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“Sou um clubber forçado a ser empresário para lutar pelo direito de realizar eventos”

Jonas Fachi

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Gustavo Conti, sócio-fundador do Warung Beach Club, conta um pouco de suas influências e os desafios de se trabalhar na noite de um país que vive dias de recessão.  

* Fotos: Nathalia Gonçalves e Gustavo Remor / Altos Agitos.

Poucas pessoas podem se orgulhar de ter ajudado a estabelecer os elementos fundamentais da cena eletrônica brasileira, e Gustavo Conti é uma delas. Após uma viagem à Indonésia, ele voltou à sua praia favorita, e lá, olhando para a vegetação intocável da mística Praia Brava em Itajaí, teve a visão que mudaria sua vida para sempre. Como ele mesmo diz, foi “um clubber forçado a ser empresário”, que, com uma ideia genial nas mãos, mas nenhuma garantia, levantou os pilares do hoje reconhecido mundialmente “Templo da música eletrônica”.

Antes de abrir o Warung Beach Club com João Mansur em 2002, o curitibano já tinha sido pioneiro em sua cidade com o clube Rave, uma lenda lembrada até hoje. Inegavelmente, seu esforço incansável de lutar pelo direito de termos uma cena respeitada internacionalmente acabou ajudando a desencadear um movimento de clubes, eventos, DJs e profissionais da área em toda a região Sul, principalmente litoral norte e Vale do Itajaí, que não devem em nada para os grandes centros do planeta. Nesta entrevista exclusiva, Conti nos conta um pouco de suas influências, a conquista da Pedreira Paulo Leminski e os desafios de trabalhar na noite em um país que vive dias de recessão.

Olá Gustavo, é uma honra poder estar conversando com você. Estamos na semana do Warung Day Festival e eu não poderia começar nossa entrevista sem mencionar isso: realizar um evento na Pedreira Paulo Leminski é uma conquista enorme, ainda mais para alguém natural de Curitiba. Como está a expectativa para sábado?

A honra é recíproca — aliás, muito obrigado pelo apoio, tenho acompanhado o trabalho de vocês, um canal de informação sério atuando na cena eletrônica. Realizar um evento na Pedreira é um sonho para qualquer produtor do Sul, acredito. Vi muitas bandas nesse lugar, faz parte da minha adolescência. Sinto que esta edição tem tudo para ser a melhor de todas. É difícil segurar a empolgação e a expectativa é imensa, mas nada disso seria possível sem o nosso “dream team”.

Você esteve acompanhando e ajudando a construir a cena musical em Curitiba e no litoral catarinense desde o início. Algumas regiões passam por altos e baixos, como na época dos clubes da Barra Sul em Balneário Camboriú. Como você tem visto o desenvolvimento de cena no Sul do país? Antigamente falava-se muito em uma “nova Ibiza”, mas hoje isso parece bem distante, você concorda?

A maior dificuldade que temos em relação a ser uma nova Ibiza é geográfica. O sul da América do Sul fica muito distante dos grandes centros mundiais. Nosso povo não fala muito inglês no geral, não há placas de sinalização nesse idioma, salvo em alguns poucos lugares turísticos no Rio ou em SP. Santa Catarina não é mencionada em agências de viagens internacionais. Assim fica quase impossível, mas não vamos parar de tentar, pois esse é outro sonho meu desde que começamos o projeto do Warung: atrair turistas que gastassem em euro e dólar na nossa economia local e aquecer ainda mais a região. Acho que estamos cada vez mais em harmonia com o que está acontecendo nos grandes centros mundiais. Tenho muito orgulho que um clubber nascido em Itajaí possa ver os mesmos artistas que um clubber londrino durante o ano.

“A maior dificuldade que temos em relação a ser uma nova Ibiza é geográfica.”

Depois de tantos anos, comparando lá atrás com hoje, qual é o maior desafio em empreender nesse meio?

São tantos desafios… Mas com certeza no passado era o preconceito e o estigma em relação à música eletrônica, e atualmente o nível de profissionalismo que temos que atingir. Mas acho que o pior são as leis injustas que não ajudam em nada a cultura do país.

Eu pude assistir recentemente algumas apresentações suas, por vezes com o Mandi, outrora com o Leozinho. Você esteve parado por um tempo, agora está de volta, e me parece que está mais tranquilo para poder curtir e se dedicar ao DJing. Isso tem a ver com o nível de profissionalismo que o clube atingiu?

Vejo tudo como uma coisa só. Sou amante da música eletrônica, às vezes não me seguro e participo de sets de amigos meus. Acredito que tenho algo para acrescentar, pois desenvolvi um feeling de pista através de todos esses anos — gosto muito de dançar desde sempre, por vezes, por horas. Mas na verdade sou um clubber forçado a ser empresário para lutar pelo direito de realizar eventos.

Você tem uma relação muito forte com a Indonésia por causa de sua paixão pelo surfe; conte-nos um pouco dessa influência.

Sim, desde a minha primeira viagem em 94 fiquei muito impressionado com a energia do lugar. Bali é o lugar mais místico que conheço e sempre que não sabia o que fazer na minha vida corria para lá. As visões sempre aconteceram.

Você sempre foi uma pessoa de ter opinião e de se posicionar em relação àquilo que você pensa, principalmente em relação à situação em que nosso país se encontra. O envolvimento de entidades públicas e privadas em esquemas de corrupção parece não ter fim; como você tem visto tudo isso?

Acho que por influência da minha família e formação sou politizado, todos sabem das dificuldades de ser empresário num país onde as principais regras do jogo mudam injustamente motivadas por descaso e hipocrisia.

Não vejo solução para o país enquanto mandarmos nosso suado dinheiro para um buraco negro chamado Brasília, alimentando um sistema que só nos rouba. Isso é uma insanidade, porque condenamos nossas futuras gerações a serem também meras pagadoras de impostos.  Temos que ter leis adaptadas à realidade de cada Estado. Não consigo enxergar outro caminho para nosso povo viver com dignidade.

“Não vejo solução para o país enquanto mandarmos nosso suado dinheiro para um buraco negro chamado Brasília, alimentando um sistema que só nos rouba.”

O Warung está prestes a completar quinze anos, e a marca parece estar mais forte do que nunca. Você consegue medir o quanto que o seu sonho acabou mudando a vida de muitas pessoas?

Isso é muito raro, vivemos nosso melhor momento após quinze anos… Sempre digo que o importante são as pessoas; conseguimos montar um dream team no Warung que é imbatível no nosso meio. Estou muito feliz com o resultado de todo esse trabalho.

Falando em sonho, podemos encerrar falando de outro. Você já comentou algumas vezes que gostaria de receber Sasha & John Digweed no “Templo” — agora que eles estão de volta juntos, você acredita que existe a possibilidade de virem para o clube?

Tudo o que vocês podem imaginar já foi tentado. Vamos continuar tentando insistentemente até eles entenderem que todos nós merecemos isso pela cena que construímos todos juntos aqui.

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Executivo próximo a Avicii fala sobre novo álbum, segredo do sucesso e comportamento peculiar do artista

Phouse Staff

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Lonely Together
Foto: Reprodução
O presidente da Geffen Records fez revelações importantes sobre os bastidores do trabalho com o músico

Neil Jacobson, presidente da Geffen Records — selo que lançava as músicas de Avicii —, deu uma entrevista bastante profunda e esclarecedora para Shirley Halperin, da Variety, logo após a morte do artista. Jacobson trabalhava como A&R de Avicii desde que fechou contrato com a Interscope (selo-mãe da Geffen) para “Levels”, e, portanto, era uma das pessoas mais próximas dele.

Na entrevista, o executivo revelou que um novo álbum estava muito perto de ser lançado, que conversou com o sueco dois dias antes da sua morte, e falou sobre como o enxergava como um músico genial, pioneiro e diferenciado, que tinha como grande trunfo a capacidade de criar grandes melodias.

Confira algumas das melhores declarações de Jacobson para a Variety, em tradução feita pela Phouse:

— Trabalhei com o Tim por muito tempo. Ele era o meu cara. […] Foi um grande amigo, um grande garoto. Tenho cuidado em não cometer exageros com essas declarações porque isso é algo fácil de se fazer quando alguém falece, mas pode falar com qualquer pessoa que o conheceu e vão te dizer que ele era um garoto bom e gentil.

— Tim era um artista original. […] Ele era muito consciente sobre o que estava rolando, e muito interessado em seguir um caminho diferente. […] Sempre tinha um pé no momento atual e o outro em algo completamente diferente e inesperado.

— A primeira vez que ouvi falar nele foi no Identity Festival, por volta de 2010. […] Escutei “Levels” e fiquei tipo, “caramba, isso é grande”. Era uma grande música, um grande sample, uma grande ideia, um grande drop. E você olhava pra ele e ele tinha aquele look incrível — a camisa xadrez, o cabelo loiro, a grande música. Tinha um ar de que você não podia chegar perto dele, e esse mistério foi mantido no primeiro ano, quando “Levels” não parava de crescer. Foi o grande surgimento da EDM, a dance music moderna, e ele surfou aquela onda como um profissional. Ele estava bem em frente a ela.

— O grande lance do Tim era o seu senso incomum para melodias — do tipo que grudam na sua cabeça. […] Seu ingrediente secreto era a sua melodia. O seu entendimento sobre ela, como identificá-la. Ele sempre escolhia a correta, sempre sabia como dirigir os cantores, em como eles deveriam entrar e sair de cada vocal. Ninguém fazia o que o Tim fazia, e eu acho que é por isso que ele seguiu tendo hit atrás de hit.

— [Sobre o novo álbum]: Estávamos trabalhando nele, e era o melhor material do Avicii em anos, pra ser sincero. […] Ele estava muito inspirado e empolgado. Tivemos um mês de sessões no estúdio, e tínhamos que delimitar horários de encerramento, porque se deixasse, o Tim ia trabalhar por 16 horas seguidas, era a natureza dele. Você tinha que tirá-lo disso, tipo: “Tim, vamos lá, vai dormir, descanse um pouco”. É uma tragédia. Tínhamos esse músico incrível, mágico.

— [Sobre o futuro do álbum]: Não faço ideia do que vai ser agora. Vou dar um tempo e trocar uma ideia com a família dele, depois que as coisas se acalmarem. […] Vamos tentar pegar alguma recomendação da família e então trabalhar pra fazer algo que ele gostaria que fizéssemos.

— [Sobre colaborações no álbum]: Sim, há algumas. Prefiro não dizer quem são. O Tim tinha uma lista de pessoas com quem ele gostaria de trabalhar nesse disco. Na verdade essa foi a última coisa que conversamos, dois dias antes [da morte do artista]. É meio assustador.

— Sim, ele era um perfeccionista, um workaholic. Até que ele fosse para o lado oposto. Por que ele estava em Omã? Eu estava, tipo: “Tim, onde fica Omã? Eu nem faço ideia”. E ele: “Eu vou pra Omã. Vai ser divertido”. Este era ele: trabalhava muito forte e então dava meia volta como se fosse um piloto de guerra.

— Quando estávamos lançando o último EP — porque nós conversamos muito sobre o futuro da música, sobre não ser mais sobre álbuns nem singles, e por isso decidimos lançar em pequenos blocos —, logo antes de termos tudo pronto e entregue, eu ficava martelando na cabeça dele todos os dias. Como o cara do A&R, eu preciso ter o disco pronto. De repente, ele pega um avião e vai pra Machu Picchu. Não tivemos notícias por três dias. E aí ele posta um vídeo de uma lhama no Instagram com “Friend of Mine” tocando ao fundo. Claro, ele estava certo. Seus fãs enlouqueceram, aquilo viralizou na internet, virou o trending topic número um em tudo que é canto. Promoveu perfeitamente o disco de Machu Picchu. Este era ele. Tipo: “Sério, Tim? Uma lhama?”

— [Sobre voltar a fazer shows]: Volta e meia a gente tocava no assunto. “E se você fizesse esse show?” Ele respondia: “Não, não, não. Não vou voltar a tocar, mas se eu fosse fazer algo, provavelmente seria aparecer de surpresa num clube underground, só pela diversão”. Ele sentia falta disso, de discotecar. Ele amava a dance music. Você quer enlouquecer? Vá para o meio dos fãs em um show do Avicii. Ele entendia o fluxo e o refluxo de um set, como fazer as pessoas dançarem, como diminuir a intensidade e depois trazer elas de volta. Você acabaria chorando durante três quartos do show e sem saber por quê. Era isso que ele fazia, esse era o seu talento.

— Se o Avicii voltasse a tocar em um ou dois anos, acredito que o cachê seria um número de sete dígitos, só pra começar. Tem tantas pessoas que gostariam de vê-lo, de dançar e enlouquecer num show dele. Teria sido lindo.

— [Sobre os problemas de saúde e especulações de abuso de drogas]: Não posso falar muito sobre isso porque eu não sei. Posso dizer o seguinte: se algum desses rumores fosse verdade, acho que eu teria visto algo. E por mais que eu estivesse o tempo todo em volta dele, nunca vi nada disso. Ele não fazia festa. Ia para um clube para ouvir o DJ.

— [Respondendo sobre o que mais vai sentir falta na ausência do Avicii]: Não vou sentir falta dele me ligando às 04h15 da madrugada (risos). Ele não entendia o tempo, não fazia sentido pra ele. Era uma pessoa noturna, e não compreendia os limites dessa questão. Só posso falar sobre sua música e sua força criativa no estúdio. Seu respeito pela arte, pela criatividade. Ele lutou para ser um grande artista. Nunca foi algo como “essa música já está boa, vamos embora”. Tinha que ser excelente, e eu vou sentir falta disso.

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Em novo e emocionado depoimento, família indica que Avicii cometeu suicídio

Phouse Staff

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Avicii suicídio
Foto: Reprodução
Família Bergling soltou novo comunicado para o público nesta quinta-feira

Dois dias depois de soltar seu primeiro comunicado para a imprensa, a família de Avicii voltou a falar — e desta vez, a mensagem foi bem mais reveladora. No novo comunicado, ao dizer que o músico “não conseguiu ir além” e “queria encontrar paz”, a família Bergling dá a entender que o DJ teria cometido suicídio.

Confira o depoimento na íntegra, em tradução livre feita pela Phouse:

Estocolmo, 26 de abril de 2018

Nosso amado Tim estava em busca de algo. Era uma alma artística frágil que procurava encontrar respostas para questões existenciais. 

Um perfeccionista que viajou e trabalhou duro em um ritmo que levou a um estresse extremo.

Quando ele parou com as turnês, queria encontrar um equilíbrio na vida entre ser feliz e conseguir fazer o que ele mais amava — música.

Ele realmente enfrentou muitos pensamentos sobre sentido, vida e felicidade.

Ele não conseguiu ir além.

Ele queria encontrar paz.

O Tim não foi feito para a máquina de negócios em que ele acabou se encontrando; era um cara sensível que amava seus fãs, mas evitava os holofotes.

Tim, você será amado para sempre, e deixa muitas saudades.

A pessoa que você era e a sua música vão manter sua memória viva.

Nós te amamos,

Sua família.

Tim deixa seus pais, Klas e Anki, seus dois irmãos, Anton e David, e sua irmã, Linda. O músico foi encontrado sem vida na sexta-feira passada (20), no Muscat Hills Resort, em Omã.

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