sonic future

Sonic Future a cena e o som do futuro

Fomos atrás de uma dupla gaúcha que vem dando o que falar. Com lançamentos em importantes gravadoras como a Suara Recordings e Noir recordings, Sonic Future já teve um dos seus trabalhos em grande destaque no Rio Music Conference – maior e mais importante conferência de música eletrônica da America Latina. “Regrets”, faixa da dupla, foi eleita pela curadoria do evento como a música do ano de 2015. Segundo o próprio RMC, o Sonic Future é uma dupla com uma mentalidade aberta e totalmente voltada ao futuro da música eletrônica. Confira o bate-papo:

Olá César e Léo, é um prazer tê-los conosco. Para começar, que tal contar um pouco da história de vocês? Como foi o primeiro encontro, de onde surgiu a ideia de montar o projeto, e porque o nome Sonic Future?

Nos encontramos na AIMEC Porto Alegre, local onde trabalhamos até hoje. Começou como algo meio descompromissado e o nome Sonic Future pareceu interessante. Tavez somente hoje o nosso som esteja começando a fazer jus a este nome.

Como definem o som de vocês?

Inicialmente as tendências principais eram mais focadas no indie dance e house. Atualmente a coisa rumou para uma sonoridade mais melódica, as vezes sombria e lisérgica, mais voltada para o tech house e techno melódico. Talvez o aspecto mais importante seja o lance de tratar cada track como uma pequena composição musical que explora um afeto, um tipo de energia único.

Recentemente vocês estiveram em estúdio com Léo Janeiro, contem pra gente um pouco desse trabalho? Como foi a experiência de produção?

Esta track faz parte do novo ep na Suara chamado Dark Landscapes. É uma EP muito importante pois é o nosso retorno a essa label que tanto fez por nós, mas mais importante que isso, é consolidar uma sonoridade mais madura e variada. O EP tem faixas variadas incluindo algumas tracks mais ambient eletrônica, mostrando um lado mais composicional não tão comprimissado com a pista mas sim com o conteúdo temático das tracks. A track com o Léo chama-se Stabs e está neste EP.
Foi algo muito interessante e certamente consequência de uma gig que tocamos juntos num after da Cave no Rio, parte da programação oficial do RMC 2015. Ocorreu que estávamos tocando, ele chegou um pouco antes e escutou parte do nosso set. Logo depois ele juntamente com o DJ China assumiram e fiquei para escutar um pouco do set deles. Rolou que musicalmente tinha várias sonoridades em comum e a partir dali saimos decididos a fazer esta track juntos. A experiéncia de pista do Léo somada a sua enciclopédica pesquisa musical ajudou muito. Nós queríamos produzir algo relevante para os nossos sets, algo que funcionasse na pista mas também com conteúdo melódico interessante e não apenas grooves genéricos. Algo que tivéssemos orgulho de tocar. Algumas sessions no skype, projeto vai pra lá, vem pra cá, Léo testou a primeira versão no carnaval no Warung e bombou. Mais alguns ajustes e finalizamos esta faixa chamada Stabs, que logo enviamos para o Coyu da Suara e ele adorou. Tanto o Léo quanto nós estamos tocando a track direto nos sets e a resposta tem sido ótima. Esta música saiu no dia 16 de maio como parte de um novo EP do Sonic Future, e antes mesmo de ser lançado já teve o suporte de alguns big names.

Além de terem mais de 80 releases por famosas labels como Suara, Hot Fingers, Go Deeva, Toolroom, Noir Music e a brasileira Santos Music, podemos notar também que já remixaram tracks de diversos artistas como Kolombo, e os brasucas Thomas Krauze e Fabrício Peçanha. Existe algum outro artista nacional e internacional que ainda gostariam de fazer uma experiência musical?

Nossa, são tantos. Pergunta difícil esta. No geral remixes são interessantes para explorar materiais já compostos e tentar encontrar caminhos interessantes não explorados pela original. É sempre um desafio e não é qualquer original que se encaixa na sonoridade Sonic Future atual. Por isso é necessário cautela pra selecionar os requests com mais potencial musical.

Entre todas as faixas já lançadas desde o início da carreira, qual vocês mais ficaram contentes com o resultado final? Porque?

Sem dúvida alguma Regrets por vários motivos. Pela quantidade de DJ’s internacionais de renome que chartearam a track, pela mudança de sonoridade que ela representou para nós, e também pelo reconhecimento nacional que tivemos, ganhando o Premio RMC de melhor track do ano.

Seja na música ou em qualquer outra área artística/profissional, todos temos influências. Conte-nos, quais são as de vocês?

Vou citar algumas: Matthew Decay, Adriatique, Oliver Giacomotto, Agoria, Ame, Maceo Plex, Jonathan Rathsman, Trentmoller, Gui Boratto… Vou parar por aqui senão vai faltar espaço (risos). São muitos mesmo, cada um deles acrescenta uma visão musical relevante e verdadeira. São artistas do mais alto calibre e portanto referências a serem observadas constantemente.

Nos últimos anos a música eletrônica no geral tem se propagado de uma maneira surpreendente. Tanto no mainstream quanto no underground tivemos um grande crescimento no que se trata de público, eventos e festivais. E junto a isso, uma nova safra de produtores. Como vocês avaliam essa mudança e qual a opinião de vocês sobre o cenário atual?

O cenário atual é muito promissor. O Brasil é um país enorme e muito musical. O país nunca teve uma quantidade tão grande de DJ’s/produtores quanto hoje. A disseminação da informação ajudou muito nisso e as inovações tecnológicas na área da produção contribuem para o aparecimento de mais talentos. Nós vemos no cenário atual uma plataforma que vem se consolidando cada vez mais e só tende a crescer.

E em relação ao tal “mi-mi-mi” que ainda há entre o assunto “Mainstream x Underground”? Recentemente a dupla Amine Edge & Dance nos concederam uma entrevista na qual declararam “Odiar a EDM”, mas em contrapartida há outros artistas como o Marco Carola, que frequentemente posta fotos com artistas de diversos gêneros, como por exemplo, David Guetta. Qual a opinião de vocês sobre o comportamento de ambos? E sobre esse preconceito/rivalidade?

Nossa visão é muito simples: apesar da diferenciação de estilos, são todos artistas vivendo da música e atuando na indústria do entretenimento. Viver da música ou de qualquer outra arte já é algo tão difícil e concorrido. Poucos conseguem desenvolver uma carreira e ganhar a vida fazendo isso. Por essa razão acho que o principal fator é o artista ser verdadeiro com a sua proposta e tentar atrair seguidores fiéis. Sem eles não existe carreira. Apesar de nossas influencias musicais estarem muito longe de qualquer coisa parecida com EDM ou similares, não temos absolutamente nada contra este estilo. Pelo contrário, admiramos artistas que conseguem fazer a coisa acontecer, independente do estilo. Marco Carola, ao postar estas fotos, certamente demonstra que tem essa visão mais ampla da coisa.

Tem algum lugar no Brasil ou exterior que vocês já se apresentaram e gostariam de voltar mais vezes? Qual?

Beehive, sem dúvida é um club no nosso estado que tem uma vibe muito especial. Tocamos lá na festa de Reveillon de 2015 e foi uma experiência muito especial. O club tem um público diferenciado, um histórico de djs renomados que passam por la, e uma iluminação pra lá de especial. Todos estes fatores tornam a experiência de tocar lá muito peculiar.
No exterior acabei de tocar pela primeira vez em Dubai e fiquei impressionado demais com a cena e a qualidade dos clubs. Descobri que a nossa música esta bombando muito por lá, Regrets toca até nas radios, e que o publico gosta muito dessa sonoridade. Lembrando que Dubai tem inúmeros clubs e virou circuito oficial dos djs de primeira linha, que estão lá toda semana. Isso torna o público deles muito antenado e sempre buscando qualidade.

E para os próximos meses? O que podemos esperar do projeto?

11 de maio lançamos o EP Dark Landscapes pela Suara com 4 faixas originais. Pela primeira vez explorando alguns estilos não voltados pra pista também. Em junho temos uma tour de 2 semanas pela Inglaterra e Alemanha. Dia 10 de julho tocaremos na label party da Suara em Ibiza a qual este ano vai acontecer no lendário Sankeys Club. Estamos bem empolgados!

Para finalizar, agradecemos pela atenção e deixamos aqui o espaço aberto para as declarações finais de vocês aos nossos leitores:

Nós que agradecemos! Acho importante deixar aqui um agradecimento especial a todas aquelas pessoas que nos seguem, que mandam mensagens no Facebook e vem falar conosco nas gigs encorajando o trabalho. As vezes são coisas assim que se tornam o combustível da semana pra continuar trilhando nosso caminho.

Share on facebook
Compartilhar no Facebook
Share on twitter
Compartilhar no Twitter
Share on whatsapp
Enviar no Whatsapp

Quer aprender a produzir a sua própria música?

Compre agora o curso Make Music Now com 10% de desconto na inscrição e soundbank do Studio Tronnic para Sylenth1 grátis!.

RECEBA NOVIDADES

ÚLTIMAS NOTÍCIAS