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Review

Papos com Justice e Vitalic, calor e planos futuros; como foi o Sónar 2017

Phouse Staff

Publicado em

25/07/2017 - 10:35

Jornalista espanhola representou a Phouse na edição principal do maior festival de música avançada e tecnologia do mundo; entre entrevistas com artistas, frequentadores e diretores, os franceses Justice e Vitalic são o destaque.

* Por Paula López Barba

Três da tarde, quase 40 graus em Barcelona. Leques e pistolas de água para aguentar o sábado no Sónar mais quente e lotado. Recorde de 123 mil visitas. Dois homens loiros e muito brancos deitados no chão, recebendo o forte sol espanhol. Provavelmente eles sejam de um país do norte da Europa. O Sónar tem um 54% de público estrangeiro, a maioria europeu. É difícil acompanhar o ritmo de atividades e o calorzão deste ano, mas poucos deitam e relaxam — há shows demais para ver nos cinco palcos. Aqui as pessoas não vêm só para dançar música eletrônica. Desde a sua primeira edição há 24 anos, o Sónar é um encontro de música avançada, criatividade e novas tecnologias; uma eclética proposta que mistura um público de idades, gostos e com objetivos muito diferentes — desde melômanos até aqueles que vêm só para se divertir, sem se importar com o artista. Você pode dançar trap ou sentar no auditório para escutar música contemporânea. Há também aqueles que vêm para fazer contatos no Sónar Pro ou para dar uma volta pelas propostas tecnológicas, este ano focadas na inteligência artificial e na realidade virtual. “As pessoas vêm para experimentar, descobrir e curtir”, diz Enric Palau, fundador e codiretor do Sónar.

O elevado preço do ingresso — mais de R$ 700,00 — e a ausência de uma área para barracas afastam o público mais novo e com menos dinheiro. Você pode escolher entre Sónar dia, noite ou ambos. “Eu estou indo só para a parte do dia, a noite é demais para mim”, diz Vicent, um espanhol cansado na saída do festival após um sábado intenso. Há espaço para todo e para todos. A semana Sónar concentra varias atividades em diferentes partes da cidade, incluindo as exposições de Björk e de David Bowie e um congresso de tecnologia, criatividade e business, o Sónar +D, que neste ano foi ampliado em dois dias. “É um encontro europeu para a reflexão sobre como a tecnologia pode ajudar no desenvolvimento das artes e da cultura eletrônica”, diz Georgia Taglietti, diretora de comunicação do Sónar, que insiste que se trata de mais do que um festival de música. “É uma experiência multissensorial, não apenas acústica.”

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Há também frequentadores que explicam bem a receita do sucesso. “É um festival horizontal com muitos artistas que não são headliners, mas que têm muito a dizer”, relata Albert, jornalista cultural que há 14 anos não perde uma edição. Ele fala de Anderson Paak, Moderat e DJ Shadow como destaques deste ano, mas sempre há também alguns nomes muito conhecidos no lineup. Esta edição começou na quarta-feira (14/06) com o DJ set e conferência de Björk em um ato meio improvisado, aplaudido por alguns e criticado por outros, mas é verdade que são os artistas consolidados, porém não tão conhecidos, que formam a maior parte do festival.

É o caso de Forest Swords, que entrevistei depois do seu show. A proposta do britânico é pouco comercial, mas muito aclamada pela crítica desde o início. Ele explica como fez a transição do mundo do design gráfico para a música, e como uma atividade alimenta a outra: “Eu estou acostumado a entender o mundo de forma visual, e transfiro o visual para sons. É abstrato, mas me ajuda a ter ideias”. Esta foi sua segunda vez no Sónar, e se diz com sorte de participar, apesar de reconhecer que nunca teve uma ambição especial de estar no palco, por ser muito tímido. Ultimamente, tem colaborado com Massive Attack e num filme de Liam Young (um arquiteto que faz vídeos sobre como serão as cidades do futuro), e nunca esteve no Brasil, mas gostaria muito. “Eu sei que os brasileiros são muito apaixonados pela música. No Brasil há uma boa energia musical, o que poderia me inspirar. Também é um país muito visual.”

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Logo após o show de Forest Swords, é o esperado momento do venezuelano Arca junto ao japonês Jesse Kanda. Eles deixaram muito altas as expectativas com a participação no Sónar 2015, mas neste ano muitos concordam que o começo do show foi longo e lento demais. A combinação da presença de Arca no palco com os intensos visuais conseguiu estimular as pessoas que estavam quase dormindo na primeira parte. A quinta-feira (15/06) termina cedo; temos que poupar forças para a sexta (16) e o sábado (17), dias fortes que têm também a parte da noite, que vai até às seis da manhã.

Na sexta, o público começa lentamente com grupos como Playback Maracas, um divertido e moderno duo catalão, que começou a misturar ritmos eletrônicos e tropicais há um ano. Eles adorariam fazer tour na América do Sul. “Se formos ao Brasil, não voltamos mais”, me dizem entre risadas, depois da sua primeira vez como artistas no Sónar. Logo depois é o momento da Juana Molina, ex-atriz argentina que há 20 anos defende o estilo intimista e experimental entre a eletrônica e o folk. Ela apresenta o seu sétimo álbum Halo, elogiado trabalho que combina naturalidade e escuridão com músicas sugestivas que não são muito dançantes — assim como também não o são as do duo NONOTAK. Naquela tarde, o auditório inteiro do Sónar dia se levantou para aplaudir o som e os visuais impecavelmente conectados da dupla. A proposta da ilustradora francesa e o arquiteto japonês não só tem a ver com a música; luz e espaço são igualmente importantes. Outros para quem o visual é uma ferramenta fundamental são os alemães do Moderat, que projetam suas características ilustrações no Sónar noite, na frente de um público totalmente dedicado. Também durante essa noite, apresentaram-se DJ Shadow, Nicolas Jaar, Anderson Paak e Nina Kraviz, entre muitos outros.


NONOTAK @ Sónar Barcelona

No sábado, as forças vão diminuindo após os três dias de festival. Muitos estão com ressaca da noite da sexta e não chegam no Sónar dia ou chegam deitados, como aqueles homens que se bronzeavam no chão. Mas é o dia mais lotado, porque para muitos outros é o único, e vão aproveita-lo ao máximo. As altas temperaturas e as filas para comprar em bares ou ir ao banheiro não ajudam, mas ainda há muito Sónar, e vale a pena aguentar para ver artistas como Marco Carola, De La Soul, The Black Madonna, Vitalic ou Justice.

O que é difícil é não dançar com Justice. A característica cruz brilhou em Barcelona novamente. Antes do show eu entrevistei o Gaspard Augé e o Xavier de Rosnay. Embora acostumados à fama e aos grandes festivais, eles reconheceram estar um pouco nervosos. “Vamos muito a Barcelona, mas não sabemos como vai ser a energia dessa noite porque é a primeira vez que fazemos o nosso show num espaço fechado”, disse Xavier. Apesar do seu aspecto de rockstars um pouco blasé — não tiram os óculos de sol durante a entrevista toda —, falamos com descontração dos planos e da relação da dupla com o Brasil. Eles não vêm mais para a América do Sul porque é muito caro transportar o que eles precisam para o seu espetacular cenário, e não vale a pena se eles têm poucos destinos. “Na América do Sul os limites naturais e políticos são mais difíceis de atravessar do que na América do Norte”. As distâncias e a paisagem latino-americana não lhes permitem ir com caminhões pela estrada, e voar com a quantidade de toneladas necessária não é barato. Mesmo que a música deles tenha pouco a ver com os ritmos brasileiros, se tivessem de escolher um país na América do Sul em termos musicais, seria o Brasil. “Há uma emoção especial na música brasileira, que não é encontrada em outros lugares. Gostamos principalmente da bossa nova”, revelou Gaspard.

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Quem às vezes aparece no Brasil é o também francês Vitalic, que me explica que o novo álbum, Voyager, tem menos techno e rock e mais disco. “Eu já estou com 40 anos e o meu trabalho é mais melódico e conta mais histórias, não é apenas para a pista de dança.” Ele diz que normalmente demora uns quatro anos para compor um álbum. “São dois anos de tour; no terceiro ano começo a pensar e no quarto finalizo o trabalho. Não me sinto forçado a produzir muito. Além disso, eu trabalho sozinho e preciso pensar e deixar a música crescer lentamente.” Ele adora vir a Barcelona e ao Sónar, mas também confessa estar muito nervoso antes do show, que é um dos últimos, às quatro da manhã no sábado.

Domingo é o momento de recuperar as horas de sono perdidas dos últimos dias, mas ainda falta o concerto de encerramento com um show muito diferente do resto das propostas do festival: Death Speaks, do compositor norte-americano David Lang. Trata-se de música contemporânea pós-minimalista interpretada pelo pianista norte-americano Nico Muhly, junto dos berlineses do Stargaze, em uma das principais salas de concerto da cidade. O público também é muito diferente, embora seja possível perceber alguns rostos familiares dos dias anteriores. Com sons suaves, lentamente se desvanece o Sónar Barcelona deste ano.

Desde 2002 o Sónar também visita outras cidades — incluindo três edições em São Paulo (a última delas, em 2015). As próximas paradas são Buenos Aires em novembro, Bogotá em dezembro e Hong Kong e Istambul em março de 2018. Quando pergunto aos organizadores se há previsão de um retorno ao Brasil, eles dizem que por enquanto não têm planos para outros países, porque há uns meses eles estão só focados na próxima edição de Barcelona, que será uma data muito especial: o 25º aniversário do festival.

* Jornalista espanhola, produtora da Television Española no Rio de Janeiro, Paula López Barba contribuiu com esta reportagem para a Phouse.

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Notícia

Rivas e Future Class lançam collab inspirada em clássico da dance music

Amigos de longa data, os dois projetos samplearam um dos maiores hits da história da música eletrônica

Phouse Staff

Publicado há

Rivas e Future Class
Foto: Divulgação

“This is the Rhythm of the Night! The Night! Oh Yeah!” Praticamente impossível você ter passado sua vida sem entoar essa clássica estrofe — ainda mais sendo um fã de dance music. 

Agora, na onda de pegar as pérolas antigas e adaptá-las para o contexto atual, os projetos Rivas e Future Class resolveram homenagear o hino de 1993 da Corona numa pegada brazilian bass. Confira:


Em contato com a Phouse, o Rivas, que vem se destacando no cenário desde 2015, nos contou que tem uma amizade bem antiga com os rapazes do Future Class — desde antes do nascimento da dupla. “Foi uma collab que demorou pra sair, mas que saiu de uma forma muito mais foda do que o esperado, e os resultados tão aí pra dizer”, comentou.

Segundo o paulistano, a faixa traz melodias inspiradas no electro house e uma bassline forte, “presente numa estrutura simples e fácil de entender”. A cereja do bolo fica por conta do sample tirado do hit da Corona, de quem os três quiseram prestar essa homenagem “pelo fato de ela ser brasileira, e a música em si ser um hino nas pistas, independentemente da época”.

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Entrevista

Sócia do Caos, Eli Iwasa fala sobre curadoria, cena e sonho realizado

Celebrando a diversidade, casa recebe Modeselektor, Zegon e Mau Mau neste final de semana

Rodrigo Airaf

Publicado há

Caos Club
Eli Iwasa. Foto: Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

É em um galpão industrial completamente reformado em Campinas que acontece uma vastidão de apresentações antes pouquíssimo prováveis de rolar na região. Desde sua inauguração, em dezembro, abrindo no máximo duas vezes por mês e rolando por longas horas, o Caos reverberou uma jornada sonora das mais recompensadoras, trazendo desde nomes majestosos como Laurent GarnierCarl CraigChris LiebingSpeedy J Marco Carola, até nomes de grande destaque na atualidade, como Nina KravizReconditeANNA e Nastia. Por falar em artistas imponentes, foi lá a apresentação única da alemã Ellen Allien no Brasil — fato que vai se repetir com o gigante Dixon, em outubro.

Tendo como filosofia a diversidade tanto de público quanto de som — você pode encontrar numa mesma noite tanto a disco music de Eric Duncan quanto o techno pulsante de Tijana T, por exemplo —, há projetos como a Wolf, voltada ao público LGBTQ+, e a Groove Urbano, que fomenta o hip hop, ambos com histórico de eventos no Club 88 (do mesmo grupo que criou o Caos). Por esses eventos passam expoentes fora do circuito usual, entre eles Linn da QuebradaEmicida e Gabriel o Pensador.

Voltando aos beats eletrônicos, até mesmo Fisher, febre mundial da cena tech house mais comercial, apresentou-se no club na última semana, em uma noite explosiva em parceria com a festa paulistana Michael Deep.

Caos
Caos, em sua inauguração com Carl Craig, em dezembro de 2017. (Foto: Bill Ranier/Divulgação)

A próxima loucura que o Caos vai aprontar está logo aí, na madrugada de sexta para sábado: um after com ModeselektorZegon e Mau Mau, a partir das 04h. Pode ser maluco para alguns unir o poderoso e eclético duo alemão a um difusor da bass music e um pioneiro do techno brasileiro na mesma noite (tudo isso logo depois de uma festa de hip hop), mas não é maluquice para o Caos — e certamente não para sua sócia-fundadora Eli Iwasa.

É com ela que conversamos agora, para que nos ajude a entender o porquê de o Caos ter se tornado um projeto tão único e tão importante para o interior de SP em menos de um ano, além de explorar um pouco a proposta da casa através de sua visão e experiência de duas décadas no cenário eletrônico.

Caos
Eli Iwasa na cabine do Caos, que possui um amplo espaço ao redor do DJ. (Foto: Reprodução/Facebook)

Eli, o lineup do after que vai rolar no próximo sábado é curioso, e parece ser bem especial: Zegon, que é conhecido na cena bass; Modeselektor, duo gringo muito querido por quebrar barreiras de estilos musicais; e por fim, Mau Mau, deuso do techno que vem com um set de clássicos. Como e por que o lineup foi montado assim?

O Modeselektor é conhecido por não se prender a rótulos, por sua imprevisibilidade, então por que também não fazer algo fora do óbvio? Tanto o Zegon quanto o Mau Mau são artistas com uma baita bagagem musical, e pedi para cada um deles que fizesse um set especial para que pudessem mostrar um pouco a mais de suas próprias histórias.

O Zegon, além de ter sido DJ do Planet Hemp, faz parte do N.A.S.A. e do Tropkillaz, então pode ir do hip hop ao eletrônico, e tudo mais no meio, com a maior facilidade. Quando fechei o Modeselektor, a primeira pessoa que pensei em chamar para fechar a festa foi o Mau, fazendo um set de clássicos. Ele, que ajudou a construir tudo isso que temos agora, que tem um papel fundamental no desenvolvimento da música eletrônica no Brasil, e que também é figura central da minha própria história na cena, não poderia ficar de fora.

Em sua comunicação, o Caos deixa claros seus princípios de inclusão, posicionando-se contra preconceitos e barreiras sociais, convergindo diversos públicos. Como isso se traduz nos lineups da casa?

Quando começamos a pensar no que gostaríamos no Caos, resgatamos a ideia de como eram os clubs importantes em nossa formação, como o Lov.e e o Kraft. Uma das coisas mais significativas daquela época era justamente a mistura de públicos: o “playboy” e o “mano”, as “bees”, as trans, a turma do som e os que caíam de paraquedas, encarando seus próprios preconceitos e aprendendo na democracia que uma pista de dança deveria ser.

Aqui nem todo lugar é assim. O que parece absurdo pra muita gente é uma realidade na região. E queríamos reunir os amigos e clientes de universos backgrounds diferentes num só lugar. É um processo de aprendizado constante e um desafio também, porque Campinas ainda é uma cidade bem conservadora em muitos sentidos. 

Caos
“Sem sexismo, sem racismo, sem capacitismo, sem ageísmo, sem homofobia, sem gordofobia, sem transfobia, sem ódio”, diz banner instalado perto da porta. (Foto: Reprodução/Facebook)

Durante a fase embrionária do projeto, já havia a expectativa de reconhecimento em tão pouco tempo?

Nunca! Nem nos meus sonhos mais loucos (risos)!

O que tem por trás do trabalho de curadoria que o público em geral não vê?

Um grande desafio é alinhar a visão de uma casa noturna com o momento do mercado e com o que o seu público espera, e não deixar seu propósito se perder diante de todas as mudanças que a cena e seu próprio club sofrem ao longo dos anos. Lidamos com muita coisa no Brasil: alta do dólar, uma carga tributária gigantesca, a falta de apoio dos órgãos oficiais, e a toda hora precisamos nos lembrar por que escolhemos ter um club, pois nem sempre é fácil.

Tem muita festa acontecendo, a concorrência é grande e isso faz com que muitas agências de talentos acabem pedindo ofertas inviáveis ao produtor brasileiro. Ao mesmo tempo, estamos sofrendo com esse momento econômico e político no país, o que refletiu no ticket médio e na frequência com que as pessoas saem — muita gente gasta com cautela e escolhe uma festa no mês em vez de sair todas as semanas.

Do nosso lado, existe um cuidado ainda maior na hora de investir em um artista internacional, o esforço de não bater datas com outros eventos, e tudo isso reflete na curadoria: ora você se arrisca mais artisticamente, ora você toma decisões de resultados mais certeiros. 

A agência Muto é responsável pela comunicação audiovisual do Caos, trazendo vídeos conceituais a cada edição.

Então pra escolher os artistas, nem sempre a paixão fala mais alto?

Nossas decisões são bem emocionais. Pensamos muito na experiência e nos momentos que podemos proporcionar através dos clubs. Não é exatamente a maneira certa de gerir um negócio (risos), mas é a maneira que é certa para nós. Sempre fomos assim, muito intuitivos, com a paixão falando alto.

A experiência também permite que tomemos decisões certas mesmo sem fazer muitas contas, porque com o tempo você aprende o que funciona e o que não, quais dias são melhores para seu club… Muito importante falar também que manter-se atualizado com o que acontece na cena é fundamental; o público se renova constante e rapidamente, assim como estilos musicais e artistas.

Imagino que várias datas do Caos foram lindas e que seja difícil fazer uma escolha, mas em qual delas você realmente sentiu uma sinergia perfeita entre o lineup, a resposta do público, a conexão entre os artistas, e pensou: “o resultado está literalmente do jeito que imaginei”?

A inauguração do Caos fez muita gente chorar entre toda a equipe e público, porque sentimos que algo muito significativo estava acontecendo ali. Já sobre a noite com Laurent Garnier, pessoalmente, queria há anos booká-lo para algum dos meus clubs em Campinas, mas nunca sentia que era a hora. Quando abrimos, sabia que estávamos prontos para recebê-lo aqui, da maneira que ele merece.

Eu nunca vou esquecer o momento em que o Laurent entrou na cabine e o Toca, um dos meus sócios, veio até mim, super emocionado, porque só a gente sabe o tanto de dedicação que foi preciso para chegarmos ali e abrirmos a casa. A ficha caiu que tudo que vivemos e aprendemos nos trouxeram até aquele momento, com todos nós colocando nosso potencial em prática para fazer o Caos ser uma realidade.

Caos
O Caos é realmente para todos… Até mesmo pra Paçoca, filha da Eli Iwasa. (Foto: Reprodução/Facebook)

Como você enxerga a noite de Campinas em relação ao cenário nacional atualmente?

Vejo que o Caos e o Club 88, junto com o Laroc, que são nossos amigos e fazem um trabalho incrível, estão realmente fomentando a cena da região e a transformando em um destino para quem gosta de música eletrônica. Sempre existiu o fluxo de público de Campinas para São Paulo, e hoje, finalmente, existe também o fluxo de São Paulo, cidades ao redor, Sul de Minas para esses clubs.

Vale lembrar que esse trabalho não é de hoje. O interior de SP sempre contou com clubs muitos importantes, como Kraft e Anzu, além de festivais como Kaballah, Tribe e XXXPERIENCE, que realizam seus eventos por aqui.

Pra fechar, o que é um bom curador pra você?

Um bom curador é aquele capaz de traduzir a visão de um club ou evento através da música, dos artistas e das experiências que compartilha e proporciona.

Rodrigo Airaf é colaborador eventual da Phouse.

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Notícia

Justice lança clipe belo e brutal para nova versão de “Love S.O.S.”

Faixa faz parte do novo álbum da dupla, “Woman Worldwide”

Phouse Staff

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Love S.O.S.
Foto: Reprodução

Nesta semana, o Justice pintou com um dos seus videoclipes mais singulares e intrigantes. A versão “WWW” de “Love S.O.S” ganhou um vídeo daqueles abertos às mais variadas interpretações, e que mesmo que você não entenda exatamente do que se trata, sai impactado — e possivelmente perturbado. 

Dirigido por Edouard Salier, o clipe apresenta um cenário levemente surrealista, na qual um bodybuilder repleto de cicatrizes transforma uma pole dance em uma espécie de balé. O que acontece depois, não vamos falar pra não trazer spoilers, mas é uma virada surpreendente e brutal.

“Love S.O.S. (WWW)” faz parte do mais novo álbum do Justice, Woman Worldwide, em que a dupla gravou no estúdio uma simulação de seu live, no qual condensam e misturam diversas músicas de sua discografia em novos formatos — assim como as épicas performances “Alive” do Daft Punk.

O disco foi lançado no final de agosto via Genesis/Ed Banger/Because Music, e é uma boa pedida para todos os fãs dos franceses. 

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