Opinião

PROGRESSION: Conheça o mais novo projeto de progressive house de São Paulo

Label da InProgress com a UniK ID, a Progression estreia neste domingo, no D-EDGE.

* Atualizado em 22/08, às 17:34

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O que uma simples atitude de reorganização de etiquetas pode causar? Hoje, pouco mais de um ano depois da atualização do Beatport quanto a onde cada estilo deveria realmente estar, pode-se dizer que muito. A causa-efeito da criação do “big room” foi a melhor coisa que poderia acontecer para os amantes do progressive house. Artistas do mundo EDM saíram dessa tag e tiveram sua própria casa, adequadamente. A consequência direta foi que os verdadeiros produtores de house progressivo puderam voltar a lançar com essa denominação, sem serem prejudicados. Onde quero chegar é que automaticamente começou a se falar sobre isso em toda a rede, e uma redescoberta do estilo, que já estava em marcha, ganhou o ponto de convergência que faltava.

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O que se viu, desde então, foi o retorno para a vitrine onde um novo ciclo se iníciava. Ao mesmo tempo, surgiu um sentimento por parte da mídia — onde me incluo — de que era preciso mostrar ao novo público um pouco do que já aconteceu, dando a importância devida sobre alguns artistas e acontecimentos. Artigos como este servem não só para falar de um fato novo em uma das mais importantes cenas de nosso país, como também oportunizam resgatar a história dos anos dourados entre 1996 e 2008, quando DJs, que tocavam essa mistura que veio do trance do norte da Europa com o acid house inglês, tiveram um estrondoso reconhecimento por todo o mundo.

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No Brasil, tudo começou com a definição do tipo de música que melhor representaria a atmosfera do Warung Beach Club, um casamento perfeito. Ao longo dos anos, o público do Sul aprendeu a entender como se ouvia o estilo, coisa que acontece até hoje, apesar de agora se ter uma cena bem mais diversificada, o que é ótimo. A cena do Sudeste, por outro lado, teve seu ritmo ditado inegavelmente pelo D-EDGE, seguindo à risca um modelo e um conceito muito bem definidos desde o inicio por seu mentor.

É bem verdade que a cidade teve alguns lampejos com o progressive house no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Me refiro ao emblemático Global Underground 008 de 1998, gravado ao vivo no club B.A.S.E por Nick Warren — um dos expoentes do estilo, e parte do aclamado projeto Way Out West. Na época, até a Folha de São Paulo noticiou sua estreia no Brasil, mostrando o reconhecimento dado pela grande midia a artistas como ele. Entre 2003 e 2005 o festival Skol Beats trouxe para a cidade nomes como Darren Emerson, Hernan Cattaneo, Danny Howells, Dave Seaman, Lexicon Avenue e o histórico back to back de Sasha & John Digweed, através de um longset de seis horas. O primeiro e único da dupla até hoje por aqui, ou melhor, até outubro quando retornam para o Ultra Rio.

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O fato é que existe uma lacuna muito grande desse período até os dias de hoje. Como naquela época, recentemente ocorreram apresentações pontuais, como a tour do álbum Involver 3, de Sasha, em 2013. Essas apresentaçoes solitárias foram incapazes de criar uma cena em volta do estilo, com público sufiente para fazer com que os produtores de eventos lhe dessem uma chance. Até agora. Em casos assim, a mudança deve ocorrer de dentro para fora, e é justamente isso que está acontecendo na cidade. A oportunidade dada a dois novos projetos do gênero — Unik ID e InProgress — é muito valiosa, aproveitando um dia da semana que era de descanso (o domingo), e que agora terá o início de uma relação que promete se tornar expressiva: a festa Progression, resultado da soma entre ambas as iniciativas.

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Pk Live, Gui Milani, Pedro Capelossi e Caio Madda deram início ao núcleo Unik ID, trazendo recentemente Cid Inc e Darin Epsilon. O InProgress é outro projeto importante, liderado por Fernando Goraieb e Thiago de Jesus, que conta com um podcast semanal na rádio argentina Nube-Music. Vale lembrar ainda que essa reabertura ao som progressivo começou com a ajuda do retorno de Hernan Cattaneo à cidade após um longo período através do Warung Tour em 2016, e com sets aclamados de John Digweed e Guy J no primeiro semestre deste ano no club da Barra Funda. Porém, agora temos um novo paradigma em que a cena local ganha espaço em uma das pistas mais concorridas do planeta. Confira abaixo um pouco do conceito desse projeto:

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“Progression. Progressão. Avanço. Evolução. Evolua. Não se prenda a conceitos e ideias nas quais você apenas ouviu falar. Experimente. Conheça. Cresça. A vontade de evoluir tem que estar sempre presente em nossas vidas. Assim como uma música, temos nossos momentos grandiosos e nossos momentos introspectivos, cheios de melodias. Andar. Caminhar. Seguir. Continuar para que no próximo momento, sem mesmo perceber, sermos tomados por um sentimento único e indescritível de hipnose e lisergia. Olhar ao redor sem dizer uma palavra sequer, e entender que todos estão seguindo na mesma viagem. Rumo ao crescimento.Rumo ao amadurecimento. Nossa proposta é permitir um novo olhar sobre a música, que assim como a vida, busca sempre progredir.
Música, melódica ou hipnótica, etérea ou psicodélica, desde que fale com a alma, desde que progressiva.’’

O evento debuta no próximo dia 27, contando com uma talentosa geração de DJs e produtores, como Luciano Scheffer, que se somam a outros nomes com bastante tempo de carreira e reconhecimento de grandes DJs, como Alec Araujo. Essa troca de experiências tem tudo para funcionar de forma brilhante na mítica pista do club paulista. A Phouse, através deste colunista, reitera seu apoio a projetos independentes com a importante frase da antropóloga e ativista social norte-americana Margaret Mead: “Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo. De fato, sempre foi assim que tudo aconteceu.”

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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