rmc 2016

RMC 2016: Os representantes da “EDM” se esconderam?

Na última semana, o Rio de Janeiro recebeu a edição principal do Rio Music Conference, evento que reuniu alguns dos principais nomes da música eletrônica nacional e internacional e incluiu também uma série de premiações e homenagens. Entre os premiados, houve uma categoria em que o vencedor chamou muita atenção. O paranaense Vintage Culture, um dos principais nomes responsáveis pela expansão do “deep house brasiliero” no país, recebeu o prêmio de melhor DJ big room do ano. Se um holandês ou um americano ouvisse o som de Vintage Culture, certamente imaginaria que a comunidade da dance music ficou completamente maluca.

No cenário internacional, o termo big room foi utilizado nos últimos 4 ou 5 anos para designar um estilo de música eletrônica completamente diferente daquele produzido e tocado por Vintage Culture. O big room é um estilo mais robusto, agressivo, com muito mais energia, que deu a cara aos principais festivais do mundo nos tempos recentes. É o som que consagrou, por exemplo, Hardwell por dois anos seguidos como melhor DJ do planeta e que levou os belgas Dimitri Vegas & Like Mike a sucede-lo no posto. Absolutamente nada a ver com o deep house do Vintage Culture.

No entanto, indo diretamente à raiz do termo, o big room é o rótulo para aquilo que é tocado nas “salas grandes”, ou seja, nos principais clubs e festivais do mundo. O termo big room não recebeu esse nome por uma característica do estilo, mas sim pelos lugares onde encontrou seu sucesso. Se pararmos para pensar, hoje em dia o som de Vintage Culture (e vários outros similares) está nos maiores clubs do país, assim como nos maiores festivais. O próprio Vintage encerrou o mainstage do EDC em dezembro, como exemplo mais recente.

Já não há mais nenhuma dúvida que o estilo considerado no resto do mundo como “underground” (ou menos comercial em comparação com a EDM), é hoje o mainstream do Brasil. A discussão não é sobre qualidade, não é sobre gosto, é sobre popularidade. Alok foi o brasileiro mais votado para a DJ Mag, não FTampa. Vintage Culture foi premiado como melhor DJ de big room, não Felguk. Hoje em dia vertentes como deep house, nu-disco, techno e outras tradicionalmente consideradas menos comerciais encontram mais espaço na cena brasileira do que os estilos que compõem o cenário mainstream em outras partes do mundo.

Muito se questiona sobre os motivos pelos quais a “EDM”, ou o progressive house, electro house e outras vertentes mais tradicionais conhecidas por diversos nomes têm perdido espaço na preferência dos brasileiros. Esta é uma discussão complexa, que envolve inúmeros fatores e não tem uma resposta exata. Mas durante o RMC, os representantes da Phouse no evento tiveram alguns insights que poderiam ajudar a explicar em partes o “sumiço” destas vertentes da cena mainstream. Não apenas na edição do Rio de Janeiro, mas também nas de São Paulo e Curitiba, foram poucos os representantes destas cenas a participar dos eventos.

Neste último, por exemplo, Marcelo CIC e Raul Mendes foram alguns dos poucos nomes presentes. O veterano Senne e algumas boas promessas da nova geração como Joe Kinni, Moshe e Future Lines também estiveram por lá, indicando que pelo menos alguns já perceberam que existe aí um problema. Como diz o ditado: “Quem não é visto, não é lembrado”. Enquanto alguns artistas reclamam que o RMC e outros eventos têm contribuído para a popularização do underground, dando mais atenção a este cenário e seus artistas, muitos não percebem que não têm feito sua própria parte, comparecendo e marcando presença nos eventos.

Se a maior conferência de música eletrônica da América Latina não é uma fantástica oportunidade de ver e ser visto, o que evidentemente está ligado a popularidade, então não há outra que o seja. É importantíssimo estar no ADE, ou marcar presença na Miami Music Week, isso sem dúvida atrai a atenção do cenário internacional. Mas enquanto isso, muito espaço, muitas oportunidades, são perdidas dentro do próprio país. O público está cada vez mais antenado em outros estilos, que não os predominantes na cena internacional e estar em evidência nesse momento em que a dance music tanto cresce, pode ser essencial para o futuro.

No Brasil, o conceito de mainstream e underground, quando se fala de artistas nacionais, já se inverteu. Certamente não se resolve um problema musical apenas indo a eventos, mas sem dúvida os artistas da EDM poderiam olhar com mais carinho para estas ocasiões, sair da toca e mostrar para seu próprio povo o que eles mostram para todo o resto do mundo. Talvez o Brasil realmente seja diferente quando o assunto é a música eletrônica, mas parece que, muitas vezes, alguns desistiram até de tentar.

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