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REVIEW: Saiba como foi o Awakenings dentro da estrutura do Electric Zoo

Júlia Gardel

Publicado em

28/04/2017 - 9:51

Pela segunda vez fazendo um evento fora dos EUA, o Electric Zoo, que acontece anualmente em Nova York, finalmente aconteceu na cidade de São Paulo. Com inicio em 2009, o festival desde então é conhecido por seu tema animalesco e por sua estrutura que busca representar todos os gêneros da música eletrônica, trazendo grandes nomes internacionais.

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé e atividades ao ar livre

A edição brasileira inaugurou com a duração de apenas um dia de evento e não três como o habitual nos EUA. O dia 21 de abril foi registrado por uma variedade de artistas divididos em três palcos: o King Cobra (Mainstage), o Tree House (só com artistas brasileiros) e o Awakenings, que nada mais nada menos foi uma versão do festival holandês traduzida em um palco inédito.

A imagem pode conter: show, noite e multidão

O Awakenings é um dos festivais eletrônicos mais conhecidos da Europa e com mais de 70 mil participantes em um só fim de semana é considerado um dos maiores festivais de Techno ao ar livre do mundo. Com mais de 13 edições, o festival se consolida ano após ano por seu público dedicado e seu line up recheado de grandes nomes da cena. Esse ano, o Awakenings acabou vindo ao Brasil dentro do Electric Zoo, sendo representado em apenas um palco com muito capricho.
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O line up do palco contou com nomes brasileiros como Anna, Eudi, Soldera e Gui Boratto. Apesar de muitos terem criticado dizendo que esperavam mais do line, o que aconteceu naquela noite foi inexplicável! Enrico Sangiuliano em um b2b com Bart Skils, o duo Pig & Dan e Nic Fanciulli completaram o line com chave de ouro. Foi muito difícil sair desse palco, todos queriam ver o espetáculo do Awakenings.

Escolher o melhor set é impossível. A iluminação e decoração da estrutura com diversos painéis de led fizeram do palco um visual muito atraente! Por mim o Awakenings foi o trunfo do Electric Zoo!

O palco de led fez com que a experiência ficasse ainda melhor com as projeções em 3D e a parte pirotécnica sincronizada com a música.” – Giovanni Roque (Participante do Evento)

Os brasileiros Soldera e Eudi começaram o festival em grande estilo. Logo em seguida tivemos Nic Fanciulli que fez um set de tech house extremamente envolvente e dançante do começo ao fim!

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e multidão

Gui Boratto fez uma abertura de prender a atenção de todos e de resto não é nem preciso comentar, Gui Boratto é Gui Boratto.

“Gui Boratto é um produtor que admiro muito, mais uma vez sua apresentação impressionou por toda técnica que ele tem.” – Marcelo Tarifa (Participante do Evento)

O duo Pig & Dan teve apenas um de seus integrantes presente, mas não deixou de representar quem são! Um set intenso, dançante e apaixonante! Um set impactante e cheio de vitalidade! Fez história tocando suas tracks Growler e Capsule com Adam Beyer!

“A pista estava se preparando pra primeira pancada da DRUMCODE que viria, Pig & Dan veio quebrando tudo, techno reto. O set me surpreendeu muito e levantou demais a pista”      – Marcelo Tarifa (Participante do Evento)

“Gui Boratto, Pig & Dan e Anna me mostraram o porque eu não poderia sair daquele palco. O live set alucinante do Gui Boratto, um set de respeito do Pig & Dan e uma apresentação maravilhosa de Anna fizeram da minha experiência a mais agradável possível.” – Giovanni Roque (Participante do Evento)

Para a Anna não tenho nem palavras! O que essa mulher fez não teve explicação. A reação da pista a cada música era de plena admiração e amor. Foi um set de muita maestria! Não é atoa que a Anna é uma grande representante do Brasil mundo à fora. Sua track ‘Haze Moon‘ bombou na pista!

“Vi a apresentação da ANNA que mais uma vez me surpreendeu pela qualidade do som e pela vibe incrível! Outra apresentação impecável, não deixou nada a desejar.” – Thiago Carvalho (Participante do Evento)

“A Anna para mim foi o melhor set da noite. Foi a primeira vez que vi uma gig dela e me surpreendeu demais! Na hora consegui entender o sucesso que ela está fazendo, principalmente fora do Brasil, não deve nada pra nenhum big name da cena!” – Marcelo Tarifa (Participante do Evento)

Para finalizar tivemos um b2b histórico entre Enrico Sangiuliano e Bart Skils que levaram a galera a loucura, principalmente durante o remix do Enrico da música Why Does My Heart Feel So Bad do Moby e a sua música Ghettoblaster.

A Drumcode foi muito bem representada durante a maioria dos sets, até a track ‘Fire Eyes‘ do Layton Giordani tocou na sexta-feira.

“Pra fechar a noite, veio mais uma pancada da DRUMCODE, agora em dose dupla, b2b do Enrico Sangiuliano, que na minha opinião é um dos melhores produtores da atualidade, com o grande Bart Skils. Ambos souberam levar a pista muito bem e fecharam a festa com maestria!” – Marcelo Tarifa (Participante do Evento)

O festival aconteceu no Autódromo de Interlagos e teve sua estrutura bem colocada. Apesar do grande espaço que o Autódromo possui, os palcos não eram longe um do outro. Uma grande quantidade de bares e caixas foi distribuída, as filas não eram tão grandes, os atendimentos foram rápidos e sem grandes transtornos. O que provavelmente incomodou a muitos foram os preços.

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Não que os preços fossem muito mais altos do que já estamos acostumados a ver em festivais ou baladas, mas os preços foram de acordo com a moeda do Electric Zoo. “50 centavos” da moeda do Electric Zoo, equivalia a dois reais, portanto uma água no valor de duas moedas do Electric Zoo, equivaliam a oito reais. Isso confunde um pouco com relação a saber o quanto está de fato gastando. O sistema era cashless, você carregava um cartão cujo valor era de 6 reais, devolvidos no final do evento se solicitado no caixa.

A área vip estava bem estruturada, porém muito baixa, quase da mesma altura que a pista e longe do palco. Haviam lockers próprios no local, mas por quarenta e seis reais ($11,50 na moeda do Electric Zoo) e os banheiros eram ótimos.

Como ponto negativo do evento, o caminho planejado da saída da estação de trem até os portões do evento, se comparado ao do Lollapalooza e EDC por exemplo, foi muito mais perigoso. Passava no meio do bairro, por ruas muito escuras e quase nada policiadas. A chuva também prejudicou um pouco o evento, apesar de dois dos palcos serem cobertos e isso ter colaborado muito pro conforto do público, o chão acabou virando uma lama total.

Apesar de tudo isso, o festival foi muito bom, mas para um festival internacional, esperava-se muito mais. Tiveram varias opções de food truck, variando desde espetinhos à crepe, churros e temaki, saindo um pouco do tradicional x-burguer. Assim como no Lollapalooza, os sorvetes Kibon e a atividade da Fusion Energy Drink de criar o próprio drink em um copo personalizado estavam por lá. Os frozen’s de Skol Beats que tiveram no Tomorrowland Brasil também voltaram!

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O evento conteve um line up com muitos nomes brasileiros, o que desanimou alguns, mas agradou a outros. Grandes nomes como Liu, Illusionize, Vintage Culture, KVSH, Elekfantz, Dazzo, Junior C, Chemical Surf e Dubdogz estiveram por la e fizeram grandes shows! Hardwell, R3hab e KSHMR mataram a saudade de quem ainda é muito fã da cena Mainstream. Alan Walker com toda sua personalidade, fez um set bem autoral e diferente do que se escuta na maioria dos outros sets, já que suas produções têm uma identidade singular.

“Vi o set do Illusionize e foi impecável, perfeito do começo ao fim! Assisti também o set do Vintage Culture. Esperava bem mais pelo tamanho da festa, deixou um pouco a desejar. Já vi o Vintage várias vezes e ele já tocou sets melhores. “Fui para o Tree House ver o Chemical Surf, a apresentação mais esperada por mim e como sempre me surpreenderam” – Thiago Carvalho (Participante do Evento)

“Tenho que dar parabéns ao Bruno Martini que fez um BAITA de um set, misturando desde Brazilian Bass até Bass House. KSHMR me deixou sem palavras e Hardwell não preciso nem descrever né? Como sempre um espetáculo.” – Nicolas Nespatti (Participante do Evento)

DEPOIMENTOS

“O palco do Mainstage estava maravilhoso, mas temos que concordar que o som deixou MUITO a desejar.” “Perto do palco sobrava grave em excesso, mais para o meio da pista faltava volume e a falta de constância do mesmo não dava vontade de dançar e muito menos de pular” – Nicolas Nespatti (Participante do Evento)

“Pela propaganda que fizeram e tratando-se de um festival gringo pela primeira vez no Brasil, eu esperei muito mais com relação a sua estrutura. Faltou muita coisa, achei o line muito fraco. Fui mais pelo set de alguns artistas e todos brasileiros.” – Thiago Carvalho (Participante do Evento)

“Tinha me programado para ficar apenas no palco Tree House e assistir só o set do Illusionize no Main Stage. Devido à chuva muito forte e ao Tree House estar cheio, decidi conhecer o espaço e achar um lugar coberto. Achei o Awakenings e o som estava muito bom. Acabei ficando no palco e não consegui sair mais… Não sou fã de techno, mas os sets estavam tão bem executados e o som me impressionou tanto que fiquei por lá.” – Giovanni Roque (DJ e Participante do Evento)

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Notícia

Gui Boratto lança “Pentagram”, seu quinto álbum de estúdio

Phouse Staff

Publicado há

Gui Boratto Pentagram
Foto: Reprodução
Disco sucede “Abaporu”, de 2014

Nesta sexta-feira, enfim foi lançado via Kompakt o aguardado quinto álbum de estúdio de Gui BorattoPentagram. Em menos de uma hora, o LP traz 12 faixas de um Boratto inspirado e que parece saber exatamente o que está fazendo e onde quer chegar, em um caldeirão de referências que vão desde as bandas de synth pop dos anos 80 (como New Order, Depeche Mode e Tears For Fears) a produtores vanguardistas de hoje em dia, como James Holden — passando ainda, é claro, pela escultora brasileira Lygia Clark, que influenciou no conceito visual do disco.

No BRMC, o músico já havia falado das influências estéticas que o levaram ao conceito da obra, que carrega uma ampla bagagem de arquitetura (formação acadêmica de Gui), geometria e design. “Eu queria transmitir o ponto de vista do pentagrama científico: não é algo religioso“, disse agora, em release de imprensa. A última faixa do disco, “618”, tem exatos seis minutos e 18 segundos, e iguala com a proporção áurea do pentagrama.

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A música é dinâmica, maximalista e viajante, repleta de musicalidade. Como já havia dito — também no painel do BRMC —, este é seu álbum mais orgânico, recheado de instrumentos acústicos, sobretudo cordas e instrumentos de orquestra, mais notáveis em “Scene 2”, que tem uma pegada jazz. Há também sintetizadores modulares, como o clássico Buchla. Em “Overload”, Luciana Villanova, que já participou em canções como “Beautiful Life” e “No Turning Back”, volta a emprestar sua voz a uma produção do marido.

Ouça Pentagram:

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Entrevista

Casal que faz techno unido, permanece unido: como o amor gerou o Binaryh

Phouse Staff

Publicado há

Dia dos namorados
Foto: Acervo pessoal
Camila Giamelaro conta a história do seu relacionamento com o parceiro de vida e de estúdio, Rene Castanho 

Música eletrônica boa é sempre feita com amor, certo? E o que dizer quando esse amor é compartilhado? Neste dia dos namorados, convidamos Camila Giamelaro, metade do duo de techno etéreo Binaryh — projeto que ela divide com sua cara-metade, o Rene Castanho — pra contar pra gente como foi que tudo surgiu: de um relacionamento que parecia que nunca ia rolar ao nascimento de um dos projetos mais frutíferos da cena underground nacional.

Porque casal que faz techno unido, permanece unido. Conta pra gente, Camila:

Rene e Camila no primeiro Natal juntos. Foto: Acervo pessoal

Eu e o Rene nos conhecemos em 2009, quando eu estava procurando um lugar para aprender a tocar e acabei encontrando a DJ Ban. Na época, fiz o curso de DJ e o Rene dava aulas de produção musical, por isso a gente nunca se cruzou pelos corredores. No final do meu curso, acabei fazendo amizade com o pessoal da escola, então vez ou outra aparecia por lá pra bater papo. Foi nessas idas que o conheci, mas naquela época ambos estávamos namorando outras pessoas.

Em 2012, por mera coincidência, estávamos os dois solteiros. Eu continuava indo à escola, mas com menos frequência. Quando o Rene descobriu o meu “estado civil” ele começou a investir, me convidando pra ir mais vezes à DJ Ban, chamando pra sair… Com o final do relacionamento recente, eu não tava muito interessada, e quis apenas manter amizade, mas ele, como bom brasileiro, não desistiu, e seguiu firme e forte nas investidas.

O casal Rene e Camila formou o Binaryh em 2016. Foto: Acervo pessoal

No início de 2013, o próprio Ban Schiavon me convidou pra conhecer as novas instalações da escola, que ainda estava em reforma. Quando cheguei ao último andar, um pessoal da DJ Ban trabalhava em ajustes — entre eles, claro, o Rene. Quando o Ban me perguntou o que achei da nova escola, respondi brincando:

— Achei demais, e inclusive quando eu comprar minha casa vou contratar vocês pra reformar tudo: você, Ban, vai ser o mestre de obras, o Rafa vai cuidar da parte elétrica, a Dani vai supervisionar tudo… E você Rene, que tá parado, o que você pode fazer?

— Eu vou morar com você — respondeu, em tom muito sério.

Camila e Rene na DJ Ban. Foto: Acervo pessoal

Enquanto todo mundo ria, eu fiquei sem palavras, morrendo de vergonha porque nós não éramos tão íntimos pra uma resposta daquelas. O Ban desconversou, e o assunto morreu por aquele dia. Na semana seguinte, combinei com alguns amigos de ir a um club ver o Marc Houle tocar. O Rene ficou sabendo e ligou oferecendo carona (ele morava no bairro do Tatuapé, em São Paulo, e eu em São Bernardo do Campo — totalmente fora de mão). Ainda com um pouco de vergonha da resposta sobre a brincadeira da casa, agradeci e neguei o convite.

Na noite da balada a gente se encontrou na porta, e foi bastante constrangedor. Foi aí que apareceu do nada um amigo de longa data e não me largou mais, deixando o Rene totalmente de escanteio. A partir daquela noite ele começou a repensar se valia a pena ou não continuar investindo, já que só dava bola fora.

Camila e Rene no famoso Berghain, em Berlim. Foto: Acervo pessoal

Em fevereiro, comemorei meu aniversário no D-EDGE, com um lineup que prometia ninguém menos que Richie Hawtin e Matador — infelizmente o primeiro não apareceu, por causa de uma forte nevasca que rolou no Canadá e atrasou o voo dele. O Rene foi de “all in”: resolveu que aquela seria sua última investida, tudo ou nada. Cheguei cedo pra aproveitar o club ainda vazio com os amigos, e no meio da noite ele aparece. Não sei bem explicar, mas ali foi o momento em que comecei a olhar pra ele de uma forma diferente. Papo vai, papo vem, um cigarro aqui e outro ali, e finalmente acontece o nosso primeiro beijo.

Passamos a nos falar todos os dias, e o primeiro encontro depois daquela noite foi tão natural que a gente parecia estar namorando há muito tempo. Alguns meses depois, o Rene decidiu que era hora de realizar aquela profecia: fomos morar juntos, já que nos dávamos tão bem e estávamos trabalhando no mesmo lugar — eu havia sido recém-contratada pela DJ Ban também.

Primeira apresentação do Binaryh Live. Foto: Acervo pessoal

Em 2014, tivemos nosso primeiro filho: um selo de techno que serviu para nos mostrar que realmente temos uma sintonia excelente nas ideias e tomadas de decisões. Naquele ano, o Rene montou seu estúdio na sala de estar do apartamento, e eu comecei a participar das produções, apenas dando algumas ideias de como as músicas poderiam ficar melhores.

Com o passar do tempo e mais duas lindas vira-latas pra conta da nossa família, a minha participação naturalmente foi aumentando, e foi assim que surgiu o Binaryh, com o intuito de apenas de lançar música. Mas tudo muda quando a gente conhece a BLANCAh, e nossa amizade cresce. Não demorou pra que ela nos apresentasse pra Steyoyoke, label alemã em que ela já atuava, e foi uma grata surpresa quando o selo nos acolheu super bem também.

Em setembro de 2016, lançamos nosso primeiro EP, Primary Code. O resto, como vocês já sabem — ou já leram aqui — é a história do casal acontecendo.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

Publicado há

Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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