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Opinião

SP e o techno progressivo: o que representa a vinda de Cid Inc e Darin Epsilon

Jonas Fachi

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Em uma era em que festas independentes têm tomado conta da capital paulista, o núcleo Unik ID surge com nomes nunca acreditados nesse cenário.

Por décadas, São Paulo vem sendo apontada como um dos principais centros da cultura eletrônica underground no mundo. Sua imponência urbana e industrial 24 horas enseja uma sociedade com ideias inovadoras em vários aspectos, e um dos principais é a música. Alguns dos DJs e produtores mais respeitados que o Brasil já produziu surgiram do preto e branco e muitas vezes caótico centro financeiro nacional.

Compreendendo isso, não fica difícil entender o porquê do techno ser o estilo que mais se espelha nos buscadores da noite da cidade. Sonoridades frias e mecânicas dominam os clubes e festivais realizados na maior metrópole da América do Sul; no entanto, existe um movimento de produtores ao redor do mundo que tem conseguido colocar em evidência sonoridades com drums machines desconexas e profundidade nas batidas lineares , no que tem sido chamado por muitos de “techno progressivo”.

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Essa brecha, que invadiu até cidades historicamente conservadoras como Berlim, parece ser uma tendência que veio para ficar por seu apelo introspectivo, fazendo frente a uma geração de jovens que questionam todos os modelos aparentemente falhos de subsistemas que governam nosso mundo e como nos relacionamos com ele. Quem imaginaria ver em sequência produtores como Cid Inc e o expoente Guy J na cidade, alguns anos atrás? Pois bem, isso irá acontecer. A vinda do israelense ao D-EDGE é um marco na cidade, porém o olhar aqui se atenta a um grupo de DJs e produtores que tem unido forças para fazer esse estilo adentrar o coração gélido da metrópole.

Em uma era em que festas independentes têm tomado conta da capital, muito por apresentarem relação mais direta e novas experiências aos frequentadores, o núcleo Unik ID surge com a proposta de estabelecer nesse cenário novos tempos e artistas nunca acreditados. Em 10 de junho, o projeto irá realizar um evento no Audio Club da Barra Funda. A pista secundária do club foi estrategicamente escolhida por ter as medidas e a estrutura sonora compatíveis com o objetivo pretendido para o público paulista; música eletrônica séria e conceitual, com foco nas principais vertentes da house e do techno progressivo.

O projeto é resultado do encontro de quatro DJs com origens bastante diferentes: Pedro Capelossi, Pk Live, Gui Milani e Caio Madda encontraram especialmente na música progressiva uma paixão comum que resultou na criação desse interessante e promissor núcleo, que traz pela primeira vez ao Brasil o finlandês/sueco Cid Inc.

Alter ego de Henri Hurtig, Cid Inc iniciou sua jornada na produção musical no início da década de 1990. Os sons de KLF, Underworld, Future Sound Of London e Aphex Twin deram forma à fundação musical de Henri no início, e eventualmente o levou a começar a tocar em 1993.

A formação em engenharia de áudio mostra ser um passo importante na sua evolução como um produtor de música eletrônica. Ele é altamente considerado um dos mais perspicazes engenheiros de som de toda a indústria; sua proeza na masterização (Cid Inc Mastering Services) é procurada por alguns dos mais respeitados artistas e selos. Christian Graham, Guy J, Hernan Cattaneo, Pig & Dan, Hope Recordings, Lost & Found, microCastle, Octopus Recordings, Sudbeat, Transmit Recordings e Tronic são apenas uma pequena seleção de muitos artistas e gravadoras que juram pela expertise da companhia.

Considerado um dos dez melhores produtores de progressive house pelo Beatport, tem sua música já gravada nos corações de muitos fãs, mas com a sua fortaleza e o desejo eterno de perfeição, não há como dizer até onde seus talentos únicos vão chegar.

Outro artista que compõe o lineup do dia 10 é o americano Darin Epsilon. DJ internacionalmente aclamado, produtor, apresentador de rádio e proprietário de uma gravadora, Epsilon é muitas vezes referido como um líder da nova geração de produtores de Chicago, fazendo justiça a uma das cidades mais importantes na história da house music. Seu programa de rádio Perspectives atrai milhares de ouvintes a cada mês.

Como uma extensão da sua marca, lançou a gravadora Perspectives Digital em novembro de 2010, solidificando ainda mais sua influência e presença dentro da comunidade global da música eletrônica. Em 2016, foi indicado ao Beatport Awards na categoria Melhores Artistas de Progressive House e, em 2011, John Digweed o nomeou um dos vencedores em sua competição de DJs patrocinada por Bedrock e Ableton Live.

Suas produções entraram no Top 100 do Beatport várias vezes, e são apresentadas nas compilações de Nick Warren, Hernan Cattaneo, Armin van Buuren, Markus Schulz, Paul Oakenfold e Max Graham. No entanto, suas conquistas não foram puramente confinadas ao cenário clubber. Marcas globais como a MTV, a American DJ, a American Audio, a Elation Professional e a Global Truss convidaram-no a conceber a trilha sonora de seus vídeos. Sua música também pode ser encontrada em dois filmes, o colocando em uma pequena categoria de produtores que já fizeram um trabalho na tela grande.

Portanto, Cid Inc e Darin Epsilon são dois artistas que inspiram por suas legítimas dedicações à arte underground e contam com o apoio de nomes reverenciados da indústria, prometendo trazer para São Paulo uma noite carregada de frequências subversivas. Você pode conferir mais detalhes sobre o evento da Unik aqui.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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