Entrevista

Protagonista carioca, Leo Janeiro fala sobre RMC, Warung, D.O.C. e parcerias

Uma das mentes por trás de Rio Music Conference e Warung Records, Leo Janeiro conversou conosco durante sua tour pela Europa. No papo, ele revela as pretensões do RMC e de seu lançamento pela D.O.C., com remix de um dos produtores mais emblemáticos do cenário atual.

Pode-se dizer que Leo Janeiro transformou sua paixão pela house music em uma marca nacional. Protagonista da cena eletrônica na cidade que leva parte de seu sobrenome, o carioca conquistou residência em alguns dos principais clubs do país, como Warung e Beehive. Porém, uma de suas facetas mais prósperas se revela em sua dedicação as coisas que ultrapassam a pista de dança. Incansável, Leo tem promovido ao longo dos anos o que é feito no Brasil para o mundo através da sua habilidade legitimamente carioca para entender os bastidores da cena. Um dos responsáveis pelo Rio Music Conference e pela curadoria do Warung Records, o artista teve uma conversa descontraída conosco via Whatsapp, enquanto se mantém excursionando com apresentações em alguns dos eventos mais quentes do velho continente.

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Leo, como foram as primeiras datas aí na Europa? Ouvi falar que Barcelona está mais quente que o normal…

Está indo tudo dentro do esperado, correria e jetlag [risos]! Sim, Barcelona tem um clima bem quente nesta época; amanhece cedo e o sol vai muito tarde. Berlim também estava assim, mas por lá ainda tem o ventinho da noite… Sobre as gigs, todas foram muito bacanas, a festa junto com o Watergate foi muito especial, porque os dois clubes estão comemorando quinze anos. Legal que os dois têm filosofias parecidas, como dar suporte aos seus residentes. O mais importante é que essa parceria é bem positiva para ambos e tem muita coisa boa vindo!

Lembra o primeiro ano que esteve aí para se apresentar como artista? Tem sentido as mudanças do cenário?

Hum… 2011! Eu já toco há alguns anos e as coisas vêm mudando, até porque a música que era feita cinco anos atrás já está sendo feita de outra maneira. A forma de promover também sofreu muitas mudanças. Legal poder senti-las para melhor, e com o surgimento de novos talentos.

E o que dizer do Sónar? Quais artistas mais te impressionaram?

Eu vi alguns artistas no Sónar… O novo show do Justice é bacana, The Black Madonna legal… No OFF Sónar gostei de poder ver o Berhouz novamente, set muito bom. Os lives do Todd Terje, ScharzmannRodriguez Jr. no rooftop do hotel Diagonal com a vocalista Liset Alea, incrível… E o DJ set do [John] Talabot também foi ótimo!

Falando em Rodriguez, ouvi seu álbum Baobab, está maravilhoso. Nos bastidores se fala em um remix dele para você…

Sim, ele fez um remix para um EP meu que vai sair pela D.O.C. em outubro. Ele está muito bem mesmo.

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Como surgiu o convite, vocês já se conheciam?

Na verdade, o Rodriguez é um cara que eu já me dava muito bem, já conhecia ele por nós termos tocado algumas vezes juntos, e acabamos criando uma amizade. Ao mesmo tempo eu estava no estúdio com o Gui [Boratto] formatando esse EP, e tinha comentando que gostava muito dele. O Gui ainda não o conhecia pessoalmente, mas tinha admiração pelo trabalho… Eu até brincava que os dois tinham muitos pontos em comum, e então começou um namoro, de tentar chamar ele.

Tínhamos outros nomes também, mas eu acho que o Olivier [Rodriguez Jr.] é um cara que tem a ver com a gente, com a nossa maneira de pensar, e nós queríamos alguém que nós gostássemos do trabalho de verdade. No fim, acabou dando certo. Ele é uma pessoa muito, muito boa, não está tendo esse sucesso todo à toa. Fez um remix maravilhoso, a música se chama “Moodisco”. Agora estamos correndo para fazer o vinil, na sequência vamos ter o digital… Enfim, a estratégia é bem legal. Acho que tudo conspirou a favor.

Muito legal a história, mas tem outras coisas antes disso, certo?

Sim, antes desse tem algumas coisas. Agora em julho sai um EP meu pelo Warung Records junto com os meus brothers talentosos do Mumbaata e remix do HNQO, que está matador! Vou te falar que é um dos melhores remixes que ouvi nos últimos tempos. O Henrique [HNQO] é um cara que eu gosto muito, superconectado. Também tem um remix de um amigo aqui de Barcelona, o André Buljac. Ele é do núcleo da Fact aqui, e fez um remix muito bacana numa outra onda… É isso, estamos tentando fazer as coisas acontecerem.

Existe algum critério para escolha dos artistas para o W Rec?

Sim, primeiro a música tem de ser boa. O estilo acaba sendo o que trabalhamos no Warung: house, deep, disco, tech house, techno, progressive. Criatividade e qualidade também levamos em conta, é importante sempre nivelarmos por cima para termos um resultado bacana de feedbacks — até porque a label é um espelho musical do clube. O objetivo é estimular novos artistas e criar mais possibilidades e intercâmbio. O Albuquerque divide comigo esta função de A&R, então sempre é importante dividir as opiniões com o time do Warung.

Todos sabem da importância do RMC para a nossa cena se fortalecer. Existe a edição de Curitiba, mas olhando para toda a representatividade que existe em SC na música eletrônica nacional, nunca se pensou trazer novamente uma edição para o Estado?

Em 2012 houve em Floripa, 2011 Porto Alegre. Na verdade, o RMC tem dez anos, você imagina o quando já andamos por aí… É realmente uma boa pergunta, nós precisamos chegar em outros lugares importantes. O interior hoje, por exemplo, é um grande responsável por uma parte do mercado, tanto financeiro como artístico.

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Eu gostaria que em Balneário Camboriú acontecesse uma edição — incluindo a região do litoral norte e o Vale do Itajaí, que juntos formam algo bem grande. Quando rolam os vídeos, transmissão ao vivo, o pessoal daqui sempre assiste, superinteressados.

Sim, estamos investindo nisso. Sabemos que é possível chegar em mais pessoas com as transmissões. Sobre SC, é uma boa ideia. Nosso maior problema é investimento, sem isso é cada vez mais complicado. Nós fazemos em Curitiba, pois temos apoio. Com essa crise ficamos sem um patrocínio forte, mas eu acho que sempre é importante trazermos essa discussão. Mas você tem razão, completando dez anos vamos fazer muita coisa legal.

Pode falar mais disso?   

Nos dez anos do RMC, queremos fazer uma programação diferente do ponto de vista da curadoria. Vamos tentar fazer o melhor em 2018. Por conta de poder usar essa tecnologia, sabemos que é possível chegar em mais pessoas com as transmissões. A temporada de preparativos começa agora.

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O que podemos esperar ainda do Leo Janeiro para 2017?

Em agosto sai outro EP pela Not For Us. Vai se chamar Creator e tem uma parceria com o Keskem e um remix do meu grande brother e superprodutor Andre Salata.

Também estou fazendo uma compilação chamada Cocada, pela Get Physical Music, em parceria com o RMC, que vai sair no final do ano, início de dezembro. Ela vai ter basicamente artistas sul-americanos, na sua grande maioria do Brasil. Nós vamos poder abrir uma oportunidade para muitos artistas novos, e também já estabelecidos. A ideia é realmente conectar os produtores do Brasil com um selo gigante como a Get. Podemos criar de uma maneira legal, estou bem contente, porque o projeto tem como objetivo também ser uma plataforma para artistas divulgarem seu trabalho.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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