Review #XXX22
* Edição e revisão: Flávio Lerner

No último fim de semana, aconteceu em São Paulo mais uma edição da XXXPERIENCE, um dos mais antigos — e pioneiros — festivais de música eletrônica do Brasil. Com o tema Revolution, que celebra 22 anos de história e sucesso, o festival contou com uma mega-estrutura audiovisual e uma ornamentação para ninguém colocar defeito.

Com mais de 50 artistas divididos por cinco palcos (Love Stage, Union Stage, Peace Stage, Joy Stage e #Pistinha), a XXX mostrou a sua força e nos trouxe a conclusão de que não fica atrás de nenhum festival gringo. Sim, é verdade! Tirando o aspecto da cultura do público, ao chegar à noite lembrava bastante o EDC, por conta de sua iluminação e suas instalações de arte, que podiam ser notadas por toda parte.

Foto: Eimagec/Divulgação

Foi como o próprio Erick Dias disse em entrevista exclusiva à Phouse: “O que será visto neste ano é completamente diferente do que foi visto no ano passado”. Realmente, comparando-se a 2017, esta edição fez total jus à ideia de revolução.

Um dos pontos altos, além do super lineup, foi a “xxxperiência” proporcionada. Nunca vimos aqui no Brasil ativações de marcas tão bacanas como a da TNT e Itaipava Go Draft, que montaram áreas super criativas em meio ao festival. Além disso, destaque para a mudança de data, que foi de novembro para setembro por conta das condições climáticas. E deu certo: a chuva nesta edição passou longe.

Foto: Sigma F/Divulgação

Experiência

Como citado acima, esse foi um dos aspectos que mais chamou a atenção. A TNT, marca de energético patrocinadora oficial da #XXX22, montou um verdadeiro playground com ativações super criativas, assinadas pela INNER multi.art. No Complexo TNT, deu pra conferir um corredor escuro com muita luz negra, com manequins estilizados com tinta neon e paredes onde o público podia deixar recados com tinta fluorescente — uma verdadeira pira visual —, além de espaços super diferenciados para fotos e artistas entretendo o público, cuspindo fogo e fazendo malabares.

Já a área da Itaipava Go Draft, que teve o tema Go Day, Go Night, contou com um espaço bem moderno, com personagens e um ambiente cheio de aquecedores, para quem quisesse fugir do frio ou incorporar o espirito “blogueirinha”, tirando fotos com cenários descolados.

Não dá pra esquecer também das áreas de descanso. Como o festival tem longa duração, a produção não economizou em pensar no bem-estar dos frequentadores. Além dos espaços de ativações das marcas, a XXX montou diversas redes de descanso, onde muitos aproveitaram pra tirar aquela soneca e recuperar a energia.

Foto: Sigma F/Divulgação
Foto: Sigma F/Divulgação
Foto: Sigma F/Divulgação

Palcos

Entre os cinco palcos, elegi como favoritos o Joy Stage (o palco da árvore), que deu uma surra de audiovisual; o Union Stage, com aquele cenário super disruptivo para um festival 100% nacional; e a #Pistinha, que embora fosse a mais simples em termo de estrutura, era uma das mais aconchegantes e intimistas. Love Stage e Peace Stage também não ficaram devendo em nada, afinal, cada uma tinha a sua temática — então deixo claro que essa avaliação aqui é bem pessoal.

Union Stage. Foto: Sigma F/Divulgação
#Pistinha. Foto: Eimagec/Divulgação

Lineup

Mesmo com os desfalques de Ben Klock e Gabe, que não conseguirem embarcar por conta das condições climáticas nos aeroportos do Sul, o festival não perdeu o seu brilho. O holandês Patrice Bäumel — que substituiu Guy Gerber (que havia anunciado dias antes ter tido seu passaporte roubado em um assalto à sua casa) — foi um dos principais agregadores do festival.

Bäumel, cuja última vinda ao Brasil foi para se apresentar no Universo Paralello e no Warung, comandou a pista do Joy Stage, se apresentou por mais uma hora no Union Stage e fez um B2B com a ANNA — que foi uma das melhores atrações que pude ver na noite. Ajudando a compensar os desfalques, Format:B estendeu seu set por mais uma hora no Joy, e o Renato Ratier mandou um long set, fechando o Union.

Além desses anfitriões, que marcaram o festival com uma imensa responsabilidade de tapar os buracos, destaco também alguns sets que a Phouse já tinha indicado na matéria “5 artistas para ficar de olho na #XXX22”: o live dos brasileiros Eudi & Salata & Moraes — que mandaram uma techneira melódica, chegando a lembrar até um Stephan Bodzin —; Franky Rizardo, que fez um dos sets mais bem trabalhados e lineares do festival, começando com tech house e finalizando com techno; Vegas, com seu insano B2B com o Hi Profile, seguido por Nelix, Skazi e Paranormal Attack; além de Santti, Liu, Soldera, Len Faki, Dubfire e muitos outros.

Peace Stage. Foto: Sigma F/Divulgação
Love Stage. Foto: João Chesine/Divulgação

Bar e alimentação

Não foi dessa vez que a XXX conseguiu acertar no sistema de bar. Ao chegar no festival e receber a pulseirinha (que continha um cartão de acesso/consumo), logo me impressionei. Achei genial a ideia, mas não durou muito para que toda a empolgação viesse abaixo.

O sistema não funcionou bem, e logo teve que ser substituído pelas tradicionais fichas. O preço da água (R$ 10,00) também não agradou muito ao público. Embora saibamos que um festival desse porte custe muito caro, a água é um dos produtos que não deveria ter seu preço inflacionado — até mesmo porque de manhã o sol é de rachar na Arena Maeda. Todo mundo precisa estar bem hidratado. ;)

O lado positivo é que os bares estavam bem distribuídos e funcionais. No Instagram da Phouse, em um post em que perguntamos o que o público achou da #XXX22, muitos elogiaram a empolgação e animação dos funcionários dos bares — e realmente, isso foi bem notável.

Em pouquíssimos eventos conseguimos notar pessoas trabalhando tão empolgadas. A praça de alimentação estava bem aconchegante, mas faltaram mais opções de comida. Fica a dica para a próxima edição.

Foto: Eimagec/Divulgação

Segurança

Eu não presenciei nenhuma briga, nenhum incidente, mas nas redes sociais, vi relatos de alguns furtos. De fato, mais para o fim da festa deu pra notar algumas pessoas que pareciam estar numa vibe errada, mas infelizmente estamos no Brasil, e isso não é uma particularidade da XXXPERIENCE. 

O lado bom dessa história é que um dos sócios do festival, o Edson Bolinha, vasculhou as nossas redes sociais e respondeu diretamente a algumas críticas relacionadas ao sistema de bar e segurança, garantindo que eles estão atentos a tudo e que vão trabalhar pra reforçar ainda mais a segurança e melhorar tudo o que não saiu tão bem neste ano.

Uma atitude como essa demonstra ainda mais o comprometimento e respeito dos produtores com o público. De fato, não deve ser nada fácil organizar um festival dessa magnitude no Brasil, ainda mais em um lugar distante e tão grande como a Fazenda Maeda — tanto que muitos outros festivais sumiram do mapa. 

Foto: Eimagec/Divulgação

Conclusão

Com erros e acertos, a XXXPERIENCE demonstrou estar atenta para continuar melhorando e gerando a melhor experiência possível para o seu público. De modo geral, o festival pode ser considerado um verdadeiro sucesso, cumprindo bem a promessa de seu tema “Revolution”, e finalizando a edição 22 com ainda mais força para continuar fazendo história pelo Brasil.

Também vendo o que nos disseram pela internet, dá pra cravar que a XXX é um dos melhores produtos no quesito festival que temos no Brasil. O Felipe Castelli, nosso parceiro da GoFestivals, foi pela primeira vez e disse ter se impressionado, já vendo potencial de explorar melhor o evento em seu negócio.

“Fiquei surpreso com o festival. Houve uma grande procura de pessoas de fora nos últimos anos para o Ultra e o Tomorrowland Brasil. Agora que conheci a XXXPERIENCE, vejo um potencial muito maior a ser explorado, por ser algo diferente, 100% nacional, e por proporcionar uma experiência única ao seu público”, declarou Castelli.

Foto: Sigma F/Divulgação

Com depoimentos como este, e somando-o com o contexto atual de crise e alta do dólar, podemos perceber que a XXX vem numa trajetória muito sólida, superando barreiras e proporcionando o melhor que pode oferecer em lineup e estrutura. O evento atualmente atrai pessoas dos quatro cantos do Brasil, e além de movimentar o turismo local, gera também mais de mil empregos indiretos — o que sem dúvidas é um ótimo fator para a economia e o turismo de Itu e São Paulo.

Portanto, só me resta fechar aqui parabenizando a equipe e desejando vida longa à XXX.

Luckas Wagg é CEO da Phouse.

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