Connect with us
Go Festivals – Tomorrowland Winter Full
Green Valley Dez. Full
Banner Sundance Leaderborder

Review

Em apresentação no Brasil, Patrice Bäumel mostrou por que é um dos artistas mais completos da atualidade

Jonas Fachi

Publicado em

04/01/2018 - 19:33
Patrice Bäumel Warung
Tocando no Warung no final de dezembro, o DJ holandês surpreendeu em evento que ainda contava com nomes do calibre de Carl Craig e ANNA
Fotos por Gustavo Remor e Ebraim Martini

Em uma temporada de verão repleta de grandes artistas e retornos aguardados, o dia 26 de dezembro de 2017 ficou marcado no Warung Beach Club pela aposta em artistas que mesclam partes importantes da história e do futuro dentro da música eletrônica global. É preciso delinear onde cada um dos dois nomes que considero principais da noite se enquadram nessas características mencionadas.

Falar de história é falar de Carl Craig. A lenda de Detroit demorou para estrear na casa, porém agora já estava em sua terceira apresentação. Receber um artista com tanta bagagem e respeito no cenário mundial é sempre uma honra para qualquer club do mundo. Porém, Carl teria que dividir horário com outro nome no Garden, e às vezes só a história é incapaz de tomar as atenções de um público que não estava em grande quantidade.

Patrice Bäumel assumiria o Garden como a outra grande atração do evento após ter provavelmente o melhor ano de sua carreira. O respeitado residente do antigo club Trouw, de Amsterdã, e um dos produtores mais originais do momento era aguardado por muitos aqui no Sul — um retorno necessário e musicalmente muito bem alinhado com a identidade do Templo.

Para mim, era o artista mais cotado para se assistir no ano. Tinha ouvido muitas coisas boas sobre sua capacidade comandando uma pista, porém, só é possível saber tendo sua própria experiência. Os dois artistas começaram quase no mesmo tempo, e cada frequentador teve que escolher um lado para se entreter, provavelmente sabendo que a escolha seria para o resto da noite, visto a capacidade que cada um deles tem de construir grandes sets em pistas mundo afora.

Patrice Bäumel Warung

Porém, antes de tudo, tivemos ótimos artistas nacionais comandando as duas pistas, e é preciso mencioná-los. Com um set de nada menos que três horas e meia, os residentes não oficiais do Warung, Danee e Edu Schwartz debutaram um B2B que havia sido bastante comentado na semana da festa pelo público local. Quando comecei a ouvi-los, por volta das 23h, logo nas primeiras faixas observei que eles estavam em uma boa sintonia, cada um buscando se ajustar ao outro e levando suas ideias musicais de encontro.

Uma boa amostragem de música conceitual, com momentos sérios e outros dançantes, que deixou a pista muito bem ambientada para a continuação da noite. O melhor de tudo? São DJs que nasceram da cena que se desenvolveu a partir da influência do club no litoral e vale do itajaí.

Em seguida, a brasileira radicada em Barcelona ANNA assumiu o comando do Inside. Ela tem sido uma constante nas noites de techno do club, sendo sempre uma boa peça para fazer a transição até o artista principal. Deu start em seu conjunto com um vocal metálico e levemente robótico, que estava sobre uma camada obscura de sintetizadores. Quando o restante dos elementos entrou em ação, um baixo rápido e pesado, todos perceberam que era o cartão de visitas que ela imprimiria para as duas horas lhe designadas. Ah, a música se tratava de “Unfold”, de Wehbba — uma belo trabalho.

Patrice Bäumel Warung

Às 03h30, minha escolha, que só poderia ser uma, foi pelo nome que mais me chamou atenção em 2017. Patrice Bäumel já tinha feito outros dois shows no club muito elogiados, porém somente agora pude tirar a prova real. Seu set começou bem cadenciado e sério, com alguns toques tribais fazendo parte da cena. Confesso que nunca fui fã do Garden, porém é preciso dizer que ao longo do tempo o espaço criou sua própria alma — diferente de cima, é verdade, mas também capaz de ajudar a criar magia entre artista e público. Para isso acontecer, precisa passar fundamentalmente por quão à vontade o DJ se sente.

Quanto a isso, pode-se dizer que Patrice parecia em casa. Sua atitude concentrada em grande parte do set era intercalada com certos momentos em que ele deixava clara sua satisfação em jogar ali. A pista não estava lotada, era perfeita para todos. O soundsystem estava brilhando, e Bäumel aos poucos foi deixando toques progressivos ganharem espaço na apresentação. A partir do momento em que ele sentiu que tinha criado a atmosfera ideal — lembrando que precisou começar uma pista do zero —, pôde finalmente soltar suas armas para a noite. Uma delas, “Atacama”, obra produzida em parceria com Audiofly.

A partir das 04h, com ritmo já estabelecido, era visível a sintonia das pessoas em resposta ao seu trabalho muito bem elaborado, com mixagens longas e bem pensado. Todos vibravam a cada passagem mais emotiva. Em seguida, entra em ação um dos remixes do ano: “Sirens”. A faixa é uma aula de Bäumel no estúdio sobre como se deve aproveitar o potencial máximo de um vocal e colocá-lo dentro de um conjunto de elementos eletrônicos que fazem sentido. É daquelas musicas que você canta junto, e se arrepia com os sintetizadores que entram em cada break. Sua linha de baixo, rápida e bem firme, é capaz de te jogar para frente na pista. Que momento!

Continuando o trabalho, Patrice parecia que ainda não tinha mostrado tudo; ele continua girando seu set, buscando o momento ideal para mostrar algo especial. Se antes trouxe uma produção nova, agora tinha preparado para o último arremate antes do amanhecer: um clássico daqueles. “Mongoose” pertence ao hall das músicas atemporais, e que talvez não esteja entre as primeiras lembradas do seu criador, mas certamente é uma das mais singulares e originais que o artista já fez. Sasha, uma das grandes influencias de Bäumel, produziu essa maravilha em um dos melhores momentos de sua carreira, sendo lançada em 2007 por sua antiga label emFire. Eu simplesmente não sabia como reagir — sempre imaginei poder ouvi-la na pista, e finalmente estava acontecendo. Nunca apostaria antes do show que Bäumel seria o cara que iria jogá-la, porém quando aconteceu, ela soou algo totalmente alinhado com sua proposta sonora.

Patrice Bäumel Warung

Entramos no amanhecer com um clima nebuloso e de céu fechado, porém a atmosfera estava completamente preenchida com o sentimento das manhãs de verão. Por volta das 06h30, Patrice segura um pouco as energias e começa a preparar o fechamento. Suas últimas músicas foram mixadas de forma desconcertante, quando o DJ está em seu ápice técnico e munido de um público beirando a perfeição. Para o fechamento, escolhe o mesmo clássico que usou para fechar seu aclamado Essential Mix pela BBC Radio 1: Groove Armada em “History”, com o excelente remix de Still Going. Essa é daquelas que não nos esqueceremos tão cedo.

As impressões pós-show eram unânimes. Patrice Bäumel se coloca como um dos artistas mais completos da atualidade, abusando de excelência tanto quando se dispõe a produzir como quando está no comando de um dancefloor distante na América do Sul. No dia 26, o passado de Carl Craig estava assombrando o Inside com o fabuloso techno de Detroit, porém o futuro brilhante que o nome do Garden tem pavimentado parece ter deixado marcas mais vibrantes.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

CONFIRA TAMBÉM:

Saiba tudo sobre o Caos, novo clube do underground de Campinas, que estreia com Carl Craig

Mais relevante do que nunca, o Warung comemorou seus 15 anos com grandes perspectivas

Albuquerque: “Faço questão de inovar sempre; cada cenário, cada estação do ano requer um som diferente”

Para curador, Tribaltech vai se consolidar como “evento-postal” de Curitiba

Gui Boratto homenageia pioneiro do tango em show inusitado em Paris; assista!

RECEBA NOVIDADES NO E-MAIL
[fbcomments]

Review

“Pedra Preta”, o 1º álbum do Teto Preto, é um grito de resistência

O celebrado grupo do underground paulistano mostra sua maturidade artística em seu primeiro full lenght

Alan Medeiros

Publicado há

Pedra Preta
Foto do clipe de "Pedra Preta": Reprodução/Facebook

Nos últimos anos, São Paulo se transformou em um caldeirão cultural com uma chama multicolorida a iluminar um mar de ideias brilhantes. Nesse cenário, diversas mentes criativas surgiram, mostraram a que vieram e se tornaram referência para uma série de iniciativas que passaram a pipocar pelo país. No olho desse furacão, exercendo posição de protagonismo, lá estava a Mamba Negra e, consequentemente, o Teto Preto.

A relação entre festa e grupo é intrínseca. O Teto Preto nasceu na pista da Mamba e obviamente foi criado por frequentadores e entusiastas da festa. Nesse processo, o grupo foi decisivo para construção do perfil sonoro que tanto marcou a Mamba Negra frente ao seu público. Muito além da música, estamos falando de arte em diferentes camadas — estamos falando de representatividade. A festa representa a banda, a banda representa a festa. Por sua vez, o público se sente fortemente representado por ambos.

Os primeiros trabalhos do Teto Preto foram lançados pelo selo da Mamba, o MAMBA rec, em 2016. O EP Gasolina foi prensado em vinil com duas faixas extremamente marcantes: “Já Deu Pra Sentir” e “Gasolina”. O resultado? Dois hits históricos para jornada do grupo. Na sequência, um hiato de dois anos até “Bate Mais”, single em antecipação ao Pedra Preta, primeiro álbum de estúdio completo da banda, que chegou às plataformas digitais neste mês com oito faixas, sendo sete originais e inéditas.

 

Pedra Preta reflete a atual maturidade artística de seus compositores, mas não deixa a chama da ousadia e irreverência se apagar. Novamente, não se trata apenas de música: Laura Diaz (Carneosso), Loic Koutana, Pedro Zopelar, Savio de Queiroz e William Bica promovem um grito de resistência ao longo de todas as faixas que formam o full lenght. A atmosfera densa do disco dita o ritmo de uma narrativa longa e inteligente, que aborda assuntos como a tragédia do Museu Nacional neste ano.

Por falar em “Pedra Preta”, vale ressaltar que a faixa-título do álbum também ganhou um clipe. Lançado ontem, 22, e com duração de mais de oito minutos, o vídeo dirigido por Rudá Cabral, Laura Diaz e Joana Leonzini traz um storytelling denso e aberto a interpretações, mas com uma clara crítica ao conservadorismo da sociedade brasileira e honrosa menção ao perfil de público da Mamba Negra — o trabalho foi coproduzido pela MAMBA rec em parceria com a Planalto. Sem dúvida alguma, Pedra Preta é uma vitória importante para a sobrevivência da cultura eletrônica de vanguarda no Brasil.

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

Giorgia Angiuli: “Achava que dance music era vulgar e fácil de se fazer, mas eu estava errada”

Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

Quem é o prodígio do techno que representa o Brasil na Red Bull Music Academy 2018

Techno pra todos os gostos: ouça “Tantra”, EP de Gezender e Moebiius

Lúdico, subversivo e impactante: conheça o universo de Carlos Capslock

Continue Lendo

ESPECIAL

Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

Produtor gaúcho é uma boa mostra do amadurecimento da Gop Tun Records

Alan Medeiros

Publicado há

Gop Tun Records
Tha_guts. Foto: Divulgação

Neste mês de novembro, o coletivo paulistano Gop Tun celebrou seis anos de uma história construída muito em cima da seriedade com que o coletivo paulistano trata seus projetos artísticos, dentro e fora da pista. Referência na cena house/disco brasileira, o atual patamar do projeto permite que algumas de suas iniciativas sejam encaradas como formadoras de opinião.

Para isso, uma das principais ferramentas do núcleo é a Gop Tun Records, gravadora que possui um catálogo ainda enxuto em número de releases, mas que em 2018 e principalmente 2019, deve ser expandido através de uma intensificada no cronograma. Até então, cada ano tinha entre um e dois lançamentos. Neste ano, foi observado um aumento no fluxo, já que até aqui, três releases ganharam a luz do dia através da plataforma criada pelo coletivo paulistano.

+ Orgânica e ecumênica: uma história oral da Gop Tun

Atualmente, o time de artistas que compõe o quadro de lançamentos do selo é composto por residentes da Gop, por nomes de forte influência frente à indústria nacional (como Renato Cohen) e algumas mentes brilhantes de outras partes do mundo, como HNNY, Prins Thomas e Lauer.

Para os próximos meses, Bruno Protti (aka TYV) e Gui Scott, duas das cabeças pensantes da gravadora, contam que haverá uma expansão no time de artistas, com mais nomes brasileiros e sul-americanos entrando para o casting da label. Sem a pressão de obrigatoriamente pensar em vinil, a Gop Tun Records se mostra mais apta para apostas e ousadias em seu programa de lançamentos.

+ Um papo com os caras da Gop Tun, que estão trazendo o Dekmantel a São Paulo

O último EP da gravadora foi assinado pelo produtor gaúcho Tha_guts, um novo nome frente a geração atual de produtores brasileiros. Guto Pereira, mente por trás do projeto, entregou à Gop um release denso e repleto de referências distintas que se revelam ao longo das cinco faixas originais. O trabalho sucede Plastic Noise, disco que o revelou para o cenário da eletrônica brasileira. Após o full lenght lançado de maneira quase que independente, Guto decidiu se aproximar da música eletrônica de pista em suas jams de estúdio, e o resultado foi esse belíssimo trabalho lançado pelo selo do coletivo.

Ao ouvir as faixas de Mirror, é possível entender essa complexidade envolvente que tange o trabalho do coletivo paulistano em seus mais diversos projetos. Tal fato dá autoridade para que o núcleo e os artistas envolvidos em suas festas e seus releases possam se desenvolver de forma assertiva. Além das cinco faixas originais, Guto também assinou um futuro single com a gravadora, que deve ser trabalhado somente no segundo semestre de 2019. Enquanto isso não acontece, ouça na íntegra o seu mais recente lançamento:

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

Continue Lendo

LIFT OFF

Psytrance raiz: Mindbenderz lança álbum transcendental pela Iono Music

Review do debut do duo suíço-alemão é o primeiro texto da nova coluna da Phouse

Nazen Carneiro

Publicado há

Mindbenderz
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Instalar foguetes, preparar motores, verificar comunicação, iniciar sequência de lançamento. Cinco, quatro, três, dois, um… LIFT OFF!

Estreamos aqui a coluna LIFT OFF, que, escrita por Nazen Carneiro, traz um olhar sobre a indústria fonográfica psytrance nacional e internacional — estilo da música eletrônica que se manifesta como uma cultura vibrante e com muitos adeptos no Brasil.

De tempos em tempos a cena eletrônica se transforma e, como um organismo vivo, cresce e se reproduz. Um de seus pilares, o psy se reproduziu e está mais presente do que nunca, com “astronautas” consagrados mantendo-se relevantes, assim como novos “cosmonautas” surgem, evidenciando uma realidade produtiva e frutífera para a criação musical.

Com o crescimento do público, as festas também se multiplicaram Brasil adentro, e os produtores passaram a ter mais espaço para caírem no gosto do público da terrinha e de além-mar. Hoje, o psy mantém viva sua cena underground, enquanto estica seus tentáculos a outros nichos, influenciando — e sendo influenciado — até mesmo pela EDM.

Sem mais delongas, confira o primeiro texto abaixo, sobre o novo álbum do Mindbenderz.

 

Formado pelo alemão Matthias Sperlich e o suíço Philip Guillaume, o Mindbenderz traz, sem dúvida, um dos principais lançamentos do ano no cenário psytrance. Os veteranos, que são muito respeitados na cena eletrônica individualmente como Cubixx e Motion Drive, juntos ficam ainda mais fortes. É o que se vê no álbum Tribalism, lançado em 31/10, pela Iono Music.

O álbum conta com nove faixas que somam mais de 75 minutos. A primeira, “A New Dawn”, traz desde o primeiro minuto muita energia e reflexão num som que conduz o ouvinte a outra dimensão. A segunda faixa dá sentido a expressão “lineup” numa ascendente contínua, revelando uma verdadeira jornada ao desconhecido que segue até meados da faixa seis — “Hybrids” —, causando aquele frio na espinha. Nesse momento de percepção cósmica, uma pausa reconecta o corpo e mente à nossa tribo, e há de fato uma sensação híbrida de se estar em ambas as realidades ao mesmo tempo.

A essa altura, o álbum apresenta suas três últimas faixas no ápice de uma jornada espiritual, e nos encontramos num momento épico em que as características sonoras do psytrance alcançam sua maior amplitude, com uma ampla gama de efeitos numa base transcendental. É puro trance. A mente processa essas informações e a energia flui na forma de dança.

Voltamos para a Terra, mas a memória do que acaba de acontecer permanece. Tontura; excitação… O reator psicodélico agora transforma a energia através de instrumentos humanos. A última faixa dá nome ao álbum. “Tribalism” une percussões especiais, agogô, psy, Ayahuasca e vocais de xangô. Todos no mesmo pitch, como uma onda. Algo nos une, nos traz ao dancefloor, tornando-nos verdadeiramente uma tribo.

Tribalism revela uma composição muito bem realizada, fruto de meses de trabalho e muito detalhismo. Cada segundo do álbum revela a ação do Mindbenderz em promover um som extraordinário e comprometido com aquele pegada tribal, sem deixar de lado os elementos mais futuristas.

No momento do fechamento deste artigo, o álbum ocupava a primeira posição no Top 10 de psy do Beatport, o que mostra a força desse som mais ligado às raízes do estilo entre os DJs e produtores.

Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

Continue Lendo

Publicidade

Go Festivals – Tomorrowland 300×250
Brazillian Bass 300×250
Green Valley – 300×250
Sundance (300×250)

Facebook

PLAYLIST

Trending

-->

Copyright © 2018 Phouse