SOME Festival mostrou organização e consistência em 1ª edição

Festival rolou no final de setembro, na Usina 5, em Curitiba

Foto: León Pureza/Phouse

* Com a colaboração de Leonardo Smith

** Edição e revisão: Flávio Lerner

No final de setembro, rolou na Usina 5, em Curitiba, a primeira edição do SOME Festival — anunciado pela T2 Eventos, em parceria com a Planeta Brasil Entretenimento, simultaneamente à notícia de que não teríamos TribalTech neste ano. O rolê surgiu como um novo conceito de festival, através do slogan “Um mais um é igual ao novo”, e realmente nos entregou uma incrível experiência de soma, em todos os aspectos. 

Como nos explicou Mohamad Hajar Neto, produtor da T2 e DJ, “o conceito do SOME dentro da T2 surgiu com a ideia de propor a soma às pessoas, de uma maneira ampla: se você soma, você acrescenta algo, e isso já é muito importante. E principalmente, de somarem entre si. Daí surgiu a ideia de misturar vertentes — e até mesmo dentro de vertentes, linhas de som diferentes”.

O festival foi equipado com três palcos muito bem produzidos e repletos de atrações nacionais e internacionais de alto nível. O principal, chamado SOME Stage, foi montado no maior galpão da Usina 5 — antiga área industrial revitalizada e já consagrada na realização de eventos na capital paranaense. Em dois outros galpões espalhados pelo complexo, o SOME recebeu pistas assinadas por duas das maiores e mais tradicionais casas de música eletrônica do nosso país: Vibe e D-EDGE.

SOME Stage

Foto: León Pureza/Phouse

O maior palco do evento contou com diversas placas de LED dispostas na frente pro público, nas laterais e em gigantes colunas no meio da pista — o stage que levou o nome do festival nos proporcionou um verdadeiro show de luzes e cores. O soundsystem utilizado foi o JBL Vertec, que supriu muito bem a necessidade das milhares de pessoas na pista de escutar com qualidade o trabalho dos vários músicos que estiveram ali. 

Nesse palco se apresentaram os artistas Kultra, ZAC, Gabe, o duo ARTBAT, Stephan Bodzin, Charlotte de Witte, Kolombo, Rocksted e FractaLL. A combinação de vertentes bastante distintas foi motivo de reclamações do público com a produção, porém, durante a realização do evento, ficou evidente que as outras duas pistas não conseguiriam comportar a quantidade de pessoas que desejavam assistir a alguns desses DJs.

A difícil locomoção no palco e a falta de ventilação durante os sets mais esperados incomodou um pouco o pessoal. Dessa forma, com a pista cheia — até mesmo no maior palco —, o SOME Stage nos presenteou com sets incríveis que ficarão nas memórias de todos que ali estavam.

Foto: León Pureza/Phouse

Estreantes na cidade, a dupla ARTBAT fez jus a todo hype criado em torno de sua marca depois de sua apresentação no Pão de Açúcar. Os ucranianos  conquistaram o público rapidamente através de sua identidade sonora única e inconfundível, com faixas melódicas e explosivas, características que os levaram a virar referência no melodic house e ao topo das vendas de diversas plataformas online. “Aquarius”, atual número 1 na vertente melodic house/techno no Beatport, “Apollo 11” e os remixes de “Sono – Keep Control”  e “Monolink – Return to Oz” fizeram parte da seleção dos artistas.

Foto: León Pureza/Phouse

Os principais diferenciais de Stephan Bodzin são suas diversas produções aclamadas pelo público, apresentadas no formato live. Suas melodias emocionantes e hipnóticas são transmitidas pelo seu sintetizador da Moog, que aliado de graves maciços, criam uma atmosfera muito poderosa e característica que contagia o público por onde Bodzin se apresenta.

Recentemente premiado pelo DJ Awards na categoria de melhor live act, o alemão nos mostrou o porquê do título em mais uma performance para ninguém botar defeito. O artista, que já é idolatrado pelo público brasileiro, sempre faz apresentações memoráveis pelo país, e dessa vez não foi diferente. Stephan começou seu set com uma introdução emocionante, dominando a pista em questão de segundos e conduzindo-a perfeitamente até o fim de seu set e entrada de Charlotte de Witte.

Review SOME Festival
Foto: León Pureza/Phouse

Charlotte tem seu nome sempre citado quando o assunto é techno. Já há alguns anos se consolidando como uma das principais DJs e produtoras do gênero, recentemente ampliou a sua marca KNTXT — que já era uma label party e rádio, e agora é também um selo independente de música.

Headliner nos principais festivais do seu estilo no mundo, a artista belga apresentou um set muito bem construído, com uma forte progressão que prendeu a pista de forma enérgica e explosiva do começo ao fim, com destaque para a track “Cherrymoontrax – The House of House (Thomas Schumacher Remix)”, que acelerou e arrancou sorrisos de todos na pista.

D-EDGE Stage

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Foto: León Pureza/Phouse

O palco do D-EDGE seguiu à risca as principais propostas do clube localizado em São Paulo: proporcionar ao seu público momentos de alegria através da união entre a boa música e a imersão visual. Um dos principais fatores que fazem do D-EDGE um local diferente é o seu design sofisticado. Como diz o próprio site, “o clube construiu seu prestígio ao manter elevados níveis de elegância em torno de uma arrojada proposta visual”.

Não poderia ser diferente na pista assinada pelo clube em Curitiba, com cenografia sofisticada, que se diferenciou bastante dos outros, mas sem deixar de seguir a linha de montagem do festival. Usando placas de led que cercavam praticamente toda a pista, as projeções nos colocaram em uma experiência imersiva, e nos deixaram com a real sensação de estar em um dos clubs mais conceituados do país. Renan Mendes, Biel Precoma, Boo Williams, Renato Ratier, Anthony Rother, Barnt, BLANCAh e Murphy foram as atrações.

Estreante no país, a lenda de Chicago Boo Williams era uma das atrações mais aguardadas do stage. Sua house contagiante esquentou a pista para a entrada de Ratier, o boss do D-EDGE. Renato é um dos principais nomes da cena underground nacional, tanto nas pistas como fora delas. Referência quando o assunto é house e techno, o DJ foi encarregado de fazer essa transição entre vertentes, passando a pista para Anthony Rother.

Foto: León Pureza/Phouse

Rother é um veterano da música eletrônica. Autor de hits de sucesso que já atravessam mais de duas décadas, o alemão fundador de duas gravadoras — Psi49net e Datapunk — tem uma visão distópica do futuro associada à evolução tecnológica. Possuidor de um jeito único de contar histórias usando sintetizadores marcantes, batidas de máquinas e vocais distorcidos por vocoder, o DJ, que tem uma bagagem musical muito sólida, nos apresentou um set extremamente cadenciado e repleto de personalidade.

Sua última aparição no Brasil havia sido há pouco mais de um ano, e o aguardado retorno garantiu uma pista lotada e cheia de energia para duas horas de muita dança, que se encerraram com as autorais “Big Boys”, e “Father”, que faz parte do álbum Popkiller, lançado em 2004.

Review SOME Festival
Foto: León Pureza/Phouse

Daniel Ansorge, a.k.a Barnt, assumiu a cabine da pista por volta das 23h. Seguindo do groove deixado por Anthony, Barnt iniciava sua história melancólica e ao mesmo tempo viajante. Um set desenhado de forma única e progressiva, através de um techno de característica singular que gerou muitos comentários positivos de quem o assistiu. Seus brakes eram melódicos e repletos de ambiência, deixando a pista na palma de sua mão.

Vibe Stage

Review SOME Festival
Foto: León Pureza/Phouse

O palco do Club Vibe trouxe um lineup bastante diversificado, que num primeiro momento causou estranhamento. A pista do clube mais tradicional da cidade também foi equipada com o soundsystem JBL Vertec, que fez com que a estrutura da Usina 5 literalmente tremesse. Com um pouco menos de luz mas muitos tubos de LED e lasers na estrutura, o ambiente foi bem condizente com a balada que o assinou. Extenso o suficiente, trouxe conforto e espaço para dançar até mesmo durante as apresentações mais esperadas.

“Procuramos manter uma pegada que remetesse esteticamente ao clube, uma pista mais escura, e o que trazia a soma de valores era a iluminação intimista, com o conceito de som eclético que buscamos no clube”, explicou o chefe do palco, Acir Guimarães, em conversa com a Phouse.

O lineup aqui foi composto por Puka, Malive, Barja, Gustavo Mota, Ella Whatt, Eli Iwasa, Marc Houle e Hito. E foi às 18h30, sob o comando de Ella Whatt, que o techno tomou conta do palco. A anfitriã, que reside em Curitiba, vem em uma crescente impressionante, colecionando grandes apresentações. 

Encarregada pela sequência, Eli Iwasa — uma das DJs brasileiras mais respeitadas e disputadas nos lineups do país — fez como de praxe uma apresentação incrível, deixando a pista no auge para receber o DJ canadense Marc Houle.

Foto: León Pureza/Phouse

Houle envolve pistas há mais de uma década através de seu live. Sua habilidade criativa é fruto de anos e anos dedicados à música eletrônica e a sua principal paixão: sintetizadores. O techno minimalista — sua característica principal — embalou a galera por pouco mais de duas horas, em um set com sonoridade séria, mas ao mesmo tempo muito dançante. Com uma excelente seleção de faixas, o artista que há pouco tempo havia protagonizado uma memorável noite no Vibe, desta vez deixou sua marca no espaço do clube no festival.

O encerramento ficou por conta da DJ japonesa Hito, última atração confirmada no SOME. Encarregada de finalizar com chave de ouro o festival que já se aproximava das suas 16 horas de duração, através de uma performance de muita classe utilizando discos de vinil e o mixer MODEL 1, Hito é uma das embaixadoras do projeto PLAYdifferently de Richie Hawtin, e realmente mostrou sua forma diferente de performar.

Review SOME Festival
Foto: León Pureza/Phouse

Bastante criticado antes mesmo de acontecer por conta da antecipação do horário de início e término às vésperas do evento, o SOME Festival foi um sucesso em diversos aspectos. Nas redes sociais, a produção explicou que a mudança aconteceu contra a vontade da produção, e que o término antecipado foi condição determinante para que fosse possível liberar o alvará com o poder público (relembre aqui).

Abaixo, estão mais alguns prós e contras que chamaram nossa atenção durante a festa.

Pontos negativos:

  • Falta de ventilação

Além de não possuírem ventiladores o suficiente, os palcos apresentavam poucas saídas de ar, gerando um forte calor dentro dos galpões da Usina. 

  • Locomoção

Durante o evento, tivemos algumas dificuldades para nos locomovermos dentro dos palcos, e também na saída destes ao fim de atrações com maior audiência.

  • Bares das pistas com muitas filas

Pontos positivos:

  • Estrutura geral dos palcos

Estrutura dos palcos, iluminação e sistema de som foram destaques nessa primeira edição.

  • Artistas 

O lineup do evento foi repleto de grandes artistas que nos entregaram sets incríveis, como já resumimos acima.

  • Organização e limpeza 

O evento em geral foi bem organizado, desde os mínimos detalhes nas áreas entre palcos, nas sinalizações e na limpeza nos banheiros, até a política de copos reutilizáveis, que contribuiu bastante para que a festa permanecesse limpa.

“Nós da T2 ficamos muito felizes com o resultado! A semana que antecedeu o evento foi bem tensa, por conta da questão da liberação do evento e da mudança dos horários, mas isso foi uma situação que no fim ficou em segundo plano. A festa foi tão boa que todos já estavam com uma sensação de satisfação e dever cumprido quando ela acabou”, complementou Moha.

O SOME Festival realmente trouxe uma experiência diferente para o público que compareceu a sua estreia, e tem tudo para retornar em novas edições. Alguns dias depois, foi possível encontrar nas redes sociais muitos elogios e poucas críticas. A soma entre dois grandes clubes brasileiros, artistas de diversas vertentes e um público animado e receptivo apresentou um resultado realmente positivo. O SOME é o novo festival brasileiro que vale muito a pena ser vivido.

León Pureza é colaborador da Phouse.

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