Photon no Brasil: comprometimento uníssono de cinco agentes

O projeto de Ben Klock chega à América Latina numa conjunção de forças que engloba Tantša, Liminal, Entourage e ARCA
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Ocupar um espaço colossal numa das mais imponentes regiões industriais decadentes de uma metrópole como São Paulo é uma iniciativa desafiadora, fazê-lo tendo em vista o conforto e diversão de uma multidão de pessoas com uma proposta arrojada adiciona camadas adicionais de complexidade. Contudo, é bem isso que o evento deste final de semana pretende trazer à cidade, e pela primeira vez no continente e a conjunção de esforços que tornou isto possível é fruto de uma aliança entre diversos atores que equacionou inúmeros fatores a fim de criar uma experiência acachapante em termos de som, luz e, claro, desbunde coletivo.

Ele é fruto da coordenação precisa entre duas empresas que atualmente lideram o mercado da música eletrônica, especificamente voltado a um público mais cioso dos valores estéticos daquilo que consome, e um espaço de eventos inovadoramente polivalente. A equação de fato parece simples: de um lado temos uma agência de eventos (Entourage) e do outro, uma de talentos (Liminal), trazendo ao Brasil uma marca global (Photon) através de um projeto local (Tantša) para criar algo único num local especial (ARCA).

Esta última é um caso bastante peculiar de um fenômeno mais amplo, já que edificações que se renovam através de propósitos distintos daqueles para os quais foram projetados parece uma coisa corriqueira na atual paisagem paulistana, em termos tanto culturais como urbanísticos. Armazéns que um dia abrigaram a glória fabril de uma metrópole que sempre se valeu da pujança de suas atividades e das idiossincrasias de seus habitantes para estruturar sua identidade, mantendo-se em constante reinvenção e sempre adequada aos fluxos de pessoas, coisas, sonhos e desejos que circulam por ela diariamente. Mas é noturnamente que essas mudanças ocorreram com mais profundidade na última década, no decorrer da qual um franco e amplo processo de “revitalização” de áreas centrais e periféricas se valeu da expansão dos eventos de música eletrônica para se propelir.

ARCA. Foto: D&D Photo/Divulgação

A ARCA é um dos mais recentes e impressionantes espaços a ocupar uma função reprodutiva nos processos de metamorfose urbana que ajudaram a reforçar a reputação festiva e reiterar a vocação noturna da capital no decorrer dos últimos anos. Espraiando-se por nove mil metros quadrados, ocupados por armazéns e amplas faixas de área aberta, ele se apresenta como uma alternativa versátil que pode comportar desde eventos de moda e tecnologia, produções cinematográficas e musicais, até uma empreitada sofisticada como a Photon. Nas palavras de Mau Soares, um dos sócios , essa comunhão é fruto de uma compatibilidade prévia:

“A principal fonte de inspiração para a ARCA foi o Gashouder, espaço de eventos que faz parte do complexo Westergas, em Amsterdã. Assim como no espaço holandês, para nós era importante que a atmosfera industrial fosse mantida, assim como o máximo de elementos originais do galpão, a fim de lhe conferir personalidade.

“Como posicionamento, estabelecemos o objetivo de atrair e acolher eventos que estão entre os mais relevantes de diferentes segmentos. Neste sentido, a label Photon cai como uma luva para a ARCA: trata-se de um evento realizado em locações icônicas (dentre elas, o próprio Gashouder) e que proporciona uma experiência imersiva aos participantes por meio do uso criativo de recursos de iluminação e das próprias características do espaço”.

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Ainda assim, uma empreitada destas envolve muito planejamento e uma sincronização de objetivos que são necessários, mas não suficientes para levar a cabo algo do tipo. A vinda da Photon para o Brasil é principalmente fruto do tipo de cumplicidade que apenas uma sólida reputação conquista, construída tanto entre artistas como entre o público. E neste caso, o catalisador de tudo foi a Tantša, como explica Vitão, um de seus sócios:

“Tudo começou em dezembro de 2016, quando trouxemos o Etapp Kyle pela primeira vez na segunda edição da Tantša. Desde o início nosso drive era de entregar um evento único tanto para o nosso público, quanto para os artistas. O Sergii (Etapp) entendeu isso e se tornou um grande amigo, além de residente e curador da sua noite. Um ano depois, ele falou de nós para o Ben (Klock). Vendeu o nosso conceito, e porque acreditava que nós deveríamos ser os parceiros para esse debut.”

Por sua vez, a Entourage, uma empresa que opera em níveis estratosféricos de eficiência ao realizar eventos de dimensões gigantescas, está ciente dos desafios implícitos à produção de algo que demanda coisas tão específicas num nível de exigência bastante germânico. Uma consciência expressa na fala de Guga Trevisani, sócio-diretor da agência.

Photon no Brasil
Photon no Printworks, em Londres. Foto: Reprodução

“A Photon é um projeto especialmente empolgante e desafiador ao mesmo tempo. Trazer uma label party nova ao Brasil sempre é uma tarefa que exige muita dedicação e atenção a cada detalhe, porque temos a responsabilidade de desenvolver o conhecimento da marca no país e, ao mesmo tempo, realizar a entrega com alto nível de qualidade.

É preciso também manter uma comunicação muito clara e trabalhar cada ponto dela e da produção do evento junto aos nossos parceiros internacionais. O Ben Klock, artista e representante da label, tem muito carinho à realização do evento, e ficamos muito contentes por ter confiado à Tantša a responsabilidade de realizar a Photon no Brasil”.

Esse comprometimento uníssono de todos os envolvidos, não apenas com resultados, mas com o processo que eles implicam e especialmente com a experiência que será criada, é algo que revela muito do que podemos esperar nesta noite.

Chico Cornejo é colaborador eventual da Phouse.

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