exatamente quais partes o Daft Punk teria sampleado dessas músicas neste vídeo abaixo, embora ele não tenha exemplos de todos os casos hipotéticos:

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Review

“Pedra Preta”, o 1º álbum do Teto Preto, é um grito de resistência

O celebrado grupo do underground paulistano mostra sua maturidade artística em seu primeiro full lenght

Alan Medeiros

Publicado há

Pedra Preta
Foto do clipe de "Pedra Preta": Reprodução/Facebook

Nos últimos anos, São Paulo se transformou em um caldeirão cultural com uma chama multicolorida a iluminar um mar de ideias brilhantes. Nesse cenário, diversas mentes criativas surgiram, mostraram a que vieram e se tornaram referência para uma série de iniciativas que passaram a pipocar pelo país. No olho desse furacão, exercendo posição de protagonismo, lá estava a Mamba Negra e, consequentemente, o Teto Preto.

A relação entre festa e grupo é intrínseca. O Teto Preto nasceu na pista da Mamba e obviamente foi criado por frequentadores e entusiastas da festa. Nesse processo, o grupo foi decisivo para construção do perfil sonoro que tanto marcou a Mamba Negra frente ao seu público. Muito além da música, estamos falando de arte em diferentes camadas — estamos falando de representatividade. A festa representa a banda, a banda representa a festa. Por sua vez, o público se sente fortemente representado por ambos.

Os primeiros trabalhos do Teto Preto foram lançados pelo selo da Mamba, o MAMBA rec, em 2016. O EP Gasolina foi prensado em vinil com duas faixas extremamente marcantes: “Já Deu Pra Sentir” e “Gasolina”. O resultado? Dois hits históricos para jornada do grupo. Na sequência, um hiato de dois anos até “Bate Mais”, single em antecipação ao Pedra Preta, primeiro álbum de estúdio completo da banda, que chegou às plataformas digitais neste mês com oito faixas, sendo sete originais e inéditas.

 

Pedra Preta reflete a atual maturidade artística de seus compositores, mas não deixa a chama da ousadia e irreverência se apagar. Novamente, não se trata apenas de música: Laura Diaz (Carneosso), Loic Koutana, Pedro Zopelar, Savio de Queiroz e William Bica promovem um grito de resistência ao longo de todas as faixas que formam o full lenght. A atmosfera densa do disco dita o ritmo de uma narrativa longa e inteligente, que aborda assuntos como a tragédia do Museu Nacional neste ano.

Por falar em “Pedra Preta”, vale ressaltar que a faixa-título do álbum também ganhou um clipe. Lançado ontem, 22, e com duração de mais de oito minutos, o vídeo dirigido por Rudá Cabral, Laura Diaz e Joana Leonzini traz um storytelling denso e aberto a interpretações, mas com uma clara crítica ao conservadorismo da sociedade brasileira e honrosa menção ao perfil de público da Mamba Negra — o trabalho foi coproduzido pela MAMBA rec em parceria com a Planalto. Sem dúvida alguma, Pedra Preta é uma vitória importante para a sobrevivência da cultura eletrônica de vanguarda no Brasil.

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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ESPECIAL

Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

Produtor gaúcho é uma boa mostra do amadurecimento da Gop Tun Records

Alan Medeiros

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Gop Tun Records
Tha_guts. Foto: Divulgação

Neste mês de novembro, o coletivo paulistano Gop Tun celebrou seis anos de uma história construída muito em cima da seriedade com que o coletivo paulistano trata seus projetos artísticos, dentro e fora da pista. Referência na cena house/disco brasileira, o atual patamar do projeto permite que algumas de suas iniciativas sejam encaradas como formadoras de opinião.

Para isso, uma das principais ferramentas do núcleo é a Gop Tun Records, gravadora que possui um catálogo ainda enxuto em número de releases, mas que em 2018 e principalmente 2019, deve ser expandido através de uma intensificada no cronograma. Até então, cada ano tinha entre um e dois lançamentos. Neste ano, foi observado um aumento no fluxo, já que até aqui, três releases ganharam a luz do dia através da plataforma criada pelo coletivo paulistano.

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Atualmente, o time de artistas que compõe o quadro de lançamentos do selo é composto por residentes da Gop, por nomes de forte influência frente à indústria nacional (como Renato Cohen) e algumas mentes brilhantes de outras partes do mundo, como HNNY, Prins Thomas e Lauer.

Para os próximos meses, Bruno Protti (aka TYV) e Gui Scott, duas das cabeças pensantes da gravadora, contam que haverá uma expansão no time de artistas, com mais nomes brasileiros e sul-americanos entrando para o casting da label. Sem a pressão de obrigatoriamente pensar em vinil, a Gop Tun Records se mostra mais apta para apostas e ousadias em seu programa de lançamentos.

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O último EP da gravadora foi assinado pelo produtor gaúcho Tha_guts, um novo nome frente a geração atual de produtores brasileiros. Guto Pereira, mente por trás do projeto, entregou à Gop um release denso e repleto de referências distintas que se revelam ao longo das cinco faixas originais. O trabalho sucede Plastic Noise, disco que o revelou para o cenário da eletrônica brasileira. Após o full lenght lançado de maneira quase que independente, Guto decidiu se aproximar da música eletrônica de pista em suas jams de estúdio, e o resultado foi esse belíssimo trabalho lançado pelo selo do coletivo.

Ao ouvir as faixas de Mirror, é possível entender essa complexidade envolvente que tange o trabalho do coletivo paulistano em seus mais diversos projetos. Tal fato dá autoridade para que o núcleo e os artistas envolvidos em suas festas e seus releases possam se desenvolver de forma assertiva. Além das cinco faixas originais, Guto também assinou um futuro single com a gravadora, que deve ser trabalhado somente no segundo semestre de 2019. Enquanto isso não acontece, ouça na íntegra o seu mais recente lançamento:

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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LIFT OFF

Psytrance raiz: Mindbenderz lança álbum transcendental pela Iono Music

Review do debut do duo suíço-alemão é o primeiro texto da nova coluna da Phouse

Nazen Carneiro

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Mindbenderz
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Instalar foguetes, preparar motores, verificar comunicação, iniciar sequência de lançamento. Cinco, quatro, três, dois, um… LIFT OFF!

Estreamos aqui a coluna LIFT OFF, que, escrita por Nazen Carneiro, traz um olhar sobre a indústria fonográfica psytrance nacional e internacional — estilo da música eletrônica que se manifesta como uma cultura vibrante e com muitos adeptos no Brasil.

De tempos em tempos a cena eletrônica se transforma e, como um organismo vivo, cresce e se reproduz. Um de seus pilares, o psy se reproduziu e está mais presente do que nunca, com “astronautas” consagrados mantendo-se relevantes, assim como novos “cosmonautas” surgem, evidenciando uma realidade produtiva e frutífera para a criação musical.

Com o crescimento do público, as festas também se multiplicaram Brasil adentro, e os produtores passaram a ter mais espaço para caírem no gosto do público da terrinha e de além-mar. Hoje, o psy mantém viva sua cena underground, enquanto estica seus tentáculos a outros nichos, influenciando — e sendo influenciado — até mesmo pela EDM.

Sem mais delongas, confira o primeiro texto abaixo, sobre o novo álbum do Mindbenderz.

 

Formado pelo alemão Matthias Sperlich e o suíço Philip Guillaume, o Mindbenderz traz, sem dúvida, um dos principais lançamentos do ano no cenário psytrance. Os veteranos, que são muito respeitados na cena eletrônica individualmente como Cubixx e Motion Drive, juntos ficam ainda mais fortes. É o que se vê no álbum Tribalism, lançado em 31/10, pela Iono Music.

O álbum conta com nove faixas que somam mais de 75 minutos. A primeira, “A New Dawn”, traz desde o primeiro minuto muita energia e reflexão num som que conduz o ouvinte a outra dimensão. A segunda faixa dá sentido a expressão “lineup” numa ascendente contínua, revelando uma verdadeira jornada ao desconhecido que segue até meados da faixa seis — “Hybrids” —, causando aquele frio na espinha. Nesse momento de percepção cósmica, uma pausa reconecta o corpo e mente à nossa tribo, e há de fato uma sensação híbrida de se estar em ambas as realidades ao mesmo tempo.

A essa altura, o álbum apresenta suas três últimas faixas no ápice de uma jornada espiritual, e nos encontramos num momento épico em que as características sonoras do psytrance alcançam sua maior amplitude, com uma ampla gama de efeitos numa base transcendental. É puro trance. A mente processa essas informações e a energia flui na forma de dança.

Voltamos para a Terra, mas a memória do que acaba de acontecer permanece. Tontura; excitação… O reator psicodélico agora transforma a energia através de instrumentos humanos. A última faixa dá nome ao álbum. “Tribalism” une percussões especiais, agogô, psy, Ayahuasca e vocais de xangô. Todos no mesmo pitch, como uma onda. Algo nos une, nos traz ao dancefloor, tornando-nos verdadeiramente uma tribo.

Tribalism revela uma composição muito bem realizada, fruto de meses de trabalho e muito detalhismo. Cada segundo do álbum revela a ação do Mindbenderz em promover um som extraordinário e comprometido com aquele pegada tribal, sem deixar de lado os elementos mais futuristas.

No momento do fechamento deste artigo, o álbum ocupava a primeira posição no Top 10 de psy do Beatport, o que mostra a força desse som mais ligado às raízes do estilo entre os DJs e produtores.

Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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