2ª edição do Time Warp Brasil mostra evolução e consolida festival no país

Festival repete acertos e corrige erros de 2018; com apenas pequenos problemas, saldo é bastante positivo

Time Warp Brasil 2019. Foto: Jorge Alexandre/Divulgação

* Com a colaboração de Luiz Guilherme Gonçalves

** Edição e revisão: Flávio Lerner

No final de semana dos dias 15 e 16 de novembro, o renomado festival de origem alemã Time Warp desembarcou pela segunda vez aqui no Brasil para a comemoração dos seus 25 anos de existência. A produção do evento foi realizada pela Entourage, e o local escolhido foi novamente o Sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Em dois intensos dias de festa, o tradicional festival trouxe as suas marcas registradas ao nosso país: 

  • Muita música boa: conhecida pela qualidade de sua curadoria, o Time Warp montou (como de costume) um lineup repleto com alguns dos maiores nomes do techno e da house mundiais, além de DJs em ascensão da cena brasileira.
  • Estrutura hollywoodiana: já há alguns anos, os palcos do TW são montados com a ajuda de produtores de cinema e artistas de outras áreas, com o objetivo de transformar a ambientação e a atmosfera dos palcos em uma experiência única. Existem alguns palcos temáticos já conhecidos do público, e aqui pro Brasil o stage montado foi o CAVE 2.0.
  • Som e iluminação de qualidade: utilizando tecnologia de ponta, a iluminação e a sonorização (com o soundsystem L’ACOUSTICS) foram impecáveis, e em conjunto com alguns efeitos especiais (explosões de CO2 e papel picado) e o design dos palcos, o evento criou uma imersão extraordinária.

CAVE 2.0

Time Warp 2019
Foto: Divulgação

Assim como no ano passado, foram montados dois grandes palcos no Sambódromo do Anhembi. O layout do palco que podemos considerar como principal — o CAVE 2.0 — já foi utilizado em algumas edições do evento (incluindo na estreia brasileira em 2018) e é considerado por muitos um dos palco mais bonitos e futurísticos já criados.

É um stage extremamente imersivo que possui uma ambientação única, dando a sensação de se estar literalmente em uma grande caverna fechada, onde diversas luzes e lasers transformam as cores de forma frenética. Neste ano, o CAVE 2.0 foi montado um pouco menor quando comparado com o ano passado — acredito que para se ajustar à demanda.

Outdoor Stage

Time Warp 2019
Foto: Jorge Alexandre/Divulgação

O segundo palco do evento foi montado de frente para onde ocorrem os desfiles no Sambódromo. Praticamente alinhada com o nascer do sol, esse espaço open air trouxe uma atmosfera muito boa. Montado de costas para a caverna, separando-os por uma parede de containers, a isolação acústica pareceu boa — a interferência sonora de um palco a outro era mínima.

Com uma estrutura mais “clean”, alguns efeitos especiais e um excelente soundsystem, esse stage foi em grande parte mais voltado à house, e por ele passaram grandes headliners, como DJ Koze, Ricardo Villalobos, The Black Madonna, Denis Sulta e Honey Dijon.

Pontos gerais

Time Warp 2019
Foto: Fernando Sigma/Divulgação
  • A estrutura do evento foi excelente, tanto nos palcos como na área externa, bem confortável, que contava com lugares para sentar e até mesmo algumas redes para deitar e descansar. Talvez as áreas de descanso pudessem ter sido um pouco maiores para comportar todo o público, evitando que vários se sentassem no chão. 
  • Consertando alguns dos erros cometidos no ano anterior, a estrutura dos banheiros atendeu melhor os participantes.
  • A praça de alimentação foi montada um pouco isolada do restante do festival, dificultando a circulação.
  • Um ponto que me incomodou um pouco foi o fato de o festival não ter aderido a atual tendência sustentável de banir os copos plásticos dos eventos. Era, sim, possível adquirir um copo temático e reutilizável do Time Warp, mas o valor salgado (R$ 20,00) fez com que muita gente continuasse gastando copos plásticos durante os dois dias de evento. A outra forma de “ganhar” um copo era comprando o drink “Summer” por R$ 35,00.

Artistas: primeiro dia

Time Warp 2019
Foto: Jorge Alexandre/Divulgação

A DJ brasileira Eli Iwasa, que naquele mesmo final de semana também se apresentou no aniversário de 17 anos do Warung Beach Club, vem colecionando incríveis apresentações nos últimos tempos, e nos mostrou novamente a grande fase que vem vivendo. Seu set das 22h à 00h deixou a pista principal fervendo para a entrada de Rødhåd.

Time Warp 2019
Foto: Divulgação

O alemão foi a primeira atração internacional a se apresentar no CAVE 2.0 neste ano. O DJ tem passagens pelo Berghain desde 2010 e hoje possui residência na casa. Seu set foi bem marcante, e de forma extremamente inteligente e hipnótica, conduziu a pista cheia por duas horas com mixagens precisas e graves que levantavam o público.

Time Warp 2019
Foto: Divulgação

Em sequência, Amelie Lens, que também tocou na edição de 2018 em São Paulo (foi sua estreia no país), voltou para mais um show de techno. Sendo atualmente uma das artistas mais escaladas para tocar em festivais de gênero no mundo todo, Amelie acelerou a pista com um techno ácido e explosivo. Destaque para as tracks “Bloodshed” e “Fury”, que fazem parte do EP Rave Cycle, de Airod — lançamento recente da gravadora Lenske, da própria Amelie.

Time Warp 2019
Foto: Divulgação

Saindo um pouco da caverna, o Outdoor Stage recebeu ninguém menos que Ricardo Villalobos, artista icônico que não se apresentava aqui no Brasil há mais de seis anos. O chileno radicado na Alemanha desde criança é conhecido por suas sonoridades voltadas principalmente ao minimal e ao micro-house, e por suas produções que são consideradas verdadeiros hinos do minimalismo.

Assim como tudo que envolve sua carreira, sua apresentação no Time Warp também levantou certa polêmica. As opiniões sobre o set divergiram a tal ponto que algumas pessoas realmente amaram a performance do DJ, enquanto outra parte do público não gostou, criticando principalmente deslizes cometidos ao mixar (fato que é mais compreensível visto que o DJ se apresenta utilizando praticamente só vinil).

O fato é que um dos momentos mais marcantes desta edição ficou por conta do artista, que já no amanhecer tocou a música “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, de Geraldo Vandré.

Foto: Fernando Sigma/Divulgação

Talento nacional, ANNA foi encarregada de se apresentar entre Amelie Lens e Richie Hawtin no palco principal, tarefa que foi executada com maestria. A brasileira sediada em Barcelona emplacou sucessos como “Hidden Beauties”, que esteve no primeiro lugar do chart de techno no Beatport por quatro meses e já obteve suporte de gigantes como Adam Beyer — dono da Drumcode, pela qual a DJ recentemente lançou Galactic Highways. Foi deste EP que vieram as faixas que marcaram a apresentação da artista no Time Warp Brasil 2019.

Foto: Divulgação

O encerramento da caverna no primeiro dia de festival ficou por conta de Richie Hawtin, DJ canadense que emergiu da segunda onda do techno de Detroit. Possuidor de uma técnica de mixagem extremamente apurada, Richie nos trouxe mais duas horas de um techno intenso e “cheio”, com mixagens rápidas e poucos espaços vazios. O CAVE 2.0 realmente é um stage perfeito para se curtir um bom techno.

Artistas: segundo dia

Time Warp 2019
Foto: Divulgação

O segundo dia do festival nos trouxe uma proposta bem mais voltada à house e suas vertentes, deixando o techno um pouco de lado.O sábado foi recheado de muito groove e clássicos para os amantes do gênero. Blond:ish, no Outdoor Stage, nos prendeu com um BPM acelerado e nos fez dançar com clássicos como “Jump N Shout”, do Basement Jaxx, em remix de Erik Hagleton, e “Right Here, Right Now”, do Fatboy Slim.

Na sequência, Denis Sulta, DJ muito carismático e querido pelo público brasileiro, fez uma apresentação única. A aclamada track “Met Her At The Loveparade”, de Da Hool, foi destaque, criando uma sintonia muito forte com a platéia. A energia foi tão alta que no final do set, Sulta chegou a subir em cima da mesa de som para dançar.

Time Warp 2019
Foto: Divulgação

Na caverna, uma das apresentações de maior destaque foi a da sul-coreana Peggy Gou, que nos mostrou toda a sua versatilidade e leitura de pista. Iniciando com uma house muito groovada e tocando surpreendentemente logo em sequência tracks de techno, Peggy imprimiu um ritmo forte na pista.

“The Yard Man”, do SRVD, e o remix do FJAAK para “Onslaught”, do Missing Channel, fizeram parte da seleção musical da artista, que ao mesmo tempo também incluiu ao repertório da noite clássicos como “Hey Boy, Hey Girl”, do Chemical Brothers, e a finaleira “I Feel Love”, da Donna Summer.

Time Warp 2019
Foto: Divulgação

Encerrando o palco externo do festival, a americana Honey Dijon mostrou toda a sua pesquisa musical, mandando tracks pouco conhecidas muito bem harmonizadas com outras mais conhecidas, como “Ain’t Nobody”, do Felix Jaehn, e “My House”, de Chuck Roberts, criando um set extremamente cadenciado, dançante e elegante, que fez jus à sua cidade natal, Chicago — “the home of house music”, como a própria artista cita em sua biografia.

Simultaneamente, a dupla Pan-Pot fez um impressionante encerramento do CAVE 2.0. Depois de uma noite dedicada à house, o público do techno esperava por esse momento. Com tracks altamente energéticas e pra cima, os DJs conduziram a pista (que não parecia nada cansada) pelas duas últimas horas do evento.

Time Warp 2019
Foto: Divulgação

A presença de palco da dupla é realmente um ponto a se destacar. Esbanjando carisma e realmente transferindo essa energia ao público, o Pan-Pot mostrou uma leitura de pista impressionante.

A finaleira da dupla ficou registrada como um dos momentos de ápice da festa. Tocando o remix de Bastinov para “Titan”, do Cerebral, os artistas nos fizeram acreditar que tudo acabava por ali, mas após vários aplausos, decidiram virar mais uma música. Foi então que o remix de Patrice Bäumel para “Gazebo”, do Fairmont, decretou de forma melódica e emocionante o fim da edição de 2019 do Time Warp Brasil.

Saldo positivo

Time Warp 2019
Foto: Divulgação

Tirando os detalhes mencionados acima que podem ser corrigidos, o Time Warp Brasil 2019 foi um sucesso absoluto. Desde os artistas trazidos, passando pela qualidade dos equipamentos de som e chegando até os palcos extremamente imersivos, a experiência entregue foi fantástica, e aguardo ansiosamente o retorno do evento ao nosso país no ano que vem.

León Pureza é colaborador da Phouse.

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