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Review

Acima de qualquer rótulo, Marcel Dettmann fugiu do script no fechamento do verão

Jonas Fachi

Publicado em

20/03/2018 - 12:07
Marcel Dettmann
Para encerrar a temporada de verão, o Warung trouxe os titãs Marcel Dettmann e Nina Kraviz
Fotos por Gustavo Remor e Ebraim Martini

Outra temporada eletrônica de verão terminou, e mais uma vez estive presente em diversos momentos do club underground considerado uma lenda entre DJs de todo planeta, o Warung Beach Club. Escrevi reviews sobre tudo que melhor aconteceu em noites que contaram com grandes retornos, acontecimentos emblemáticos, showcases e diversidade musical, distribuidas em mais de 15 eventos durante o verão do Templo na Praia Brava. No encerramento, não poderia ficar de fora, pois o club receberia duas das principais figuras da cena techno mundial na atualidade — Marcel Dettmann e Nina Kraviz.

No Inside, a sequência prometia ser arrebatadora, e a expectativa de um público que aprendeu a apreciar techno do mais alto nível nos últimos anos era enorme. Completando o time, outro importante nome de nossa cena techno nacional — Wilian Kraupp — estava de volta após receber elogios do próprio Dettmann em 2016.

+ PREMIÈRE: Ouça em primeira mão a parceria inédita de Wilian Kraupp e Kaiq

O público sentiu falta de não receber o alemão no ano passado, após uma estreia avassaladora como headliner na famosa noite mais gélida da história do club, em junho de 2016. Os pedidos por seu retorno não poderiam ser atendidos em uma data melhor.  O senhor “ice man” seria responsável por apagar um pouco da memória as quentes noites dos três meses anteriores, dando início a um novo momento no Warung.

Eu entendia que, assim como em 2016, ele era um nome para retornar como único headliner. Porém, com o anúncio de Nina Kraviz em conjunto, ficou evidente que seria ela quem iria fechar o Inside. Colocar Dett no Garden com Phonique estava fora de questão, então só sobraria o horário da 01h às 04h — o que de fato veio a acontecer.

Todos sabemos que Nina tem uma história mais longa na casa, bem como uma relação com o nosso público mais estabelecida, além do fato de seu reconhecimento mundial também ser enorme — e isso sempre é preciso respeitar. Foi natural coloca-lá para fechar. Entretanto, o que me surpreendeu positivamente foram os pedidos das pessoas nas mídias sociais por uma improvável inversão entre os dois titãs do techno, ou, em outro cenário, que Nina se apresentasse no Garden — pista em que talvez ela poderia se sentir um pouco mais segura para dar seu melhor. Falarei mais sobre isso à frente.

Wilian Kraupp

Entrei cedo na casa para aproveitar o máximo da noite e um dos meus DJ favoritos no país. Wilian Kraupp se posicionou de forma séria desde o início; concentração e mixagens sutis de um techno com uma leve profundidade, baixos duros e linhas de bateria bem seletas. Para o público, era fácil pisar na pista e já começar a pensar no que viria a seguir. Vale ressaltar que esse é o papel de quem está abrindo a noite — dar os primeiros passos ao clima musical que irá predominar adiante. Nesse caso, Kraupp ainda tinha em mãos a difícil missão de acostumar os ouvidos e o sentido rítmico das pessoas a uma musicalidade mais complexa, ao mesmo tempo não deixando de ter receptividade. Seu set foi ganhando peso bem devagar e terminou com uma carga de energia na medida. Posso arriscar a dizer que ouvi um dos melhores warmups dos últimos anos na casa.

Analisando a ideia da curadoria de trazer um DJ que é um grande conhecedor dessa pista e possui uma excelente capacidade de se adaptar conforme a exigência da noite, Kraupp não poderia ser um nome mais adequado para abrir os trabalhos. Se olharmos para o time de residentes, não há (por questões de estilo, e não de qualidade) alguém capaz de entregar uma pista à altura para um cara do tamanho de Dettmann. O catarinense outra vez cumpriu sua tarefa de forma sublime, em que mesmo não atuando em sua linha tradicional, apresentou uma pesquisa musical que daria inveja a muitos artistas da admirada cena de Berlim.

Sua atuação foi sintetizada pelos pedidos de aplauso de Dettmann ao final, pontualmente à 01h. Essa parada, mesmo com a música alinhada com o início do set, já estava nos dizendo algo sobre o que viria a seguir — um primeiro sinal de demonstração do quão à vontade o alemão estava para construir sua ideia musical.

Receber uma pista a ponto de explodir emocionalmente te abre uma série de possibilidades, inclusive a de alimentar ideias que talvez não estivessem nos scripts — por exemplo, expandir o horizonte musical. Porém, é preciso estar disposto para fazer uma mudança em cima da hora. O que quero dizer é que praticamente todos os grandes DJs preparam seus sets detalhadamente antes de iniciar uma nova tour de várias datas em sequência. Geralmente, acabam por seguir um modelo quase pronto e funcional, alternando algumas faixas aqui e ali, afinal, tocar dias seguidos não permite tempo de parar e ouvir novas promos.

Ao mesmo tempo, todos sempre têm uma série de músicas preparadas para alguns lugares ou momentos específicos — aqueles em que o artista se sente confiante para se distanciar de sua zona de conforto. Tudo isso que expliquei agora talvez seja o grande tema deste review, pois foi exatamente o que o alemão fez em sua apresentação no Templo. Inovou, experimentou, e, principalmente, surpreendeu. Havia em sua face de leves sorrisos um desejo latente de compartilhar suas influências.

O DJ iniciou com sua linha de techno tradicional, mecânica e envolvente. No primeiro build up, a pista soltou as mãos para cima. Nesse momento, até mesmo um cara com tanta bagagem como ele se sentiria desafiado. O detalhe é que nomes como Marcel crescem quando se veem diante de uma pista tão “em cima”. São como os grandes jogadores de futebol, que não se escondem na hora da final — ao contrário, se levantam e mostram toda a sua personalidade. Dett olhou para o lado e sorriu como se estivesse falando: “que energia f*..!”.

Na primeira meia-hora, o destaque veio através de Nocow, em “Stop”. Depois, sem pedir licença, joga um breakbeat quente e cheio de balanço; a reação de todos foi vibrante. Volta para sua linha e aos poucos entra em um ciclo cada vez mais frequente dessas alternações — disco, house, techno, músicas com vocais… A cada nova mixagem, ele renovava a pista de dança. Você pode se perguntar: “Mas ele não estava perdido ou fazendo a famosa ‘salada de frutas’?”. Definitivamente, não! Fazer o que Dettmann fez em suas três horas de set é algo extremamente difícil, e perigoso também, pois abre um precedente para uma possível parcela da pista de dança não entender nada e terminar na pergunta acima.

Primeiro, há de se pontuar que mixar esses estilos de forma perfeita não é pra qualquer um. Mas, não se esqueça, estamos falando de um DJ de club, criado e moldado em ambientes escuros e cheios de possibilidades, desenvolvido frente a frente com pistas extremamente cerebrais e dispostas ao novo. Sua habilidade em transitar em ritmos distintos é o grande segredo para manter a pista unida e ainda potencializá-la. Mixagens rápidas fazem parte da receita, porém, o talento de colocar tudo em sintonia e “esquentar” os arranjos é algo totalmente dependente da capacidade do DJ, e isso Marcel tem em um nível de poucos no planeta.

No auge do set, quando ninguém iria questionar mais nada, ele ressurge com “Enjoy the Silence” — talvez o maior clássico da banda Depeche Mode —, através de um edit que preservava muito da faixa original, dando um toque ainda mais natural ao momento. Ninguém imaginaria o cara do Berghain, criado no calabouço da pista mais underground do planeta, soltando um som pop (porém conceituado dentro da cena) e fazendo todos cantarem juntos. Nesse momento, me veio à mente os tempos em que Leozinho jogava “The World is Mine”, do David Guetta, e a pista ia abaixo. Naquela época, lá por 2006, não existia distinção entre “comercial vs. underground” — eram apenas músicas boas e o feeling artístico de colocá-las no momento ideal.

Dettmann atuou dentro de todas as linhas que o definem como artista, e só o fez porque se sentia confiante, percebendo o público e o momento ideal para jogar um tipo de set assim. Ou seja, ele não iria tocar até o fim, era uma peça da noite, e sabia que o público iria ter os ouvidos massivamente explodidos pelo acid techno sem descanso de Nina Kraviz pelo resto da noite em seguida. Isso é importante ressaltar: Dett só jogou algo “menos techno” porque tinha outro artista à sua frente com uma seleção do mais alto nível.

Não me entenda mal, não quero dizer que ele não poderia “competir” (se é que cabe usar essa palavra) com Nina por quem faria o melhor set de techno reto, pesado e dark. É obvio que ele, apenas com sua habilidade — sem entrarmos no mérito de qualidade musical —, já deixaria o jogo sem graça. Na verdade, fez isso sem nem abrir a pasta com as faixas da hora da verdade. Deu uma aula de como se pode ir na contramão do esperado e apresentar algo diferente, apenas com o respaldo de sua tremenda capacidade de construção de set e, mais uma vez, habilidade técnica. Talvez a ideia mais simplista desse pensamento seja: “vou ir à contramão do óbvio”. Terceira vez que o vejo tocando, três sets marcantes de diferentes formas, e ainda sinto que não sei nada sobre Marcel Dettmann. Que volte logo.

Às 04h, Nina subiu ao palco com todo seu carisma, e logo na primeira faixa percebi que o sistema de som foi forçado a um volume muito superior do que é habitual. A pista obviamente estava em chamas, porém notei pequenos estalos junto da música e sentia que algo não estava certo. Ela ainda não havia virado a segunda faixa e de repente o grave sumiu — no lugar, apenas aquele ruido de sub estourado irritando meus ouvidos. Era isso mesmo, as caixas da primeira metade da pista haviam derretido, e no mesmo instante eu soube que a noite havia terminado.

Logo depois, os técnicos do sistema baixaram o volume para pelo menos equacionar as frequências, recuperando algum vestigio das linhas de grave. O que me preocupa, no entanto, é que boa parte dos presentes sequer notou tudo isso — apenas sentiram que a música não estava mais “batendo no peito” como antes. Ainda assim, insisti em ficar na pista; não gostaria de perder a oportunidade de assistir a Dettmann e Nina fazendo um back to back inesperado. Alternaram em uma boa sintonia.

A faixa de Joey Beltram, “Life Force”, foi evidente, porém, a DJ russa mais uma vez parece ter sentido a pressão do club. Errou mixagem bobas, deu um leve pause/play e, mesmo sorrindo, transparecia um nervosismo que não condiz com o tempo de carreira que possui. Ela se sai bem em festivais, longe do público, mas definitivamente a cena clubber não é seu forte, pelo menos no Inside do Templo.

Resolvi ceder ao Garden por algum tempo, e a energia por lá estava bem mais leve e alegre. Diogo Accioly e Phonique possuem uma parceria de longa data e conhecem aquela pista como poucos. Estavam alternando entre deep house, techno progressivo e algo de house tradicional também, soltando alguns clássicos pontuais que é sempre legal ouvir na pista de dança.

Após o Warung, só se falava de uma coisa: o set do Marcel Dettmann não estava linkado com a esperada escola alemã. Marcel não resume a isso, seria um desperdicio de talento. Sua construção musical deixou tudo muito claro — é um DJ acima de qualquer rótulo.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

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Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

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Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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