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Green Valley Dez. Full

Pesquisamos quais os produtores brasileiros mais tocados no Spotify ao redor do mundo

Flávio Lerner

Publicado em

05/11/2015 - 10:47

Não é segredo pra ninguém que estamos vivendo o momento dos streamings, em que os tocadores de música virtuais legalizados estão bombando nas opções da galera, independentemente de estilo musical. A partir daí, muda-se o pelo, mas o animal segue o mesmo: se antes os charts eram quantificados por vendas de discos, hoje a unidade de medida corresponde ao número de plays dos artistas em serviços como Spotify, Rdio e Apple Music.

Pensando nisso, o editor-chefe da Phouse Luckas Wagg conduziu uma pesquisa pra ver quais os DJs/produtores brasileiros que mais bombam no Spotify. Os dados se referem ao número de ouvintes mensais, e podemos observar alguns movimentos bem curiosos. Por exemplo, quem você imagina como primeiro lugar da lista? Provavelmente, embora já seja um fenômeno, o nome do Tropkillaz nem tenha passado pela sua cabeça, certo? Pois o duo de trap — que já teve música em comercial de TV e vai sair na trilha do Need For Speed —, apesar de meio periférico ao cenário EDM, está nas cabeças.

O Alok, por sua vez, único DJ brazuca no Top 100 DJ Mag, não ficou nem entre os dez mais ouvidos. Claro, temos que ressaltar que o Spotify não serve como parâmetro absoluto, porque a gente não pesquisou o comportamento do fã brasileiro de dance music — isto é, quais os principais meios que ele usa para ouvir música —, mas de qualquer forma é peculiar que o artista mais popular do nosso País (segundo a DJ Mag) não esteja no pódio de plays do serviço com mais usuários no mundo todo.

Se não é de se estranhar que o Gui Boratto esteja na segunda posição (muita gente deve ter pensado que ele estaria em primeiro), a terceira traz outra surpresa: Amon Tobin, DJ carioca radicado em Londres e que atualmente mora no Canadá. Talvez o fato de ele ter saído cedo do Brasil explique ele ser pouco conhecido por aqui — além de sua pegada mais experimental, sedimentada em breakbeats, drum’n’bass, IDM e jazz/bossa nova, o que passa bem longe do mercado pop. Com uma extensa discografia iniciada em 1996 e consolidada em selos importantes como Ninja Tune, é dele a medalha de bronze da nossa lista, com uma maioria de plays gringos.

Do quarto ao décimo lugar, menos surpresas, com nomes mais conhecidos do cenário mainstream brasileiro: Marcelo CIC, que tem sua track Superfãs entre as dez mais tocadas do México; FTAMPA, que recentemente alcançou o Top 1 do Beatport com Strike it Up; Felguk, a dupla de electro house que figurou no Top 100 da DJ Mag entre 2013 e 2014; Johnny Glövez, mais um carioca, que teve recentemente músicas em duas novelas da Globo; Vintage Culture, um dos DJs mais populares do novo deep house brasileiro; o duo Natema, que emplacou diversos hits nos charts do Beatport na categoria indie dance/nu disco (que hoje em dia é bem diferente do que costumava ser indie dance/nu disco); e Flow & Zeo, dupla pioneira da vertente house/techno, e que recentemente fez um live transmitido diretamente do ADE para o mundo inteiro, via Beatport. 

Confira a lista dos produtores brasileiros mais ouvidos no Spotify, com todos os respectivos dados, na íntegra:

#01 – Tropkillaz: 286.312 ouvintes mensais

#02 – Gui Boratto: 189.754 ouvintes mensais

#03 – Amon Tobin: 122.306 ouvintes mensais

#04 – Marcelo CIC: 116.864 ouvintes mensais

#05 – FTAMPA: 94.587 ouvintes mensais

#06 – Felguk: 93.296 ouvintes mensais

#07 – Johnny Glövez: 70.970 ouvintes mensais

#08 – Vintage Culture: 66.310 ouvintes mensais

#09 – Natema: 41.805 ouvintes mensais

#10 – Flow & Zeo: 35.160 ouvintes mensais

BONUS: Demos uma olhadinha mais além e conferimos as cinco posições seguintes, que conta com nomes como o DJ Marky, o duo Elekfantz (um dos nossos entrevistados de outubro) e, agora sim, o Alok.

#11 – Wrechiski: 34.773 ouvintes mensais

#12 – DJ Marky: 33.486 ouvintes mensais

#13 – Victor Ruiz: 26.605 ouvintes mensais

#14 – Alok: 26.137 ouvintes mensais

#15 – Elekfantz: 16.126 ouvintes mensais

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Review

“Pedra Preta”, o 1º álbum do Teto Preto, é um grito de resistência

O celebrado grupo do underground paulistano mostra sua maturidade artística em seu primeiro full lenght

Alan Medeiros

Publicado há

Pedra Preta
Foto do clipe de "Pedra Preta": Reprodução/Facebook

Nos últimos anos, São Paulo se transformou em um caldeirão cultural com uma chama multicolorida a iluminar um mar de ideias brilhantes. Nesse cenário, diversas mentes criativas surgiram, mostraram a que vieram e se tornaram referência para uma série de iniciativas que passaram a pipocar pelo país. No olho desse furacão, exercendo posição de protagonismo, lá estava a Mamba Negra e, consequentemente, o Teto Preto.

A relação entre festa e grupo é intrínseca. O Teto Preto nasceu na pista da Mamba e obviamente foi criado por frequentadores e entusiastas da festa. Nesse processo, o grupo foi decisivo para construção do perfil sonoro que tanto marcou a Mamba Negra frente ao seu público. Muito além da música, estamos falando de arte em diferentes camadas — estamos falando de representatividade. A festa representa a banda, a banda representa a festa. Por sua vez, o público se sente fortemente representado por ambos.

Os primeiros trabalhos do Teto Preto foram lançados pelo selo da Mamba, o MAMBA rec, em 2016. O EP Gasolina foi prensado em vinil com duas faixas extremamente marcantes: “Já Deu Pra Sentir” e “Gasolina”. O resultado? Dois hits históricos para jornada do grupo. Na sequência, um hiato de dois anos até “Bate Mais”, single em antecipação ao Pedra Preta, primeiro álbum de estúdio completo da banda, que chegou às plataformas digitais neste mês com oito faixas, sendo sete originais e inéditas.

 

Pedra Preta reflete a atual maturidade artística de seus compositores, mas não deixa a chama da ousadia e irreverência se apagar. Novamente, não se trata apenas de música: Laura Diaz (Carneosso), Loic Koutana, Pedro Zopelar, Savio de Queiroz e William Bica promovem um grito de resistência ao longo de todas as faixas que formam o full lenght. A atmosfera densa do disco dita o ritmo de uma narrativa longa e inteligente, que aborda assuntos como a tragédia do Museu Nacional neste ano.

Por falar em “Pedra Preta”, vale ressaltar que a faixa-título do álbum também ganhou um clipe. Lançado ontem, 22, e com duração de mais de oito minutos, o vídeo dirigido por Rudá Cabral, Laura Diaz e Joana Leonzini traz um storytelling denso e aberto a interpretações, mas com uma clara crítica ao conservadorismo da sociedade brasileira e honrosa menção ao perfil de público da Mamba Negra — o trabalho foi coproduzido pela MAMBA rec em parceria com a Planalto. Sem dúvida alguma, Pedra Preta é uma vitória importante para a sobrevivência da cultura eletrônica de vanguarda no Brasil.

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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ESPECIAL

Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

Produtor gaúcho é uma boa mostra do amadurecimento da Gop Tun Records

Alan Medeiros

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Gop Tun Records
Tha_guts. Foto: Divulgação

Neste mês de novembro, o coletivo paulistano Gop Tun celebrou seis anos de uma história construída muito em cima da seriedade com que o coletivo paulistano trata seus projetos artísticos, dentro e fora da pista. Referência na cena house/disco brasileira, o atual patamar do projeto permite que algumas de suas iniciativas sejam encaradas como formadoras de opinião.

Para isso, uma das principais ferramentas do núcleo é a Gop Tun Records, gravadora que possui um catálogo ainda enxuto em número de releases, mas que em 2018 e principalmente 2019, deve ser expandido através de uma intensificada no cronograma. Até então, cada ano tinha entre um e dois lançamentos. Neste ano, foi observado um aumento no fluxo, já que até aqui, três releases ganharam a luz do dia através da plataforma criada pelo coletivo paulistano.

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Atualmente, o time de artistas que compõe o quadro de lançamentos do selo é composto por residentes da Gop, por nomes de forte influência frente à indústria nacional (como Renato Cohen) e algumas mentes brilhantes de outras partes do mundo, como HNNY, Prins Thomas e Lauer.

Para os próximos meses, Bruno Protti (aka TYV) e Gui Scott, duas das cabeças pensantes da gravadora, contam que haverá uma expansão no time de artistas, com mais nomes brasileiros e sul-americanos entrando para o casting da label. Sem a pressão de obrigatoriamente pensar em vinil, a Gop Tun Records se mostra mais apta para apostas e ousadias em seu programa de lançamentos.

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O último EP da gravadora foi assinado pelo produtor gaúcho Tha_guts, um novo nome frente a geração atual de produtores brasileiros. Guto Pereira, mente por trás do projeto, entregou à Gop um release denso e repleto de referências distintas que se revelam ao longo das cinco faixas originais. O trabalho sucede Plastic Noise, disco que o revelou para o cenário da eletrônica brasileira. Após o full lenght lançado de maneira quase que independente, Guto decidiu se aproximar da música eletrônica de pista em suas jams de estúdio, e o resultado foi esse belíssimo trabalho lançado pelo selo do coletivo.

Ao ouvir as faixas de Mirror, é possível entender essa complexidade envolvente que tange o trabalho do coletivo paulistano em seus mais diversos projetos. Tal fato dá autoridade para que o núcleo e os artistas envolvidos em suas festas e seus releases possam se desenvolver de forma assertiva. Além das cinco faixas originais, Guto também assinou um futuro single com a gravadora, que deve ser trabalhado somente no segundo semestre de 2019. Enquanto isso não acontece, ouça na íntegra o seu mais recente lançamento:

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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LIFT OFF

Psytrance raiz: Mindbenderz lança álbum transcendental pela Iono Music

Review do debut do duo suíço-alemão é o primeiro texto da nova coluna da Phouse

Nazen Carneiro

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Mindbenderz
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Instalar foguetes, preparar motores, verificar comunicação, iniciar sequência de lançamento. Cinco, quatro, três, dois, um… LIFT OFF!

Estreamos aqui a coluna LIFT OFF, que, escrita por Nazen Carneiro, traz um olhar sobre a indústria fonográfica psytrance nacional e internacional — estilo da música eletrônica que se manifesta como uma cultura vibrante e com muitos adeptos no Brasil.

De tempos em tempos a cena eletrônica se transforma e, como um organismo vivo, cresce e se reproduz. Um de seus pilares, o psy se reproduziu e está mais presente do que nunca, com “astronautas” consagrados mantendo-se relevantes, assim como novos “cosmonautas” surgem, evidenciando uma realidade produtiva e frutífera para a criação musical.

Com o crescimento do público, as festas também se multiplicaram Brasil adentro, e os produtores passaram a ter mais espaço para caírem no gosto do público da terrinha e de além-mar. Hoje, o psy mantém viva sua cena underground, enquanto estica seus tentáculos a outros nichos, influenciando — e sendo influenciado — até mesmo pela EDM.

Sem mais delongas, confira o primeiro texto abaixo, sobre o novo álbum do Mindbenderz.

 

Formado pelo alemão Matthias Sperlich e o suíço Philip Guillaume, o Mindbenderz traz, sem dúvida, um dos principais lançamentos do ano no cenário psytrance. Os veteranos, que são muito respeitados na cena eletrônica individualmente como Cubixx e Motion Drive, juntos ficam ainda mais fortes. É o que se vê no álbum Tribalism, lançado em 31/10, pela Iono Music.

O álbum conta com nove faixas que somam mais de 75 minutos. A primeira, “A New Dawn”, traz desde o primeiro minuto muita energia e reflexão num som que conduz o ouvinte a outra dimensão. A segunda faixa dá sentido a expressão “lineup” numa ascendente contínua, revelando uma verdadeira jornada ao desconhecido que segue até meados da faixa seis — “Hybrids” —, causando aquele frio na espinha. Nesse momento de percepção cósmica, uma pausa reconecta o corpo e mente à nossa tribo, e há de fato uma sensação híbrida de se estar em ambas as realidades ao mesmo tempo.

A essa altura, o álbum apresenta suas três últimas faixas no ápice de uma jornada espiritual, e nos encontramos num momento épico em que as características sonoras do psytrance alcançam sua maior amplitude, com uma ampla gama de efeitos numa base transcendental. É puro trance. A mente processa essas informações e a energia flui na forma de dança.

Voltamos para a Terra, mas a memória do que acaba de acontecer permanece. Tontura; excitação… O reator psicodélico agora transforma a energia através de instrumentos humanos. A última faixa dá nome ao álbum. “Tribalism” une percussões especiais, agogô, psy, Ayahuasca e vocais de xangô. Todos no mesmo pitch, como uma onda. Algo nos une, nos traz ao dancefloor, tornando-nos verdadeiramente uma tribo.

Tribalism revela uma composição muito bem realizada, fruto de meses de trabalho e muito detalhismo. Cada segundo do álbum revela a ação do Mindbenderz em promover um som extraordinário e comprometido com aquele pegada tribal, sem deixar de lado os elementos mais futuristas.

No momento do fechamento deste artigo, o álbum ocupava a primeira posição no Top 10 de psy do Beatport, o que mostra a força desse som mais ligado às raízes do estilo entre os DJs e produtores.

Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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