Review EOL Festival
Foto: Gustavo Remor/Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Com pompa de festa gringa e alta expectativa envolvida, o Elements Of Life Festival chegou ao Brasil no último sábado, dia 10. Original da Flórida, nos Estados Unidos, a label estreou no Brasil com Claptone, Gui Boratto, Sharam, Yaya, Hector e toda a crew Vatos Locos, além dos “local heroes” de Curitiba.

A cidade, que é um dos principais pólos da música eletrônica no país, e conhecida por ser um tanto fechada, recebeu o novo evento de braços abertos, a considerar pela quantidade de público presente e que prestigiou as três pistas até o amanhecer.

“Foi um festival que investiu em nossa Redoma de forma respeitosa, fazendo ser possível um dia e uma noite em um palco surreal e artístico” — Lourene Nicola, idealizadora e desenvolvedora da irreverente Redoma.

Com o retrospecto fora do país, não era de se esperar nada diferente do que uma chegada bombástica. Com um lineup poderoso, o EOL Festival conseguiu trazer uma mistura relevante de DJs internacionais pesos-pesados com um recorte do que está rolando de mais interessante na capital do Paraná: os núcleos Redoma, Laguna Music e 4×4.

O local escolhido para o evento foi a Usina 5, mais novo espaço dos super eventos em Curitiba — local que abrigou as duas últimas edições do TribalTech, entre outros. Trata-se de uma antiga fábrica abandonada, repleta de galpões e toda uma estética undeground, porém estruturada para receber bem os convidados com banheiros, chapelaria, bares e toda a infra necessária, em quantidade adequada.

“Tudo foi muito bem organizado, os bares todos sem fila, bebidas geladinhas… Os palcos ficaram bonitos, principalmente o Main Stage. Achei foda demais!” — Mayara T., fã de música eletrônica.

No quesito organização e distribuição dos espaços, o festival já começou bem. Os artistas selecionados pela curadoria e a forma como o evento se apresentou ao público mostraram o empenho da produção, inclusive já de olho na próxima festa que rola em dezembro, em Maringá, no interior do Paraná.

O palco principal foi coisa de cinema, montado num mega galpão com farto espaço de bares e camarotes. Uma estrutura no centro deu o tom da cenografia futurista que envolveu a proposta. Nesse palco, comandado pelo mestre Gui Boratto — que destilou toda a sabedoria contida no seu último álbum Pentagram, entre outras de suas pérolas mágicas —, um dos artistas mais esperados não veio: wAFF, cancelado de última hora.

“Foi uma festa única que tivemos o prazer de participar. Muito linda toda a produção e o cuidado com os nossos artistas. Nos sentimos em casa para fazermos o nosso melhor e conseguimos capturar ótimos momentos que ficarão em nossa memória. Ao público que dançou com a gente a noite toda e foi vibrante do início ao fim, só podemos dizer: muito obrigado por tudo!” — Nassur, do núcleo 4×4.

Claptone é sempre destaque. Com uma legião de fãs, o artista saboreou uma pista que sabia o que queria: uma dessas músicas com certeza era “Animal”, com o Clap Your Hands Say Yeah — se você se ainda não escutou, vai escutar por aí. Fato. O italiano Yaya foi o único DJ inédito em Curitiba a se apresentar nessa pista, e também foi um dos melhores, trazendo uma mistura entre house e techno com groove. Todo mundo dançou.

Pertinho dali, no meio da festa — literalmente —, a pista construída sob os alicerces dos núcleos Redoma e 4×4 bombou a noite toda. Loop Room, Gianis, Kontra, Nassur e Nati Macedo têm feito um ótimo trabalho e isso reverberou na pista, pronta para essa noite divertida e contestadora. E não é? Rave é contestação, ainda mais nos dias atuais, com o Brasil bastante dividido. Redoma é contestação também, com toda uma estética específica e que traz à tona os sentidos e sentimentos mais profundos. Curto muito o som da Lourene Nicola, que movimenta-se no eixo Curitiba–Rio–SP com frequência, e sempre traz um som com a identidade dela, cada vez maduro e único. Show.

“Sem palavras pro Elements of Life Festival! Sem dúvida, um grande momento da minha carreira e da Laguna Music, que jamais esquecerei!” — Petri, um dos cabeças da Laguna Music.

Já o terceiro palco teve como anfitrião o projeto Laguna Music, que frequentemente exporta seus artistas Caoak, Thariel B, Petri e Canci para outros estados do Brasil. O som estava alinhado para receber o grande destaque da festa: Vatos Locos, pela primeira vez no Brasil. Formada por David Gtronic, Hector, Randal M, Floog e Chad Andrew, a crew espanhola estreou no BPM Festival 2015, e desde então se tornou sucesso por onde passa — do México a Ibiza a Berlim.

Perguntado sobre uma possível volta do Vatos Locos ao Brasil, David Gtronic respondeu: “Quem sabe, não é mesmo? Esta foi a primeira vez, e esperamos tocar aqui muito mais vezes, assim como rola em outros países da América Latina”. Adivinha quem tocou no after?

A segunda edição do evento rola nos dias 14 e 15 de dezembro, no Fashion Hall de Maringá, com nomes como Gui Boratto, BLANCAh, Dashdot, Leozinho & Leo Janeiro, Shadow Movement, Ellie Kotz, Cat Dealers, Liu, Evokings, Future Class, Sevenn e Fernando Aragon.

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Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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