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Opinião

O Seth Troxler profanou o Templo com um loop de funk; queimem o herege!

Flávio Lerner

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A celeuma provocada por causa de um vocal de funk carioca no Warung prova que o público da música eletrônica ainda não entendeu nada.

Tem três coisas que eu gostaria de dizer pra quem ficou de mimimi com o Seth Troxler mandando uma acapella de funk no Warung: [1] O mundo é cíclico; [2] Gostar de um estilo musical não te faz melhor do que ninguém; [3] O techno não é sagrado.

Pois bem: se você não sabe do que estou falando, nessa última sexta, 12, o Seth Troxler foi uma das atrações do Warung. Num long set de seis horas na pista principal, o DJ teve a AUDÁCIA de PROFANAR O TEMPLO SAGRADO com alguns segundos de um loopzinho de um vocal de funk. Sim, meio minuto de “Essa mina é um perigo” em cima dum beat de tech house foi o suficiente pra estragar a noite de uma galera numa das maiores e mais conceituadas casas noturnas de house e techno do Brasil — o que revela, mais uma vez, como ainda temos muito o que amadurecer enquanto cena. A reação na pista aparentemente foi amena, mas a repercussão durante a semana nas redes sociais foi estrondosa; parecia que o DJ havia mostrado o saco e cuspido na plateia.

O herege profanou o Templo; fogueira pra ele!

O mundo é cíclico

Não há nenhum movimento musical ou cultural de vanguarda que não tenha incomodado o status quo, a hegemonia cultural de sua época, antes de se consolidar. O processo, como já expliquei aqui há dois anos, é muito simples: nichos criam algo novo e desafiador, que cresce organicamente e atrai cada vez mais novos adeptos; essa nova ideia, que encontra muita resistência da maioria, vai se popularizando; explode, é cooptada pelo mainstream, e vira o novo padrão.

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Um mal necessário chamado cooptação

Quem ainda tem medo da música eletrônica?

O jazz era muito malvisto pela turma da música erudita; o rock, que surgiu revolucionário, incomodava a geração do jazz, que o via como pobre e ultrajante. Com o passar dos anos, o roqueiro contestador descambou pro “tio reaça”, reproduzindo a mesma estigmatização da qual foi vítima: se você não curte rock, não curte “música de verdade”; disco music é “som de bicha”; música eletrônica não tem alma; e por aí vai. Moral da história: ao considerar o techno, a house ou seja lá o que você curta “mais música” do que, digamos, funk carioca, você só está perpetuando o círculo vicioso de preconceito. Cresça!

Gostar de um estilo musical não te faz melhor que ninguém

É natural que na adolescência — e até na pós-adolescência — a gente seja imaturo e preconceituoso mesmo. Nessa idade, identidade é uma parada muito forte, e a música é um dos elementos principais dessa construção de autoimagem. Depois disso, porém, não se tem mais muita desculpa pra ficar se achando melhor do que o outro por gostar de a) ou b). Eu detesto ser repetitivo, mas haja vista a perseguição que o funk segue enfrentando no seu próprio país de origem, se faz necessário martelar na tecla: o funk brazuca é a vertente da dance music mais original e autoral feita no nosso país, goste você ou não — e vejam bem, eu não sou nem um pouco fã do gênero, mas sou menos fã ainda de ranço elitista, complexo de vira-latas e desconhecimento da própria história. Como bem disseram muitas pessoas nas redes sobre o caso: se Troxler tivesse tocado o mesmo vocal sobre a mesma batida, mas com uma letra em inglês, não teria havido polêmica nenhuma. Está na hora de geral refletir por que odeia tanto assim o funk carioca. Uma dica: tem pouco a ver com o som.

O techno não é sagrado

Parafraseando mais uma vez o grande Giorgio Moroder, em entrevista à Electronic Beats, nada é sagrado. Em 2015, falando sobre o tema, escrevi: “Nenhuma religião, nenhum ser humano, nenhum estilo musical é sacro ou especial; é da nossa natureza querer criar ídolos e elevar objetos, físicos ou metafísicos, a pedestais. Esse tipo de purismo é o que cria preconceitos e fanatismos, que por sua vez levam a conflitos de intolerância”.

Leia mais colunas de Flávio Lerner

O techno, a house, o rock, a camisa do seu time, a bandeira do seu país, seu crucifixo; nada é intocável, imaculado, detentor de um suposto direito natural de ser isento de crítica, apropriação ou contestação. Voltemos ao ponto anterior: o mundo é mutante, as coisas se fundem, erodem, e assim surgem as inovações e quebras de paradigmas — essa é a beleza da vida e da criação humana. Se assim não o fosse, o próprio techno sequer teria chegado perto de existir. É evidente que você tem o direito de amar ou odiar o que quiser, ou de ter achado o set do Seth uma merda, mas crer que o som que você curte tem que ser puro, virgem, insolúvel, a ponto de considerar um desrespeito quando não o for, só vai te trazer raiva e sofrimento.

Artistas como Seth Troxler são especiais por causa disso: não se levam a sério, não têm medo de inovar, e subvertem, levando ao escracho, o estereótipo do DJ de roupa preta que não sorri e não dança. Causar discórdia, desconforto, é também papel de um verdadeiro artista. E o pessoal que se ofendeu com uma pitadinha mínima de “um estilo xexelento”, “comercial”, no seu “beat 4×4 conceito” precisa repensar algumas coisas. No mínimo, estão levando essa parada de “Templo” a sério demais.

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DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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