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Opinião

O Seth Troxler profanou o Templo com um loop de funk; queimem o herege!

Flávio Lerner

Publicado em

18/05/2017 - 11:54

A celeuma provocada por causa de um vocal de funk carioca no Warung prova que o público da música eletrônica ainda não entendeu nada.

Tem três coisas que eu gostaria de dizer pra quem ficou de mimimi com o Seth Troxler mandando uma acapella de funk no Warung: [1] O mundo é cíclico; [2] Gostar de um estilo musical não te faz melhor do que ninguém; [3] O techno não é sagrado.

Pois bem: se você não sabe do que estou falando, nessa última sexta, 12, o Seth Troxler foi uma das atrações do Warung. Num long set de seis horas na pista principal, o DJ teve a AUDÁCIA de PROFANAR O TEMPLO SAGRADO com alguns segundos de um loopzinho de um vocal de funk. Sim, meio minuto de “Essa mina é um perigo” em cima dum beat de tech house foi o suficiente pra estragar a noite de uma galera numa das maiores e mais conceituadas casas noturnas de house e techno do Brasil — o que revela, mais uma vez, como ainda temos muito o que amadurecer enquanto cena. A reação na pista aparentemente foi amena, mas a repercussão durante a semana nas redes sociais foi estrondosa; parecia que o DJ havia mostrado o saco e cuspido na plateia.

O herege profanou o Templo; fogueira pra ele!

O mundo é cíclico

Não há nenhum movimento musical ou cultural de vanguarda que não tenha incomodado o status quo, a hegemonia cultural de sua época, antes de se consolidar. O processo, como já expliquei aqui há dois anos, é muito simples: nichos criam algo novo e desafiador, que cresce organicamente e atrai cada vez mais novos adeptos; essa nova ideia, que encontra muita resistência da maioria, vai se popularizando; explode, é cooptada pelo mainstream, e vira o novo padrão.

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Um mal necessário chamado cooptação

Quem ainda tem medo da música eletrônica?

O jazz era muito malvisto pela turma da música erudita; o rock, que surgiu revolucionário, incomodava a geração do jazz, que o via como pobre e ultrajante. Com o passar dos anos, o roqueiro contestador descambou pro “tio reaça”, reproduzindo a mesma estigmatização da qual foi vítima: se você não curte rock, não curte “música de verdade”; disco music é “som de bicha”; música eletrônica não tem alma; e por aí vai. Moral da história: ao considerar o techno, a house ou seja lá o que você curta “mais música” do que, digamos, funk carioca, você só está perpetuando o círculo vicioso de preconceito. Cresça!

Gostar de um estilo musical não te faz melhor que ninguém

É natural que na adolescência — e até na pós-adolescência — a gente seja imaturo e preconceituoso mesmo. Nessa idade, identidade é uma parada muito forte, e a música é um dos elementos principais dessa construção de autoimagem. Depois disso, porém, não se tem mais muita desculpa pra ficar se achando melhor do que o outro por gostar de a) ou b). Eu detesto ser repetitivo, mas haja vista a perseguição que o funk segue enfrentando no seu próprio país de origem, se faz necessário martelar na tecla: o funk brazuca é a vertente da dance music mais original e autoral feita no nosso país, goste você ou não — e vejam bem, eu não sou nem um pouco fã do gênero, mas sou menos fã ainda de ranço elitista, complexo de vira-latas e desconhecimento da própria história. Como bem disseram muitas pessoas nas redes sobre o caso: se Troxler tivesse tocado o mesmo vocal sobre a mesma batida, mas com uma letra em inglês, não teria havido polêmica nenhuma. Está na hora de geral refletir por que odeia tanto assim o funk carioca. Uma dica: tem pouco a ver com o som.

O techno não é sagrado

Parafraseando mais uma vez o grande Giorgio Moroder, em entrevista à Electronic Beats, nada é sagrado. Em 2015, falando sobre o tema, escrevi: “Nenhuma religião, nenhum ser humano, nenhum estilo musical é sacro ou especial; é da nossa natureza querer criar ídolos e elevar objetos, físicos ou metafísicos, a pedestais. Esse tipo de purismo é o que cria preconceitos e fanatismos, que por sua vez levam a conflitos de intolerância”.

Leia mais colunas de Flávio Lerner

O techno, a house, o rock, a camisa do seu time, a bandeira do seu país, seu crucifixo; nada é intocável, imaculado, detentor de um suposto direito natural de ser isento de crítica, apropriação ou contestação. Voltemos ao ponto anterior: o mundo é mutante, as coisas se fundem, erodem, e assim surgem as inovações e quebras de paradigmas — essa é a beleza da vida e da criação humana. Se assim não o fosse, o próprio techno sequer teria chegado perto de existir. É evidente que você tem o direito de amar ou odiar o que quiser, ou de ter achado o set do Seth uma merda, mas crer que o som que você curte tem que ser puro, virgem, insolúvel, a ponto de considerar um desrespeito quando não o for, só vai te trazer raiva e sofrimento.

Artistas como Seth Troxler são especiais por causa disso: não se levam a sério, não têm medo de inovar, e subvertem, levando ao escracho, o estereótipo do DJ de roupa preta que não sorri e não dança. Causar discórdia, desconforto, é também papel de um verdadeiro artista. E o pessoal que se ofendeu com uma pitadinha mínima de “um estilo xexelento”, “comercial”, no seu “beat 4×4 conceito” precisa repensar algumas coisas. No mínimo, estão levando essa parada de “Templo” a sério demais.

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Perfil

Entenda a ascensão internacional do DJ e produtor brasileiro Kalil

Lançamentos por grandes labels fazem do paulista um dos principais nomes do techno no Brasil

Alan Medeiros

Publicado há

Kalil
Foto: Divulgação

Nos últimos anos a cena techno brasileira tem servido ao mundo alguns talentos em ascensão, como o caso do talentoso produtor paulista Kalil. O começo de sua carreira foi justamente em um período de grandes inovações relacionadas à forma de consumo de música, e isso foi fundamental para o desenvolvimento não só dele, mas de toda uma geração.

Na virada da última década, a internet passou a representar um capítulo importante na disseminação de conteúdo por parte de artistas independentes, principalmente através de plataformas como SoundCloud e YouTube, que de certa forma reduziram a importância de uma grande gravadora para o start de uma carreira consolidada. Em paralelo com o Facebook e outras redes, colocaram uma ferramenta poderosa na mão de alguns artistas.

      

Kalil claramente soube aproveitar esse momento e foi capaz de construir uma base de fãs engajada, e o mais importante: evoluir seu próprio perfil artístico ao longo dos anos. Desde o começo se comentava que suas produções tinham algo diferenciado, e hoje isso não se trata de uma aposta — estamos falando de algo concreto, especialmente se levarmos em consideração os últimos acontecimentos de sua carreira.

Com uma presença mais forte no mercado nacional, Kalil passou a alçar voos internacionais também, seja através de gigs em países como França, Suíça e Alemanha, ou através de lançamentos por labels como Noir Music, Senso Sounds e Sprout — referências absolutas dentro do techno. Algumas de suas últimas conquistas incluem suportes de nomes como Carl Cox, Maceo Plex, Monika Kruse, Karotte e outros big names da dance music internacional.

     

Ainda é cedo para dizer se Kalil se tornará em breve uma grande estrela do estilo a nível global. Não há como negar, porém, que o brasileiro está mostrando maturidade para guiar sua própria jornada de evolução com sabedoria e inteligência, sempre influenciado pelas batidas inspiradoras de seu próprio coração.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Notícia

Nevoeiro desfalca XXXPERIENCE e TribalTech; entenda o caso

Artistas que iriam de um festival para o outro acabaram não conseguindo viajar

Flávio Lerner

Publicado há

XXXPERIENCE e TribalTech
Foto: Sigma F/Reprodução

Nesse sábado, 22, dois dos mais aguardados festivais da cena eletrônica nacional aconteceram simultaneamente: XXXPERIENCE e TribalTech. Tentando evitar o mau tempo que atrapalhou anos anteriores de ambos os eventos — o que justamente motivou a XXX para transferir sua data de novembro para setembro —, os dois rolaram numa boa, sem temporal nenhum pra acabar com a vibe. Mesmo assim, a zica climática atacou por outro lado, e acabou desfalcando as duas festas.

Por causa do forte nevoeiro que atingiu Curitiba, os dois aeroportos da capital [Afonso Pena e Bacacheri] fecharam, além do Aeroporto Municipal de Ponta Grossa e do Aeroporto Internacional de Navegantes, em Santa Catarina. Com isso, a aeronave particular — contratada em parceria entre os dois festivais — que sairia no começo da madrugada de São Paulo para levar Len Faki, Dubfire e Tessuto ao TribalTech, e posteriormente Ben Klock e Gabe para São Paulo, não conseguiu decolar.

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Além deles, Guy Gerber cancelou anteriormente com os dois festivais, alegando na última quinta-feira que teve sua casa invadida e pertences roubados, incluindo seu passaporte. Já o voo comercial que levava o sueco Gaudium, atração do palco de trance 3DTTRIP, do TribalTech, atrasou, o que fez com o que o artista não chegasse a tempo para tocar. 

A XXX contornou o problema colocando Renato Ratier para estender o seu set, que já encerraria o Union Stage, por quatro horas, assumindo também o horário de Ben Klock, enquanto o Joy Stage, que fecharia com o Gabe, acabou terminando mais cedo; já o Guy Gerber foi substituído por um B2B entre ANNA e Patrice Bäumel, que já eram atrações do Union. 

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No TribalTech, Len Faki e Dubfire, que seriam as últimas atrações do TribalTech Stage, foram substituídos por Ben Klock [que estendeu seu set em meia hora] e Anthony Parasole, que originalmente tocaria no Timetech [e acabou sendo substituído por um segundo set do alemão Sammy Dee]. Já no Secret Stage, um B2B entre Renato Cohen e RHR fechou o palco, no lugar de Tessuto. O festival acabou sendo encerrado uma hora antes do programado.

Em contato com a Phouse, a assessoria do TT afirmou que já está em contato com as agências dos artistas para tentar trazê-los novamente a Curitiba. Enquanto isso, a produção da XXX afirma também ter a intenção de trazer Ben Klock para a edição do ano que vem.

Antes, ambas as labels já haviam pedido desculpas ao público e explicado o problema em suas respectivas redes sociais.

NOTA OFICIAL.

Posted by Tribaltech on Sunday, September 23, 2018

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

Publicado há

Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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