Review Ultra 2018
O UMF segue como um dos festivais mais espetaculares do mundo, mas pagou pelo marketing inadequado
* Com colaboração, revisão e edição de Flávio Lerner
** Fotos: Daniel Cunha (The Brotherhoodie)

Em parceria com a agência paulistana Clube de Turismo e o seu programa Music FSTVL, embarcamos na última semana rumo a Miami para curtir mais uma edição de um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, o Ultra Music Festival — que neste ano celebrou os seus 20 anos de história com o emocionante retorno do Swedish House Mafia.

Embora o festival tenha sido um grande sucesso, como era de se esperar, voltamos da terra do Tio Sam com uma pontinha de frustração. Não entendam mal: o Ultra segue sendo um dos maiores festivais do mundo, com uma estrutura que sempre faz cair o queixo. Acontece que desta vez, não bastasse o marco dos 20 anos já sugerir algo de diferente por si, a campanha de marketing pecou ao indicar que este seria o Ultra dos Ultras.

O slogan “espere o inesperado” veio acompanhado de uma promessa de atrações e surpresas especiais, fazendo a imaginação dos fãs viajar para longe, fantasiando com as infinitas possibilidades. Sets diferentes dos usuais? Tiësto mandando um set de trance? O retorno do Jack Ü? Uma aparição do Daft Punk? David Guetta dando um tempo na farofa e voltando às origens? Combinações históricas e improváveis, como Tiësto com Martin Garrix e Afrojack? Avicii de volta aos palcos? Nada disso.

Para além do fechamento com o Swedish House Mafia — que, não me entendam mal, foi épico, mas que de inesperado não tinha mais nada —, esta edição do UMF não mostrou nada fora da caixa além dos mesmos sets de sempre de Tiësto, Guetta, Afrojack e companhia. E como alguém que acompanha o Ultra há muitos anos, sinceramente gostaria de poder voltar a 2014/2015, quando sem criar muitas expectativas o festival entregava em seu mainstage apresentações arrebatadoras de nomes como deadmau5 e Pendulum, e participações inusitadas, como Madonna ao lado de Avicii. Tire o retorno do SHM da equação — um dos momentos mais emocionantes que vivi como fã de música eletrônica — e você não encontra mais nada memorável, do tipo divisor de águas, que fica marcado para sempre na história.

Talvez esse fechamento teria sido o suficiente se eles tivessem conseguido esconder o segredo até o último minuto, e, principalmente, se não tivessem prometido o que prometeram. Esse slogan nos levou a procurar exageradamente pelo “inesperado”, o que acabou sendo um tanto quanto frustrante, mas felizmente não o bastante a ponto de estragar os sets incríveis que pudemos presenciar em alguns palcos. No primeiro dia, caímos de paraquedas no palco Live, onde estava tocando ninguém menos que Porter Robinson com o seu novo projeto Virtual Self. Porter é um dos produtores mais criativos dessa nova geração, e ali apresentou uma sonoridade bastante diferente e eclética, misturando gêneros como deep house, techno, trance e até drum’n’bass.

Além do trio sueco, havia outro nome mantido em segredo, que fecharia o palco A State of Trance. Esse nome acabou se revelando como o Above & Beyond, grupo fantástico, mas que também esteve longe de ser inesperado — era um nome até óbvio, que não poderia faltar naquele line. Naquele ambiente, além do set do king Armin van Buuren, que não deixou nada a desejar, a surpresa boa ficou por conta de Eric Prydz. Infelizmente, cheguei para ver apenas 15 minutos, mas foram os 15 minutos mais bem gastos no Bayfront Park. O artista fez uso de uma projeção incrível e teve a pista totalmente em suas mãos, levando a galera à loucura.

https://soundcloud.com/sets-festival/virtual-self-porter-robinson-live-ultra-music-festival-umf-miami-2018-free-download

Trecho final do set do Virtual Self

Já na zona da RESISTANCE, dividida entre a Megastructure de Carl Cox e a Arcadia Spider, pudemos ver também grandes nomes como Sasha & John Digweed, Matador, Nastia e Joseph Capriati, entre muitos outros, que não deixaram a desejar em nada. A estrutura e organização do Ultra foi outro de seus pontos fortes. Todos os palcos estavam impecáveis. O Arcadia (popularmente conhecido como “Palco da Aranha”) estava surreal, apresentando algo totalmente fora da nossa realidade.

Outro detalhe que chamou a atenção foi o uso de drogas, que aparentou estar sob controle. Dificilmente você via alguém esparrando o uso de qualquer substância em público — diferente do Brasil, em que é comum observar um uso desenfreado de drogas nos festivais. Dentro do Ultra, não eram vendidos nem cigarros, e o sistema de bebida alcoólica também era muito funcional. QUALQUER pessoa, de QUALQUER idade — fosse um tiozão ou um garotão de 21 —, teria que apresentar documento para poder obter uma pulseira de consumo. Era possível encontrar também caixas eletrônicos, uma grande variedade de drinks e comidas, e uma super loja com diversos produtos do festival.

Por fim, estamos com a mesma visão da polícia de Miami: o Ultra foi super seguro. Não presenciamos nenhuma confusão nem discussão durante os três dias — não só dentro, mas como também em toda região no entorno. Notamos a presença de muitos policiais na rua em um raio de cinco quilômetros ou mais.

Deixamos também registrados os agradecimentos a Junio Rocha e Gabriel Guilen, do Music FSTVL, que nos deu todo o apoio nessa trip pra Miami — e Wilian Cardoso, da Destination Mexico. Nós fomos os primeiros passageiros desse novo programa da Clube Turismo / Music FSTVL, que em breve abrirá para o público geral, com pacotes com custos acessíveis para os maiores festivais do mundo.

* Luckas Wagg é CEO da Phouse.

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