* Com a colaboração de Diego Colussi
** Edição e revisão: Flávio Lerner

Na terça-feira passada, a Cercle fez sua estreia no Brasil transmitindo um set do duo ucraniano Artbat no topo do Pão de Açúcar. Fundado em março de 2015, o canal de live streaming francês rapidamente ganhou notoriedade na internet graças às locações escolhidas para receber os sets dos artistas convidados.

A estrutura do programa é relativamente simples. Toda segunda-feira é transmitido um novo vídeo com um projeto de música eletrônica de ponta em um lugar que geralmente pode ser descrito como inusitado. Ao fim da performance, a equipe da Cercle entrevista o DJ e também oferece um presente através de uma “mystery box”. Entre as locações que já fizeram parte da plataforma, destacam-se Torre Eiffel, Palácio de Fontainebleau, British Airways i360, Salar de Uyuni, Alpes franceses, Es Vedra e, claro, o nosso Pão de Açúcar.

Review Cercle
Foto: Alan Medeiros

Para edição brasileira, Luciano Scheffer e Paulo Foltz foram convidados para compor os slots de suporte do lineup, fato esse que refletiu em uma primeira escolha acertada da organização, já que Luciano possui uma atmosfera mais próxima do progressive house e foi responsável pelo set de abertura, enquanto Paulo, que tem seu perfil cravado no techno, fechou a noite. Os ucranianos do Artbat, ato principal do evento, flutuam entre esses dois gêneros. Além do mais, vale o destaque pela escolha de nomes fora do óbvio, mas ainda assim donos de uma jornada sólida na música.

Ao chegarmos aos pés do Bondinho Pão de Açúcar, logo nos deparamos com uma longa fila que aguardava para retirada das credenciais do evento. Encontramos alguns amigos por ali e, após alguns minutos de conversa, já embarcamos para o topo com aquela vista que só o Rio de Janeiro é capaz de oferecer. O Morro da Urca é a primeira parada do Bondinho e oferece uma visão um tanto quanto privilegiada da Cidade Maravilhosa.

Ao entrarmos na pista montada pela Cercle, a sensação foi de estarmos em uma festa no céu. A névoa que passava por trás do palco naquele instante trouxe uma energia maravilhosa para o começo da experiência. Após assistirmos os minutos finais de Luciano Scheffer, o host anunciou a entrada de Artur e Batish para uma hora e meia de set.

Os produtores ucranianos possuem uma história relativamente recente na cena internacional, que nós já resumimos por aqui. Apesar disso, eles já podem ser considerados um dos grandes hitmakers da atualidade, principalmente por conta dos releases por Diynamic, fryhide, Suara, Rukus e International Deejay Gigolo Records.

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A apresentação da dupla foi, como já esperávamos, bastante pautada nas próprias produções — aproximadamente metade das faixas tocadas eram originais ou remixes feitos por eles. O set, que iniciou com uma atmosfera mais amena e ligada ao progressive house, com uma faixa do produtor alemão Rampa, logo evoluiu e assumiu contornos mais próximos do techno — inclusive com momentos de bastante pressão de pista. Alguns dos pontos altos da apresentação incluem as faixas “Papillon”, “Atlas”, “Apollo 11” (em parceria com Matador), “Closer” (com os vocais da banda WhoMadeWho) e o remix do duo para “Return To Oz”, de Monolink.

O pôr do sol e a vista do topo do Pão de Açúcar são dois protagonistas nesta história. O excelente vídeo divulgado pela Cercle (veja acima) já é bastante impressionante e passa uma visão especial em torno da experiência. Entretanto, ter estado lá e acompanhar tudo com os próprios olhos foi algo inesquecível, já que é quase como um sonho ouvir a música que tanto amamos em um dos cartões postais do Brasil.

Review Cercle
Foto: Alan Medeiros

Outro ponto a ser destacado é a organização. Havia um número bastante significativo de profissionais trabalhando nos bastidores, um open bar disponibilizado aos convidados e toda parte de acesso e experiência ao longo do Bondinho Pão de Açúcar foi bem direcionada. Infelizmente, precisamos correr para o aeroporto minutos após o set do Artbat — inclusive, pegamos o bondinho rumo ao topo ao lado da dupla, o que rendeu uma oportunidade para conversarmos um pouco sobre os planos do projeto para o futuro.

Nos dias que seguiram a gravação, Instagram e Facebook ficaram tomados por vídeos e fotos do público presente. A impressão que se dava era a de que milhares de pessoas tinham acompanhado o streaming in loco. A primeira passagem da Cercle pelo Brasil foi de fato um sucesso, e nos fez refletir bastante sobre como nosso país é extremamente abençoado pela natureza. Talvez, em um futuro próximo, possamos ter o canal francês explorando outros cartões postais do Brasil, de norte a sul, de leste a oeste.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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