Review Warung Day Festival

Warung Day Festival fez jus ao slogan de “melhor dia do ano”

Festival foi certeiro em diversificar três propostas em meio à natureza
* Por León Pureza e Leonardo Smith (com a colaboração de Victor Gulin)
** Edição e revisão: Flávio Lerner

No último dia 13, tivemos a sexta edição do Warung Day Festival, evento realizado tradicionalmente na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba — local escolhido pelos produtores desde as primeiras edições, para transportar toda a energia e atmosfera do seu “templo” para um festival dentro da cidade. Assim como em Itajaí, onde o Warung Beach Club é cercado por belezas naturais, no festival não podia ser diferente. A preocupação com o local revela a real proposta: unir música e natureza em uma experiência única.

Espalhados pela Pedreira e envolvidos pelas suas incríveis paisagens estavam dispostos os três palcos que já são conhecidos pelo público. Ano após ano, a organização os mantém montados no mesmo lugar de edições anteriores. Dessa forma, ao entrar no ambiente já são despertadas lembranças vindas de edições anteriores, causando uma sensação de se estar em casa. Entretanto, apesar de permanecerem dispostos no mesmo lugar, suas estruturas e decorações são sempre alteradas.

Warung Stage

Foto: Gustavo Remor/Divulgação

Localizado bem no meio da Pedreira, o maior palco do WDF utilizou da tecnologia de tenda TFS sem pés intermediários para aumentar seu espaço coberto, formando um vão livre; isso melhorou de forma considerável o espaço para circulação e também ampliou a visibilidade, tanto para a pista como para a área VIP. As milhares de pessoas ali presentes foram acomodadas confortavelmente.

A cenografia buscou também emular toda a atmosfera encontrada no Warung para Curitiba. O cenário impressionou o público, trazendo no palco referências da cultura balinesa e apresentando uma enorme escultura do deus hindu Ganesha. O hinduísmo é uma das religiões predominantes na ilha de Bali, e fonte de inspiração da experiência Warung.

Danee e Edu Schwartz abriram o Warung Stage. Foto: Ebraim Martini/Divulgação

Mudando um pouco o foco da edição passada, na qual a principal vertente apresentada foi o progressive house, podemos dizer que nesta o principal palco acabou sendo mais diversificado, variando desde o tech house até o melodic house/techno. Danee e Edu Schwartz foram os primeiros a se apresentarem, passando em seguida para os residentes Conti e Leozinho, que deixaram a pista aquecida para a aguardada apresentação de Lee Foss & Anabel Englund.

Muitas foram as noites em que Foss e Anabel realizaram apresentações inesquecíveis no templo da música eletrônica em Itajaí. O DJ americano tem como referências house e tech house, vertentes que são encontradas no seu gigante selo Hot Creations. Aliás, foi uma colaboração (“Electricity”) promovida pela própria Hot Creations que fez Anabel alavancar a sua carreira e se aproximar de Lee Foss, iniciando suas performances junto ao DJ. A apresentação da dupla foi bastante intensa e dançante, com destaque para a recente colaboração dos artistas junto a Eli Brown: ‘’Brazil’’, mostrando o carinho e o respeito dos artistas pelo país.

Após um verdadeiro show da dupla, Gabe assumiu a pista com seu live act. Foi a segunda vez que pudemos assistir a esse formato de apresentação do DJ em Curitiba — a primeira foi no último TribalTech. Desta vez, Gabe soube manter a pista quente durante todo o seu set, tocando um tech house dançante e groovado, deixando a pista para a entrada do alemão Oliver Koletzki.

Joris Voorn encerrou o Warung Stage. Foto: Gustavo Remor/Divulgação

A apresentação de Koletzki merece destaque. Conhecido por ser um artista versátil, Oliver imprimiu um set com muita energia, baseado em tracks de progressive house, afro house e deep house, em uma excelente cadência entre músicas melódicas e músicas mais “puxadas”. Ao começar com “Ivan Masa – Muto (Bebetta & Cioz Remix)”, já dava para sentir que ele não deixaria a desejar. Com uma excelente seleção de faixas, o renomado DJ conseguiu manter o público alegre e dançante do início ao fim, entregando assim a pista na frequência certa para o último DJ do Warung Stage: Joris Voorn.

O DJ holandês tem uma longa história com o Warung, vindo numa sequência de noites memoráveis desde 2011, como o segundo dia do Carnaval de 2018 e o aniversário de 16 anos do club. Em entrevista ao Alataj, Joris já declarou considerar o Warung um dos melhores clubes do mundo. O encerramento não poderia ter caído em mãos melhores; utilizando produções próprias, como “Ringo” e seu remix de Röyksopp, “I Had This Thing”, Voorn deixou a sexta edição do Warung Day Festival na memória de todos que acompanharam seu set.

Pedreira Stage

Eli Iwasa fazendo o warmup. Foto: Ebraim Martini/Divulgação

Por um lado cercado pela parede e por outro pela vegetação da Pedreira, o Pedreira Stage foi montado numa área mais alta em relação aos outros palcos, o que lhe deu uma visão diferenciada. Não à toa, acabou sendo considerado por muitos o melhor espaço dessa edição. Mais ligado ao techno, apresentou uma super estrutura de luz com vários canhões, refletores e lasers, além do excelente sistema de som da marca francesa L-Acoustics, uma das melhores do mundo.

O stage recebeu um incrível warmup de Eli Iwasa, residente do Warung há um ano. A DJ iniciou os trabalhos a partir das 13h, entregando a pista às 15h para o DJ curitibano Albuquerque. Na sequência, Renato Ratier assumiu a pista para mais duas horas de som. O sócio e também residente do Warung Beach Club já é acostumado a se apresentar no festival e sempre realiza excelentes shows. Tocando tracks dançantes e que estão em alta no cenário — como “Remake – Blade Runner (Maceo Plex Remix)” —, Ratier conduziu a pista por um incrível pôr do sol na Pedreira, entregando-a fervendo ao anoitecer para a entrada da primeira atração internacional do palco: Pig & Dan.

A dupla apresentou um live act impecável de uma hora e meia, em que os DJs prenderam a pista com suas tracks extremamente melódicas, breaks envolventes, vocais emocionantes e graves poderosos. Sua performance energética e carismática atraiu a atenção dos fãs que já esperavam há muito tempo sua vinda ao sul do Brasil. O set teve como destaque músicas do EP Infinity, lançamento recente da duo pela gigante Drumcode. As tracks “Losing Part of Me” e “Plex” transformaram o Pedreira Stage em pura euforia, e assim permaneceu para o início do set de ANNA, DJ brasileira em maior ascensão na atualidade.

Rødhåd encerrou o Pedreira Stage. Foto: Gustavo Remor/Divulgação

Considerada por muitos o maior expoente do techno no Brasil, ANNA retornou ao WDF depois de duas edições, encarregada de fazer a penúltima apresentação do palco. A excelente seleção de músicas  da artista trouxe sucessos autorais aclamados pelo público, como “Hidden Beauties” e o remix de “Singularity”, de Jon Hopkins, além de diversas tracks pouco conhecidas, mostrando o seu vasto repertório.

Depois de impressionantes apresentações no WDF 2016 e no Warung em maio de 2018, Rødhåd foi o encarregado por encerrar o Pedreira Stage. O residente do famoso club Berghain e dono da gravadora Dystopian fez uma apresentação intensa desde o primeiro minuto de seu set, com um techno bastante massivo e introspectivo, mas também carregado de energia. Foram duas horas e meia em que Rødhåd nos apresentou uma fantástica seleção de músicas, com destaque para a “SRVD – The Yard Man”,  que incendiou a galera. O encerramento do Pedreira Stage em 2019 foi inesquecível para o público, que aplaudiu muito o alemão ao fim do seu set.

Garden Stage

Barbara Boeing aquecendo o Garden Stage. Foto: Ebraim Martini/Divulgação

Por causa de toda a natureza ao seu redor e, principalmente, a vista para o lago, o Garden Stage foi o ambiente que mais transmitiu a sensação de se estar no clube de Itajaí. A cenografia também trazia referência à cultura de Bali, trazendo uma representação do deus hindu Shiva. A atmosfera precedia o incrível lineup que ele iria apresentar, desta vez com mudanças em relação a anos anteriores. Enquanto na última edição o principal foco foi o deep e o progressive house, com curadoria da All Day I Dream, neste ano expoentes da house music invadiram o stage com o palco assinado pelo gigante Brunch In The Park.

O Brunch é um festival ao ar livre que rola durante o dia em diversos parques de cidades da Europa, aproximando os amantes da música eletrônica aos seus artistas favoritos e mostrando que é possível aproveitar uma festa durante o dia. Os festivais tendem a ser bastante receptivos, com um ambiente agradável para curtir com amigos e familiares, e assim foi no Garden Stage.

Gerd Janson foi um dos destaques da noite. Foto: Gustavo Remor/Divulgação

Phill Mill & Barbara Boeing deram a largada com um set bastante dançante e repleto de brasilidades, passando a pista para os DJs Gui Scott e Caio T, da Gop Tun, que esquentaram ainda mais as coisas para a entrada do herói nacional, Gui Boratto. A partir das 19h, quem comandou o palco foi outro alemão, Gerd Janson — DJ que tem suas influências na house e na disco, e que se destaca por ser um ótimo pesquisador, sempre trazendo sons novos com bastante versatilidade. Gerd era um dos nomes mais aguardados para sua estreia no WDF. Foram três horas de uma house contagiante, guiada por melodias e elegância, fazendo com que fosse praticamente impossível sair de lá.

O último DJ a se apresentar no espaço foi uma lenda viva: DJ Koze. Com mais de 30 anos de experiência, o também alemão pôde nos mostrar um pouco de toda sua maestria em cima de batidas minimalistas, melodias emocionantes e grooves dançantes e hipnóticos. Com todo seu domínio técnico e criatividade, Koze construiu um set instigante e emocionante.

O artista tocou alguns clássicos como “Krystal Keler – Neutron Dance (Mano Le Tough Vocal Mix)”, mas também apresentou músicas inusitadas, como quando mixou o vocal de “Ai, Ai, Ai”, da Vanessa da Mata, em uma base com ritmo de samba, que deixou o público eufórico. O veterano ainda tocou músicas próprias, como “Pick Up” e seu fantástico remix de “9 Years”, do Roman Flügel, para encerrar com excelência.

Mural com todas as edições do Warung Day Festival. Foto: Ebraim Martini/Divulgação

A sexta edição do Warung Day Festival foi sem sombra de dúvidas inesquecível. O festival brasileiro já consolidado mantém sua essência e atmosfera ano após ano sem deixar de surpreender com novidades relacionadas a estrutura e qualidade dos serviços — de problemas, reparamos apenas no acesso ao espaço VIP, que acabou deixando muita gente parada em longas filas. No mais, o evento busca sempre se reinventar para melhorar em todos os aspectos, com o objetivo entregar a melhor experiência possível.

Depois de mais uma edição bem-sucedida, fica claro por que o festival é conhecido como “o melhor dia do ano”. Além da super estrutura de som e luz, cenografia incrível e ambiente perfeito, o evento nos apresentou um lineup coerente e diversificado em cada um de seus palcos, com um time de artistas brasileiros e internacionais de ponta que realmente fizeram a festa acontecer. O que nos resta agora é esperar a próxima edição. Que o Warung Day Festival 2020 não demore muito!

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