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Tá tranquilo e tá favorável pro funk carioca se misturar com a EDM brasileira

Flávio Lerner

Publicado em

17/02/2016 - 10:45

Depois de gringos como o Hardwell, começamos a ver DJs brazucas de EDM, como o Repow, valorizando o funk nacional.

* Funk carioca é usado neste texto como nome do gênero, não se referindo necessariamente ao funk feito no Rio de Janeiro.

Você pode odiar funk carioca; detestar seus beats, seus artistas, seus DJs e MCs; pode achar a música pobre e sem substância, e se revoltar com suas letras ofensivas e vulgares. Só não dá pra negar que o funk brasileiro: [1] é música; [2] é cultura; [3] é música eletrônica; e [4] faz parte da cultura DJ tanto quanto house, techno, hip hop ou trap. Acredite, negar isso pega mal. É ignorância, é falta de leitura e de conhecimento, é ficar dando murro em ponta de faca. É como querer negar que temos dois pulmões ou que o Kanye West seja um babaca.

O que pega é que esse funk é, basicamente, um manifesto da perifa, de favelado. Essas pessoas agora têm essa voz, e fazem questão de levantá-la bem alto, esfregando na nossa cara que elas existem e que vêm de uma estrutura precaríssima; que passam fome, discriminação, abuso, violência. E elas querem mesmo chocar, se fazer ser notadas, como num grande rolezinho musical. A galera do baile funk, em suma, faz a mesma coisa que a classe operária europeia fez a partir do movimento punk nos anos 70: age como um espelho deformado da sociedade, que reflete, de maneira aumentativa, o que nela há de mais sórdido e ultrajante.

A classe média brasileira reage como a burguesia inglesa reagia aos punks: com desprezo, nojo, ódio. Ódio por ter que enxergar o que há de pior em si mesma; ódio por ser forçada a despertar do “sonho americano”, esse mundo ilusório de shoppings colossais, selfies e wi-fi liberado, e ter que lembrar que tem milhões de pessoas vivendo segregadas, passando fome, sem saneamento básico. Essa gentinha aí, que não é chique e mal sabe português, e que faz umas músicas fuleiras, que só falam de crime e putaria — cruzes, que afronta ao cidadão de bem!

Não é nem preciso dizer que quando os big names da EDM — um movimento majoritariamente branco e classe média — começaram a pagar pau pro baile funk, seus entusiastas brasileiros ficaram enfurecidos. Claro, não podemos esquecer do famoso complexo de vira-latas tão típico do brasileiro, que o faz ver tudo que é tipicamente brazuca como inferior. Mas e quando a gringaida mostra que aquilo pode ser legal?

Depois dos intensos vídeos virais do Hardwell tocando “Baile de Favela”, com direito até a palinha ao vivo com o MC João e depois remix oficial [e é bom salientar que ele passa longe de ser o primeiro DJ estrangeiro a tocar funk no Brasil], parece que o terreno começou a ser preparado pra uma aceitação dos marginalizados do baile funk pela comunidade clubber brasileira. Naturalmente, os primeiros passos vêm sempre dos artistas e outros formadores de opinião, que remam contra a corrente e enfrentam muita resistência por isso. O RMC já abriu este ano pro corajoso e necessário Baile do Dennis — afinal, como deixar de fora da festa o único estilo de música eletrônica de pista tipicamente brasileiro?

https://soundcloud.com/repow/bailedefavela

Os artistas da EDM nacional também começaram a surfar essa onda; recentemente tivemos bootlegs de “Baile de Favela” feitos por caras como o Dimy Soler e o Repow. Este, aliás, faz questão de nos lembrar que já vem dando essa moral pro funk há bastante tempo, e que não tá só “seguindo a modinha”: “Quem me acompanha nas redes sabe que estou fazendo esse remix muito antes do Hardwell chegar no Brasil. O fato de ele ter tocado a música só me encorajou a lançá-la”, disse o jovem curitibano, que já vinha mandando uns mashups de funk em seus sets desde o semestre passado, e agora recebe haterismo junto com um feedback bem positivo. “Eu gostaria de deixar claro que mais do que nunca eu estou me divertindo no estúdio, sendo feliz com minha música. Estou fluindo como nunca e criei coragem para produzir estilos diferentes e arriscar coisas novas. Avicii sofreu coisas piores quando tocou ‘Wake Me Up’ pela primeira vez. Seguir modinha realmente não é o recomendável. Se alguém faz algo só pra ir na onda é triste, mas faz parte.”

Admirador dos trabalhos de Bonde do Tigrão e Anitta, o DJ concorda que algumas letras do gênero são bem controversas, mas também lembra que a mesma coisa vem acontecendo na cultura hip hop dos EUA há anos. “O rap é o estilo mais ouvido do mundo, segundo o Spotify, e no rap americano tem varias historias semelhantes ao do funk carioca: cantores analfabetos que seguiram em frente na vida e conquistaram o mundo com suas músicas.” O Repow também acredita que esse flerte da EDM brasileira com o baile funk pode estar gerando uma nova estética: “Tropkillaz, Johnny Glovez, WAO… Todos estão usando elementos de funk nas músicas. E alguns DJs iniciantes já estão me mandando várias ideias [nesse estilo]”.

O Tropkillaz, aliás — duo que vem há anos com um trabalho coerente dentro da bass music — é parceria do Repow nesse novo remix pro hit memeístico “Tá Tranquilo, Tá Favorável”, do MC Bin Laden, no que era pra ser uma brincadeira despretensiosa, mas que acabou ganhando até uns vocais exclusivos enviados pelo próprio MC. “Eu comecei a ideia e chamei os meninos do Tropkillaz pra entrar junto. Eles adoraram e finalizamos em dois dias! Pensei em focar apenas no loop ‘tá tranquilo, tá favorável’, sem usar o resto da letra. Se quase todas as músicas do mainstream têm loops eternos de ‘clap your hands’ ou ‘put your fucking hands up’, por que não arriscar com ‘tá tranquilo, tá favoravel’? Hahaha!”. Touché, mister Repow.

E o haterismo? O produtor olha pra metade cheia do copo: “Uma vez um amigo me falou que quando você incomoda as pessoas é porque está dando certo”. É bem como vocês amam dizer por aí: o choro é livre.

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Com Alternative Kasual, Lowderz e Enkode, Bhaskar lança “Lovin’ You”

Produtor explica como surgiu a collab e fala sobre seu papel na faixa

Phouse Staff

Publicado há

Lovin' You
Foto: Divulgação

Nessa sexta-feira, 19, Bhaskar reapareceu com mais uma collab — desta vez fugindo um pouco da sua proposta mais recente de casar seus beats com artistas brasileiros de outras vertentes, retornando à sua sonoridade mais clássica.

Pela Austro Music, o produtor lançou “Lovin’ You”, resultado da parceria com dois nomes em ascensão no cenário nacional: o brasiliense Alternative Kasual e o duo carioca Lowderz. Além deles, o DJ, produtor, multi-instrumentista, cantor e compositor mineiro Enkode emprestou sua voz à canção.

Em contato com a Phouse, Bhaskar explicou como escolhe com quem produzir: “Geralmente eu miro em artistas com quem tenho sincronia e admiração. Sempre curti o trabalho do Alternative Kasual e o do Lowderz, e o Enkode eu conheci através desta música. Mas sou muito cabeça aberta pra receber ideias de artistas. Se a proposta, letra ou melodia mexerem comigo, eu entro na collab!”.

O artista também falou sobre seu papel na faixa. “Eu recebi ela com o arranjo já bem encaminhado. Senti que precisávamos alterar algumas partes do vocal e o drop — em que coloquei um bass bem parecido com o da ‘Infinito Particular’. Então entrei nesses pontos”, concluiu.

  

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Alphabeat lança homenagem a hit country e primeiro remix da GR6

Kiko Franco (foto), Double Z e G Dom remixam “Amar Amei”, enquanto Dudu Linhares e Lipe Forbes trazem “Cotton Eye Joe”

Alphabeat Records

Publicado há

Kiko Franco e Woak
Kiko Franco. Foto: Divulgação

Os os dois lançamentos de hoje da Alphabeat Records trazem propostas e pegadas bem diferentes entre si. Dudu Linhares e Lipe Forbes vêm com “Cotton Eye Joe”, enquanto Kiko Franco, Double Z e G Dom pintam com um remix para “Amar Amei”, do MC Don Juan.

“Cotton Eye Joe” é uma homenagem à banda sueca Rednex, que em 1994 emplacou o hit country de mesmo nome. Amigos desde a infância, Lipe Forbes e Dudu Linhares se juntaram mais uma vez no estúdio, e a música acabou vindo meio por acaso.

Em uma de suas jams, quando estavam produzindo uma track, surgiu a ideia de homenagear “Cotton Eye Joe”, que marcou a infância dos dois produtores. Ao colocar o vocal da música original para tocar por cima da base em que estavam trabalhando, tiveram uma surpresa — as músicas encaixaram como uma luva.

   

Do outro lado, Kiko Franco se uniu com o duo Double Z e com o jovem produtor paulista G Dom para fazer o remix oficial de “Amar Amei”, faixa de sucesso do MC Don Juan, lançada no ano passado. Com isso, os três projetos emplacaram o primeiro remix autorizado pela GR6, famoso selo/produtora de funk brasileiro.

O remix já tem sido tocado pelo Brasil todo, presente já há um tempinho em sets de grandes artistas da música eletrônica nacional.

    

+ CLIQUE AQUI para conferir mais conteúdo da Alphabeat Records

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Cheio de brasilidade, DANNE lança collab com Brazyleros

Releitura do compositor baiano Carlinhos Cor das Águas traz a voz de Neila Kadhí

Phouse Staff

Publicado há

Não vá embora
DANNE. Foto: You've Got Flashed/Divulgação

Conhecido pelo estilo singular de suas produções, DANNE acaba de lançar “Não Vá Embora”, uma collab com o duo Brazyleros e a voz de Neila Kadhí. Trata-se de uma releitura da canção de Carlinhos Cor das Águas, lançada em 2001 no álbum Aldeia. Aqui, a tradicional música em voz e violão do cantor e compositor baiano virou um brazilian bass pesado, sem perder a sua essência verde e amarela.

Instrumentos musicais de percussão tipicamente brasileiros, como o reco-reco e o ganzá, ganham destaque na faixa, que mistura elementos da música popular brasileira com a música eletrônica — marca registrada do DANNE. A nova produção se destaca pela batida marcante, pela melodia e também pelo belo vocal de Neila Kadhí, que, imprime uma identidade incrível para a música.

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“A ideia de fazer essa versão eletrônica veio do Wallas, um dos integrantes do Brazyleros, e logo de cara já fiquei encantando pelo vocal da Neila. A composição é do baiano Carlinhos Cor das Águas e tem tudo a ver com o que proponho a fazer, de sempre valorizar a música brasileira nas minhas produções”, ressalta DANNE, em contato com a Phouse.

A música conta ainda com vários samples inusitados, como sons de trovão e fogos de artifício. O DANNE ainda deu uma saída da zona de conforto pra mandar um backing vocal inusitado em alguns momentos dos drops, e também no final do break.

 

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