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O Spotify e a “guerra do volume”

O mais popular serviço dos serviços de streaming baixou seu limite de volume: entenda o que isso significa para público, produtores e a música eletrônica.

O mais popular serviço de streaming da atualidade anunciou recentemente mudanças no padrão de volume da reprodução de músicas. Tecnicamente, consiste em diminuir o target de volume das reproduções de -12 LUF para -14 LUF. Mas calma, você não precisa saber o que nada disso significa. O importante, em termos práticos, é que o Spotify passa a ter um limite de volume menor, mais parecido com o de outros serviços da mesma categoria.

O novo limite de volume o deixará alinhado com outras plataformas, como o TIDAL e o YouTube, mas ainda mais alto do que o iTunes e o Apple Music. A diferença entre o volume absoluto e o volume percebido é algo extremamente técnico, mas o importante a se saber aqui é que o Spotify está criando um novo limite para o volume percebido no serviço, o que impactará diretamente a música eletrônica e um fenômeno chamado “loudness war” (algo como “guerra do volume”).

Ocorre que nos últimos anos, dentro do nosso estilo preferido, se viu uma grande tendência em aumentar ao máximo o volume percebido durante a masterização de uma faixa. Por bastante tempo, os produtores buscaram — e muitos ainda buscam — fazer com que suas músicas soassem o mais alto possível sem perder qualidade sonora. Com mudanças como as anunciadas pelo Spotify, essa necessidade, ou esse desejo, se torna cada vez menos relevante.

Quando as plataformas em que as faixas dos produtores são ouvidas limitam o volume percebido de seu conteúdo, torna-se muito menos importante puxá-lo ao extremo. Uma vez que apenas alguns poucos serviços, como o SoundCloud, ainda não aplicam essa limitação, a tendência é que cada vez menos os produtores tenham interesse em entrar nessa guerra de volumes. Com exceção das apresentações ao vivo, todo esse volume extra será simplesmente cortado.

O que reduz ainda mais a tendência dos produtores de continuar aplicando essas técnicas, ao menos nas faixas que serão disponibilizadas nos serviços de streaming, é que o corte de volume é feito de maneira padronizada e pode até prejudicar o resultado final. Se o Spotify ou o YouTube receberem um conteúdo com volume percebido acima de seus limites, eles farão o procedimento de abaixá-lo por conta própria, nem sempre da melhor maneira possível.

É provável, portanto, que os produtores prefiram fazer os ajustes necessários com as próprias mãos, já entregando uma faixa masterizada dentro do limite. Essa é uma mudança gradual e que já vem acontecendo há algum tempo, mas que vem tendo impacto direto nas técnicas e nos padrões de mixagem e masterização utilizados por produtores e estúdios de todos os estilos — mas principalmente na música eletrônica. Se você usa o Spotify, é bom já ir aumentando o volume do seu fone ou do som do seu carro, porque você vai precisar.

* Pedro Fialdini é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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