Sónar 2018

Chemical Brothers e Hot Chip são fantásticos, mas nem um combinado do Daft Punk com o Michael Jackson reencarnado valem um ingresso tão caro.

Desde 1994 reunindo um monte de artistas de música eletrônica vanguardista [às vezes não tão eletrônica, às vezes não tão vanguardista], o festival catalão Sónar tem sido um dos mais legais do mundo. Em 2012, fui à edição paulistana e me acabei: vi performances como a do meu produtor favorito da época, o Totally Enormous Extinct Dinosaurs, estive na pista mais transcendental da minha vida com o DJ set do James Holden, perdi o Justice pra ver o show intimista do James Blake [e não me arrependi], curti pra caramba o set do Seth Troxler [embora eu estivesse sentado no chão, já sem energia]; enfim, tive uma experiência incrível, que proporcionava em torno de 50 artistas fodões e cujo ingresso custou R$ 150,00. Justo.

Fiquei chateado quando cancelaram a edição de 2013 por falta de verba, e me animei demais quando vi que o Sónar voltava ao Brasil neste ano — até avisei meus amigos de São Paulo que me aguardassem pra novembro. Mais recentemente, porém, o desapontamento bateu com força: descobrimos que, dos cinco dias de Festival, apenas um terá shows, e esse único dia custa R$ 550,00! Chemical Brothers e Hot Chip são fantásticos, mas nem se tocasse um combinado do Daft Punk com o Michael Jackson reencarnado eu teria essa grana pra pagar só de ingresso.

Vejam bem: as vendas começam amanhã e apenas QUATRO nomes foram anunciados [a galera tá reclamando disso em peso], sequer sabemos quantos artistas ainda virão e os caras nos cobram 550 mangos! Tá certo que a crise pegou forte o Brasil no ano, mas como disse o Camilo Rocha dia desses, é um reajuste MUITO acima da inflação — fora o outro lado que, justamente por ser um ano de crise, fica muito mais difícil pagar qualquer coisa.

Fora tudo isso, como bem analisou o Thump, o Sónar passa globalmente por uma crise existencial, em que a tal “música avançada” de seu slogan dá cada vez mais o seu lugar a nomes pop. Em 2012, tivemos no Sónar São Paulo artistas experimentais como Austra, Alva Noto & Ryuichi Sakamoto, Mogwai e Four Tet, que contrastavam muito bem com os headliners. Até o momento, nenhum nome como esses foi sequer especulado.

Também não sabemos absolutamente nada do que vai rolar nos dias de SónarCinema [mostra audiovisual] e de Sónar+D [conferência]; parecem interessantes e serão gratuitos, o que é muito bacana. Talvez, se você não for um estudante que paga meia entrada [ou um malandrinho que falsifica carteirinha e depois reclama da corrupção], esses dias acabem sendo os que justificarão uma viagem.

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