Review Ressonancia: Brasilidades, vertentes do techno e a volta de uma lenda ao Brasil

Em sua segunda edição, a festa underground Ressonancia contou com o lendário produtor francês Sébastien Léger e grandes artistas em destaque na cena nacional.

Produzida pela agência Laud, em São Paulo, a festa Ressonancia reuniu um grande público no último sábado (29), no conhecido e descolado espaço Nos Trilhos, situado no bairro da Mooca. O grande nome desta edição foi o francês Sébastien Léger, além de DJs e produtores de peso como Ariel Merisio, Mumbaata, Zopelar e Guss.

Um dos grandes diferenciais desta edição foi a “pistinha” exclusiva para projetos com apresentações no formato live criando uma experiência sonora intensa numa atmosfera mais intimista, que na minha opinião funcionou muito bem. O palco principal estava muito bem estruturado com uma iluminação que fez toda a diferença nos momentos mais especiais. O sound system foi da empresa alemã d&b audiotechnik e representou com uma qualidade sonora absurda.

Cheguei no evento por volta de meia noite e me deparei com uma grande fila na portaria. Isso gerou uma certa insatisfação para algumas pessoas, que estavam reclamando muito. Quem tinha nome na lista precisou enfrentar a grande fila  ainda escutei muita gente questionando sobre os valores e procurando soluções para entrar no evento. Faltou mais atenção ao público e vi muitas pessoas simplesmente desistirem da festa e irem embora.

No entanto, quem entrou na festa se deparou com uma estrutura que fez valer a pena para quem comprou o convite. Logo na entrada, a pista Live convidava os amantes da música eletrônica para iniciarem sua noite com o pé direito. Não tinha interferência de som entre os palcos e o stage principal ficou localizado embaixo do viaduto, numa pista escura, mas que lembrava os festivais de techno bem alternativos.

Fotos por Fernando Sigma

Destaque para o live do duo Mumbaata, formado por Lennox Hortale e Pedro Poyart, que fez uma performance incrível manipulando sintetizadores e bateria eletrônica. Os talentosos cariocas, vencedores do prêmio RMC 2017 de produtor revelação, colocaram a galera para dançar na pistinha com um som pesado e com influências de músicas brasileiras, africanas, pitadas de jazz e estilos clássicos.

O catarinense Ariel Merisio foi o segundo artista do palco principal e foi o responsável por entregar a pista para a atração internacional da noite. Gostei bastante da apresentação do DJ e produtor de Brusque, que transmitiu boas energias no seu melhor estilo tech house.

“O pessoal da Laud tem uma proposta bem diferenciada para festas e minha primeira gig aqui em São Paulo foi na festa Leeds (dos mesmos produtores). O tech house ainda é um estilo de som que está crescendo aqui no Brasil, um som mais quente e mais dançante, mas o techno também está predominando na cena. Foi uma experiência nova fazer um warm up para o Sébastien, pesquisei bastante sobre o estilo dele e foi bem gratificante. Fiquei um pouco ansioso no começo mas depois senti que galera estava junto comigo. Tocar na Ressonancia foi bem intenso e uma sensação muito boa”, comentou Ariel Merisio após a sua apresentação.

Um dos melhores momentos da noite sem dúvidas foi a apresentação de Sébastien Léger. Foi um prazer acompanhar o set de um dos nomes mais consagrados na cena de música eletrônica mundial e a pista reagiu muito bem. Muitos amigos que frequentam festas há muito tempo estavam presentes somente parar ver o “gringo” e acho que ninguém se decepcionou.

“Estou muito cansado após essa apresentação (de quatro horas). Não vinha ao Brasil há dois ou três anos e estou feliz de voltar. O lugar (Nos Trilhos) é bem legal e o público estava bem animado. Eu gosto de tocar estilos diferentes, com grooves e melodias intensas. Não conseguiria tocar techno puro num set tão longo. Essa foi minha única apresentação no Brasil e minha próxima parada é na Argentina, em Buenos Aires”, comentou Sébastien Léger depois de sair muito aplaudido do palco.

Uma das tracks mais marcantes tocada pelo francês de 38 anos foi sua produção “Brainwasher”, um som melódico e que deixou a pista completamente envolvida com a música. Outras tracks interessantes foram “Growler” de Pig&Dan, “Windmaker” de Sebastian Mullaert e “Sandcastles” remix de Martijn Ten Velden e Mark Knight.

O encerramento ficou por conta do residente Guss, um dos proprietários da agência Laud, que já dividiu o palco com grandes atrações internacionais de peso e nos surpreende a cada apresentação. O paulista e também residente da Leeds levantou a pista de uma maneira impressionante, soube conduzir o set com maestria até suas últimas tracks e recebeu muitos aplausos no final da festa – às 7h00 em ponto!

No geral, a Ressonancia proporcionou uma grande experiência para o público presente na noite fria de sábado Nos Trilhos e com toda certeza, fez uma edição mais completa do que a primeira, com boa estrutura, local e line-up.

Na minha opinião, o ponto positivo foi apostar em atrações mais conceituais com DJs e produtores nacionais e reunir os lives numa pista exclusiva. O ponto negativo foi a entrada e bilheteria do evento com uma organização inferior comparada a outros eventos da mesma produtora. Outros destaques positivos foram os bares especiais da Absolut, foodtrucks, loja de óculos escuros e a ótima estrutura de caixas “ambulantes”, bares e banheiros.

Depoimentos:

“Eu achei o line muito bom. O set do Sebastién Léger foi incrível. Fazia tempo que ele não vinha para o Brasil e com essa linha de som progressiva e melódica. As outras atrações também foram impecáveis. Sem palavras. Gostei da organização.  Achei a estrutura de som ótima com um áudio limpo e boa equalização” – Alexandre Allegretti, DJ e produtor.

“A agência Laud está de parabéns. Não esperava um evento tão foda, principalmente em questão de ambientação e iluminação, o jogo de luzes estava surreal. O som, com o line que teve, não tinha como ser ruim. Set impecável do Sébastien Léger, o único que assisti da pista Frequency. Mas o que fez minha noite foi a pista Live, espero que ela venha para ficar! Amo pista ao ar livre e o conjunto das luzes coloridas de dentro dos vagões + as luzes brancas piscantes + a sonzeira que os caras mandaram, me permitiram viajar do começo ao fim da festa. Que noite!” – Ana Clara Amaral, participante do evento.

“Festa incrível. A iluminação estava perfeita, consegui tirar fotos muito boas. O público estava bem diferenciado com bastante gente bonita e uma galera que gosta de som de qualidade. O encerramento do Sébastien Léger foi fantástico e o pessoal ficou até o final para conferir o som dele. A pista Live também foi bem legal com ótimas apresentações” – Fernando Sigma, fotógrafo.

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