Jovem, natural de Goiânia, com estágio no estúdio do ex-manager de Afrojack, DNA musical, dedicação ao trabalho e, claro, apaixonado por música eletrônica. A Phouse conversou com Sunroi, produtor de 26 anos que está se lançando ao mercado brasileiro depois de uma importante vivência na Europa, para investigar por que ele se transformou na mais nova aposta da Artist Factory, que agencia nomes como Alok, Liu e Bhaskar.

Neto do compositor sertanejo Don Bira, o artista revela que a música sempre esteve em seu sangue, mas que foi na infância, nas rádios de Bruxelas, que descobriu a dance music. “Por ter essa influência na família, sempre fui eclético, gosto de música boa. Mas lá pelos oito, nove anos, descobri essa música diferente, que ainda não era tão conhecida, e viria a se tornar minha paixão”, conta Hójjamaz de Melo Moreira, o Sunroi.

Lançada em maio com Wolsh e Bahsi, “On My Way” é o principal single de Sunroi até então

“Meu pai só coloca nome louco nos filhos. Tenho uma irmã chamada Hamany e outra que se chama Hadarah”, brinca. Depois de conhecer a nova paixão em solo belga, Hójjamaz — ou Roger, para os amigos — começou a estudar produção musical na caruda, aos 16 anos. “Quando entendi que existia todo um mundo por trás disso, entrei numa escola de produção, mas saí muito cedo. Tudo o que ensinavam ali eu já sabia. Comecei a tocar nos bares de Bruxelas, e aí achei que a Bélgica tava pequena”, continua.

Foi então que, aos 19, resolveu visitar a Dancefair, em Amsterdã — tradicional encontro do mercado da música eletrônica, mais ou menos como o ADE, mas mais voltado aos profissionais da indústria —, e sair entregando pendrive com suas primeiras produções. Nisso, conseguiu chamar a atenção de Bobby Burns, chefão da Wall Recordings e manager do Afrojack à época. “Entreguei o pendrive a ele, passou uma semana e ele me ligou. Convidou pro estúdio, queria ouvir meu som”, narra.

Fã de Avicii, Sunroi lançou bootleg para “S.O.S”, em parceria com o MOJJO

O que parecia um simples convite despretensioso se transformou numa realidade que o jovem Hójjamaz sequer poderia sonhar: acabou largando o emprego que tinha na prefeitura de Bruxelas para morar na capital holandesa, meca da música eletrônica, em um quarto anexo por quase três anos. “O Bobby tinha um estúdio onde todo mundo passava, então foi uma grande oportunidade de aprender e expandir meu trabalho. Eu não era amigo dele, não falava inglês nem holandês; nossa comunicação era a música. Mas aos poucos aprendi as línguas e comecei a abrir várias portas”, segue.

Assim, o garoto foi se profissionalizando, a ponto de produzir com destaque, nos bastidores, para vários artistas. Depois de mais uns anos morando novamente na Bélgica, sentiu-se pronto para enfim lançar seu próprio projeto. No ano passado, conheceu a turma da Artist Factory no ADE, e a química não demorou a acontecer. Os executivos viram um grande potencial para ser trabalhado, e já o convidaram para fazer parte do time e morar em São Paulo.

Remix para o Valentine saiu em EP pela Armada Music, em 2018

“Acreditar e apostar em novos artistas é um dos alicerces da Artist Factory Management, porque entendemos a importância de fomentar o crescimento do cenário da música eletrônica nacional. E isso só é possível apostando em novos artistas nacionais, bem como valorizando artistas internacionais que estão começando e despontando”, explica o CEO da Artist Factory, Felipe Lobo. “Tivemos a oportunidade de conhecer o Sunroi em Amsterdã durante nossa participação no ADE e, de imediato, percebemos sua paixão pela música, que fica claramente representada em suas produções. Ele, que já vinha produzindo em colaboração com outros artistas, tem uma qualidade técnica impressionante e acreditamos muito no seu potencial como DJ e produtor.”

Para Hójjamaz, entretanto, não foi apenas o seu talento que despertou a atenção de Bobby Burns e da AF. “Muitos têm talento, mas não pegam duro, não fazem acontecer, ficam reclamado. Acho que o que viram em mim foi mais a vontade de fazer acontecer. Eu chego e falo: ‘quero trabalhar, fazer música, criar uma história’. Acredito que isso desperta um interesse maior nas pessoas. Me falavam que era impossível, e eu fui acreditando até fazer dar certo. Por isso, quando lhe disserem que seu sonho é impossível, é porque você está no caminho certo”, reflete o artista, que se mostra muito feliz com a nova rotina como Sunroi.

“We Rolling”: outra collab com Wolshi, lançada pela Heldeep de Oliver Heldens

“Desde que cheguei, tem sido muito bom. Quando vi aquele escritório enorme da Artist Factory, pensei: ‘é lá que quero estar’. No Carnaval fiz cinco datas, já cheguei tocando, tenho rodado bastante pelo Brasil em diversos eventos. A gente nunca para”, diz o músico, que se inspira em Lost Frequencies, Avicii, R3HAB e Calvin Harris. “Gosto muito dessa vertente mais pop — canções com melodias alegres e misturando o orgânico com a música eletrônica. Mas entendo a importância de, como DJ, lançar tracks para clubs”, complementa.

Agora, com collabs com nomes nacionais importantes no horizonte — entre eles, Bhaskar e Rooftime —, uma agenda intensa promovida pela Box Talents e a volta de uma convivência mais próxima com a família [os pais voltaram para Goiânia], Hójjamaz está em casa, e o Sunroi tem todos os ingredientes para brilhar no cenário eletrônico nacional.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

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