Armin van Buuren apresentou pela segunda vez no Brasil seu consagrado Armin Only, levando cerca de 12000 pessoas ao pavilhão do Anhembi, em São Paulo, no último 9/dezembro. Em 2014, o espetáculo equivalente para seu álbum Intense, foi sucesso absoluto e deixou lembranças no público presente, estabelecendo um alto nível de expectativa para essa edição: Embrace.

Vale sempre lembrar que Armin Only é muito mais do que um show de música eletrônica: é um espetáculo musical com performances ao vivo e intervenções circenses, capaz de criar uma atmosfera de bons sentimentos e união! É um marco para celebrar o lançamento de um novo álbum do holandês eleito melhor do mundo por cinco vezes.

As portas do Anhembi foram abertas ao som do mix-album “Club Embrace” – cujo conteúdo é composto por clássicos do holandês remixados ao estilo deep house. E enquanto o público esquentava com o warmup, estendido em 30 minutos adicionais, era possível carregar o cartão de consumo em um sistema transparente e eficiente. A cada carga ou consumo, o sistema emitia um comprovante com o valor creditado ou debitado e o saldo remanescente, eliminando a possibilidade de qualquer cobrança indevida e permitindo que o usuário planejasse seu consumo! A chapelaria entregou armários individuais com chaves que ficavam em poder do usuário, garantindo a este o rápido acesso aos seus bens, sem filas ou complicações!

E já que estamos falando da infra, vamos aos sempre problemáticos banheiros químicos… Ou não! Foram instalados banheiros similares aos convencionais, em quantidade, tamanho e limpeza adequados, e ainda com atenção aos detalhes: espelhos e sabonete líquido! Um primor, se considerarmos que não eram estruturas permanentes! Bares por todos os lados, de fácil acesso e com bebidas geladas o tempo todo! Coitados dos poucos atendentes que não davam conta da demanda, incorrendo em filas que levavam até 20 minutos para atendimento. Comidas e sorvetes também estavam disponíveis e rapidamente acessíveis. Por fim, e mais importe: o som estava perfeito, nítido e alto, confirmando que a organização do evento foi completa, detalhista e bem sucedida!

Pois, vamos logo ao que interessa: Armin van Buuren, sua trupe de mais de 30 artistas – dançarinos, acrobatas, vocalistas, trompetista, baterista, guitarristas – e uma estrutura de palco com inúmeros efeitos visuais, além de telão de altíssima definição. Condições mais do que perfeitas para um espetáculo memorável.

Tradicionalmente, o Armin Only em suas mais de 4 horas apresenta o álbum título quase em sua totalidade e também conduz o público a uma viagem pela história musical do Armin, revisitando o passado de forma saudosista. É, portanto, um espetáculo completo da perspectiva musical. Contudo, no Embrace o elemento histórico aconteceu de forma breve e muito escassa. This Light Between Us (2010), fez às vezes do álbum Mirage. Um breve mashup com a voz de Emma Hewwit em Forever Is Ours (2013), assim como This Is What It Fells Like (2013) recordaram o Intense. Não houve performances de outras músicas que marcaram sua carreira.

Como comparação sobre o quesito histórico, no Armin Only Intense foram executadas no set principal: Zocalo (2005), Tuvan (2009), Fine Without You (2008), Not Giving Up On Love (2010), Shivers (2005), These Silent Hearts (2010), Use Somebody (2009), Brute (2012).

A lacuna deixada foi preenchida com músicas e mashup’s recentes e que normalmente Armin toca em festivais, mais próximas do EDM e do Big Room: Flashlight (Orjan Nilsen / AvB), Pantha Rhei (Mark Sixma / AvB), Arcade (Dimitri Vegas & Like Mike / W&W), Countdown (Hardwell / MAKJ), Old Skool (AvB), Dominator (Human Resources), If Ain’t Dutch (W&W / AvB).

Enfim… tratemos do gênero no qual Armin é rei: o trance. Exploration Of Space (Cosmic Gate), Again e Safe Inside You (Betsie Larkin / AvB), I’m In A State Of Trance (Ben Gold), Communication (AvB), Now I Can Breathe Again (Simon Patterson), Inyathi (Gaia), Adagio For Strings (Mark Sixma) – com uma belíssima intro no trompete ao vivo por Eric Vloeimans. Próximo ao final do set principal, Armin emendou alguns psytrances, com destaque especial para Great Spirit (Vini Vici / AvB) e Free Tibet (Vini Vici), explodindo o público que já aguardava ansiosamente pelos bpm’s mais acelerados.

Voltando ao trance, foram oito músicas distribuídas ao longo das 4 horas, somando cerca de 40 minutos, ou 16.5% do set principal. No Intense, foram mais de 40 trances no set principal, considerando apenas aquelas músicas que não faziam parte do álbum-título do show. Enquanto o Armin Only Intense foi um retumbante e aclamado sucesso artístico, o Armin Only Embrace foi um bom show para fãs habituados em ver o holandês em festivais. Infelizmente, em apenas dois anos, o rei diminuiu significativamente seu próprio reino (e, enquanto isso, a partir das pirâmides de Gizé, faraós expandem sua dinastia em direção ao reino preterido)…

A constante comparação entre o Armin Only Intense e Armin Only Embrace se faz necessária, já que ambos os álbuns-título são mais próximos ao pop, praticamente sem trances, e apresentam fortemente a busca de Armin van Buuren  em “não ser um prisioneiro de seu próprio estilo”. Lembramos, contudo, que essa busca sempre esteve presente em suas composições, como em Zocalo (2005), Gipsy (2005) e Golddigger (2005).

Armin van Buuren em sua constante  exploração por diferentes elementos musicais.

Em termos musicais, portanto, o Armin Only Embrace fica marcado pelo distanciamento do Armin de sua principal característica como artista: a melodia. E se sua identidade artística já estava em clara transformação desde 2013, mas que ainda era mantida em seus eventos próprios, esse show vem ratificar sua opção pela convergência ao EDM de artistas como Hardwell e DV&LM. Dai as reações contrárias do público durante e após o evento:

  • Euforia daqueles que pularam durante 83.5% do tempo do set regular, motivados pela energia do som, mas sem sinergia com todo o entorno e atmosfera que o holandês tentava estabelecer;
  • Decepção daqueles que ouviram melodias em 16,5% do tempo do set regular e que não conseguiram reencontrar a atmosfera criada pelo holandês no Armin Only Intense.

E quanto ao vinil set? Não teve trance?

Sim, teve, e da melhor qualidade! Digno de respeito em qualquer canto do mundo: Strange World (Mike Push), Sail (AvB), Serenity (AvB), Tuvan (Gaia), Satellite (Above & Beyond pres Oceanlab), Carte Blanche (Ferry Corsten / Vincent de Moor pres Veracocha).

Então por que todo esse buzz, mimimi, e esse vasto #textão?

Tendo tocado 40 minutos de trance no set principal e 60 minutos no set de vinil, chegamos a 100 minutos ou 33% do show inteiro. E isso sob anúncios de “vocês estão preparados para o State of Trance?”. Talvez essa dissonância entre o anunciado e o realizado ajude a compreender o motivo pelo qual o público em geral não conseguiu encontrar a atmosfera que era esperada para esse grandioso evento: a ausência de melodia, típica do trance, impossibilitou a conexão emotiva que é esperada em qualquer Armin Only. No Mirage, o encerramento deu-se com Burned With Desire (2003) executado parcialmente por violão elétrico e voz de todos os cinco vocalistas daquela edição, resultando em litros de lágrimas da plateia e do próprio Armin. De modo similar, no Embrace os vocalistas voltaram ao palco para cantar This Is What It Feels Like (2013), mas essa música e o arranjo/adaptação dela para esse espetáculo não foram tão incisivos ao ponto de sensibilizar o público a estabelecer o forte vínculo emocional.

Nós, o time do Trance in Brazil, nos importamos muito com o que Armin toca. Ele é a nossa principal referência quando falamos de profissionalismo no meio musical: não é à toa que o chamamos carinhosamente de “chefe”. Armin é um businessman, visionário, detalhista e determinado em diversos aspectos: criou e mantém o A State Of Trance vivo, experimenta novos elementos musicais e define tendências, cria elementos interativos inovadores em seus shows, é sempre atencioso com os fãs… Cada ação faz parte da sua estratégia para entreter o público e difundir o trance. A entendemos claramente, assim como também conhecemos muito bem o seu amor pelo mais puro trance. É claro que conciliar esses aspectos pode parecer controverso. Mas se alguns famosos rankings medem popularidade, então significa que ao menos um pouco de trance está atingindo uma quantidade maior de ouvintes…

Confira também uma entrevista exclusiva do Armin Van Buuren à Phouse.

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