Ouça agora “Linked”, a nova música do britânico Bonobo

Faixa foi lançada no dia 1º de julho

Bonobo presenteou seus fãs no começo do mês com uma baita sonzeira assinada pela respeitada label londrina Ninja Tune. Intitulada “Linked”, a produção vem com uma pegada bem calma, toda instrumentalizada, com alguns vocais de background transmitindo uma vibe bem energética, na mesma linha de “Ibrik”, que saiu em janeiro — a sua primeira faixa lançada desde 2017. 

Para quem ouviu em “Linked” um som familiar, talvez seja por que já tenha escutado esse som por aí, nos sets do Bonobo. Um dos registros que encontramos na internet dessa faixa sendo executada foi no Boiler Room de Nova Iorque, em fevereiro do ano passado. Confira abaixo, em aproximadamente 11 minutos e 30 segundos do vídeo:

* Luckas Wagg é CEO da Phouse.

Single de Cat Dealers, Bruno Martini e Joy Corporation ganha clipe conceitual

“Gone Too Long” traz os Dealers e a dançarina Pam de Brito como protagonistas

Lançada em janeiro pela HUB Records, “Gone Too Long”, collab feita entre os Cat Dealers, o Bruno Martini e o Joy Corporation, ganhou agora um videoclipe super artístico e conceitual.

O vídeo é protagonizado por Lugui e Pedrão, que, em dois cenários diferentes, parecem estar em uma espécie de transe, hipnotizados pelos movimentos sensuais da dançaria Pam de Brito. Perto do final, o mineiro Joy Corporation entra em cena.

Segundo release de imprensa, o clipe foi inspirado pelo trabalho do fotógrafo surrealista Kyle Thompson. Gravado em uma antiga fazendo em Osasco, e dirigido por Philippe Noguchi, a proposta foi justamente a de realizar uma obra mais artística e subjetiva, aberta para inúmeras interpretações.

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“Antes mesmo de lançarmos a música, sabíamos que queríamos fazer um vídeo para ela que fosse diferente de tudo o que já fizemos. A ideia era fazer algo mais artístico, sem uma história linear, que pudesse ter um significado único para cada pessoa que a assistisse”, contaram os Cat Dealers, através do comunicado.

“Acabamos conhecendo o trabalho do Phillipe Noguchi, e ele nos mandou um roteiro que achamos completamente insano (risos), mas que tinha tudo a ver com as nossas ideias. Esperamos que vocês gostem e trabalhem em algumas teorias sobre o seu significado”, concluíram os irmãos.

Assista abaixo:

Sónar entrega o lineup completo para 2019

O festival rola entre os dias 18 e 20 de julho, em Barcelona

O Sónar revelou nesta quarta-feira a última fase do lineup de sua edição principal. Nomes como Anna vs June (não, não é a “nossa” ANNA), DJ Lag e Theo Parrish foram acrescentados, fechando, como de praxe, um time repleto de atrações conceituais.

Confira:

Foto: Reprodução

O Sónar 2019 rola entre 18 e 20 de julho, em Barcelona. Clique aqui para ler mais sobre o festival.

Um dos mais conceituados clubes de Nova Iorque anuncia fechamento

Inaugurado em 2013, o Output é considerado uma das casas mais importantes do underground da cidade

* Atualizado em 12/12/2018, às 18h05

Após seis anos proporcionando grandes noites de house e techno aos clubbers, o renomado Output, de Nova Iorque, está prestes a dar adeus. A informação surgiu como rumor na imprensa internacional e acabou confirmada ontem pelo clube.

A última festa está marcada para a virada de ano, com um all night long de John Digweed, que vai tocar das 22h às 08h da manhã, em um total de 10 horas de set. Ainda estão escalados para o mês de dezembro nomes como Danny Tenaglia — que anualmente sedia sua festa de Natal no dia 25 —, Seth Troxler, Hot Since 82 e Solardo, em um B2B com o Gorgon City.

Em um comunicado nas redes sociais, a organização explicou que “uma confluência de fatores contribuiu para este fim”, como “tendências sociais mudando rapidamente, condições de mercado desfavoráveis e perspectivas financeiras enfraquecidas”, o que ocasionou um “surgimento simultâneo de múltiplos desafios existenciais para as circunstâncias do clube”.

A notícia divulgada oficialmente através das redes sociais chocou muitos fãs.

 

Inaugurado em janeiro de 2013, o clube do Brooklin teve uma participação importante no cenário local. Com dois andares — incluindo um terraço com linda vista para o horizonte da cidade —, o lugar sempre aceitou pessoas de todos os tipos, nunca trouxe nenhum tipo de lista VIP e sempre praticou valores considerados justos nos ingressos. O foco principal é a diversão e a música, o que pode ser provado pelo seu poderoso soundsystem Funktion-One, um dos mais renomados do planeta.

A exemplo do underground berlinense, o Output possui também uma forte política de não permitir celulares na pista, o que não é tão comum no cenário de Nova Iorque. Para os defensores da prática, isso ratifica o espírito de que a casa é um espaço com situações únicas para serem vividas e curtidas no momento — e não para ostentação —, e fortalece o sentimento de igualdade.

Esse é um dos diferenciais do clube que ficará marcado na memória dos frequentadores, DJs e de todos os outros que viveram parte dessa história.

Depois de cinco anos, Gesaffelstein reaparece com música nova

Com cheiro de álbum novo, “Reset” veio com clipe que tira onda com o atual cenário musical

Cinco anos depois do lançamento de Aleph, seu álbum de estreia, Gesaffelstein ressurgiu com um vídeo que podemos definir como excêntrico. “Reset”, como foi chamado o som, surgiu nas redes sociais sem aviso prévio, e mesmo não possuindo vocais, está dando muito o que falar.

A interpretação mais óbvia do clipe é que se trata de uma paródia crítica da cena musical contemporânea — mais notavelmente, do cenário do hip hop, com seus rappers de rosto tatuado e brigas para ser o centro das atenções. Ao final, Gesaffelstein surge cromado, numa pegada sinistra, dando a entender que ele está ali para “resetar” a indústria. 

O DJ e produtor francês, que até já foi capa da DJ Mag, em 2012, e tocou no Rock in Rio em 2013, é reconhecido por trazer uma proposta mais conceitual e original, fugindo de clichês e fórmulas simples para agradar a grande massa. No começo de novembro, o músico assinou com a Columbia Records. Cheiro de álbum novo vindo aí?

     

Em dezembro, D-EDGE apresenta edição “Culture” de seu festival

A edição extra reposiciona o D-EDGE Festival no último mês do ano

Em abril, o D-EDGE apresentou a primeira edição de seu festival de assinatura própria. Praticamente desde sua fundação, em meados de 2000, o club paulistano realiza eventos de grandes proporções em São Paulo e outras cidades do país. Apesar disso, um festival de fato, era algo até então inédito na vitoriosa história do grupo comandado por Renato Ratier.

O sucesso da primeira edição, que contou com nomes como Lee Burridge, Trikk, Slam, Mark Broom, Traumer, Dana Ruh, Butch, Stephan Bodzin, Daniel Bortz, La Fleur, Ryan Elliott, DJ Marky e DJ Heather, deixou aquele gostinho de quero mais. E quem imaginou que o festival retornaria apenas no ano que vem, felizmente estava enganado. Visando posicionar dezembro como mês oficial do evento, uma nova edição foi confirmada para 2018 — mais precisamente, para o próximo dia 15. A partir daí, o D-EDGE Festival se dará sempre no último mês do ano.

+ Primeiro D-EDGE Festival foi sucesso de ponta a ponta

Na essência, esta será uma edição com algumas diferenças básicas em relação ao evento de abril, tanto em proposta, quanto em estrutura. O D-EDGE Festival Culture, como está sendo chamado, terá uma programação montada em cima dos pilares ideológicos do club: arte, cultura e educação. Ao longo da semana, uma série de workshops, palestras, exposições e outras atividades culturais serão apresentadas de forma prévia ao festival.

Já no dia 15, as principais atrações estarão divididas entre o Audio Stage (no Audio Club) e o próprio D-EDGE. No Audio, apresentam-se nomes como Bob Moses, Thomas Schumacher b2b Victor Ruiz e M.A.N.D.Y. Já no D-EDGE, estão confirmados Antigone, Daniel Bell e Thomas Melchior. Paralelamente aos convidados internacionais, nomes de grande importância para o cenário brasileiro também estão escalados, como Binaryh, L_cio e Ney Faustini.

Confira o lineup:

 Foto: Reprodução/Facebook

Você pode conferir mais informações na página do evento no Facebook.

* Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

Giorgia Angiuli lança seu aguardado álbum de estreia

“In a Pink Bubble” saiu pela Stil vor Talent nesta sexta-feira

Cada vez mais em evidência no cenário internacional, a italiana Giorgia Angiuli (que recentemente esteve no Brasil e trocou uma ideia conosco) enfim lançou seu aguardado primeiro álbum. 

In a Pink Bubble saiu nesta sexta-feira pelo conceituado selo berlinense Stil vor Talent, e tem tudo pra ser um dos lançamentos do ano no universo eletrônico conceitual. O disco traz 13 faixas que abrangem uma mistura de techno melódico e indie eletrônico, como ela mesma descreve. Além disso, foi bastante inspirado por um dos momentos mais difíceis da vida da artista: a perda recente do “grande amor da sua vida”, sua mãe.

Ouça abaixo e não deixe de ler aqui nossa entrevista com a Giorgia pra saber mais sobre o álbum e sobre sua carreira.

“Pedra Preta”, o 1º álbum do Teto Preto, é um grito de resistência

O celebrado grupo do underground paulistano mostra sua maturidade artística em seu primeiro full lenght

Nos últimos anos, São Paulo se transformou em um caldeirão cultural com uma chama multicolorida a iluminar um mar de ideias brilhantes. Nesse cenário, diversas mentes criativas surgiram, mostraram a que vieram e se tornaram referência para uma série de iniciativas que passaram a pipocar pelo país. No olho desse furacão, exercendo posição de protagonismo, lá estava a Mamba Negra e, consequentemente, o Teto Preto.

A relação entre festa e grupo é intrínseca. O Teto Preto nasceu na pista da Mamba e obviamente foi criado por frequentadores e entusiastas da festa. Nesse processo, o grupo foi decisivo para construção do perfil sonoro que tanto marcou a Mamba Negra frente ao seu público. Muito além da música, estamos falando de arte em diferentes camadas — estamos falando de representatividade. A festa representa a banda, a banda representa a festa. Por sua vez, o público se sente fortemente representado por ambos.

Os primeiros trabalhos do Teto Preto foram lançados pelo selo da Mamba, o MAMBA rec, em 2016. O EP Gasolina foi prensado em vinil com duas faixas extremamente marcantes: “Já Deu Pra Sentir” e “Gasolina”. O resultado? Dois hits históricos para jornada do grupo. Na sequência, um hiato de dois anos até “Bate Mais”, single em antecipação ao Pedra Preta, primeiro álbum de estúdio completo da banda, que chegou às plataformas digitais neste mês com oito faixas, sendo sete originais e inéditas.

 

Pedra Preta reflete a atual maturidade artística de seus compositores, mas não deixa a chama da ousadia e irreverência se apagar. Novamente, não se trata apenas de música: Laura Diaz (Carneosso), Loic Koutana, Pedro Zopelar, Savio de Queiroz e William Bica promovem um grito de resistência ao longo de todas as faixas que formam o full lenght. A atmosfera densa do disco dita o ritmo de uma narrativa longa e inteligente, que aborda assuntos como a tragédia do Museu Nacional neste ano.

Por falar em “Pedra Preta”, vale ressaltar que a faixa-título do álbum também ganhou um clipe. Lançado ontem, 22, e com duração de mais de oito minutos, o vídeo dirigido por Rudá Cabral, Laura Diaz e Joana Leonzini traz um storytelling denso e aberto a interpretações, mas com uma clara crítica ao conservadorismo da sociedade brasileira e honrosa menção ao perfil de público da Mamba Negra — o trabalho foi coproduzido pela MAMBA rec em parceria com a Planalto. Sem dúvida alguma, Pedra Preta é uma vitória importante para a sobrevivência da cultura eletrônica de vanguarda no Brasil.

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

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Produtor gaúcho é uma boa mostra do amadurecimento da Gop Tun Records

Neste mês de novembro, o coletivo paulistano Gop Tun celebrou seis anos de uma história construída muito em cima da seriedade com que o coletivo paulistano trata seus projetos artísticos, dentro e fora da pista. Referência na cena house/disco brasileira, o atual patamar do projeto permite que algumas de suas iniciativas sejam encaradas como formadoras de opinião.

Para isso, uma das principais ferramentas do núcleo é a Gop Tun Records, gravadora que possui um catálogo ainda enxuto em número de releases, mas que em 2018 e principalmente 2019, deve ser expandido através de uma intensificada no cronograma. Até então, cada ano tinha entre um e dois lançamentos. Neste ano, foi observado um aumento no fluxo, já que até aqui, três releases ganharam a luz do dia através da plataforma criada pelo coletivo paulistano.

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Atualmente, o time de artistas que compõe o quadro de lançamentos do selo é composto por residentes da Gop, por nomes de forte influência frente à indústria nacional (como Renato Cohen) e algumas mentes brilhantes de outras partes do mundo, como HNNY, Prins Thomas e Lauer.

Para os próximos meses, Bruno Protti (aka TYV) e Gui Scott, duas das cabeças pensantes da gravadora, contam que haverá uma expansão no time de artistas, com mais nomes brasileiros e sul-americanos entrando para o casting da label. Sem a pressão de obrigatoriamente pensar em vinil, a Gop Tun Records se mostra mais apta para apostas e ousadias em seu programa de lançamentos.

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O último EP da gravadora foi assinado pelo produtor gaúcho Tha_guts, um novo nome frente a geração atual de produtores brasileiros. Guto Pereira, mente por trás do projeto, entregou à Gop um release denso e repleto de referências distintas que se revelam ao longo das cinco faixas originais. O trabalho sucede Plastic Noise, disco que o revelou para o cenário da eletrônica brasileira. Após o full lenght lançado de maneira quase que independente, Guto decidiu se aproximar da música eletrônica de pista em suas jams de estúdio, e o resultado foi esse belíssimo trabalho lançado pelo selo do coletivo.

Ao ouvir as faixas de Mirror, é possível entender essa complexidade envolvente que tange o trabalho do coletivo paulistano em seus mais diversos projetos. Tal fato dá autoridade para que o núcleo e os artistas envolvidos em suas festas e seus releases possam se desenvolver de forma assertiva. Além das cinco faixas originais, Guto também assinou um futuro single com a gravadora, que deve ser trabalhado somente no segundo semestre de 2019. Enquanto isso não acontece, ouça na íntegra o seu mais recente lançamento:

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

Importante selo de house e techno da Itália traz showcase inédito ao Brasil

Com datas no Caos e no Warung, Life and Death vem ao Brasil pela primeira vez

O importante selo italiano de house e techno Life and Death acaba de anunciar um showcase em solo brasileiro. Esta será a primeira vez nos seus oito anos que a label fundada por Manfredi Romano virá ao país.

Foram duas as datas divulgadas até este momento: 25 de janeiro, no Caos, e 26 de janeiro, no Warung. Os artistas do roster da label escalados pra miniturnê são o duo israelense Red Axes, o duo italiano Marvin & Guy e o também italiano DJ Tennis.

Os lines completos, que devem ser complementados com atrações nacionais ou locais, ainda não foram revelados.

Eli Iwasa fará seu primeiro set “open to close” nesta sexta-feira

“Esta é a chance de ter todas as minhas versões em uma só noite.”

Sócia-fundadora e residente do Club 88, a Eli Iwasa já tem quase 20 anos de estrada, mas ainda assim sempre sobra uma espaço pra se fazer algo pela primeira vez. Nesta sexta-feira, 23, a DJ vai comandar sozinha a pista do próprio clube campineiro com um long set de sete horas, transitando por sons do passado e do presente, e gêneros que marcaram sua carreira, como disco, house e techno. Além de ser seu primeiro set “open to close”, este será o primeiro long set da Eli numa de suas próprias casas.

Segundo a assessoria de imprensa da Eli, fazer um long set desse tamanho na cidade que ela escolheu pra morar e onde fundou seus dois clubes estava nos planos há muito tempo e era um pedido de muitos fãs, mas estava difícil encontrar uma data neste ano. Agora, enfim, vai rolar.

“Como muita gente sabe, amo fazer long sets — e para alguém como eu, que é essencialmente uma DJ, esses sets permitem criar uma narrativa e contar um pouco de minha própria história musical”, conta Iwasa, em contato com a Phouse. “Alguns dos DJs que me inspiraram são justamente aqueles conhecidos por tocar muitas horas e criar verdadeiras jornadas sonoras. Fiz long sets de cinco, seis, sete, oito horas que foram bem marcantes na minha carreira: no Warung, no Club Vibe, no D-EDGE, e injustamente, nunca tinha feito em meus próprios clubs”, continua.

“Tava difícil de achar uma data neste ano, mas agora deu certo. ‘Open to close’ literalmente; de italo, electro, house, techno e tudo que me der na telha. Li algumas vezes na internet: ‘a Eli de warmup não é a Eli de closing’. Esta é a chance de ter todas as minhas versões em uma só noite. Vai ser bom demais compartilhar isso com o público em casa”, conclui a DJ.

Um ano de Caos com astro alemão

Irmão mais novo do Club 88, o Caos vai completar um ano de vida muito em breve. O headliner da festa, que será no dia 07 de dezembro, é um dos pesos-pesados do techno: o alemão Ben Klock. Além dele, os paulistas Caio T, Lucas Freire e, claro, a própria Eli Iwasa, fecham esse line especial.

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À frente da Allnite Music, o DJ brasileiro Apoena mostra que o vinil não está morto

Do museu para as pistas, o disco de vinil está cada vez mais enraizado no cenário musical

** Edição e revisão: Flávio Lerner

O mundo tem dado passos largos quando o assunto é tecnologia, tanto na música como em diversos outros segmentos. No caminho oposto, encontramos alguns exemplos que, independentemente dos novos recursos de mixagem que aparecem, seguem fielmente a arte e a cultura do uso de discos na hora em que se apresentam pelas pistas ao redor do globo.

É o caso de Henrique Casanova, mais conhecido como DJ Apoena, gaúcho que tem visto seu nome crescer na cena do vinil desde 2010, quando teve destaque no selo inglês Autoreply/Stuga. Sua seriedade e seu compromisso com a qualidade técnica da mixagem são alguns pontos que auxiliam no progresso de sua carreira, fazendo com que consiga atingir um envolvimento perfeito com o público.

 

Mesmo com alguns brasileiros voltando a comprar vinil nos últimos anos e ajudando a reviver um pouco mais essa cultura, o mercado não possui muita força em território nacional, principalmente se tratando da música eletrônica underground. Essa história começou no final da década de 40, quando foi gravado e apresentado o primeiro Long Play (LP), em Nova Iorque. No Brasil, os vinis apareceram três anos depois e tiveram seu auge nos anos 70 e 80, mas hoje encontram muitas dificuldades para se restabelecerem no país.

Em 2017, a Vinil Brasil abriu as portas para a fabricação de discos na cidade de São Paulo, sendo atualmente uma das únicas a realizar a prensagem no Brasil. Ao redor do mundo, uma nova geração de fábricas de vinil vem aparecendo, e o dado mais recente (segundo o Universo do Vinil) contabiliza 90 espaços espalhados em 29 países, sendo os Estados Unidos os principais fabricantes, com 33 deles.

 

Apesar de ser um número animador para personagens como Apoena, ainda será preciso encarar e superar o mercado imaturo para o segmento, vencer algumas barreiras (como a dificuldade na importação e os altos impostos) e acreditar nos mais jovens — público que, de acordo com especialistas, é quem ajuda o vinil a crescer por aqui.

Fundada pelo produtor gaúcho em 2014, a Allnite Music é uma das marcas que não deixam de apostar na mágica dos discos, e com certeza é a label nacional de maior sucesso nesse universo. Focando em house e techno, seus releases são todos em vinil, e a cada lançamento é fácil ser surpreendido tanto pela qualidade sonora como pela construção cuidadosa apresentada do início ao fim das faixas.

Prova disso foi o estrondoso sucesso do EP Edits Brazuca, lançado no início do ano e alcançando ótimos números. Anteriormente, ele também já havia reafirmado sua posição na cena com “Basement Jam”, uma collab com o icônico produtor alemão Alex Agore, com forte presença de elementos da house old school (ouça acima).

  

Agora, no seu mais novo EP, Nebulosa, todas as três músicas são de autoria do próprio Apoena, e demonstram um excelente equilíbrio entre deep e tech house, ao mesmo tempo em que resgatam algumas características mais imersivas já apresentadas em outros lançamentos pelo selo. O disco, como próprio nome já diz, permite uma breve viagem pelo espaço, se mostrando versátil com a mudança de cada faixa — sendo o lado A estrelado pela faixa-título “Nebulosa”, e o lado B por “Asteroides” e “O-Type”.

Todas as músicas que chegam aos nossos ouvidos através do selo vêm carregadas de significados. Talvez seja essa paixão pelo vinil escondida atrás de ótimas produções que garantem cada vez mais o sucesso da Allnite e o espaço em que ela ocupa no cenário musical. Com toda essa força, a gravadora é um bom exemplo de que a indústria do vinil vive e ainda viverá por um bom tempo se depender de pessoas dedicadas e comprometidas como o Henrique. Como é especial ter a bandeira verde e amarela tão bem representada nesse cenário!

* Marllon Gauche é colaborador da Phouse.

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Giorgia Angiuli: “Achava que dance music era vulgar e fácil de se fazer, mas eu estava errada”

Elements Of Life Festival estreou com pé direito no Brasil

Público e artistas endossaram: o EOL mostrou a que veio com um festão em Curitiba

* Edição e revisão: Flávio Lerner

Com pompa de festa gringa e alta expectativa envolvida, o Elements Of Life Festival chegou ao Brasil no último sábado, dia 10. Original da Flórida, nos Estados Unidos, a label estreou no Brasil com Claptone, Gui Boratto, Sharam, Yaya, Hector e toda a crew Vatos Locos, além dos “local heroes” de Curitiba.

A cidade, que é um dos principais pólos da música eletrônica no país, e conhecida por ser um tanto fechada, recebeu o novo evento de braços abertos, a considerar pela quantidade de público presente e que prestigiou as três pistas até o amanhecer.

“Foi um festival que investiu em nossa Redoma de forma respeitosa, fazendo ser possível um dia e uma noite em um palco surreal e artístico” — Lourene Nicola, idealizadora e desenvolvedora da irreverente Redoma.

Com o retrospecto fora do país, não era de se esperar nada diferente do que uma chegada bombástica. Com um lineup poderoso, o EOL Festival conseguiu trazer uma mistura relevante de DJs internacionais pesos-pesados com um recorte do que está rolando de mais interessante na capital do Paraná: os núcleos Redoma, Laguna Music e 4×4.

O local escolhido para o evento foi a Usina 5, mais novo espaço dos super eventos em Curitiba — local que abrigou as duas últimas edições do TribalTech, entre outros. Trata-se de uma antiga fábrica abandonada, repleta de galpões e toda uma estética undeground, porém estruturada para receber bem os convidados com banheiros, chapelaria, bares e toda a infra necessária, em quantidade adequada.

“Tudo foi muito bem organizado, os bares todos sem fila, bebidas geladinhas… Os palcos ficaram bonitos, principalmente o Main Stage. Achei foda demais!” — Mayara T., fã de música eletrônica.

No quesito organização e distribuição dos espaços, o festival já começou bem. Os artistas selecionados pela curadoria e a forma como o evento se apresentou ao público mostraram o empenho da produção, inclusive já de olho na próxima festa que rola em dezembro, em Maringá, no interior do Paraná.

O palco principal foi coisa de cinema, montado num mega galpão com farto espaço de bares e camarotes. Uma estrutura no centro deu o tom da cenografia futurista que envolveu a proposta. Nesse palco, comandado pelo mestre Gui Boratto — que destilou toda a sabedoria contida no seu último álbum Pentagram, entre outras de suas pérolas mágicas —, um dos artistas mais esperados não veio: wAFF, cancelado de última hora.

“Foi uma festa única que tivemos o prazer de participar. Muito linda toda a produção e o cuidado com os nossos artistas. Nos sentimos em casa para fazermos o nosso melhor e conseguimos capturar ótimos momentos que ficarão em nossa memória. Ao público que dançou com a gente a noite toda e foi vibrante do início ao fim, só podemos dizer: muito obrigado por tudo!” — Nassur, do núcleo 4×4.

Claptone é sempre destaque. Com uma legião de fãs, o artista saboreou uma pista que sabia o que queria: uma dessas músicas com certeza era “Animal”, com o Clap Your Hands Say Yeah — se você se ainda não escutou, vai escutar por aí. Fato. O italiano Yaya foi o único DJ inédito em Curitiba a se apresentar nessa pista, e também foi um dos melhores, trazendo uma mistura entre house e techno com groove. Todo mundo dançou.

Pertinho dali, no meio da festa — literalmente —, a pista construída sob os alicerces dos núcleos Redoma e 4×4 bombou a noite toda. Loop Room, Gianis, Kontra, Nassur e Nati Macedo têm feito um ótimo trabalho e isso reverberou na pista, pronta para essa noite divertida e contestadora. E não é? Rave é contestação, ainda mais nos dias atuais, com o Brasil bastante dividido. Redoma é contestação também, com toda uma estética específica e que traz à tona os sentidos e sentimentos mais profundos. Curto muito o som da Lourene Nicola, que movimenta-se no eixo Curitiba–Rio–SP com frequência, e sempre traz um som com a identidade dela, cada vez maduro e único. Show.

“Sem palavras pro Elements of Life Festival! Sem dúvida, um grande momento da minha carreira e da Laguna Music, que jamais esquecerei!” — Petri, um dos cabeças da Laguna Music.

Já o terceiro palco teve como anfitrião o projeto Laguna Music, que frequentemente exporta seus artistas Caoak, Thariel B, Petri e Canci para outros estados do Brasil. O som estava alinhado para receber o grande destaque da festa: Vatos Locos, pela primeira vez no Brasil. Formada por David Gtronic, Hector, Randal M, Floog e Chad Andrew, a crew espanhola estreou no BPM Festival 2015, e desde então se tornou sucesso por onde passa — do México a Ibiza a Berlim.

Perguntado sobre uma possível volta do Vatos Locos ao Brasil, David Gtronic respondeu: “Quem sabe, não é mesmo? Esta foi a primeira vez, e esperamos tocar aqui muito mais vezes, assim como rola em outros países da América Latina”. Adivinha quem tocou no after?

A segunda edição do evento rola nos dias 14 e 15 de dezembro, no Fashion Hall de Maringá, com nomes como Gui Boratto, BLANCAh, Dashdot, Leozinho & Leo Janeiro, Shadow Movement, Ellie Kotz, Cat Dealers, Liu, Evokings, Future Class, Sevenn e Fernando Aragon.

Confira mais fotos:

Review EOL Festival
Foto: Gustavo Remor/Divulgação
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Foto: Gustavo Remor/Divulgação
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Review EOL Festival
Foto: Gustavo Remor/Divulgação

Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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Nato Medrado explora melodia e emoção em som pelo seu próprio selo

Ouça o remix do brasileiro para “Feel Lonely”, do russo Safinteam


O DJ e produtor brasileiro Nato Medrado vive um ótimo momento neste 2018, e tem mantido forte presença nos estúdios desde o início do ano. Após se aventurar por diferentes vertentes da indústria eletrônica, seguindo uma linha de som mais abrangente e nova em sua carreira, o artista resgata seu caráter melódico de ponta em um novo lançamento.

“Feel Lonely” é uma produção original do russo Safinteam, assinado pela gravadora de Nato, a Medrado Music. O lançamento foi um verdadeiro sucesso no ano passado e é marcado como um dos maiores releases da história da label. Não à toa, Nato escolheu justamente esse faixa para preparar um remix especial, que celebra seu retorno para o próprio selo depois de virar nome forte na Armada Music.

A versão original sugerida por Safinteam entrega uma faixa bem melódica, em low BPM, que segue um tom médio agudo, sem marcar muito os graves. Nato acrescenta um pouco de pressão em seu remix e propõe uma composição mais densa e acelerada, que brinca com os grooves sobre a melodia original do produtor russo. Para conferir o resultado é só dar o play abaixo:

 

Relembre também a original, presente no álbum Age Is Just a Number, lançado em maio de 2017:

 

Manoel Cirilo é colaborador da Phouse.

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“Achava que dance music era vulgar e fácil de se fazer, mas eu estava errada”

Uma das artistas mais interessantes do cenário techno atual, Giorgia Angiuli fala sobre o visual, a turnê no Brasil e o seu primeiro álbum solo

* Com a colaboração de Alan Medeiros

No cenário eletrônico, artistas que trazem uma bagagem de referências musicais plural, e que buscam fazer arte em vez de se contentar apenas com sons funcionais para as pistas, costumam ir além e se destacar em meio à massa. É o caso da italiana Giorgia Angiuli, que nos últimos anos explodiu no underground internacional.

Além de uma formação musical rica e de ter experimentado diversas vertentes como artista, a multi-instrumentista e cantora se destaca por um estilo muito particular: no cenário do techno, em que a norma é vestir preto e ser blasé, Giorgia usa roupas infantis e transforma brinquedos e chaveirinhos do Pikachu em controladores de som. Misture tudo isso com um talento grande pra compor, tocar e transmitir uma profundidade artística rara, e você consegue entender um pouquinho por que a garota faz tanto sucesso.

Neste final de semana, Angiuli estreia sua turnê sul-americana no Caos, em Campinas, onde toca nesta sexta, 09, e no dia seguinte já parte para Porto Alegre, onde toca na Warung Tour/Levels. Dali, na véspera do feriado volta a São Paulo, desta vez na capital, em mais uma data da turnê do Warung: dia 14, no Aeroporto Campo de Marte. Saindo do Brasil, encerra a turnê no Sónar Bogotá (17) e no clube The Atlantic Room, em San Juan, Porto Rico.

“Nothing to Lose” é um dos singles já conhecidos de In a Pink Bubble

No dia 23, lançará In a Pink Bubble, seu primeiro álbum solo, que segundo a própria, mistura indie eletrônico e techno melódico. Com 12 faixas, o LP é encarado como um dos lançamentos mais especiais do conceituado selo alemão Stil Vor Talent — e podem apostar que estará em boa parte das listas de melhores do ano.

Com tanta coisa importante rolando ao mesmo tempo, não poderíamos deixar passar a oportunidade de trocar uma palavrinha com ela. No papo que você lê abaixo, conhecemos mais sobre sua trajetória, relação com a música brasileira, descobrimos por que ela adota esse visual “kawaii”, que contrasta com o techno, e que por trás de toda essa aura fofa, seu primeiro álbum é marcado por uma história sombria.

Live incrível gravado em Ibiza, pela Cercle

Giorgia, após duas passagens bem interessantes pelo Brasil, com qual sentimento você chega para essa nova tour?

Vocês não imaginam o quanto estou feliz por estar de volta! Amo esse país, pois você pode respirar energia positiva em qualquer lugar. Amo as pessoas, a comida e a sua natureza!

Como enxerga o Brasil e o cenário cultural/eletrônico brasileiro?

Acho que os brasileiros têm música no sangue, tenho muito respeito pela sua cultura. Ontem à noite aproveitei um show de samba. Também gosto de bossa nova, no carro dos meus pais havia apenas CDs do Caetano Veloso. Adoro a sua intensidade e o seu charme.

Um dos principais instrumentos da música brasileira é o violão, e eu estudei violão, então é um som que também faz parte de mim. Sobre eletrônica, minha produtora preferida no momento é daqui, a ANNA. Adoro o seu techno poderoso e elegante, as produções dela são brilhantes.

“Amo brinquedos e roupas fofas. Com uma roupa preta e um equipamento simples as coisas poderiam ser mais fáceis, mas não quero mudar pelas regras do mercado.”

Ao Alataj, você falou há um ano que a cena eletrônica na Itália era complicada, com um mercado limitado e muitas restrições aos clubs. Isso continua assim? Você tem feito sua carreira mais fora de seu país do que na sua terra natal?

Amo a Itália e acho que é um país cheio de grandes artistas, mas, infelizmente, o governo não apoia a cena clubber. Na Itália, os clubes devem fechar no máximo às 04h da manhã. Não há muitos festivais, mas espero muito que as coisas mudem em um futuro próximo. Neste momento, estou tocando fora do meu país, porque amo viajar e tenho curiosidade em conhecer novas culturas.

Você tem uma trajetória bem interessante no meio musical. Conta melhor pra gente como foi a construção da sua carreira.

É difícil para mim falar sobre música e carreira e manter as coisas separadas. Sempre vivi com e pela música, então pra mim fazer música é natural e é uma necessidade para que eu me sinta bem.

Estudei música clássica, toquei rock e new metal, depois indie eletrônico, e comecei a trabalhar na cena techno há poucos anos. Tento ser sempre eu mesma e tudo aconteceu de uma forma natural. Isso é o que gosto na minha jornada, e ainda por cima, trabalho com uma equipe de amigos — meu booker e meu manager são, acima de tudo, meus amigos.

Assinei meu primeiro álbum no selo da Ellen Allien, Bpitch Control, com meu projeto anterior, We Love, e comecei meu projeto solo há cinco anos. Agora, vou lançar meu primeiro álbum pela Stil Vor Talent.

“O que eu realmente gosto da dance music é a reação do público — você consegue sentir imediatamente o que eles estão achando do seu som. É sobre reações instintivas e sentimentos, então se eles dançam, significa que estão gostando.”

E quais foram os principais desafios que você enfrentou ao começar a trabalhar com música eletrônica? Por vir de um universo diferente do usual, você não se sente um peixe fora d’água nesse cenário clubber?

Sim, às vezes me sinto um pouco como um peixe fora d’água, mas isso também é divertido. Não sei onde vou estar em cinco anos, talvez tocando com uma banda novamente. Amo música em todas as suas formas, e no momento estou apenas nadando em um novo oceano.

Na verdade, quando eu estudava, tinha muito preconceito com dance music. Achava que era algo vulgar e muito fácil de se fazer. Mas eu estava completamente errada, toda música tem suas próprias dificuldades. O que eu realmente gosto da dance music é a reação do público — você consegue sentir imediatamente o que eles estão achando do seu som. É sobre reações instintivas e sentimentos, então se eles dançam, significa que estão gostando.

Como foi que você decidiu usar brinquedos como controladores de som em seus lives? Foi uma alternativa que você encontrou para contrastar com o techno, que normalmente carrega essa aura de um som sério, rígido?

Coleciono brinquedos há muitos anos. Sei que muitas vezes as pessoas olham para o meu setup de uma forma estranha, mas eu não me importo. É quem eu sou: amo cores, adoro brinquedos, roupas fofas, essa onda “kawaii”… Até me sinto um pouco como uma garota japonesa. Sei que com uma roupa preta e um equipamento simples as coisas poderiam ser mais fáceis, mas não quero mudar pelas regras do mercado.

“A música me salvou de um estado de depressão.”

Você também tem falado sobre sinestesia em algumas de suas entrevistas. Você acha possível que, algum dia, seus shows possam apresentar uma experiência multissensorial? Como se daria essa relação de misturar música com cheiros em seus lives?

Quando comecei a tocar música eletrônica, eu costumava tocar em lugares muito pequenos, então eu sempre levava uma pequena máquina de fragrâncias. Tenho muitos sonhos, e um deles é construir um órgão e ligar uma fragrância a cada nota. Considero todas as linguagens artísticas conectadas entre si, e a arte tem o forte poder de nos conduzir a outra dimensão. É por causa disso que acho que todos deveríamos tentar explorar e aproveitar essa experiência o máximo que pudermos.

O que você pode nos contar sobre o processo criativo do seu primeiro álbum solo, que logo, logo está chegando?

Tudo aconteceu muito rápido e sem um plano próprio. Eu produzi o álbum inteiro em oito meses, trabalhando muito enquanto viajava, até mesmo nos voos. Não foi muito fácil encontrar tempo para me concentrar no estúdio. Senti uma forte necessidade de compor música, transmitir nos sons as minhas emoções, e decidi colocar todas essas músicas em um long play.

Este tem sido um ano muito especial para mim: minhas primeiras gigs pelo mundo, a descoberta de muitos países e a perda do grande amor da minha vida, minha mãe. A música me salvou de um estado de depressão. Percebi esse álbum como um presente para minha mãe, e eu agradeci a música por me fazer me sentir melhor, me dar energias para continuar.

Acompanhada por todas essas emoções, senti como se estivesse em uma bolha rosa [“pink bubble”, o título do álbum]. Compus quase todas as faixas no avião, coletando minhas ideias no Ableton, e depois gravei tudo no estúdio, no tempo que sobrava entre minhas turnês. Gravei minha guitarra, minha voz e meus synths preferidos: Moog Sub, Juno 106, OB-6 e Korg MS2000.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

Veteranos do Prodigy voltam com peso e nostalgia em “No Tourists”

Sétimo álbum do famoso grupo de big beat foi lançado na sexta-feira

* Por Rogério Furats

No Tourists, sétimo álbum do Prodigy, já está nas ruas desde a última sexta-feira, 02, e apresenta de cara para o ouvinte um som forte e enraizado, de verniz old school, mas ao mesmo tempo com contornos modernos de produção.

Sem o guitarrista Rob Holliday, que ficou de 2005 até o ano passado na banda, o Prodigy acenou aqui com uma volta às origens, mas isso não significa que você irá dançar somente jungle no álbum novo.

O disco é cercado de batidas quebradas não menos radicais e, do primeiro instante do play, na abertura com “Need Some1”, a percepção fica aguçada tentando reconhecer elementos de base acid e big beat. Liam Howlett, líder do grupo, praticamente revelou essa inclinação nostálgica quando explicou, em comunicado para a imprensa, que “No Tourists se baseia nos melhores elementos da banda”.

 

E o cara não tava de trolagem. Para os fãs da velha alquimia industrial, a segunda faixa “Light Up the Sky” consegue reunir substâncias oriundas de clássicos como “Breathe” e “Voodoo People”, por exemplo. Também com um pé nos anos 90, “We Live Forever” vê Howlett samplear os Ultramagnetic MCs novamente na história do Prodigy; e não faltam opções pra bater cabelo no front como “Resonate”, que através da síncopa do “amen break”, te leva direto pra cena hardcore-rave da Inglaterra, visitando os Altern 8. Aqui o purismo resiste naturalmente, mesmo que Howlett tenha negado o ar completamente retrô do disco, apontando os truques digitais de compressão de áudio e outras sacadas.

Trazendo um pouco de elemento surpresa, que falta no álbum de uma maneira geral, “Boom Boom Tap” insinua uma intro de trap e se desenvolve com beats mais ligeiros do drum’n’bass, e “Champions of London” também soma nas quebradas inflamadas. As colaborações vieram a agregar nos vocais de duas faixas diferentes: o grupo de hip-hop industrial Ho99o9, que colabora em “Fight Fire With Fire”, e o cantor e compositor inglês Barns Courtney acompanha o vocalista Keith Flint na acid house “Give Me a Signal”.

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Underworld lança plataforma multimídia

Primeiro episódio da “Drift” mistura acid house e corrida de carros

O novo projeto do Underworld vem ao mundo com uma trama envolvente na internet. Com a criação de uma própria plataforma multimídia, chamada “Drift”, a icônica banda britânica promete trazer semanalmente novo material (músicas, vídeos…) em formato inédito e transmídia. Como eles explicam no site, trata-se de uma série que resulta da experiência de um ano em uma “épica road trip”.

A primeira parte, intitulada “Another Silent Way”, está disponível agora no site e, não restrita, espalha-se em todas as plataformas digitais: um acid house estridente que remete aos bons tempos de carreira do projeto, no final dos anos 1980. Mas de antigo o material não tem nada; da roupagem da plástica do som ao roteiro de conteúdo, estamos vendo um case moderno, no qual o vídeo que acompanha a música traz — sim, isto mesmo — uma corrida de drift, filmada no Rockingham Speedway, em Corby, Inglaterra.

O clipe foi dirigido por Simon Taylor, líder do coletivo audiovisual Tomato, que vive trabalhando com os britânicos, como no material de “Diamond Jigsaw”, de 2010, e na mais recente “Brilliant Yes That Would Be”. A próxima tacada da ação está prometida para esta quinta-feira, 08, e até lá já vai ganhando adeptos conforme o primeiro ato está viralizando.

  

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Primeira edição brasileira do Time Warp começa nesta sexta

Festival debuta no Brasil em dois dias, com grandes nomes do underground mundial

Anunciado recentemente pela Entourage como uma grande surpresa pra cena no final de 2018, o Time Warp chega neste final de semana com sua primeira edição brasileira, ocupando o Sambódromo do Anhembi. Fundado na Alemanha em 1994, o festival não vem pra brincadeira em seu pontapé verde e amarelo, desenhando um lineup à altura da matriz, misturando estrelas internacionais e nacionais, medalhões e novos nomes da cena house/techno.

Nesta sexta, 02, quem quiser mergulhar em novidades terá a oportunidade de ouvir a DJ belga e sensação da Pan-Pot Amelie Lens, que se destacou em diversos festivais de techno de 2018. Representando o frescor nacional, Barbara Boeing faz suas honras, ao lado dos medalhões da house Derrick Carter e DJ Sneak, enquanto outros pesos-pesados completam o “primeiro round”: Joseph Capriati, Nina Kraviz, L_cio, The Martinez Brothers, Carrot Green, Valesuchi e Vermelho.

Já na noite do sábado, dia 03, o Time Warp Brasil apresenta Sven Väth, Maceo Plex, ANNAGui Boratto, Ilario Alicante, Kölsch, BarntAninhaHNQO, Magal e o pessoal da Gop Tun. Ainda há ingressos disponíveis via Eventbrite.

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Selo de Curitiba aposta em identidade plural

Laguna Records chega a dez lançamentos mostrando diferentes facetas

Gravadora baseada em Curitiba, a Laguna Records possui pouco mais de um ano de existência, e apresenta uma proposta singular de conduta sonora. Tomada por seu conceito lúdico, baseado nas profundezas das águas e todos os seus mistérios, a label — que nasceu como uma festa itinerante underground — não se restringe a um estilo musical definido. Em vez disso, segue sua própria identidade e lança artistas e produções que poderiam ser ouvidas em suas pistas, simples assim.

Essa proposta vai na contra-mão do que seguem a maioria das gravadoras atualmente, mas é justamente isso que deixa tudo mais interessante. A Laguna acaba de chegar a marca de dez lançamentos, e a cada nova produção, compartilha também uma nova faceta.

Parte desse conceito sonoro elástico pode ser observado ao compararmos seu mais novo lançamento, o EP Gravity, produzido pelo argentino Brandub, com o release de Andre Gazolla feito no início do mês. O DJ Brandub possui uma estética bem conceitual e densa, enquanto Gazolla explora em seu EP My Science toda a energia do tech house, com uma sonoridade bem configurada para as pistas. My Science recebe ainda remixes de Ricardo Farhat, Tomy Wahl e Knober & Sylter para aumentar a pressão. 

 
 

Outros lançamentos, como o EP Activity, assinado por Bassel Darwish, e especialmente Problems, do conceituado produtor romeno Just2, indicam que a jornada musical da Laguna Records está sendo trilhada em uma direção que preza pela criatividade, não importando se o que está em voga é o tech house ou o minimal.

 

Manoel Cirilo é colaborador da Phouse.

Sónar anuncia primeira edição no México

Festival catalão finca bandeira em mais um solo latino-americano

Além de ser um ícone de longa data na cultural espanhola, o conceituado festival catalão Sónar é famoso por seus giros pelo mundo. Distribuindo sua aura avançada e lineups que misturam experimentos tecnológicos a grandes nomes, o evento se tornou forte em promover showcases e edições especiais na América Latina, tendo passado por países como Argentina, Chile e Colômbia, além, é claro, do Brasil.

Agora, o festival chegará também ao México, estreando na Cidade do México, conforme anuncio recente. Embora nenhum detalhe adicional tenha sido revelado, um esquenta já está previsto na capital. No próximo dia 15, a festa que dá um sabor do que virá, A Taste Of Sónar, vai acontecer na Ex-Fábrica de Harina, e contará com o lorde francês Laurent Garnier, entre outros talentos locais. Os ingressos, inclusive, já estão à venda.