Connect with us
Green Valley Dez. Full
Banner Sundance Leaderborder
Go Festivals – Tomorrowland Winter Full

O que significa ser um DJ? Alguns dos principais nomes do país respondem

Flávio Lerner

Publicado em

09/03/2017 - 10:01

Marky, Meme, Nana Torres, Marcelo CIC, Nedu Lopes, Cinara, KL Jay, Ney Faustini…  No Dia do DJ, dezessete disc-jóqueis de destaque dão a sua visão sobre o ofício.

Chegamos a mais um dia do DJ e, diferentemente do ano passado, em que escrevi #textão refletindo sobre o que essa sigla e toda a arte, a dedicação, o profissionalismo e, sobretudo, a simbologia histórica que ela evoca significam, neste ano achei mais adequado deixar a cargo deles, os protagonistas dessas duas letrinhas. Assim, lancei a pergunta — clichê, é verdade, mas nem por isso menos valorosa — a uma pequena seleção homogênea de DJs-destaque do nosso país sobre o que eles entendem que ser um disc-jóquei representa. Teve frase curta, reflexão profunda, depoimento emocionado e até mesmo poesia à lá Shakespeare. Com vocês, o DJismo, pelos DJs:

LEIA TAMBÉM: O dia do DJ também é um dia de reflexão

Marky: Ser DJ é um monte de coisas: é o meu amor pela música, é o meu amor por descobrir coisas novas, por tentar fazer um trabalho diferente, ensinar as pessoas… É levá-las numa viagem bacana com muita música, alegria, diversão e devoção — quando elas me vêm tocando, elas veem isso estampado no meu rosto. Eu sou um cara que vivo música, respiro música, e ser DJ é tudo isso e muito mais; é um fato meio inexplicável. Se eu não fosse DJ, eu não sei o que eu seria, o que eu ia fazer da minha vida. Eu não sou DJ por moda, comecei a tocar com nove anos de idade, e hoje tenho 43. E o meu reconhecimento tá aí, no mundo inteiro.

Nana Torres: Ser DJ é despertar sentimentos e se conectar com as pessoas através da música.

Meme: Música é sem dúvida o meu grande amor, e a profissão de DJ é de alguma forma o meu contrato de casamento e fidelidade com ela, onde eu sempre dou tudo e não peço nada em troca.

KL Jay: Ser DJ é ser… eis a questão. É um privilegio e uma missão.

Ney Faustini: Ser DJ é respirar música, e um exercício continuo em tocar a faixa
certa, na hora certa.

Marcelo CIC: Vida — essa é a melhor resposta que posso deixar aqui. Tudo que sou, tudo que conquistei e tudo que construí até o momento foi a música que me deu. Hoje, não imagino minha vida sem a música. Ser DJ é algo muito valioso, deveria estar sendo levado mais a sério hoje em dia.

Omulu: É a divertida arte de entreter pistas, balançar quadris e educar ouvidos.

Nedu Lopes: Significa poder trabalhar com que eu amo! É um hobby de adolescente que se transformou naturalmente em profissão. Ser DJ é ter o fascinante poder de conduzir o humor das pessoas usando músicas.

Tati Pimont: Ser DJ é poder passar sentimentos bons em forma de músicas que te fazem bem, através da escolha certa, no momento ideal, dando sequência a uma história que marcará a vida das pessoas que estão ali pela música, pela dança e pela diversão.

Leo Justi: É a hora do desafio, de botar meu som, buscando algo profundamente pessoal mas que também se conecte ao máximo de pessoas na pista.

Fran Bortolossi: Ser DJ representa primeiramente amar música e escolher viver dela, por mais difícil e incerta que às vezes essa decisão possa ser, e participar da vida das pessoas num dos momentos mais especiais, que é quando elas buscam diversão e escape de suas realidades do dia a dia. Nós, DJs, temos grande responsabilidade e devemos ser profissionais e artistas para entregar as melhores experiências nesses momentos.

Tahira: O DJ é um contador de história que se expressa em forma de música.

Dre Guazzelli: Significa transformar o amor que eu sinto através da música. Significa trazer excelentes momentos bonitos para as pessoas. Significa conversar com olhos fechados. Música, assim como o amor, é linguagem universal, e isso representa a vida.

Leonardo Ruas: Poucos diferenciam o amor pelo OFÍCIO do amor pelo NEGÓCIO. Ser DJ é amar o ofício e viver uma cultura. Discotecar é uma comunicação, uma forma de contar histórias pessoais, e não simplesmente executar “músicas-de-BPMs-idênticos”.

Cinara: Não me imagino não sendo DJ, posso dizer que minha vida é ser DJ. Trabalhar com o que amo, conhecer lugares e pessoas pelo mundo e proporcionar a elas um momento para esquecer problemas e só sentir todos em volta ressoando na mesma frequência; tem coisa melhor?

Magal: Ser DJ é um modo de vida. É ir além de fazer as pessoas dançarem. É ter o poder de passar a informação.

Camilo Rocha: O DJ, primeiramente, é quem move a festa ou sonoriza seu mundo — a maior parte dos DJs que ouvimos hoje são através de sets na internet, e nem todos são para dançar. O DJ é também um escavador, historiador e curador, acho que não existe outro tipo de profissional que mergulhe tão exaustivamente no grande acervo musical da humanidade. Por fim, ele é divulgador, propagador de informação musical, ou seja, peça-chave no caminho entre quem faz música e quem ouve.

LEIA TAMBÉM:

Dre Guazzelli: “Gosto de mostrar que é possível ser DJ e praticar Yoga, beber e comer brócolis”

No Forte do Brum, o Boiler Room de Recife celebrou a música brasileira e fez história

“Sem solidez, sem profundidade, não há futuro”; uma entrevista com o lendário DJ Meme”

O DJ-jornalista Camilo Rocha anunciou novidades e declarou que “falta doideira” na cena nacional

RECEBA NOVIDADES NO E-MAIL
[fbcomments]

Review

“Pedra Preta”, o 1º álbum do Teto Preto, é um grito de resistência

O celebrado grupo do underground paulistano mostra sua maturidade artística em seu primeiro full lenght

Alan Medeiros

Publicado há

Pedra Preta
Foto do clipe de "Pedra Preta": Reprodução/Facebook

Nos últimos anos, São Paulo se transformou em um caldeirão cultural com uma chama multicolorida a iluminar um mar de ideias brilhantes. Nesse cenário, diversas mentes criativas surgiram, mostraram a que vieram e se tornaram referência para uma série de iniciativas que passaram a pipocar pelo país. No olho desse furacão, exercendo posição de protagonismo, lá estava a Mamba Negra e, consequentemente, o Teto Preto.

A relação entre festa e grupo é intrínseca. O Teto Preto nasceu na pista da Mamba e obviamente foi criado por frequentadores e entusiastas da festa. Nesse processo, o grupo foi decisivo para construção do perfil sonoro que tanto marcou a Mamba Negra frente ao seu público. Muito além da música, estamos falando de arte em diferentes camadas — estamos falando de representatividade. A festa representa a banda, a banda representa a festa. Por sua vez, o público se sente fortemente representado por ambos.

Os primeiros trabalhos do Teto Preto foram lançados pelo selo da Mamba, o MAMBA rec, em 2016. O EP Gasolina foi prensado em vinil com duas faixas extremamente marcantes: “Já Deu Pra Sentir” e “Gasolina”. O resultado? Dois hits históricos para jornada do grupo. Na sequência, um hiato de dois anos até “Bate Mais”, single em antecipação ao Pedra Preta, primeiro álbum de estúdio completo da banda, que chegou às plataformas digitais neste mês com oito faixas, sendo sete originais e inéditas.

 

Pedra Preta reflete a atual maturidade artística de seus compositores, mas não deixa a chama da ousadia e irreverência se apagar. Novamente, não se trata apenas de música: Laura Diaz (Carneosso), Loic Koutana, Pedro Zopelar, Savio de Queiroz e William Bica promovem um grito de resistência ao longo de todas as faixas que formam o full lenght. A atmosfera densa do disco dita o ritmo de uma narrativa longa e inteligente, que aborda assuntos como a tragédia do Museu Nacional neste ano.

Por falar em “Pedra Preta”, vale ressaltar que a faixa-título do álbum também ganhou um clipe. Lançado ontem, 22, e com duração de mais de oito minutos, o vídeo dirigido por Rudá Cabral, Laura Diaz e Joana Leonzini traz um storytelling denso e aberto a interpretações, mas com uma clara crítica ao conservadorismo da sociedade brasileira e honrosa menção ao perfil de público da Mamba Negra — o trabalho foi coproduzido pela MAMBA rec em parceria com a Planalto. Sem dúvida alguma, Pedra Preta é uma vitória importante para a sobrevivência da cultura eletrônica de vanguarda no Brasil.

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

Giorgia Angiuli: “Achava que dance music era vulgar e fácil de se fazer, mas eu estava errada”

Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

Quem é o prodígio do techno que representa o Brasil na Red Bull Music Academy 2018

Techno pra todos os gostos: ouça “Tantra”, EP de Gezender e Moebiius

Lúdico, subversivo e impactante: conheça o universo de Carlos Capslock

Continue Lendo

ESPECIAL

Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

Produtor gaúcho é uma boa mostra do amadurecimento da Gop Tun Records

Alan Medeiros

Publicado há

Gop Tun Records
Tha_guts. Foto: Divulgação

Neste mês de novembro, o coletivo paulistano Gop Tun celebrou seis anos de uma história construída muito em cima da seriedade com que o coletivo paulistano trata seus projetos artísticos, dentro e fora da pista. Referência na cena house/disco brasileira, o atual patamar do projeto permite que algumas de suas iniciativas sejam encaradas como formadoras de opinião.

Para isso, uma das principais ferramentas do núcleo é a Gop Tun Records, gravadora que possui um catálogo ainda enxuto em número de releases, mas que em 2018 e principalmente 2019, deve ser expandido através de uma intensificada no cronograma. Até então, cada ano tinha entre um e dois lançamentos. Neste ano, foi observado um aumento no fluxo, já que até aqui, três releases ganharam a luz do dia através da plataforma criada pelo coletivo paulistano.

+ Orgânica e ecumênica: uma história oral da Gop Tun

Atualmente, o time de artistas que compõe o quadro de lançamentos do selo é composto por residentes da Gop, por nomes de forte influência frente à indústria nacional (como Renato Cohen) e algumas mentes brilhantes de outras partes do mundo, como HNNY, Prins Thomas e Lauer.

Para os próximos meses, Bruno Protti (aka TYV) e Gui Scott, duas das cabeças pensantes da gravadora, contam que haverá uma expansão no time de artistas, com mais nomes brasileiros e sul-americanos entrando para o casting da label. Sem a pressão de obrigatoriamente pensar em vinil, a Gop Tun Records se mostra mais apta para apostas e ousadias em seu programa de lançamentos.

+ Um papo com os caras da Gop Tun, que estão trazendo o Dekmantel a São Paulo

O último EP da gravadora foi assinado pelo produtor gaúcho Tha_guts, um novo nome frente a geração atual de produtores brasileiros. Guto Pereira, mente por trás do projeto, entregou à Gop um release denso e repleto de referências distintas que se revelam ao longo das cinco faixas originais. O trabalho sucede Plastic Noise, disco que o revelou para o cenário da eletrônica brasileira. Após o full lenght lançado de maneira quase que independente, Guto decidiu se aproximar da música eletrônica de pista em suas jams de estúdio, e o resultado foi esse belíssimo trabalho lançado pelo selo do coletivo.

Ao ouvir as faixas de Mirror, é possível entender essa complexidade envolvente que tange o trabalho do coletivo paulistano em seus mais diversos projetos. Tal fato dá autoridade para que o núcleo e os artistas envolvidos em suas festas e seus releases possam se desenvolver de forma assertiva. Além das cinco faixas originais, Guto também assinou um futuro single com a gravadora, que deve ser trabalhado somente no segundo semestre de 2019. Enquanto isso não acontece, ouça na íntegra o seu mais recente lançamento:

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

Continue Lendo

LIFT OFF

Psytrance raiz: Mindbenderz lança álbum transcendental pela Iono Music

Review do debut do duo suíço-alemão é o primeiro texto da nova coluna da Phouse

Nazen Carneiro

Publicado há

Mindbenderz
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Instalar foguetes, preparar motores, verificar comunicação, iniciar sequência de lançamento. Cinco, quatro, três, dois, um… LIFT OFF!

Estreamos aqui a coluna LIFT OFF, que, escrita por Nazen Carneiro, traz um olhar sobre a indústria fonográfica psytrance nacional e internacional — estilo da música eletrônica que se manifesta como uma cultura vibrante e com muitos adeptos no Brasil.

De tempos em tempos a cena eletrônica se transforma e, como um organismo vivo, cresce e se reproduz. Um de seus pilares, o psy se reproduziu e está mais presente do que nunca, com “astronautas” consagrados mantendo-se relevantes, assim como novos “cosmonautas” surgem, evidenciando uma realidade produtiva e frutífera para a criação musical.

Com o crescimento do público, as festas também se multiplicaram Brasil adentro, e os produtores passaram a ter mais espaço para caírem no gosto do público da terrinha e de além-mar. Hoje, o psy mantém viva sua cena underground, enquanto estica seus tentáculos a outros nichos, influenciando — e sendo influenciado — até mesmo pela EDM.

Sem mais delongas, confira o primeiro texto abaixo, sobre o novo álbum do Mindbenderz.

 

Formado pelo alemão Matthias Sperlich e o suíço Philip Guillaume, o Mindbenderz traz, sem dúvida, um dos principais lançamentos do ano no cenário psytrance. Os veteranos, que são muito respeitados na cena eletrônica individualmente como Cubixx e Motion Drive, juntos ficam ainda mais fortes. É o que se vê no álbum Tribalism, lançado em 31/10, pela Iono Music.

O álbum conta com nove faixas que somam mais de 75 minutos. A primeira, “A New Dawn”, traz desde o primeiro minuto muita energia e reflexão num som que conduz o ouvinte a outra dimensão. A segunda faixa dá sentido a expressão “lineup” numa ascendente contínua, revelando uma verdadeira jornada ao desconhecido que segue até meados da faixa seis — “Hybrids” —, causando aquele frio na espinha. Nesse momento de percepção cósmica, uma pausa reconecta o corpo e mente à nossa tribo, e há de fato uma sensação híbrida de se estar em ambas as realidades ao mesmo tempo.

A essa altura, o álbum apresenta suas três últimas faixas no ápice de uma jornada espiritual, e nos encontramos num momento épico em que as características sonoras do psytrance alcançam sua maior amplitude, com uma ampla gama de efeitos numa base transcendental. É puro trance. A mente processa essas informações e a energia flui na forma de dança.

Voltamos para a Terra, mas a memória do que acaba de acontecer permanece. Tontura; excitação… O reator psicodélico agora transforma a energia através de instrumentos humanos. A última faixa dá nome ao álbum. “Tribalism” une percussões especiais, agogô, psy, Ayahuasca e vocais de xangô. Todos no mesmo pitch, como uma onda. Algo nos une, nos traz ao dancefloor, tornando-nos verdadeiramente uma tribo.

Tribalism revela uma composição muito bem realizada, fruto de meses de trabalho e muito detalhismo. Cada segundo do álbum revela a ação do Mindbenderz em promover um som extraordinário e comprometido com aquele pegada tribal, sem deixar de lado os elementos mais futuristas.

No momento do fechamento deste artigo, o álbum ocupava a primeira posição no Top 10 de psy do Beatport, o que mostra a força desse som mais ligado às raízes do estilo entre os DJs e produtores.

Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

Continue Lendo

Publicidade

Sundance (300×250)
Go Festivals – Tomorrowland 300×250
Brazillian Bass 300×250
Green Valley – 300×250

Facebook

PLAYLIST

Trending

-->

Copyright © 2018 Phouse