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Relatos de um Fim de Século; a história do último club porto-alegrense a celebrar a cultura DJ

Flávio Lerner

Publicado em

13/08/2015 - 19:34

* Artigo original de abril, redigido pelo nosso colunista Flávio Lerner, ao LOFT55

Procuro evitar idealizações do passado em detrimento do presente. Há uma tendência em se esquecer das coisas ruins e focar nos bons momentos vividos, e o saudosismo é uma armadilha muito fácil de cair. Feita a ressalva, quando ouço relatos sobre os tempos de Fim de Século — lendário club porto-alegrense que viveu de 1987 a 2007, mudando o nome para NEO [New Electronic Order] em 2001 —, a despeito de possíveis floreios e distorções romantizadas, parece inegável que a casa foi parte essencial do apogeu da cultura de pista de Porto Alegre.

Atualmente, a capital gaúcha não tem nenhuma casa centrada nos valores da cultura DJ. Temos, sim, alguns esforços isolados, muitos de pessoas que viveram ou se criaram no FDS/NEO, mas agora fragmentados; a chama de uma cena que prega democraciacomunhão e respeito integrados a sets mixados ousados e visionários parece bem menor do que outrora foi. Em adaptação livre da frase-cliché de Clarice Lispector, saudades de algo que não vivi.

Mais saudades ainda deixa Sílvio Freitas, ex-sócio e cofundador do Fim de Século/NEO, que faleceu recentemente. Freitas teria morrido há cerca de dois meses, em virtude de complicações oriundas de uma hepatite, mas só na segunda-feira passada que a notícia correu pelas redes, com amigos e ex-frequentadores do FDS lamentando e registrando a falta que o homem fará.

Programa In my House #004 by Gito Especial FDSC by Gito on Mixcloud

Para ouvir com a leitura: set do DJ Gito que sintetiza um pouco da essência do Fim de Século

“O Sílvio se entregava de alma pelo lugar. O Fim de Século era o seu coração e pulmão. Igual a um pai que nunca vai desistir de um filho, ele suava sangue pra mantê-lo a pleno vapor. Uma figura simples, muitas vezes desconfiada, amiga, que era aberta a novas propostas e novos talentos. Um visionário além do seu tempo”, declara o DJ JZK, veterano da cena de Porto Alegre, destacando os outros sócios no empreendimento: Batata, Everton e Claudinho, além do DJ Double S, que também foi residente. Este endossa: “o Sílvio era a representação de um empresário de vanguarda e o Fim de Século o fruto dessa vanguarda. Ambos à frente do seu tempo”. Double S também demonstra a importância de um club engajado com os ideais da cultura de pista para formar novos profissionais: “ali meu trabalho como DJ tornou-se conhecido no Brasil inteiro, e até hoje eu agradeço por ter tido a possibilidade de participar do Fim de Século e por ter trabalhado ao lado de mestres como Sílvio Freitas”.

Antonio Navarro, DJ de drum’n’bass e um dos criadores da Quarta Quebrada, recorda dessa mesma integridade de Sílvio: “lembro dele, sempre otimista, nos chamando até o seu ‘escritório’ — um espaço 1m X 1,5m embaixo da escada — para, às vezes tirando dinheiro do próprio bolso, pagar pelo menos alguma coisa aos DJs quando a festa não rendia”. Para Navarro, “o local era porto-seguro para todos os estilos. Na pista do subsolo, o d&b nunca soou melhor. Ali, podíamos elevar o volume até o limite da distorção, e o subgrave massageava o peito e a garganta. Não era preciso nem dançar”.

Registro de festa no FDS em 1998, com o DJ Sérgio Panasuk

Dani Hyde, cofundadora da festa Róque Town, pertence mais à cena rockeira da cidade, mas se autodeclara “clubber em 1996”, quando era habitué do FDS. “O Fim de Século e o Sílvio Freitas são uma coisa só. Não há como separar a instituição do criador, pois ele sempre foi muito presente.” “Pra mim ele era o misterioso dono do bar, meio inacessível, meio gangsta, que ficava lá no fundo bebendo seu drink, fisgando as gatinhas e contando a grana”, complementa o diretor da rádio web minima.fm Leo Felipe, que também iniciou a vida noturna no local. “Foi o primeiro clube que frequentei — e onde vivi intensamente a cultura. A primeira vez que entrei naquele inferninho subterrâneo foi em 1989, tinha 17 anos. Dançava os sets do DJ Gaudêncio Orso, temperados com muito house e tecnopop.” Leo, inclusive, foi o dono de outro reduto histórico da cidade, o Garagem Hermética: “quando abri o Garagem, em 1992, o foco era mais o rock, mas o clima de liberdade e hedonismo que tanto marcou a casa foi herança de meu aprendizado nas pistas do FDS”.

“Noites de glória que certamente não mais saíram da lembrança de quem esteve lá”, retoma JZK, sem medir palavras sobre a importância histórica do empreendimento de Freitas. Para o DJ, o ápice foi a fase anterior à virada do milênio, antes da mudança de nome para NEO, “tendo o sincronismo do boom da musica eletrônica no mundo. Era o verdadeiro club da música eletrônica underground. A assiduidade dos frequentadores era tanta que estes passaram a ser grandes amigos e por fim tornaram-se uma família, que tem vínculos até hoje em dia”.

JZK continua: “o Fim de Século transpôs a simples representatividade de um club, ele se tornou uma lenda e um ícone na história da noite do RS e inserido dentro do contexto nacional. Por lá passaram inúmeros DJs internacionais, nacionais e locais que vieram a se tornar grandes nomes do cenário brasileiro”. Nomes como Fabrício Peçanha e Eduardo Herrera são os mais notáveis, mas outros bons DJs, menos conhecidos, também começaram ali, como o nosso colaborador do LOFT55Rafael Malhão: “acredito que foi a época mais democrática da cena clubber na cidade. Você encontrava desde o punk até a aspirante à modelo internacional que voltava de Nova Iorque. Nesse espectro, você tinha skatistas, clubbers, galera do rap, do jiu jitsu, da periferia… E góticos. Muitos góticos! Tinha noites de trance, house, techno e drum’n’bass, enquanto que no Deep Bar [pista subterrânea] rolava desde James Brown e trip hop até Prodigy, Chemical Brothers e Madonna”.

Os irmãos Luciano e Daniel Araújo tocando em um after da Fusion, em 1999

Sócio de Malhão na festa WAX, o DJ Apoena também aponta a sua formação no FDS como crucial: “sempre que eu penso em como um club deveria ser, ainda tenho ele como modelo. Minhas memórias do FDS no fim dos anos 1990 influenciam muito minha linha de som como DJ até hoje, em termos do que eu tento fazer com a pista”.

Apoena chegou a integrar a crew da Fusion, festa fundada na cidade de Canoas [Grande Porto Alegre] em 1996 que também teve seu espaço no Fim de Século/NEO. Ele segue relatando como a casa incorporava perfeitamente os valores da cultura de pista: “o club representava outro tipo de vida. Era como passar por um portal e testemunhar outro mundo. Não só pelo óbvio choque cultural de estar num ambiente que respeitava os homossexuais, mas também por causa da música eletrônica, que era algo bem menos comum que hoje, e que incitava no público um comportamento atípico na noite de Porto Alegre. Dançar sem fazer rodinhas, sozinho ou acompanhado, vestido de qualquer jeito. Era um ambiente alternativo de verdade”.

A casa ficou marcada não apenas por incorporar os valores fundados no Loft de David Mancuso, na Nova Iorque dos anos 1970, mas também por ter sido um reduto das mentes criativas de Porto Alegre. “Aberto a todas as propostas, [o FDS] abrigou imediatamente uma porção de jovens inovadores, criativos e iniciantes. Famosos ou não, artistas ou não; o público que frequentou os primeiros anos do Fim de Século parecia unido pelo desejo de mudança, pela necessidade de inovação, por uma sede mordaz de criação. […] Teatreiros imediatamente adotaram o Fim de Século como um de seus templos. E lá também fizeram seus sketches, performances e mesmo peças”, escreveram Marcus Vinícius Brasil e Renata Macedo em excelente matéria de 2005 para o extinto portal Rraurl. Com tamanha vocação criativa, fica claro que o FDS foi para POA o que o Madame Satã — do qual abordamos em entrevista recente com o DJ Magal — foi para São Paulo.

A proposta do FDS era claramente priorizar o novo, andando no mesmo passo das subculturas metropolitanas — algo quase impensável para a Porto Alegre conservadora de hoje, onde predomina a zona de conforto dos hits já conhecidos. “O Fim de Século reuniu pessoas que estavam olhando definitivamente pra fora. Não preciso explicar muito sobre como isso é importante numa cidade marginal como Porto Alegre”, complementa Dani Hyde.

https://www.youtube.com/watch?v=mkYoJKM5yic

Em 2007, último ano do club, rolou festa de 20 anos de Fim de Século na NEO, com alguns dos principais DJs da casa, como Fabrício Peçanha e Mozart 

Se Porto Alegre já teve uma efervescente cena underground criativa centrada em dance music, o que teria levado a cidade ao retrocesso? Dani teoriza que “não existia uma comunidade digital ainda. Era necessário trocar figurinha e mixtapes pessoalmente. [Quando] o Fim de Século terminou, esse grupo se desarticulou. Alguns seguiram suas próprias iniciativas e continuaram fazendo noite, mas já era diferente. Assim como a falta de informação via digital fomentou essa cena, a formação da comunidade digital conseguiu desestruturá-la. Não precisávamos mais da ‘congregação’, da ‘igrejinha’. Bom, alguns ainda precisavam, eu precisava. Mas mudou tudo”.

A produtora de eventos Lucia Dutra, que também descobriu sua vocação no Fim de Século e que também o enxergava como um único templo para diferentes pessoas, ajuda a compreender: “o mais legal de tudo era que todos se conheciam; público, promoters, galera da bilheteria e dos bares, chapeleiros, seguranças, DJs, gerente e donos. Saíamos pra tomar café da manhã na padaria da [avenida] Protásio [Alves] depois de fechar. Essa turma que contava o dinheiro pra entrar no FDS tem agora mais responsabilidades, tá mais velha. Agora todos são DJs, haja ego pra se trabalhar! O crescimento da cena trouxe ideias novas, públicos novos, interesses novos, área vip… Nem tudo isso é bom, ou tão ruim, o fato é que muda costumes”.

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Fotos de Dani Hyde no FDS, nos anos 1990

Teriam sido a cultura da ostentação e as armadilhas do ego — naturalmente antagonistas das subculturas dance genuínas — as maiores responsáveis pelo declínio da cultura DJ porto-alegrense? JZK vai ao encontro dessa ideia, lembrando que a explosão da música eletrônica fez com que ela fosse sugada pela cultura de massa. “A futilidade desses ambientes impregnou a música eletrônica, que passou a ser mais comercial, mas sempre tivemos clubs underground que faziam o balanço com os clubs mainstream. Com o fechamento do FDS e da Spin — esta casa já com um conceito um pouco mais elitizado do underground —, a cidade perdeu seus lugares de música eletrônica mais alternativa e conceitual”.

Restou a Porto Alegre uma lacuna muito grande, que talvez só outro novo club possa vir a preencher, para renovar e oxigenar a cultura de pista a uma nova geração de clubbers; para impulsionar novos JZKs, Double S e Peçanhas, além, é claro, de novas Lucias. Double, porém, é cético a respeito: “atualmente, não sei se Porto Alegre comportaria um Fim de Século, pois a música mudou, o comportamento das pessoas mudou… Está tudo tão segmentado, e o FDS era totalmente o oposto disso tudo”.

É certo que algo como foi o Fim de Século/NEO jamais se repetiria exatamente como foi, mas por que não acreditar em um novo templo da dance music local? De qualquer forma, o que se passou com essas pessoas e o trabalho de Sílvio Freitas não podem ser esquecidos; a morte do grande dono, contudo, pode ser interpretada como o fim definitivo de um ciclo.

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Pista da NEO vista de cima, em 2006

“O Sílvio deixa a paixão dele. Um cara que sempre acreditou nas novidades, sempre abriu portas para novos produtores e DJs. Ele lutou até o fim contra os órgãos públicos que fecharam a NEO sem medir esforços”, finaliza Double S. JZK apoia: “ele nos deixou um grande legado, e deixou vários discípulos e amigos por aqui, que irão espalhar o seu entusiasmo e amor pela música e pela noite”.

Apoena alega que, “na última vez que vi o Sílvio, já tem uns anos, ele ainda falava em reabrir o club. ‘Estou reabrindo minha casa’, ele dizia. Explicava que havia problemas legais por processos dos vizinhos”. Infelizmente, esse foi um sonho que Freitas não pôde realizar. Terá Porto Alegre um novo herói para bater no peito e assumir essa bronca, ou restarão à cultura DJ da cidade apenas as fotos do passado?

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Entenda a ascensão internacional do DJ e produtor brasileiro Kalil

Lançamentos por grandes labels fazem do paulista um dos principais nomes do techno no Brasil

Alan Medeiros

Publicado há

Kalil
Foto: Divulgação

Nos últimos anos a cena techno brasileira tem servido ao mundo alguns talentos em ascensão, como o caso do talentoso produtor paulista Kalil. O começo de sua carreira foi justamente em um período de grandes inovações relacionadas à forma de consumo de música, e isso foi fundamental para o desenvolvimento não só dele, mas de toda uma geração.

Na virada da última década, a internet passou a representar um capítulo importante na disseminação de conteúdo por parte de artistas independentes, principalmente através de plataformas como SoundCloud e YouTube, que de certa forma reduziram a importância de uma grande gravadora para o start de uma carreira consolidada. Em paralelo com o Facebook e outras redes, colocaram uma ferramenta poderosa na mão de alguns artistas.

      

Kalil claramente soube aproveitar esse momento e foi capaz de construir uma base de fãs engajada, e o mais importante: evoluir seu próprio perfil artístico ao longo dos anos. Desde o começo se comentava que suas produções tinham algo diferenciado, e hoje isso não se trata de uma aposta — estamos falando de algo concreto, especialmente se levarmos em consideração os últimos acontecimentos de sua carreira.

Com uma presença mais forte no mercado nacional, Kalil passou a alçar voos internacionais também, seja através de gigs em países como França, Suíça e Alemanha, ou através de lançamentos por labels como Noir Music, Senso Sounds e Sprout — referências absolutas dentro do techno. Algumas de suas últimas conquistas incluem suportes de nomes como Carl Cox, Maceo Plex, Monika Kruse, Karotte e outros big names da dance music internacional.

     

Ainda é cedo para dizer se Kalil se tornará em breve uma grande estrela do estilo a nível global. Não há como negar, porém, que o brasileiro está mostrando maturidade para guiar sua própria jornada de evolução com sabedoria e inteligência, sempre influenciado pelas batidas inspiradoras de seu próprio coração.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Nevoeiro desfalca XXXPERIENCE e TribalTech; entenda o caso

Artistas que iriam de um festival para o outro acabaram não conseguindo viajar

Flávio Lerner

Publicado há

XXXPERIENCE e TribalTech
Foto: Sigma F/Reprodução

Nesse sábado, 22, dois dos mais aguardados festivais da cena eletrônica nacional aconteceram simultaneamente: XXXPERIENCE e TribalTech. Tentando evitar o mau tempo que atrapalhou anos anteriores de ambos os eventos — o que justamente motivou a XXX para transferir sua data de novembro para setembro —, os dois rolaram numa boa, sem temporal nenhum pra acabar com a vibe. Mesmo assim, a zica climática atacou por outro lado, e acabou desfalcando as duas festas.

Por causa do forte nevoeiro que atingiu Curitiba, os dois aeroportos da capital [Afonso Pena e Bacacheri] fecharam, além do Aeroporto Municipal de Ponta Grossa e do Aeroporto Internacional de Navegantes, em Santa Catarina. Com isso, a aeronave particular — contratada em parceria entre os dois festivais — que sairia no começo da madrugada de São Paulo para levar Len Faki, Dubfire e Tessuto ao TribalTech, e posteriormente Ben Klock e Gabe para São Paulo, não conseguiu decolar.

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Além deles, Guy Gerber cancelou anteriormente com os dois festivais, alegando na última quinta-feira que teve sua casa invadida e pertences roubados, incluindo seu passaporte. Já o voo comercial que levava o sueco Gaudium, atração do palco de trance 3DTTRIP, do TribalTech, atrasou, o que fez com o que o artista não chegasse a tempo para tocar. 

A XXX contornou o problema colocando Renato Ratier para estender o seu set, que já encerraria o Union Stage, por quatro horas, assumindo também o horário de Ben Klock, enquanto o Joy Stage, que fecharia com o Gabe, acabou terminando mais cedo; já o Guy Gerber foi substituído por um B2B entre ANNA e Patrice Bäumel, que já eram atrações do Union. 

+ TribalTech Enlighten: confira detalhes da próxima edição do festival

No TribalTech, Len Faki e Dubfire, que seriam as últimas atrações do TribalTech Stage, foram substituídos por Ben Klock [que estendeu seu set em meia hora] e Anthony Parasole, que originalmente tocaria no Timetech [e acabou sendo substituído por um segundo set do alemão Sammy Dee]. Já no Secret Stage, um B2B entre Renato Cohen e RHR fechou o palco, no lugar de Tessuto. O festival acabou sendo encerrado uma hora antes do programado.

Em contato com a Phouse, a assessoria do TT afirmou que já está em contato com as agências dos artistas para tentar trazê-los novamente a Curitiba. Enquanto isso, a produção da XXX afirma também ter a intenção de trazer Ben Klock para a edição do ano que vem.

Antes, ambas as labels já haviam pedido desculpas ao público e explicado o problema em suas respectivas redes sociais.

NOTA OFICIAL.

Posted by Tribaltech on Sunday, September 23, 2018

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

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Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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