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REVIEW: DGTL São Paulo, uma noite inesquecível

Júlia Gardel

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O DGTL chegou em São Paulo fazendo história. É difícil colocar em palavras o que foi a noite do último sábado (6). Dizer que foi como uma viagem a um novo universo talvez ajude a resumir a esfera que esse festival criou. Conhecido por seu florear artístico, que conecta a inovação moderna à nostalgia industrial, o DGTL é hoje um dos mais conhecidos festivais de techno da Europa e do mundo. Acontece em Amsterdã, Barcelona e agora no Brasil.

A imagem pode conter: noite e show

O que rolou em São Paulo foi inesquecível. Como diz o próprio festival, através da música, arte e produção, o evento consegue cumprir seu objetivo de manter o público sempre na sede por mais, proporcionando uma sensação inspiradora, cheia de descobertas e surpresas. Uma experiência única.

A imagem pode conter: 3 pessoas, multidão (Foto do DGTL /Facebook)

Sua preocupação em mesclar os maiores nomes da arte, da música e as melhores tecnologias dentro de um espaço inovador e industrial foi perfeitamente concluída. Começando pelo local — uma fabrica abandonada que possui historia desde 1950 —, a chamada Fábrica DGTL foi o lugar perfeito, como eles já haviam antecipado:

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“A Fábrica DGTL é um gigantesco complexo de galpões que já abrigaram diversos tipos de fábricas. Espaçoso, com uma arquitetura bruta e atmosfera industrial, é o lugar ideal para receber não apenas alguns dos melhores artistas do planeta como para exibir as instalações e projetos artísticos que fazem parte do festival” — DGTL Festival (Site).

Para o DGTL, projetos culturais e artísticos possuem um papel muito importante na sua proposta de envolver e engajar seus visitantes. Por isso, durante o evento, várias instalações de arte foram vistas. A de Muti Randolph buscava observar as relações entre linhas que se sobrepõem no espaço. À medida que as pessoas iam caminhando, as sobreposições iam mudando.

A imagem pode conter: área interna

Modular Dreams, da dupla Priscilla Cesarino e Danilo Barros, era uma parede mapeada digitalmente com projeções ao vivo. A Sala 28, formada pelo duo paulistano Junior Costa Carvalho e Rodrigo Machado, foi responsável por dois projetos: o do corredor luminoso e o do palco Modular, onde foram utilizados 180 metros de LED digital, controlados pixel a pixel por meio de um software áudio reativo desenvolvido pelo próprio estúdio. As luzes eram projetadas por meio de quatro espelhos motorizados em constante movimento.

A imagem pode conter: noite e atividades ao ar livre(Modular Dreams – foto do DGTL/Facebook)

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé e área interna (Corredor de LED’s feito pelo projeto da Sala 28)

Foram três palcos muito bem localizados: o Modular, o Generator e o Frequency, que alimentaram o evento com muita música boa durante as quatorze horas de festival, sem nenhuma interferência de som. Da entrada, o palco mais próximo era o Modular, que contou com um design incrivelmente lindo, todo de LED, como citado, trazendo como primeira impressão uma sensação de dimensão e profundidade sem igual. Era realmente apaixonante olhar a estrutura. Uma grande viagem hipnotizante admirar toda aquela dimensão de lâmpadas de LED.

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“No palco Modular não era apenas ouvir a música, era conectar-se com o lugar!” – Michelly Pomini (Participante do Evento)

O palco Generator conteve painéis de LED e o maior atrativo foi a iluminação da pista. Várias fileiras de luz foram dispostas, com diversas configurações durante todo seu funcionamento, trazendo um aspecto de iluminação bem diferente ao público.

Já quem gosta de um ambiente aberto, gostou do Frequency — um palco decorado com madeira e folhas, formando um ambiente bem natureza, criado por Beto Tancredi. Entre grandes árvores e por cima de um gramado, contou com uma decoração natural e três “arquibancadas” de acesso livre ao público, para diferentes perspectivas: uma atrás do palco e duas em suas laterais. Todas as árvores foram iluminadas, e durante alguns momentos eram inclusive sincronizadas com o som da pista.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, multidão, noite e atividades ao ar livre

“O palco Frequency foi bem diferente dos outros, principalmente na questão da música em si. Passei horas lá sem conseguir sair, o som estava maravilhoso, cativou todas a pessoas presentes. O ambiente estava lindo, o público sensacional e os DJs estavam ARREBENTANDO” — Arthur Peixoto (Participante do Evento).

O que mais admirei em todo o planejamento foi a preocupação do festival com alguns detalhes, os quais fizeram toda a diferença. Primeiro no seu engajamento: a cada semana um vídeo novo era publicado nas redes sociais, gerando expectativa e chamando atenção. Essa proximidade com o público, o suspense e a interação foram fundamentais — inclusive na parte de deixar cada detalhe do evento devidamente explicado.

Além disso, uma das propostas do DGTL é ter um impacto sustentável no universo dos festivais. Conscientes do impacto social e ambiental que possuem, trabalham com parceiros para espalhar essas mensagens cada vez mais. O festival trouxe, por exemplo, o seu conceito dos copos e garrafas não descartáveis: você comprava um copo personalizado por quatro reais e o reutilizava, evitando o descarte. No final, se você quisesse o seu dinheiro de volta, era só devolvê-lo.

As garrafas custavam quatro reais a mais no preço da água, na segunda, ao devolve-la ao bar você não pagava novamente. Esquema semelhante foi visto com os cartões do sistema cashless, que tem se feito cada vez mais presente nos festivais. O cartão custava cinco reais.

A estrutura, enfim, foi perfeitamente planejada. A quantidade de bares foi suficiente e a de caixas também, principalmente por causa dos caixas moveis. Embora houvesse nove mil pessoas, a demanda foi muito bem atendida, os atendimentos foram rápidos e tudo em ordem. Uma grande quantidade de banheiros foi disponibilizada, tanto químicos quanto em contêineres, com espelho e até mesmo pias. Mas poderiam ter sido do lado de fora para evitar o mau cheiro.

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Um fato me surpreendeu. Na área de alimentação havia três food trucks, porém todos veganos. É muito difícil ver em grandes festivais opções vegetarianas e principalmente veganas. Pela primeira vez em um festival no Brasil o público vegetariano foi privilegiado — com direito a barraca de batata frita, pra quem se perdeu nas opções.

“Quando percebi que a comida da barraca era vegetariana fiquei feliz demais! Eu me senti muito realizada. Não só por me ver representada no evento, mas por ele ter ideologia sustentável.” – Lorena Camargo (Participante do Evento)

O cardápio foi variado: batatas fritas com molho e um topping de sua escolha (como bacon de soja); tacos mexicanos com salada de repolho, guacamole e pimenta; hambúrgueres de tofu, de feijão vermelho ou de shitake, entre vários outros ingredientes, a vinte reais; e falafel no pão sírio ou na folha de couve, por dezoito reais.

A imagem pode conter: 2 pessoas, noite

A parte difícil chega quando tento citar o melhor set da noite, o que obviamente é impossível. Foram quatorze horas repletas de grandes nomes, tanto nacionais quanto internacionais, que trouxeram em três palcos diferentes perspectivas do nosso amado techno, em diferentes proporções de emoção, amor e vibração pela música. Foi encantador — uma honra e um prazer — poder presenciar tantos nomes incríveis juntos no DGTL; foi arrepiante da cabeça aos pés.

Carol Mattos fez corações palpitarem de emoção no palco Modular. Juntando a emoção de se viver um dia histórico à energia do seu set e ao cenário hipnotizante, nada poderia ter sido mais perfeito.

A imagem pode conter: noite (Patrice Bäumel tocando no palco Modular)

Tati Pimont aqueceu muito bem a sua pista, que aguardava pelo espetáculo do Teto Preto, um show que reuniu diversos fãs e que surpreendeu a muitos com sua apresentação intensa e única, envolvendo também um show corporal por parte da vocalista Laura Diaz e do dançarino Loic Koutana. Como sempre, Teto Preto fazendo um show fora da caixa.

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“A todos aqueles que disseram não ir cedo para o DGTL, sinto muito, mas perderam a identidade incrivelmente poderosa do expoente da cena de Techno paulista do Teto Preto, um live instrumental arrasador misturado com performances de cair o queixo!” – Gustavo Binembaum (Participante do Evento)

A grande Eli Iwasa, por sua vez, mais uma vez deixou a pista sem palavras. Trouxe tudo do bom e do melhor durante suas duas horas de set que pré-aqueceram nossas mentes ao Patrice Bäumel, que verdadeiramente deu um show no Modular! Um show intenso do começo ao fim.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas no palco e show

Tama Sumo em seu b2b com Lakuti fez um set de três horas muito bem construído, alternando bem as tracks e fazendo a pista toda dançar sem parar por um instante. Apparat conseguiu administrar muito bem seu set mantendo o estilo do Patrice no começo e aos poucos introduzindo seu ar mais alternativo e melodico até entregar a pista ao Mind Against. Encerrou com chave de ouro tocando três tracks que fizeram a pista ir aos céus.

A imagem pode conter: 1 pessoa, sentado, barba e área interna

“Apparat veio numa pegada bem diferente dos outros djs, o que me agradou muito. Teve breakdown, downtempo, techno, o cara conhece demais!” – Melanie Havens (Participante do Evento)

Sobre o Mind Against, o dia que eu conseguir explicar para mim mesma o que foi aquele set, eu conto para vocês. Estou até agora tentando entender o que eu ouvi, um verdadeiro espetáculo dessa dupla que realmente fez todo mundo se emocionar.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas

Carl Craig, o rei do techno de Detroit, lotou o Generator de gente até não poder mais. Ninguém conseguiu ficar parado e todos fizeram o máximo para ver todo o seu set bem de pertinho. De fato fez historia — principalmente quanto tocou “Sweet Dreams”.

A imagem pode conter: 1 pessoa, sentado

“O que esse cara fez foi indescritível, não é a toa que é o rei de Detroit. Em todas as tracks a galera ia à loucura, principalmente quando ele tocou ‘Wings‘ do Armand Van Helden, que tem um vocal super antigo da música ‘I won’t let you down’ de Ph.D. Craig soube comandar a pista e fazer todos dançarem sem parar. Para mim foi o melhor da noite.” – Melanie Havens (Participante do Evento)

Derrick May, não preciso nem dizer, foi um sucesso. Fez um set sensacional, que junto com toda aquela iluminação segurou a pista até o fim. Para muitos, foi bem difícil sair de lá para ver o Recondite.

“Derrick May foi sem duvidas, para mim, o nome da noite! Trazendo para nós aquele pedacinho de Detroit em seu Techno industrialmente inconfundível e mixagens de tirar o folego.” – Gustavo Binembaum (Participante do Evento)

Agora, Recondite é Recondite, não tinha como perder. Quem conseguiu e saiu do Derrick May para ver o careca botar para quebrar, provavelmente não se arrependeu. Resultado? Não está escrito no céu o que foi essa live. O produtor colocou a pista no chão e levou as mentes para o espaço. Um live impecável, imperdível e memorável.

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“Seu live foi porrada do começo ao fim, transições perfeitas e tracks impressionantes que deixaram todos de queixo caído. Quando ele tocou Phalanx (minha track favorita) só faltou eu pular a grade para beijar sua careca, ele superou todas as minhas expectativas junto com DGTL.” – Diego Freitas (Participante do Evento)

Vril foi mais um que trouxe ao público do Generator um live de responsabilidade. Dividiu seu horário com Âme, que também não tem nem o que comentar. Âme deu vida ao amanhecer de domingo com suas tracks melódicas e ao mesmo tempo intensas, do jeitinho que seus fãs gostam. Foi um belo começo de manhã.

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“O live do Vril foi de longe um dos momentos mais marcantes da noite de sábado, ele conseguiu superar toda e qualquer expectativa que eu tinha. Ele conseguiu dominar a pista e levar a galera à loucura a cada track que ele virava mixada com outra e essa mistura sempre resultava em algo extremamente impactante! Fui surpreendida, mal posso esperar para ver ele denovo!” – Jéssika Rodrigues (Participante do Evento)

Ryan Elliott, Speedy J e Davis parecem ter finalizado as três pistas da melhor maneira possível. Para quem conseguiu escolher em qual dos três palcos encerrar a noite, meus parabéns, porque realmente foi difícil.

A imagem pode conter: 1 pessoa, no palco, show e área interna

“Transitando do techno ao house com extrema técnica e maestria, com ênfase na house music, Ryan Elliott mostrou para o que veio. Foi uma finaleira digna de um palco tão bonito quanto foi o Frequency. Ryan resgatou tracks clássicas difíceis de serem tocadas nos dias de hoje e ao mesmo tempo mesclou com novas, o resultado foi de um set impecável. A emoção do americano foi tão grande que acabou tocando 1 hora a mais do que o esperado com um grande sorriso no rosto e de alma lavada.” – Lucas Lifschitz (Participante do Evento)

Em suma, apesar de não estar cem por cento expresso em palavras o que foi realmente a sensação de vivenciar essa experiência, é fundamental encerrar parabenizando todos os responsáveis e organizadores do DGTL São Paulo por toda a produção e organização do evento. O festival foi realmente indescritível e muito bem articulado do começo ao fim. O lineup foi montado de uma maneira preciosa com grandes produtores do mundo todo.

“Meses de espera nunca valeram tanto a pena. Um festival em que sua essência foi a fusão de uma organização europeia de ponta ao som de um techno vibrante que cada vez mais conquista nossos corações.” – Gustavo Binembaum (Participante do Evento)

Acredito que o evento tenha alcançado a expectativa da maioria de seus participantes, e isso não é algo fácil de fazer. Por isso, os parabéns, e que tenha uma vida longa no Brasil, pois o público aguarda ansioso uma próxima edição. Vai ser difícil alguma festa superar tão cedo a sensação e a experiência que o DGTL nos trouxe.

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Executivo próximo a Avicii fala sobre novo álbum, segredo do sucesso e comportamento peculiar do artista

Phouse Staff

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Lonely Together
Foto: Reprodução
O presidente da Geffen Records fez revelações importantes sobre os bastidores do trabalho com o músico

Neil Jacobson, presidente da Geffen Records — selo que lançava as músicas de Avicii —, deu uma entrevista bastante profunda e esclarecedora para Shirley Halperin, da Variety, logo após a morte do artista. Jacobson trabalhava como A&R de Avicii desde que fechou contrato com a Interscope (selo-mãe da Geffen) para “Levels”, e, portanto, era uma das pessoas mais próximas dele.

Na entrevista, o executivo revelou que um novo álbum estava muito perto de ser lançado, que conversou com o sueco dois dias antes da sua morte, e falou sobre como o enxergava como um músico genial, pioneiro e diferenciado, que tinha como grande trunfo a capacidade de criar grandes melodias.

Confira algumas das melhores declarações de Jacobson para a Variety, em tradução feita pela Phouse:

— Trabalhei com o Tim por muito tempo. Ele era o meu cara. […] Foi um grande amigo, um grande garoto. Tenho cuidado em não cometer exageros com essas declarações porque isso é algo fácil de se fazer quando alguém falece, mas pode falar com qualquer pessoa que o conheceu e vão te dizer que ele era um garoto bom e gentil.

— Tim era um artista original. […] Ele era muito consciente sobre o que estava rolando, e muito interessado em seguir um caminho diferente. […] Sempre tinha um pé no momento atual e o outro em algo completamente diferente e inesperado.

— A primeira vez que ouvi falar nele foi no Identity Festival, por volta de 2010. […] Escutei “Levels” e fiquei tipo, “caramba, isso é grande”. Era uma grande música, um grande sample, uma grande ideia, um grande drop. E você olhava pra ele e ele tinha aquele look incrível — a camisa xadrez, o cabelo loiro, a grande música. Tinha um ar de que você não podia chegar perto dele, e esse mistério foi mantido no primeiro ano, quando “Levels” não parava de crescer. Foi o grande surgimento da EDM, a dance music moderna, e ele surfou aquela onda como um profissional. Ele estava bem em frente a ela.

— O grande lance do Tim era o seu senso incomum para melodias — do tipo que grudam na sua cabeça. […] Seu ingrediente secreto era a sua melodia. O seu entendimento sobre ela, como identificá-la. Ele sempre escolhia a correta, sempre sabia como dirigir os cantores, em como eles deveriam entrar e sair de cada vocal. Ninguém fazia o que o Tim fazia, e eu acho que é por isso que ele seguiu tendo hit atrás de hit.

— [Sobre o novo álbum]: Estávamos trabalhando nele, e era o melhor material do Avicii em anos, pra ser sincero. […] Ele estava muito inspirado e empolgado. Tivemos um mês de sessões no estúdio, e tínhamos que delimitar horários de encerramento, porque se deixasse, o Tim ia trabalhar por 16 horas seguidas, era a natureza dele. Você tinha que tirá-lo disso, tipo: “Tim, vamos lá, vai dormir, descanse um pouco”. É uma tragédia. Tínhamos esse músico incrível, mágico.

— [Sobre o futuro do álbum]: Não faço ideia do que vai ser agora. Vou dar um tempo e trocar uma ideia com a família dele, depois que as coisas se acalmarem. […] Vamos tentar pegar alguma recomendação da família e então trabalhar pra fazer algo que ele gostaria que fizéssemos.

— [Sobre colaborações no álbum]: Sim, há algumas. Prefiro não dizer quem são. O Tim tinha uma lista de pessoas com quem ele gostaria de trabalhar nesse disco. Na verdade essa foi a última coisa que conversamos, dois dias antes [da morte do artista]. É meio assustador.

— Sim, ele era um perfeccionista, um workaholic. Até que ele fosse para o lado oposto. Por que ele estava em Omã? Eu estava, tipo: “Tim, onde fica Omã? Eu nem faço ideia”. E ele: “Eu vou pra Omã. Vai ser divertido”. Este era ele: trabalhava muito forte e então dava meia volta como se fosse um piloto de guerra.

— Quando estávamos lançando o último EP — porque nós conversamos muito sobre o futuro da música, sobre não ser mais sobre álbuns nem singles, e por isso decidimos lançar em pequenos blocos —, logo antes de termos tudo pronto e entregue, eu ficava martelando na cabeça dele todos os dias. Como o cara do A&R, eu preciso ter o disco pronto. De repente, ele pega um avião e vai pra Machu Picchu. Não tivemos notícias por três dias. E aí ele posta um vídeo de uma lhama no Instagram com “Friend of Mine” tocando ao fundo. Claro, ele estava certo. Seus fãs enlouqueceram, aquilo viralizou na internet, virou o trending topic número um em tudo que é canto. Promoveu perfeitamente o disco de Machu Picchu. Este era ele. Tipo: “Sério, Tim? Uma lhama?”

— [Sobre voltar a fazer shows]: Volta e meia a gente tocava no assunto. “E se você fizesse esse show?” Ele respondia: “Não, não, não. Não vou voltar a tocar, mas se eu fosse fazer algo, provavelmente seria aparecer de surpresa num clube underground, só pela diversão”. Ele sentia falta disso, de discotecar. Ele amava a dance music. Você quer enlouquecer? Vá para o meio dos fãs em um show do Avicii. Ele entendia o fluxo e o refluxo de um set, como fazer as pessoas dançarem, como diminuir a intensidade e depois trazer elas de volta. Você acabaria chorando durante três quartos do show e sem saber por quê. Era isso que ele fazia, esse era o seu talento.

— Se o Avicii voltasse a tocar em um ou dois anos, acredito que o cachê seria um número de sete dígitos, só pra começar. Tem tantas pessoas que gostariam de vê-lo, de dançar e enlouquecer num show dele. Teria sido lindo.

— [Sobre os problemas de saúde e especulações de abuso de drogas]: Não posso falar muito sobre isso porque eu não sei. Posso dizer o seguinte: se algum desses rumores fosse verdade, acho que eu teria visto algo. E por mais que eu estivesse o tempo todo em volta dele, nunca vi nada disso. Ele não fazia festa. Ia para um clube para ouvir o DJ.

— [Respondendo sobre o que mais vai sentir falta na ausência do Avicii]: Não vou sentir falta dele me ligando às 04h15 da madrugada (risos). Ele não entendia o tempo, não fazia sentido pra ele. Era uma pessoa noturna, e não compreendia os limites dessa questão. Só posso falar sobre sua música e sua força criativa no estúdio. Seu respeito pela arte, pela criatividade. Ele lutou para ser um grande artista. Nunca foi algo como “essa música já está boa, vamos embora”. Tinha que ser excelente, e eu vou sentir falta disso.

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Em novo e emocionado depoimento, família indica que Avicii cometeu suicídio

Phouse Staff

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Avicii suicídio
Foto: Reprodução
Família Bergling soltou novo comunicado para o público nesta quinta-feira

Dois dias depois de soltar seu primeiro comunicado para a imprensa, a família de Avicii voltou a falar — e desta vez, a mensagem foi bem mais reveladora. No novo comunicado, ao dizer que o músico “não conseguiu ir além” e “queria encontrar paz”, a família Bergling dá a entender que o DJ teria cometido suicídio.

Confira o depoimento na íntegra, em tradução livre feita pela Phouse:

Estocolmo, 26 de abril de 2018

Nosso amado Tim estava em busca de algo. Era uma alma artística frágil que procurava encontrar respostas para questões existenciais. 

Um perfeccionista que viajou e trabalhou duro em um ritmo que levou a um estresse extremo.

Quando ele parou com as turnês, queria encontrar um equilíbrio na vida entre ser feliz e conseguir fazer o que ele mais amava — música.

Ele realmente enfrentou muitos pensamentos sobre sentido, vida e felicidade.

Ele não conseguiu ir além.

Ele queria encontrar paz.

O Tim não foi feito para a máquina de negócios em que ele acabou se encontrando; era um cara sensível que amava seus fãs, mas evitava os holofotes.

Tim, você será amado para sempre, e deixa muitas saudades.

A pessoa que você era e a sua música vão manter sua memória viva.

Nós te amamos,

Sua família.

Tim deixa seus pais, Klas e Anki, seus dois irmãos, Anton e David, e sua irmã, Linda. O músico foi encontrado sem vida na sexta-feira passada (20), no Muscat Hills Resort, em Omã.

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