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O que você faria se sua música parasse na frente de milhares de pessoas?

Pedro Fialdini

Publicado há

É a grande chance da sua vida. Você está tocando no palco principal daquele festival que sempre sonhou. O set foi construído sob medida, foram semanas de preparação. Na plateia, milhares de pessoas. Sua apresentação está sendo transmitida para o mundo. Você começa bem. Encaixa uma bela sequência de músicas e a galera na pista começa a ficar animada. Seu set é um sucesso. Todo mundo está adorando. Seu grande sonho está se realizando.

Então, a música para. Subitamente, do nada. A plateia não perdoa, é claro. Risadas e vaias são a reação natural de quem está na pista. Você passa as mãos pelo equipamento, mas não há o que fazer; o problema é técnico, não foi sua culpa. Mas é só você que eles estão vendo lá em cima. Você levanta a cabeça e encara seu público. E então, o que você faria?

A situação que acabamos de descrever não é tão inusitada quanto você poderia pensar. Todo fim de semana, dezenas de DJs ao redor do mundo são surpreendidos por falhas técnicas que causam um enorme constrangimento perante a plateia. Na grande maioria das vezes, os próprios DJs não tem culpa nenhuma e apenas são obrigados a ouvir as risadas sem ter o que fazer a respeito.

Os exemplos da vida real são inúmeros. O mais recente aconteceu com Alok, simplesmente o DJ mais popular do Brasil. Enquanto fazia uma performance no Villa Mix de Goiânia, com transmissão ao vivo pelo MultiShow, aconteceu uma falha técnica durante a sua apresentação. Ao perceber que algo estava errado, imediatamente o DJ parou o seu set, dando seguimento assim que recebeu um “Ok” pela técnica da sonorização. Mesmo assim a galera não perdoou, mas que culpa teve o DJ? Por mais modernos que sejam os equipamentos e por mais avançada que seja a tecnologia, ela sempre dá um jeito de nos pegar de surpresa. As vezes das maneiras mais inconvenientes.

Alok conta como lidou com a situação: “Na primeira música, houve um problema técnico e que já havia me deixado um pouco ansioso. Na segunda música o som do retorno parou. Isso me deixou sem referência pra saber de fato o que estava acontecendo. A primeira coisa que pensei foi ter oscilado o som da pista novamente. Aí decidi parar a música no momento pra retornar quando o som estivesse 100%. Quando recebi o sinal de que estava tudo normal, eu retornei a apresentação.”

Mesmo os grandes astros internacionais também passam por isso. Quem não se lembra do famigerado episódio de David Guetta no Recife? Quando devido a fortes chuvas o equipamento parou de funcionar e cortou a música da lenda francesa. Guetta foi simplesmente bombardeado pelos fãs brasileiros (ao menos os ignorantes) por seu um “DJ de pen drive”, como se fosse culpa do acessório usado por 90% dos DJs hoje em dia que a música tenha parado.

Nomes como TiëstoHardwell, Skrillex e Dimitri Vegas & Like Mike já viveram situações parecidas em suas apresentações ao vivo, também por causa de problemas técnicos. Algumas vezes, porém, não dá nem pra disfarçar: a culpa é mesmo do DJ. O astro pop Calvin Harris, por exemplo, certa vez ejetou o CD errado enquanto tocava em um club, fazendo o som parar. Neste vídeo você pode acompanhar alguns destes casos inusitados e ver como os artistas reagiram.

*Vídeo do Youtube, não é de autoria da Phouse.

A única certeza é que ninguém está a salvo. Dos DJs caseiros aos que tocam em grandes festivais, todos estão sujeitos a situações como esta. A única diferença (e que diferença!) é o tamanho da plateia… Pra nós, nada melhor que cabeça fria e muito bom humor, deixar o pessoal do evento resolver o problema e voltar a tocar assim que possível! Mas falar é fácil… por isso a gente quer saber: como você escaparia de uma cilada dessas?

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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