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REVIEW: DGTL São Paulo, uma noite inesquecível

Júlia Gardel

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O DGTL chegou em São Paulo fazendo história. É difícil colocar em palavras o que foi a noite do último sábado (6). Dizer que foi como uma viagem a um novo universo talvez ajude a resumir a esfera que esse festival criou. Conhecido por seu florear artístico, que conecta a inovação moderna à nostalgia industrial, o DGTL é hoje um dos mais conhecidos festivais de techno da Europa e do mundo. Acontece em Amsterdã, Barcelona e agora no Brasil.

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O que rolou em São Paulo foi inesquecível. Como diz o próprio festival, através da música, arte e produção, o evento consegue cumprir seu objetivo de manter o público sempre na sede por mais, proporcionando uma sensação inspiradora, cheia de descobertas e surpresas. Uma experiência única.

A imagem pode conter: 3 pessoas, multidão (Foto do DGTL /Facebook)

Sua preocupação em mesclar os maiores nomes da arte, da música e as melhores tecnologias dentro de um espaço inovador e industrial foi perfeitamente concluída. Começando pelo local — uma fabrica abandonada que possui historia desde 1950 —, a chamada Fábrica DGTL foi o lugar perfeito, como eles já haviam antecipado:

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“A Fábrica DGTL é um gigantesco complexo de galpões que já abrigaram diversos tipos de fábricas. Espaçoso, com uma arquitetura bruta e atmosfera industrial, é o lugar ideal para receber não apenas alguns dos melhores artistas do planeta como para exibir as instalações e projetos artísticos que fazem parte do festival” — DGTL Festival (Site).

Para o DGTL, projetos culturais e artísticos possuem um papel muito importante na sua proposta de envolver e engajar seus visitantes. Por isso, durante o evento, várias instalações de arte foram vistas. A de Muti Randolph buscava observar as relações entre linhas que se sobrepõem no espaço. À medida que as pessoas iam caminhando, as sobreposições iam mudando.

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Modular Dreams, da dupla Priscilla Cesarino e Danilo Barros, era uma parede mapeada digitalmente com projeções ao vivo. A Sala 28, formada pelo duo paulistano Junior Costa Carvalho e Rodrigo Machado, foi responsável por dois projetos: o do corredor luminoso e o do palco Modular, onde foram utilizados 180 metros de LED digital, controlados pixel a pixel por meio de um software áudio reativo desenvolvido pelo próprio estúdio. As luzes eram projetadas por meio de quatro espelhos motorizados em constante movimento.

A imagem pode conter: noite e atividades ao ar livre(Modular Dreams – foto do DGTL/Facebook)

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé e área interna (Corredor de LED’s feito pelo projeto da Sala 28)

Foram três palcos muito bem localizados: o Modular, o Generator e o Frequency, que alimentaram o evento com muita música boa durante as quatorze horas de festival, sem nenhuma interferência de som. Da entrada, o palco mais próximo era o Modular, que contou com um design incrivelmente lindo, todo de LED, como citado, trazendo como primeira impressão uma sensação de dimensão e profundidade sem igual. Era realmente apaixonante olhar a estrutura. Uma grande viagem hipnotizante admirar toda aquela dimensão de lâmpadas de LED.

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“No palco Modular não era apenas ouvir a música, era conectar-se com o lugar!” – Michelly Pomini (Participante do Evento)

O palco Generator conteve painéis de LED e o maior atrativo foi a iluminação da pista. Várias fileiras de luz foram dispostas, com diversas configurações durante todo seu funcionamento, trazendo um aspecto de iluminação bem diferente ao público.

Já quem gosta de um ambiente aberto, gostou do Frequency — um palco decorado com madeira e folhas, formando um ambiente bem natureza, criado por Beto Tancredi. Entre grandes árvores e por cima de um gramado, contou com uma decoração natural e três “arquibancadas” de acesso livre ao público, para diferentes perspectivas: uma atrás do palco e duas em suas laterais. Todas as árvores foram iluminadas, e durante alguns momentos eram inclusive sincronizadas com o som da pista.

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“O palco Frequency foi bem diferente dos outros, principalmente na questão da música em si. Passei horas lá sem conseguir sair, o som estava maravilhoso, cativou todas a pessoas presentes. O ambiente estava lindo, o público sensacional e os DJs estavam ARREBENTANDO” — Arthur Peixoto (Participante do Evento).

O que mais admirei em todo o planejamento foi a preocupação do festival com alguns detalhes, os quais fizeram toda a diferença. Primeiro no seu engajamento: a cada semana um vídeo novo era publicado nas redes sociais, gerando expectativa e chamando atenção. Essa proximidade com o público, o suspense e a interação foram fundamentais — inclusive na parte de deixar cada detalhe do evento devidamente explicado.

Além disso, uma das propostas do DGTL é ter um impacto sustentável no universo dos festivais. Conscientes do impacto social e ambiental que possuem, trabalham com parceiros para espalhar essas mensagens cada vez mais. O festival trouxe, por exemplo, o seu conceito dos copos e garrafas não descartáveis: você comprava um copo personalizado por quatro reais e o reutilizava, evitando o descarte. No final, se você quisesse o seu dinheiro de volta, era só devolvê-lo.

As garrafas custavam quatro reais a mais no preço da água, na segunda, ao devolve-la ao bar você não pagava novamente. Esquema semelhante foi visto com os cartões do sistema cashless, que tem se feito cada vez mais presente nos festivais. O cartão custava cinco reais.

A estrutura, enfim, foi perfeitamente planejada. A quantidade de bares foi suficiente e a de caixas também, principalmente por causa dos caixas moveis. Embora houvesse nove mil pessoas, a demanda foi muito bem atendida, os atendimentos foram rápidos e tudo em ordem. Uma grande quantidade de banheiros foi disponibilizada, tanto químicos quanto em contêineres, com espelho e até mesmo pias. Mas poderiam ter sido do lado de fora para evitar o mau cheiro.

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Um fato me surpreendeu. Na área de alimentação havia três food trucks, porém todos veganos. É muito difícil ver em grandes festivais opções vegetarianas e principalmente veganas. Pela primeira vez em um festival no Brasil o público vegetariano foi privilegiado — com direito a barraca de batata frita, pra quem se perdeu nas opções.

“Quando percebi que a comida da barraca era vegetariana fiquei feliz demais! Eu me senti muito realizada. Não só por me ver representada no evento, mas por ele ter ideologia sustentável.” – Lorena Camargo (Participante do Evento)

O cardápio foi variado: batatas fritas com molho e um topping de sua escolha (como bacon de soja); tacos mexicanos com salada de repolho, guacamole e pimenta; hambúrgueres de tofu, de feijão vermelho ou de shitake, entre vários outros ingredientes, a vinte reais; e falafel no pão sírio ou na folha de couve, por dezoito reais.

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A parte difícil chega quando tento citar o melhor set da noite, o que obviamente é impossível. Foram quatorze horas repletas de grandes nomes, tanto nacionais quanto internacionais, que trouxeram em três palcos diferentes perspectivas do nosso amado techno, em diferentes proporções de emoção, amor e vibração pela música. Foi encantador — uma honra e um prazer — poder presenciar tantos nomes incríveis juntos no DGTL; foi arrepiante da cabeça aos pés.

Carol Mattos fez corações palpitarem de emoção no palco Modular. Juntando a emoção de se viver um dia histórico à energia do seu set e ao cenário hipnotizante, nada poderia ter sido mais perfeito.

A imagem pode conter: noite (Patrice Bäumel tocando no palco Modular)

Tati Pimont aqueceu muito bem a sua pista, que aguardava pelo espetáculo do Teto Preto, um show que reuniu diversos fãs e que surpreendeu a muitos com sua apresentação intensa e única, envolvendo também um show corporal por parte da vocalista Laura Diaz e do dançarino Loic Koutana. Como sempre, Teto Preto fazendo um show fora da caixa.

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“A todos aqueles que disseram não ir cedo para o DGTL, sinto muito, mas perderam a identidade incrivelmente poderosa do expoente da cena de Techno paulista do Teto Preto, um live instrumental arrasador misturado com performances de cair o queixo!” – Gustavo Binembaum (Participante do Evento)

A grande Eli Iwasa, por sua vez, mais uma vez deixou a pista sem palavras. Trouxe tudo do bom e do melhor durante suas duas horas de set que pré-aqueceram nossas mentes ao Patrice Bäumel, que verdadeiramente deu um show no Modular! Um show intenso do começo ao fim.

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Tama Sumo em seu b2b com Lakuti fez um set de três horas muito bem construído, alternando bem as tracks e fazendo a pista toda dançar sem parar por um instante. Apparat conseguiu administrar muito bem seu set mantendo o estilo do Patrice no começo e aos poucos introduzindo seu ar mais alternativo e melodico até entregar a pista ao Mind Against. Encerrou com chave de ouro tocando três tracks que fizeram a pista ir aos céus.

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“Apparat veio numa pegada bem diferente dos outros djs, o que me agradou muito. Teve breakdown, downtempo, techno, o cara conhece demais!” – Melanie Havens (Participante do Evento)

Sobre o Mind Against, o dia que eu conseguir explicar para mim mesma o que foi aquele set, eu conto para vocês. Estou até agora tentando entender o que eu ouvi, um verdadeiro espetáculo dessa dupla que realmente fez todo mundo se emocionar.

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Carl Craig, o rei do techno de Detroit, lotou o Generator de gente até não poder mais. Ninguém conseguiu ficar parado e todos fizeram o máximo para ver todo o seu set bem de pertinho. De fato fez historia — principalmente quanto tocou “Sweet Dreams”.

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“O que esse cara fez foi indescritível, não é a toa que é o rei de Detroit. Em todas as tracks a galera ia à loucura, principalmente quando ele tocou ‘Wings‘ do Armand Van Helden, que tem um vocal super antigo da música ‘I won’t let you down’ de Ph.D. Craig soube comandar a pista e fazer todos dançarem sem parar. Para mim foi o melhor da noite.” – Melanie Havens (Participante do Evento)

Derrick May, não preciso nem dizer, foi um sucesso. Fez um set sensacional, que junto com toda aquela iluminação segurou a pista até o fim. Para muitos, foi bem difícil sair de lá para ver o Recondite.

“Derrick May foi sem duvidas, para mim, o nome da noite! Trazendo para nós aquele pedacinho de Detroit em seu Techno industrialmente inconfundível e mixagens de tirar o folego.” – Gustavo Binembaum (Participante do Evento)

Agora, Recondite é Recondite, não tinha como perder. Quem conseguiu e saiu do Derrick May para ver o careca botar para quebrar, provavelmente não se arrependeu. Resultado? Não está escrito no céu o que foi essa live. O produtor colocou a pista no chão e levou as mentes para o espaço. Um live impecável, imperdível e memorável.

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“Seu live foi porrada do começo ao fim, transições perfeitas e tracks impressionantes que deixaram todos de queixo caído. Quando ele tocou Phalanx (minha track favorita) só faltou eu pular a grade para beijar sua careca, ele superou todas as minhas expectativas junto com DGTL.” – Diego Freitas (Participante do Evento)

Vril foi mais um que trouxe ao público do Generator um live de responsabilidade. Dividiu seu horário com Âme, que também não tem nem o que comentar. Âme deu vida ao amanhecer de domingo com suas tracks melódicas e ao mesmo tempo intensas, do jeitinho que seus fãs gostam. Foi um belo começo de manhã.

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“O live do Vril foi de longe um dos momentos mais marcantes da noite de sábado, ele conseguiu superar toda e qualquer expectativa que eu tinha. Ele conseguiu dominar a pista e levar a galera à loucura a cada track que ele virava mixada com outra e essa mistura sempre resultava em algo extremamente impactante! Fui surpreendida, mal posso esperar para ver ele denovo!” – Jéssika Rodrigues (Participante do Evento)

Ryan Elliott, Speedy J e Davis parecem ter finalizado as três pistas da melhor maneira possível. Para quem conseguiu escolher em qual dos três palcos encerrar a noite, meus parabéns, porque realmente foi difícil.

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“Transitando do techno ao house com extrema técnica e maestria, com ênfase na house music, Ryan Elliott mostrou para o que veio. Foi uma finaleira digna de um palco tão bonito quanto foi o Frequency. Ryan resgatou tracks clássicas difíceis de serem tocadas nos dias de hoje e ao mesmo tempo mesclou com novas, o resultado foi de um set impecável. A emoção do americano foi tão grande que acabou tocando 1 hora a mais do que o esperado com um grande sorriso no rosto e de alma lavada.” – Lucas Lifschitz (Participante do Evento)

Em suma, apesar de não estar cem por cento expresso em palavras o que foi realmente a sensação de vivenciar essa experiência, é fundamental encerrar parabenizando todos os responsáveis e organizadores do DGTL São Paulo por toda a produção e organização do evento. O festival foi realmente indescritível e muito bem articulado do começo ao fim. O lineup foi montado de uma maneira preciosa com grandes produtores do mundo todo.

“Meses de espera nunca valeram tanto a pena. Um festival em que sua essência foi a fusão de uma organização europeia de ponta ao som de um techno vibrante que cada vez mais conquista nossos corações.” – Gustavo Binembaum (Participante do Evento)

Acredito que o evento tenha alcançado a expectativa da maioria de seus participantes, e isso não é algo fácil de fazer. Por isso, os parabéns, e que tenha uma vida longa no Brasil, pois o público aguarda ansioso uma próxima edição. Vai ser difícil alguma festa superar tão cedo a sensação e a experiência que o DGTL nos trouxe.

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Opinião

10 nomes do underground brasileiro para ficar de olho em 2018

Jonas Fachi

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O duo Mumbaata
Mais uma seleção de artistas nacionais que têm tudo para fazer um ano brilhante
* Atualizado em 01/02/2018, às 21:27

Tradicionalmente no início de cada ano, a Phouse destaca alguns artistas que têm começado a obter projeção nacional para compor uma lista — sem ordem de grandeza — dos “nomes para ficar de olho” da cena eletrônica nacional. Desde 2015, já passaram por essas matérias figuras como ANNA, BLANCAh, Elekfantz, L_cio e Wilian Kraupp, que mais tarde de fato vieram a explodir, servindo hoje como inspiração para os novos.

Há um mês, o CEO da revista, Luckas Wagg, trouxe sua lista com 20 DJs promissores do mainstream. Hoje, eu trago aqui — assim como já o fiz em 2016 — minha seleção com dez nomes do underground brasileiro em quem aposto muito para 2018.

Inevitavelmente, todos os escolhidos têm a produção musical como maior destaque, recebendo assim o apoio de grandes artistas internacionais, que os levam a se apresentar em clubs de relevância em nosso país. Confira os dez nomes da vez:

Luciano Scheffer

Um dos líderes da introdução do house progressivo em São Paulo, recentemente dividiu cabine com Nick Warren em evento do núcleo Unik ID. Com apresentações comentadas no D-EDGE, o paulista também recebeu elogios do boss da respeitada label Microcastle por seu remix da faixa “Eivissa”, de Ewan Rill. Luciano ainda detém dois podcasts mensais nas webradios nube-music e cosmos, além de ser idealizador dos projetos InProgress e Progression.

Morttagua

Liderando uma das gravadoras brasileiras mais reconhecidas internacionalmente, a Timeless Moment, o produtor e DJ carioca já esteve em tour pela Ásia, além de ter se apresentado em clubs como Green Valley, Pacha Floripa e Clash. Seu selo iniciado em 2016 figura constantemente no Top 100 do Beatport, e tem suporte de nomes como Sasha, Solomun e Guy Mantzur.

Morttagua também já remixou artistas como Betoko e Martin Roth, além de ter alcançado em 2013 o primeiro lugar de vendas mundial do Beatport no gênero progressive house. Trata-se do EP Sith Planets, o que o proporcionou uma grande projeção internacional logo no início de sua carreira.

Paulo Foltz

Com um primeiro álbum de estúdio lançado em 2017 pela Prisma Techno, o paulista recebeu suporte de ninguém menos que Richie Hawtin — o lendário DJ encerrou um set com a faixa “Mental Scanning”, de Foltz, no WAN Festival. Outros artistas, como Pan-Pot e BLANCAh, vêm tocando suas faixas, que também foram selecionadas para o podcast 206 da Suara Records, uma das dez mais populares gravadoras do Beatport.

Mumbaata

O duo formado por Lennox Hortale e Pedro Poyart se transformou rapidamente em um dos lives mais originais e criativos do país. Eles apresentam influências que passam por batidas africanas até jazz. Vencedores do Prêmio do BRMC (na época RMC) de 2017, na categoria Produtor Revelação, já receberam convites para apresentações em clubs como Green Valley e D-EDGE, além do palco eletrônico do Rock in Rio.

Gabriel Carminatti

Com suporte recente de Hernan Cattaneo no aclamado Resident — programa de rádio de Buenos Aires destinado a revelar novos artistas — e no set do Maestro realizado no Warung, Gabriel Carminatti surgiu como uma das novas promessas da tradicional cena gaúcha, conhecida por revelar alguns dos produtores e DJs mais importantes do país nos últimos 20 anos. O produtor é figura constante em alguns dos clubs e eventos relevantes do Estado em nível nacional, como Colours, Beehive, Hija e Mohave.

Mau Maioli

Outra figura da nova geração de produtores do Rio Grande de Sul, Mau Maioli se impõe a frente de projetos como o Muinho Club e Beat On Me, além de ser residente da festa Life Moments, em Santa Maria, e possuir uma coluna quinzenal no portal Somma+. Em 2017, Mau também obteve alcance no #48 do chart de techno do Beatport com Parallax, seu EP de estreia pelo Prisma Techno.

Carrot Green

O carioca Carrot Green é um dos lideres da consolidação da cena underground do Rio. Integrante da seleta Red Bull Music Academy em 2013, foi escolhido agora para fazer parte da compilação Cocada, de Leo Janeiro, pela gigante gravadora Get Physical, onde trouxe uma faixa remixada pelo duo Digitaria. O artista já dividiu palco com Marcel Dettmann e é um dos brasileiros escalado para o conceituado festival Dekmantel São Paulo, em março.

Binaryh

Binaryh Live

Descoberto pela conceituada gravadora berlinense Steyoyoke, o Binaryh fez parte neste mês da tour do selo no Brasil. A característica da dupla formada por Camila e Rene é de um conjunto sonoro intenso e imersivo, que recentemente desenvolveu sua apresentação em formato live.

Primeiros brasileiros a lançarem pela sublabel Steyoyoke Black, em apenas uma semana seu EP de estreia, Primary Code, estava entre o Top 40 de techno do Beatport. O duo já tem as suas primeiras datas na Europa confirmadas para este primeiro semestre.

Tarter

O catarinense é um dos destaques da cena techno no Sul do país. Suas produções já receberam suporte de nomes como Richie Hawtin, Joseph Capriatti, Sam Paganini e Renato Ratier. Parte do seleto time da conceituada D.AGENCY e cocriador da gravadora Urban Soul, voltada ao techno e suas vertentes, ele busca o fortalecimento do gênero no Brasil.

Convidado a apresentações no Club Vibe, Warung Beach Club, Tribaltech e grandes noites no D-EDGE, tem um relacionamento próximo com importantes núcleos de sua região. Neste ano, fará a estreia de seu primeiro live show.

Danny Oliveira

Reconhecido como um dos produtores brasileiros mais respeitados na cena internacional na década passada, seu alter ego DNYO o levou a se apresentar por anos em países como Canadá, Argentina, Alemanha e Holanda. Também lançou pela gravadora Last Night On Earth, de ninguém menos que Sasha, remixando “Cut Me Down”, um dos maiores clássicos do ícone britânico. O paulista se dedicou nos últimos anos a trabalhar como engenheiro de áudio através de sua empresa Konker, especializada em mixagem e masterização. Após alguns anos de hiato, Danny está recomeçando sua carreira e nesse mês iniciou uma nova label chamada DSR (Deep Space Records).

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

10 festas para pular o Carnaval 2018 em ritmo eletrônico

Luckas Wagg

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Da EDM ao techno, confira dez boas dicas para curtir a festa mais popular do Brasil com muita dance music

O verão no Brasil sempre ferve com festas por todo o litoral, especialmente no Carnaval. Se você prefere curtir o feriado com uma marchinha eletrônica, então se liga nessas 10 dicas.

Tem atrações internacionais, da EDM ao techno, e grandes nomes do Brasil em diversos lugares, de clubes a praias, com lineups bem expressivos. Confira:

SUNFLOWER FESTIVAL

A terceira edição do festival acontecerá no dia, 11 de fevereiro, um domingo a partir das 16h, com sete expoentes brasileiros: Bruno Martini, ILLUSIONIZE, Chemical Surf, KVSH, Joy Corporation, Nato Medrado e o duo Two Birds. A grande atração confirmada é Armin van Buuren, que promete agitar o Mirante Beagá.

TERRAZA MUSIC PARK

Quem estiver em Florianópolis pode curtir o carnaval no Terraza Music Park, que já anunciou o DJ Luciano para embalar a noite do dia 12 de fevereiro com muito techno. Aninha, Ney Faustini e Ricardo Lin completam o time.

P12

A “ilha da magia” também recebe o Carnaval no famoso Parador 12, que já confirmou Alesso, Steve Angello, Claptone, Elekfantz e o eterno Bob Sinclair para os dias 10, 11, 12 e 13 de fevereiro.

BLOCO DA PUMP MANAUS

PUMP Santarém

Na capital da Amazônia, a festa está garantida no Bloco da PUMP, que neste ano traz Cat Dealers, JØRD, Chemical Surf, Doozie e Albie, além de um trio elétrico. O bloco vai dominara orla da ponta negra em Manaus no dia 13 de fevereiro, a partir das 14 horas.

CARNAVAL WARUNG

Warung 15 anos review

Já o Warung Beach Club, em Itajaí, vai fazer três dias de Carnaval com selos internacionais. Do dia 10 ao dia 12, a Rumors, a Spectrum e o Circo Loco irão tomar conta do “Templo” com Joris Voorn, Seth Troxler, Recondite (live), Guy Gerber, The Martinez Brothers, Gromma, Albuquerque e Eli Iwasa, entre outros (confira a agenda completa no site oficial).

CARNAVAL LAROC

Em Valinhos, no interior de São Paulo, o Laroc Club recebe ninguém menos que Alesso, no dia 10 de fevereiro, Kungs no dia 11, e Armin van Buuren no dia 12. O sunset club também escalou Bruno Martini como convidado especial, além de Wrechinski, Nato Medrado, Rodrigo Vieira e os residentes CIC e Renato Naya.

CAMAROTE SALVADOR

Dos dias 08 a 13 de fevereiro, o Space Club vai fazer parte do Camarote Salvador 2018 com inúmeras atrações. Além das residentes do duo NERVO, estarão presentes Vintage Culture, RICCI, Bruno Be, Ale Rauen, Steve Angello, Alesso, KVSH, Robin Schulz e a herdeira milionária Paris Hilton. Através de uma parceria com o recém-inaugurado Nanö Beach Club, o evento também recebe Cady, Kesia, Yves V, Romeo Blanco, Diefentaler e AJ Perez.

RIO MUSIC CARNIVAL

Rio Music Carnival 2018

Entre 09 e 13 de fevereiro, a Marina da Glória recebe o Rio Music Carnival, com mais de 20 artistas confirmados. Entre eles estão Alesso, Groove Delight, Dashdot, GABE, FELGUK, Diplo, Armin van Buuren, Tropkillaz, além de um dia com o Baile do Dennis. Através de promoção exclusiva pela Phouse, você pode comprar ingressos para duas dessas datas com 20% de desconto.

CARNAVAL HABBITAT

O novíssimo clube catarinense Habbitat traz o seu conceito all day living para o Carnaval. Por ora, as atrações são Kaskade, Claptone e a suíça Nora En Pure. Mais nomes ainda serão revelados.

CARNAVAL GREEN VALLEY CIRCUS

Com o tema “Circus”, o Green Valley vai se tornar em um picadeiro a céu aberto nos dias 10 e 12 de fevereiro. Vintage Culture e Steve Angello comandam o palco principal, acompanhados por Dashdot, Bruno Be, Aninha, VINNE e Thiago Mansur. Os palcos Underline_ e Lagoon completam o cardápio com vertentes de techno e psytrance, respectivamente. L_cio, Skazi, Fabrício Peçanha, Berg, Any Mello e Special M são algumas dessas atrações (confira todos no site oficial).

* Luckas Wagg é CEO da Phouse.

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Entrevista

EXCLUSIVO: Bruno Martini revela seus principais lançamentos para 2018

Flávio Lerner

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Bruno Martini 2018
Martini com o conceituado produtor americano Timbaland, com quem deve lançar álbum no segundo semestre
Da nova música com o Zeeba ao álbum com Timbaland, passando por collabs com Sunnery James & Ryan Marciano, Dennis DJ e lenda do hip hop

Nesta sexta-feira, 26, Bruno Martini vai lançar uma nova collab com Zeeba. Chamada “With Me”, a faixa chega via Aftercluv Dancelab, e além de celebrar o poder da amizade, integra campanha de conscientização e luta contra o câncer. Em contato com a coluna, o produtor — que teve uma ascensão meteórica em 2017, se tornando um dos principais novos expoentes da cena eletrônica/pop nacional — revelou em primeira mão que ele e Zeeba vão usá-la para ajudar o Instituto Vencer o Câncer, fundação sem fins lucrativos que ajuda na prevenção e divulgação de informações sobre a doença.

“A música chega nessa sexta, e no dia 04, que é o Dia Mundial do Câncer, vamos lançar o videoclipe, com uma campanha nas nossas redes pra recolher fundos pra essa instituição”, disse Martini. “Eu tive um priminho que teve câncer e isso me marcou muito. Eu lembro que pra ele vencer a doença, foi muito importante a ajuda das pessoas em volta dele, família e amigos. Por isso, a ‘With Me’ celebra também a amizade, nos momentos difíceis e nos de alegria. Minha vida mudou drasticamente de um ano pra cá, viajei o mundo inteiro tocando em diversos lugares, e foi muito importante minha amizade com o Zeeba ter se mantido, porque a gente se ajudou bastante nesses momentos de correria e solidão. Queríamos fazer uma música falando disso.”

Dirigido pela dupla Hymalayas, o vídeo foi gravado em São Paulo e traz justamente a história de um homem que precisa superar o câncer. Ainda segundo o artista, parte dos lucros da venda do single também serão destinados ao Instituto.

Preview exclusivo da faixa, cedido por Bruno Martini para a Phouse

Lançamento com o Dennis DJ

“With Me” é apenas o primeiro passo de um ano que promete bastante para o músico, que tem em 2018 uma temporada de confirmação. Ainda para este primeiro semestre, ele revelou que devem sair diversos outros singles, todos frutos de parcerias peculiares. O próximo, aliás, já pôde ser conferido pelos fãs em um post recente no Instagram: “Sou Teu Fã”, feita em conjunto com o Dennis DJ e o cantor Vitin, da banda de reggae Onze:20. O vídeo traz alguns segundos da apresentação da música sendo tocada no Baile do Dennis em Guarapari, Espírito Santo, para mais de 20 mil pessoas.

“Sou muito amigo do Dennis. Quando ele me mandou essa música, há mais ou menos um mês, eu achei foda demais, falei que queria trabalhar nela. Depois, pensamos na hora em chamar o Vitin pra fazer o vocal”, continua. “Rolou uma puta sinergia entre nós três. O resultado junta um pouco de cada um: é meio MPB com eletrônico e uma pitadinha de funk, uma parada mais praia. É a primeira música que faço em português nessa nova fase da minha carreira, e tô empolgadão com ela. Inclusive, comecei a tocá-la nos shows do ano-novo e é impressionante: a galera não conhece, mas chega na segunda parte do refrão e já sai cantando junto. Nunca tinha visto isso.”

Segundo o Bruno, essa collab deve sair logo depois do Carnaval, ainda em fevereiro, e também vai ganhar um videoclipe. Quando o perguntei se não se preocupava com as críticas — que certamente virão — por se juntar a um artista de funk, ele se mostrou bastante tranquilo. “Eu acho legal essa mistura. As pessoas criticam o funk porque não entendem de onde ele vem. Você tem que respeitar todos os estilos, suas histórias. E hoje em dia, com essas plataformas digitais, a galera mais nova escuta de tudo: sertanejo, funk, house… Tenho duas irmãs menores, e é impressionante. Então a união dos estilos vai acontecendo. Na época do vinil e do CD, a gente economizava nosso salário pra comprar o que queríamos ouvir. Era um pouco mais fechado. Hoje, você confere no Spotify o top 50 da Rússia, da Noruega, consegue ouvir tudo que rola no mundo inteiro.”

Bruno Martini 2018

Cena exclusiva do clipe de “With Me”, que será lançado no próximo dia 04

Collabs com gringos, lenda do hip hop e álbum com o Timbaland

Outra collab na ponta da agulha e prevista para este primeiro semestre é a faixa “Savage”, feita com Sunnery James e Ryan Marciano. Martini explica que conheceu a dupla em gig no Laroc, fortaleceu os laços com eles no Tomorrowland e recebeu convite pra dividir estúdio em Amsterdã. Depois dela, pretende lançar em seguida outro som, feito com o expoente chinês Carta.

Mas o lançamento que tem tudo para ser o protagonista neste 2018 de Bruno Martini deve chegar no segundo semestre: um disco com o Timbaland, um dos mais aclamados produtores do universo pop atual. “O Timbaland é meu herói. Gravei com ele no estúdio em Los Angeles onde o Michael Jackson gravou ‘Thriller’, foi do caralho. Era pra ter durado dois dias, mas acabamos ficando a semana toda produzindo esse álbum”, segue Bruno, revelando que foi procurado pela equipe do próprio Timbaland depois do lançamento de “Living on the Outside”. “Ficamos bem amigos e fizemos uma parada muito maluca, unindo o que cada um de nós faz de melhor, e o resultado ficou muito legal, bem diferente do som que eu normalmente faço. Tenho certeza que as pessoas vão ficar bem surpresas com o que a gente fez. Tô bem empolgado pra este ano.”

No estúdio com o lendário Afrika Bambaataa

Como se não fosse o suficiente, o brasileiro ainda tem mais uma carta na manga: uma collab com o lendário Afrika Bambaataa — um dos pioneiros do hip hop —, que ainda não tem previsão para lançamento, mas tem boas chances de chegar ainda em 2018. Como já havia revelado no ano passado, Martini tem amizade antiga com o Bambaataa; chegaram a gravar um som juntos quando o rapaz tinha apenas 18 anos, e agora aproveitou a vinda mais recente do rapper ao Brasil para gravar um novo som. “Sou amigo de um MC dele, de Nova Iorque, e o conheci quando ele veio pro Brasil, há um tempinho. Agora ele voltou pra cá, me ligou e a gente fez um som novo, bem hip hop old school mesmo [risos]! Respeito muito e aprendo muito com ele”, concluiu.

* Flávio Lerner é editor da Phouse; leia mais artigos de sua coluna

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