Review Kaballah
Edição de aniversário rolou no Hopi Hari, em São Paulo
* Fotos por Image Dealers

Depois de três anos, voltar ao Hopi Hari para mais uma edição do Kaballah é uma sensação muito boa. O festival por si só já é bom, mas acontecer no Hopi Hari deixa tudo ainda melhor, uma vez que a ambientação do parque completa toda a decoração do evento e dos palcos. Além disso, é como misturar o gostinho da infância com tudo que há de melhor: música eletrônica.

Tirando o frio inesperado e o medo da chuva, nada pôde atrapalhar o sucesso da edição de 15 anos do festival. Praticamente sold out, a festa contou com cinco palcos: Psycho Roots, Michael Deep, Só Track Boa, elrow e Masquerade, misturando vertentes para agradar os mais variados gostos musicais. O lineup de cada palco estava repleto de grandes nomes, tanto internacionais quanto nacionais. E para quem gosta de mais de um gênero, foi difícil escolher a quem assistir: muito DJ bom ao mesmo tempo, mas no final dá tudo certo.

Os palcos

Masquerade é na verdade uma festa do Claptone, que acabou tendo seu próprio espaço dentro do festival. O DJ e produtor alemão tem sido reconhecido cada vez mais no mundo e no Brasil, reunindo mais e mais fãs por onde passa. Sua festa é bem temática e conceitual, envolve decorações relacionadas à sua máscara — sua principal marca como artista —, e transforma o ambiente em um universo lúdico e até um pouco carnavalesco.

Depois de passar com sua festa por cidades como Ibiza, Paris, Miami, Amsterdam e Bélgica — no Tomorrowland —, finalmente chegou a vez de São Paulo. Inclusive, no último final de semana, a festa se repetiu na capital dentro do Hotel Unique. A expectativa era grande, mas ela foi atendida. O palco Masquerade ficou pequeno em frente à roda gigante para tanta música boa. Durante o set do Claptone era impensável transitar por ali, estava muito cheio. Além dele o palco contou com a presença de DJ Glen, Bruno Furlan, Mat.Joe, Maximono, Fatnotronic, Fran Bortolossi e Volkoder. Todos que vi fizeram ótimos sets, principalmente o Glen.

Já a famosa festa espanhola elrow voltou com seu tema Bollywood para dar novamente boas-vindas aos brasileiros. O tema, que foi utilizado na primeira edição brasileira, há cinco meses, retornou ao Kaballah para deixar um gostinho a mais do que é de fato o cinema indiano. Toda a decoração foi mais uma vez personalizada segundo a temática, encantando inclusive quem já teria ido na edição anterior. O palco contou com um time de respeito: Aninha, L_cioOliver Huntemann, Sven Väth, De La Swing (residente da elrow), KolomboAlex SteinSonny Fodera Fancy Inc.

Além deles, teríamos Sam Paganini como um dos artistas do line, mas houve um cancelamento de última hora e por isso uma troca de horários: Oliver Huntemann acabou tocando mais cedo e De La Swing estendeu seu set. O evento foi mais uma vez muito bem representado, com horas e mais horas de muito techno e tech house de boa qualidade, em uma pista lotada do começo ao fim, repleta de cores, personagens e adereços decorativos.

O melhor de tudo foi ver a interatividade com o público, que se divertia com todo aquele espetáculo e seus brindes, andar pelo festival e encontrar as pessoas usando seus adereços: elefantes, turbantes, chapéus, até colchões de piscina!

Para quem gosta de trance, o Psycho Roots foi o palco dos sonhos, trazendo nomes como Reality Test, VegasNeelixElement, Bliss, Major7, BergMandragoraClaudinho BrasilParanormal AttackAltruismMad Maxx, entre outros.

Era praticamente impossível sair de lá, com um grande artista atrás do outro. Foi de cansar as pernas, mas compensador! Neelix fez um verdadeiro espetáculo, Vegas chegou tirando o pé de todos do chão, Reality Test representou as mulheres da melhor forma possível e todos os demais sets foram muito bons — um palco que trouxe uma energia de fato contagiante.

Michael Deep trouxe o melhor dos sons de alguns de nossos artistas brasileiros, como Fabrício Peçanha, Dubdogz, LothiefShapelessBreaking Beats, RDT, Re Dupre, Halfcab, KVSH, Liu e JØRD. Quem viu o set do Dubdogz provavelmente se surpreendeu com várias tracks nostálgicas, como um remix de “Alors on Dance”, do Stromae, e duas faixas do Avicii, “Wake Me Up” e “Levels”. Além deles, JØRD tocou uma versão de “Sandstorm”, do Darude, e uma de “Shout”, do Tears for Fears.

Ele, KVSH e Liu lotaram as pistas do palco e fizeram toda a galera cantar. O Liu ainda encerrou seu set com o trecho de um psytrance chamado “Balcan”, do Omiki. Por falar em trance, Vini Vici não esteve no line, mas não deixou de marcar presença. Perdi as contas de quantos sets tocaram um trecho ou versão da faixa “Great Spirit”, com o Armin van Buuren, e a maioria fora do Psycho Roots. O Cat Dealers, por exemplo, tocou a versão original no palco Só Track Boa.

O Só Track Boa, por sua vez, contou nesta edição com um novo design de palco muito bem elaborado pela TWOFIFTYK — mesma empresa que fez o design do Laroc — e visualmente muito lindo, com madeira, plantas e muita iluminação, tanto de LED quanto normal. Segundo as palavras do sócio-diretor da EntourageGuga Trevisani, no BRMC, o design será utilizado para as próximas tours do Só Track Boa no Brasil até o fim do ano.

Não é preciso dizer que o Vintage Culture lotou a pista, que permaneceu cheia até o final da festa. Por todos os sets que passei, ela estava lotada do gramado até a parte mais alta do terreno. A energia da galera foi o mais contagiante, toda uma multidão que pulou e cantou junto em vários momentos. Fazia tempo que eu não via um set do Vintage, e foi de fato muito bom! O artista iniciou com tracks mais clássicas — o remix para “Radioactive”, do Image Dragons, sua faixa com o KVSH e com o cantor Breno Miranda“Cante por Nós”… —, mas manteve a pista ativa durante suas duas horas e meia de set.

Dos demais artistas que se apresentaram no palco Só Track Boa, tivemos Cat Dealers, Chemical Surf, Gabriel Boni, Gui Boratto + Elekfantz, Dashdot, Groove Delight, Bruno Be, Gustavo Mota, Pimpo Gama e Chapeleiro. Cat Dealers não só surpreendeu quando tocou Vini Vici, mas também quando tocou uma versão da música “Destination Calabria”, do Alex Gaudino.

O Bruno Be ainda inovou em sua apresentação, trazendo ao palco um audiovisual que mostrava sua família, principalmente sua filha. O próprio artista indicou que aquilo era apenas o começo de uma nova etapa, e que ter sua família junto com ele de alguma forma em cima do palco se tratava de um momento muito marcante para sua carreira. Foi uma apresentação muito bonita e feita com muito cuidado por toda a equipe.

A estrutra

Em questão de estrutura, tirando a complicação da entrada por falta de sinalização nas filas e uma grande quantidade de pessoas, foi tudo muito bem organizado. Havia dois pontos com ambulatórios e banheiros adicionais mesmo o parque tendo os seus próprios, o que é ótimo! Próximo ao palco Só Track Boa foram adicionados banheiros femininos daqueles de contêiner — com luz, pia e papel, que deveriam inclusive sempre ter nos eventos —, e banheiros químicos na pista do Psycho Roots, uma vez que este era mais distante do interior do parque.

A logística foi bem planejada. Dava para ouvir bem o som de todas as pistas, embora em alguns momentos houve falhas. No geral você ouvia bem, os caixas eram próximos aos bares, alguns um pouco escondidos, mas no fim sempre havia um por perto, e bares tinha por todos os lados. Um pouco de fila, mas nada muito fora do normal.

De comida, teve várias opções, inclusive veganas. Foram 14 lojas de comida pelo parque e tudo custou em torno de R$ 10,00 a R$ 25,00. Para as lojas foram utilizadas tendas ou até mesmo as próprias estruturas do parque. Além disso, havia opções como pizza, algodão doce, pirulito, entre outros, e três food trucks, com bastante variedade: saladas de frutas, coquetéis, paletas mexicanas, sucos naturais e até banana split.

Ainda teve espaço pra lojinha oficial do evento, com direito a copos, bonés, ecobag e camiseta do Kaballah. Os preços variavam entre R$ 15,00 e R$ 60,00 — além de camisetas e moletons da Só Track Boa R$80,00 e R$ 120,00 respectivamente. No fim do dia, a maior parte dos produtos estava esgotada.

Entre os momentos mais marcantes do Kaballah eu destaco primeiramente o set do Oliver Huntemann. Foi um soco na cara de todo mundo, impecável durante toda sua hora de set, e me marcou principalmente com sua faixa “Poltergeist”. O L_cio continua causando emoções quando toca seu edit de “Construção”— para alguns, sua performance foi o melhor jeito de encerrar a elrow, apesar de ele ter entrado depois do Sven Väth, que estava em uma pegada completamente diferente.

Ainda na elrow, foi bacana conferir a track “Oscillator”, do DJ Glen com o ILLUSIONIZE, sendo tocada pelo Sonny Fodera. No Masquerade, o próprio Glen marcou o público tocando “Vilara”, do Trikk, e o Claptone emocionou tocando “Under the Moon”, uma de suas faixas do novo álbum Fantast.

Em suma, a edição de 15 anos do Kaballah mostrou que a produção veio bem preparada para retornar a São Paulo. Espera-se agora que o festival continue no parque e trazendo cada vez mais novidades, boa música e bons artistas.

Júlia Gardel cobre eventos para a Phouse.

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