Pedreira, Sao Paulo, SP

A Odisseia Homérica que foi a Tribe 2016

São poucos festivais no Brasil que são tão queridos quanto a Tribe. Completanto quinze anos de história em 2016, o festival criado pelo DJ Du Serena prometia uma edição bem especial.

O festival, como nas últimas edições, se mostrou bastante eclético, com um palco para cada genêro. EDM no Fusion, Psy-Trance no Solaris, Nu Disco no Domo, Techno no Tribe Club, e House no novo Secret Garden, que teve sua estreia nessa edição.

A line up mesclava bem os artistas internacionais com os nacionais, alguns destaques durante os anúncios foram Marcel Dettmann e Carl Craig, artistas de grande porte que fariam sua estreia no festival. Alguns dos nomes eram um pouco novos para o público e foram apostas bem interessantes da curadoria como Thyladomid, Frankey & Sandrino, WAFF e Sidney Charles.

Pra agregar a esses, tivemos alguns nacionais de peso como Victor Ruiz, Boghosian e Eli Iwasa. Junto com os já recorrentes do festival D-Nox & Beckers, Stephan Bodzin e Boris Brejcha.

Antes de relatar sobre as apresentações que presenciei no festival, acho importante  comentar um pouco sobre a organização, ou falta dela. Nessa edição, a produção resolveu inovar em termos de espaço, tirando o festival da Arena Maeda e levando para o até então inédito Alto do Sagrado. O lugar em si não era ruim, o real problema era o acesso à ele. Um transito absurdo impedia que o acesso fosse feito de carro, o que acarretou em uma caminhada de alguns quilômetros para a maioria das pessoas. As caminhadas variaram de oito quilômetros para mais, fazendo com que as pessoas gastassem duas horas a pé para conseguir chegar até o festival. Para dar uma ideia de quão ruim o transito estava, a dupla Format:B, agendada para tocar no Tribe Club as 22h30, teve de cancelar a apresentação, após ficarem quatro horas e meia no trânsito e não conseguirem chegar ao festival. Isso se torna ainda mais absurdo, considerando os preços do ingressos, que não fora nada baratos.

Além desse problema, tivemos uma enorme falta de segurança, com tiroteios na porta do festival, arrastões desenfreados dentro dele e invasões de pessoas que pularam a grade para entrarem sem ter que pagar o ingresso. Também ouvimos alguns relatos de bares cobrando dezesseis reais por uma água (O dobro do preço que estava na tabela).

O festival também apresentou uma Time Table bastante desconexa. Como por exemplo Marcel Dettmann, conhecido por tocar um techno bastante introspectivo de BPM um pouco mais alto, ser seguido pela dupla de Tech House Format:B (Apesar de nenhum dos dois terem de fato tocado no festival). Ou então o palco Solaris, que iniciava com Prog, passava para Full On e voltava para o Prog para fechar a festa.

Apesar de todos esses problemas, eu e meus amigos chegamos no festival um pouco depois de meia-noite, conseguimos assistir mais da metade de apresentação do Boris Brejcha, uma apresentação de bastante qualidade e sem surpresas para o bruxo. Em seguida, seguimos no Tribe Club para uma apresentação surpreendente do Victor Ruiz, o brasileiro fez uma apresentação repleta de clássicos de Techno, abrindo com Renato Cohen, e passando por Maceo Plex e Ricardo Villalobos, a apresentação foi pura e simplesmente Techno de grande qualidade.

Terminada sua apresentação, demos uma passada no novo palco, o Secret Garden, onde assistimos a apresentação do alemão Thyladomid e do brasileiro Boghosian. Ambos fazendo sets excelentes dentro do âmbiente mais intímo do festival que era o Secret Garden, com um Deep e Tech House bastante envolventes.

Passado isso, voltamos ao Tribe Club, onde conseguimos ver o final do set do Sidney Charles, uma vez que os horários estavam atrasados. Charles entregou o seu som caracteristico com louvor, um Tech House bastante energético, quase impossível ficar parado. Logo após dele foi a vez do D-Nox pegar o comando da pista, e o mesmo comandou com classe. Provavelmente o mais carismático entre todos os DJs que vimos se apresentar, ele recheou o set com músicas próprias que esbanjam melódia, como a recém lançada Last Call, e seu remix de Sad Robot, ambas produzidas junto com seu parceiro de longa data, Beckers. O seu som encaixou como uma luva no nascer do sol.

Stephan Bodzin atendeu a toda e qualquer expectativa que tínhamos para ele, tocando um set hipnotizante, lotado com suas músicas do último LP (Powers of Ten), ele com certeza foi um ponto alto da festa. Saímos do festival cerca de onze horas da manhã, um pouco depois de o Carl Craig havía assumido os decks, que tocou aquele clássico Techno de Detroit com primor.

Um ponto positivo para o festival, as produções do palco estavam lindas, e encaixaram extremamente bem dentro do contexto de som de cada um. Tanto o cocar no Solaris, quanto os pilares do Tribe Club ou as árvores no Secret Garden.

Para resumir, tivemos uma curadoria excelente, com apresentações ótimas, que foi totalmente prejudicada por uma das piores organizações já feitas para um festival do tamanho e renome da Tribe. A falta de consideração com o público foi grande e não pode ser ignorada. Torço para que os próximos festivais que ousem ser do tamanho da Tribe façam um trabalho melhor com a organização.

Comunicado publicado pela TRIBE:

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