Pirate Snake

“Quem foca em dinheiro não é artista, tá mais pra corretor da bolsa”; Raul Mendes fala sobre novo projeto de tech house

Agora Pirate Snake, brasiliense revela os motivos para a sua "troca de pele"

Foto: Filipe Miranda/Divulgação

* Por Rafa Ribeiro
** Edição e revisão: Flávio Lerner

No começo de maio, o DJ e produtor brasiliense Raul Mendes — mais conhecido por seu trabalho à frente do Federal Music — apertou o reset. No dia 07, saiu o primeiro lançamento oficial como Pirate Snake, seu mais novo projeto como DJ e produtor, voltado ao tech house. Oficialmente, já são três músicas publicadas nesse período — a mais recente delas lançada nesta sexta-feira, via Muzenga Records. E ainda tem muito mais pela frente.

Com o novo nome, Raul redireciona sua carreira, depois de 18 anos, para uma rota mais conceitual na música eletrônica, e já vem colhendo os frutos, com várias gigs nos quatro cantos do Brasil — entre as quais destacam-se suas passagens por Warung Tour e Green Valley.

Para entender melhor suas motivações e planos para o futuro, trocamos uma ideia com o artista e empresário, em entrevista que você confere abaixo.

Lançado hoje pela Muzenga, “Disco Tech” é o terceiro single do Pirate Snake

Raul, o que te levou a essa altura da carreira em lançar um novo projeto, voltado ao tech house?

Eu já vinha fazendo tech house e tocando em gigs há alguns meses. Mas muitos amigos produtores de eventos, donos de clubs, me falavam que tava desconexo, pois Raul Mendes, mesmo tendo feito grandes coisas, era muito associado à EDM — além de ser meu nome mesmo, que também ligam ao meu lado empresarial. Aí como tudo tava jogando contra, menos o som, decidir mudar.

Com esses quase 20 anos de estrada, fui flutuando conforme a cena e também meus gostos. Conquistei muitas coisas grandes e importantes. Mas até mesmo por isso fiquei estigmatizado, e não estava jogando muito a meu favor. Não vinha conseguindo entrar em locais mais conceituais. Fora que nessa trajetória, sempre fui confundido algumas vezes como o produtor de eventos que virou DJ e produtor — ao contrário do que realmente aconteceu. Então, Raul Mendes ficou somente para o pessoal mesmo.

E de onde surgiu a ideia do nome, Pirate Snake?

Eu tenho um sócio que lê muito sobre energia quântica, espiritismo e várias coisas do gênero e que também é DJ há quase 30 anos e tinha acabado de mudar o nome dele para AQUILA, que significa “águia”. Ele me explicou muito sobre os arquétipos. Eu me identifiquei muito com o da serpente, que é um animal que durante sua existência troca sua pele, é símbolo de renovação e regeneração.

Pessoas que buscam transformação, sabedoria e superação podem fazer uso desse arquétipo. Sendo assim, comecei a procurar por combinações possíveis em que me identificasse também. Sempre fui muito fã de piratas, sua simbologia e até mesmo sua revolta contra o sistema, que os faz entrar na pirataria. Bom… juntou a fome com a vontade de comer.

“Me identifiquei muito com o arquétipo da serpente, que é um animal que troca sua pele, símbolo de renovação e regeneração.”

O tech house está explodindo no Brasil agora. Como você enxerga o crescimento do estilo por aqui?

Eu sempre fiz o que eu gostava, independentemente se estava na moda ou não — vide que eu mesmo estava andando na contramão da cena desde 2015, e só agora que casou novamente. Eu acho que quem entra focado somente em dinheiro e fama não é músico ou artista da música, tá mais para um corretor da bolsa de valores.

Já com os eventos, não. É um business: a pessoa vende ingresso e bebida, ela sempre tem que colocar o que vende mais… Normal.

Como você descreveria seu mais novo som, “Disco Tech”?

Eu sempre curto essas paradas tipo funk/soul, James Brown, Tim Maia… Então procuro sempre que possível trazer essa identidade. Prefiro remixar ou me inspirar em coisas dos anos 70, e esse tipo de sonoridade acho muito maneiro. Honestamente, só quis fazer uma música na pegada James Brown.

“Não vou ficar atrás de medalhão esperando colaboração pra me alavancar. Acho isso ridículo.”

Você tem mais de 15 faixas ainda não lançadas. Com quais artistas você está trabalhando, e qual o seu filtro para essas escolhas?

Hoje eu tenho música para sair com o Dakar, Vanucci, Kesia, G.Felix e com os irmão italianos Jude & Frank. Meu filtro é somente música boa. Se vier a fazer sucesso, ótimo. Não vou ficar atrás de medalhão esperando colaboração pra me alavancar. Acho isso ridículo.

Ficamos sabendo que você também está planejando turnês internacionais. Pode nos revelar detalhes?

Estou finalizando uma negociação para a China e umas coisinhas aqui nos vizinhos. Possuo um amigo de outra vertente que é muito mais forte fora do que aqui. Ele tem me ajudado bastante nisso. Acho muito mais íntegro uma colaboração direta focada na música, do que somente em números.

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