Jeff Mills afirma que música eletrônica virou fenômeno de classe média

Pioneiro do techno compartilhou sua visão ao France24

Lenda viva do techno e agente com ampla visão das transformações que ocorreram no cenário ao longo das últimas décadas, Jeff Mills afirmou recentemente que a música eletrônica perdeu seu componente político e virou um fenômeno de classe média.

“A música, especialmente a dance music, costumava ser mais politizada. A composição das pessoas nos anos 1970 e início dos anos 80 era muito misturada entre gays e heterossexuais, pessoas de todos os lugares, era um caldeirão”, declarou, em entrevista ao France24. Segundo o DJ, isso “facilitou o debate sobre ideias como violência, brutalidade e racismo”, mas agora “a música eletrônica é feita principalmente por um certo tipo de pessoas, tipicamente de classe média, que provavelmente tem um estilo de vida bastante confortável”.

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Em outro momento da entrevista, ele fala sobre a função de escapismo da cultura eletrônica: “As pessoas vão a festas porque querem se isolar por algumas horas no meio da noite e não querem pensar no presidente americano — elas não querem pensar em pessoas morrendo na fronteira com o México ou em terrorismo”.

Mais ao fim, o DJ e produtor americano argumentou que a música pop “grudenta” tomou conta das pistas de dança, das rádios e dos fones de ouvido do mundo todo. Para ele, na sociedade atual “mais pessoas gostam de música pop, simples, fácil e chiclete, em vez de música profunda que possui uma mensagem”.

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“Rave protesto” de 2018 vira filme longa-metragem

“Raving Riot” será lançado no Beat Festival em junho; dez dias depois, ODD recebe showcase do Bassiani

Se por vezes o que se entende por resistência ou resiliência é jogado de maneira demasiadamente fácil para definir os esforços de certos grupos que persistem numa determinada tarefa ou projeto como se fosse uma missão, diluindo seus significados à medida que os distancia dos sentidos originais de luta e transformação, por outras somos bem lembrados deles quando coisas que prezamos são efetivamente ameaçadas e surge a necessidade de protegê-las. É nestes momentos que se torna tragicomicamente evidente a diferença entre defender algo que é essencial para nossa existência e operar a mera manutenção de nossas atividades.

Claro que, em tempos de extrema polarização política e um assustador retorno de perspectivas conservadoras no discurso popular, essa defesa se faz tão mais premente quanto frequente, mas ela jamais se banaliza. E quando olhamos para o que ocorreu em Tblisi em 2018 e teve o club Bassiani como ponto focal de protestos que partiram da necessidade de mantê-lo aberto, mas acabaram por englobar temas referentes aos direitos mais básicos dos jovens georgianos, fica notória a diferença e o quão importante é estarmos sempre prontos a fazer o que for preciso para cuidar do que amamos.

+ “Rave protesto” da Geórgia: relembre o caso

+ Assista ao documentário curta-metragem lançado pela BBC sobre o episódio

Dirigido por Stepan Polivanov, o filme Raving Riot promete ser um belo registro do que ocorreu, envolvendo desde as circunstâncias que levaram clubbers a efetivamente formarem uma resistência nas ruas da capital, até os resultados concretos alcançados por eles em sua narrativa. Programado para estreiar no famoso festival russo de cinema independente Beat Festival, no dia 05 de junho, o que ele acaba oferecendo em seus 61 minutos é uma visão bastante matizada daquilo que ocorre quando uma tradição local tipicamente repressiva é desafiada por uma abordagem global caracteristicamente liberadora.

Raving Riot é inspirador por diversos motivos, mas todos eles se sustentam numa temática que se faz alarmantemente cada vez mais presente pelo mundo, ameaçando liberdades individuais e identidades coletivas dentro e fora desse nosso universo hedonista que, como podemos ver aqui claramente, nunca pode deixar de ser combativo.

O trailer de “Raving Riot” foi lançado recentemente

É um belo lembrete do senso que iniciativas como o Bassiani e a ODD, ainda que tão distantes geograficamente, compartilham e que os une em torno de um projeto comum. O mesmo que será celebrado na noite de 15 de junho — dez dias depois da estreia do filme —, em São Paulo, com os residentes de ambos bastiões da liberdade musical e comportamental, que têm no techno sua linguagem comum.

A festa ODD + Bassiani faz parte da turnê de aniversário de cinco anos do clube georgiano, e traz o DJ americano DVS1 como principal atração. Residente do Bassiani, Ndrx junta-se a ele e aos brasileiros Davis, Vivi An, TYV, Frontinn, Vermelho, Martinelli, Kayque Cabral e ao selo carioca 40% Foda/Maneirissimo no lineup.

Chico Cornejo é colaborador eventual da Phouse.

“Pedra Preta”, o 1º álbum do Teto Preto, é um grito de resistência

O celebrado grupo do underground paulistano mostra sua maturidade artística em seu primeiro full lenght

Nos últimos anos, São Paulo se transformou em um caldeirão cultural com uma chama multicolorida a iluminar um mar de ideias brilhantes. Nesse cenário, diversas mentes criativas surgiram, mostraram a que vieram e se tornaram referência para uma série de iniciativas que passaram a pipocar pelo país. No olho desse furacão, exercendo posição de protagonismo, lá estava a Mamba Negra e, consequentemente, o Teto Preto.

A relação entre festa e grupo é intrínseca. O Teto Preto nasceu na pista da Mamba e obviamente foi criado por frequentadores e entusiastas da festa. Nesse processo, o grupo foi decisivo para construção do perfil sonoro que tanto marcou a Mamba Negra frente ao seu público. Muito além da música, estamos falando de arte em diferentes camadas — estamos falando de representatividade. A festa representa a banda, a banda representa a festa. Por sua vez, o público se sente fortemente representado por ambos.

Os primeiros trabalhos do Teto Preto foram lançados pelo selo da Mamba, o MAMBA rec, em 2016. O EP Gasolina foi prensado em vinil com duas faixas extremamente marcantes: “Já Deu Pra Sentir” e “Gasolina”. O resultado? Dois hits históricos para jornada do grupo. Na sequência, um hiato de dois anos até “Bate Mais”, single em antecipação ao Pedra Preta, primeiro álbum de estúdio completo da banda, que chegou às plataformas digitais neste mês com oito faixas, sendo sete originais e inéditas.

 

Pedra Preta reflete a atual maturidade artística de seus compositores, mas não deixa a chama da ousadia e irreverência se apagar. Novamente, não se trata apenas de música: Laura Diaz (Carneosso), Loic Koutana, Pedro Zopelar, Savio de Queiroz e William Bica promovem um grito de resistência ao longo de todas as faixas que formam o full lenght. A atmosfera densa do disco dita o ritmo de uma narrativa longa e inteligente, que aborda assuntos como a tragédia do Museu Nacional neste ano.

Por falar em “Pedra Preta”, vale ressaltar que a faixa-título do álbum também ganhou um clipe. Lançado ontem, 22, e com duração de mais de oito minutos, o vídeo dirigido por Rudá Cabral, Laura Diaz e Joana Leonzini traz um storytelling denso e aberto a interpretações, mas com uma clara crítica ao conservadorismo da sociedade brasileira e honrosa menção ao perfil de público da Mamba Negra — o trabalho foi coproduzido pela MAMBA rec em parceria com a Planalto. Sem dúvida alguma, Pedra Preta é uma vitória importante para a sobrevivência da cultura eletrônica de vanguarda no Brasil.

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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* Edição e revisão: Flávio Lerner

Blade&Beard é um projeto iraniano focado em techno que ganhou destaque internacional após o documentário Raving Iran. Comandado pela diretora alemã Susanne Regina Meures, o longa traz a experiência dos DJs Arash Sharam e Anoosh Raki — hoje conhecidos como o duo Blade&Beard — em busca da liberdade de expressão musical.

Antes de falarmos sobre o documentário — que é excelente e que você já pôde ler sobre aqui na Phouse —, vale uma rápida reflexão sobre o regime político iraniano, um dos mais severos do mundo, responsável por colocar a população em uma forte atmosfera de controle e censura, que chega à música também. A lista de atrocidades do governo com a população que de alguma forma se envolve com música ocidental é algo completamente absurdo para os padrões ocidentais, mas uma realidade cruel para o povo do Irã (sobretudo mulheres, que entre tantas restrições, podem sequer dançar em público). Entre sintetizadores queimados e clubes fechados, prisão e tortura estão entre as penalidades para os “infiéis” — no filme, Anoosh conta que já foi pego e espancado “quase até a morte”.

+ CLIQUE AQUI para ler mais sobre “Raving Iran” e o cenário de repressão no país 

Arash e Anoosh tinham tudo para ser mais um número frente ao forte regime de censura de seu país, até Raving Iran ganhar a luz do dia. O documentário alcançou considerável sucesso de crítica no mundo todo e abriu portas para a dupla explorar o som que acreditam em outros países. O convite para o Street Parade de Zurique foi como uma carta de liberdade para os rapazes do Blade&Beard, que pediram exílio de sua terra natal logo após a apresentação. Hoje, a dupla está empenhada na missão de levar o som do projeto para gravadoras que compartilham dos mesmos ideais artísticos, e vem conquistando uma posição importante dentro desse disputado cenário.

É justamente na busca de bons selos para trabalhar em conjunto que a Prisma Techno entra na história. A gravadora capixaba lançou Moving the Moon, recente EP da dupla iraniana, que chegou a ser iniciado em um campo de refugiados. Com duas originais, “Aerolite” e a faixa-título, o release reflete exatamente o atual caminho que Blade&Beard estão trilhando no estúdio. No embalo dessa parceria, batemos um papo com os criadores do EP, que estão projetando uma tour em solo brasileiro junto ao time da Prisma nos próximos meses.

Raving Iran certamente mudou a vida de vocês pra sempre. Como surgiu a ideia de fazer o documentário? Quais foram as pessoas importantes nesse processo?

Com certeza mudou 50% das nossas vidas, e os outros 50% foi a nossa música que mudou tudo para nós. Sempre tocamos no Irã, no deserto e em todos os lugares que tivemos oportunidade de tocar. A ideia não foi nossa, foi da Susanne, e o que vocês viram foi nossa vida normal. Ela capturou parte disso e foi a pessoa mais importante nesse processo.

Como era o relacionamento de vocês com a cena de Tehran em um sentido mais amplo? O que vocês podem nos contar sobre a atmosfera do público e outros artistas?

Foi um pouco arriscado e assustador gravar no Irã, e literalmente colocamos nossa vida em risco apenas para mostrar nossa luta para as pessoas ao redor do mundo. Somos gratos por aqueles que nos ajudaram. Algumas pessoas simplesmente não se importaram, pois elas queriam que suas vozes fossem ouvidas, mesmo sabendo do risco.

Liberdade de expressão é uma das premissas para o desenvolvimento de qualquer cena artística. Além desse ponto, quais eram as outras dificuldades que vocês enfrentavam an cena de Tehran?

Nós não conseguíamos lançar nossas faixas para sermos ouvidos. Essa foi uma de muitas dificuldades que enfrentamos. Não é possível explicar, mas vocês provavelmente viram isso no filme.

De uma forma geral, vocês sentem que a comunidade eletrônica perdeu parte de seu espírito de resistência ao redor do globo? Se sim, há algo que possamos fazer para resgatar isso?

Não acho que tenha perdido o seu espírito, apenas mudou a sua forma e, agora, por exemplo, a música pop está misturada com eletrônica e está crescendo rápido — talvez em outro formato, mas continua a mesma coisa.

Moving the Moon, novo EP de vocês pela Prisma Techno, comprova o bom momento do projeto no estúdio. Como foi o processo criativo desse release?

É interessante que você esteja perguntando isso, porque fizemos o EP quando ainda estávamos no campo de refugiados e a base dele foi algo que fizemos lá. Uma vez que saímos, nós completamos no estúdio e esperamos que as pessoas gostem do produto final.

Gigs, novidades, lançamentos: o que podemos esperar de Blade&Beard para o segundo semestre de 2018?

Tem mais EPs que esperamos que sejam lançados em 2018, mais gigs e festivais. Ficaremos felizes em ver as pessoas que curtem a nossa música nas próximas gigs, e a grande novidade é que estaremos em tour com a Prisma Techno no Brasil. Com certeza vamos festejar com pessoas incríveis, estamos muito animados!

Para finalizar, uma pergunta pessoal: o que a música representa na vida de vocês?

A música é a nossa vida e a forma de expressarmos nossas emoções. Todo mundo tem sua própria forma de mostrar as emoções e essa é a nossa, através da música — e que coisa bonita que nós temos a sorte de trabalhar como músicos e com o que realmente amamos.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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BBC lança documentário sobre “rave protesto” da Geórgia

Filme traz depoimentos de DJs como Nina Kraviz, Marcel Dettmann e Ben Klock

A grande “rave protesto” na Georgia, que ganhou o noticiário internacional em maio, agora tem seu próprio documentário curta-metragem. Produzido pela BBC, o filme, baseado em entrevistas, mostra a opinião de todos os lados envolvidos no conflito em Tbilisi, que teve forte repressão policial contra os clubes Bassiani e Café Gallery. A jornalista Rayhan Demytrie investiga a história mais a fundo, em conversas tanto com os representantes políticos quanto com a polícia e com o responsável pelo Bassiani. O doc aborda fatores políticos, sociais e religiosos para o ocorrido.

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No decorrer da obra, são mostradas imagens exclusivas da ação policial no clube, dos protestos que a seguiram em frente ao parlamento, e declarações da comunidade. Ainda há um panorama sobre como os integrantes da cena eletrônica estão se unindo politicamente contra repressão, a homofobia e o preconceito. Através do slogan que ganhou fama “nós dançamos juntos, nós lutamos juntos”, o filme finaliza com mensagens de apoio de DJs famosos, como Nina Kraviz, Ben Klock, Dixon e Marcel Dettmann.

Cena eletrônica participa em peso de ato londrino contra Trump

“Rave protesto” rolou por 12 horas no Soho

A cena eletrônica britânica também participou do “Stop Trump”, ato de manifestações contra o presidente dos Estados Unidos que cobriu Londres nessa última sexta-feira. Como anunciado há um tempinho, o chamado “Revolution Day” foi a resposta clubber ao movimento, reunindo diversos expoentes da dance music em uma “balada protesto”.

O evento, que contou também com a comunidade LGBTQ+, aconteceu em razão da visita diplomática do presidente americano ao Reino Unido. Os manifestantes se encontraram nos arredores da Soho Radio, em Londres, e expressaram sua revolta contra o que consideram “uma postura misógina, racista e intolerante” do presidente dos Estados Unidos. O Brexit também foi objeto de protesto.

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Com duração de 12 horas, a balada de rua trouxe alguns dos melhores DJs do mundo para tocar dia e noite na Rádio Soho, com a transmissão reproduzida ao vivo para as ruas do bairro homônimo — que é considerado referência de liberdade de expressão e respeito a todas as classes, etnias, gêneros e opções sexuais. Nomes como Seth Troxler, Jackmaster, Eats Everything, Prosumer, Hannah Holland, Midland e Breach  tocaram de graça para que centenas de pessoas se reunissem para dançar em manifesto contra o presidente republicano.

“Festejar é um meio efetivo de resistência, especialmente resistindo ao fascismo, porque a liberdade é o que eles estão tentando restringir. Precisamos expressar nossa liberdade de viver e de ser quem somos como pessoas”, declarou Troxler, em reportagem da Mixmag. “Neste momento estamos no Soho, o bairro gay. Esta área é uma Meca cultural da resistência, e ela poder ficar de pé é essencial. […] A música é política, a arte é política, a vida é política e, se você não estiver envolvido, será apenas um desperdício de espaço.”

O DJ Gideön, apresentador da Soho Radio e curador e organizador do movimento, se disse “revoltado com o sequestro do sistema político por idiotas de direita motivados pelo dinheiro, pelo interesse próprio e pelo ódio de qualquer coisa fora de seu estreito espectro do ‘normal'”. Ele também incitou a necessidade de protestar: “Estamos vendo uma onda crescente de nacionalismo e ódio do ‘estrangeiro’ no mundo ocidental. Eu sinto que os jovens deste país precisam se unir urgentemente e resistir a essa besteira”.

Segundo a imprensa britânica, o “Stop Trump” reuniu cerca de 250 mil pessoas nas ruas da capital inglesa, incluindo algumas a favor do presidente. Também foram identificadas manifestações, pró e contra Trump, em outras cidades do país.

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DJs como Seth Troxler e Eats Everything vão tocar gratuitamente durante visita de Trump

Donald Trump acumula impopularidade no meio artístico também no Reino Unido. Trump vai visitar o país britânico em julho e um protesto “eletrônico” está tomando forma contra o republicano na Soho Radio, em Londres. Gideön, DJ e apresentador da rádio, trará grandes nomes da cena house/techno para tocarem contra os ideais nacionalistas do americano e do tratado do Brexit, que tirou o Reino Unido da União Europeia em 2016.

Chamado “Revolution Day”, o protesto deve ocupar a programação da rádio por 12 horas na sexta-feira, 13 de julho — dia da visita do presidente americano. Entre os nomes já confirmados no protesto estão Seth Troxler, Jackmaster, Eats Everything, Midland, Heidi, Prosumer, ArtworkLuke Solomon e A Guy Called Gerald, entre muitos outros. Todos vão tocar de graça.

Revolution Day
Foto: Reprodução

Membro da dupla Block 9 e apresentador do programa Soho Jams, Gideön (cujo nome de batismo é Gideon Berger) falou sobre o protesto para a DJ Mag e destacou a música como personagem essencial no processo de mudanças políticas. “A visita de Trump e o Brexit são tudo que representa a onda crescente de nacionalismo, ódio e sentimento de direita que precisam urgentemente ser resistidos. A última vez que isso aconteceu na Europa, seis milhões de judeus, gays, ciganos e ‘degenerados’ foram assassinados em câmaras de gás. O projeto europeu foi fundado por um motivo. Nunca se esqueça. A dance music é amor. E precisamos de um pouco disso agora.”

Entre os DJs que também comentaram sobre o ato, Seth Troxler ressaltou a urgência do envolvimento público: “A essência da arte é baseada em resistência. Estamos em um ponto de virada na história onde o fascismo está em ascensão, e somente através da conscientização global podemos lutar contra essa ascensão da direita”. O DJ não mediu palavras para justificar a sua posição contra o momento político: “Eu odeio o Donald [Trump] e o Brexit. Eles sequestraram o sistema político e, se não resistirmos, estamos todos fodidos”.

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Ainda na publicação da DJ Mag, o DJ Midland destacou que tocar de graça é o mínimo que poderia ser feito pelo ideal. “Eu realmente não me vejo como oferecendo meus serviços de graça, é uma chance de fazer barulho por algo em que acreditamos e nos opomos. É importante tentar mudar as mentes, e que melhor maneira de fazer isso do que através da música?”. Eats Everything e Jackmaster também deram suas razões para participar do programa — você pode conferir a matéria na íntegra aqui.

Resistência 

Esta é mais uma das manifestações políticas recentes na Europa que conta com personagens importantes da cena clubber. Há poucas semanas, publicamos matéria sobre a Rave Protesto na Geórgia, em defesa dos clubes Bassiani e Café Gallery, após sofrerem ataques da polícia. Logo depois, rolou uma grande manifestação em Berlim, em que o coletivo de clubes alemão Reclaim Club Culture participou com muita house e techno de um ato público contra a passeata do partido político nacionalista Alternative für Deutschland (AfD). A manifestação reuniu 20 mil pessoas.

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Cerca de 20 mil pessoas compareceram para protestar contra partido nacionalista

Como você viu aqui no final de maio, o coletivo berlinense Reclaim Club Culture, que reúne representantes de alguns dos maiores clubes da cidade, organizava tomar parte em uma grande contramanifestação no dia 27, em resposta a um comício do partido nacionalista Alternative für Deutschland (AfD).

Naquele domingo, como planejado, portanto, cerca de 20 mil pessoas foram às ruas de Berlim para protestar contra os ideais do partido, e a cena clubber da capital alemã participou em peso. Dezenas de organizações, associações políticas, DJs e coletivos uniram forças para o que foi um dos maiores protestos políticos na Alemanha nos últimos anos.

Segundo a polícia, o comício do AfD contou com cinco mil representantes — metade do que era especulado inicialmente. Conservador, o partido tem como uma de suas pautas o combate à imigração, sobretudo de muçulmanos, e é criticado por grande parte dos berlinenses mais inclinados à esquerda, que chegam a tachar seus apoiadores de xenófobos, racistas, homofóbicos, antifeministas e até neonazistas (a festa do Reclaim Club Culture chamou-se “Berlim contra os nazis”).

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Carregada nas bandeiras do país, a marcha do Alternative für Deutschland foi organizada sob o lema “O Futuro da Alemanha”, fazendo referência às preocupações com a imigração em massa e o Islã político. Porém, foram superados em número pelos manifestantes contrários, que bradavam ao coro de “Parem o ódio, parem o AfD”.

Nas manifestações organizadas pelo Reclaim Club Culture, rolou muita house e techno. “O AfD quer o que já tivemos na Alemanha e não precisamos passar por isso pela segunda vez”, disse Johannes Herreman, integrante do coletivo de clubes, ao Irish Times, em clara referência ao período nazista do país.

Vídeo via Resident Advisor mostra um pouco do que foi a manifestação anti-AfD

Ainda de acordo com informações da polícia, pelo menos dois mil policiais estavam à disposição para monitorar as manifestações, que passaram pelo centro da cidade de Berlim. Apesar de ter sido um manifesto pacífico, a polícia usou spray de pimenta para impedir que os manifestantes rompessem as barreiras que os separavam do comício do AfD.

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A manifestação será realizada neste domingo

O coletivo de clubes alemão Reclaim Club Culture está organizando um ato público em Berlim para este domingo, 27. A ideia é mobilizar uma grande festa eletrônica de rua para se manifestar contra a passeata dirigida pelo partido político alemão de direita Alternative für Deutschland (AfD), que acontece no mesmo dia. Segundo o Resident Advisor, a passeata do AfD pode reunir até dez mil pessoas pelo país, no que seria “uma das maiores mobilizações da extrema direita dos últimos anos”.

A iniciativa conta ainda com vários contraprotestos pela cidade, unindo representantes de dezenas de clubes e partidos no bairro central de Mitte, em Berlim. “Não estamos dispostos a tolerar a pressão contínua da extrema direita contra tudo o que a cena clubber de Berlim representa”, disse uma fonte anônima ao RA.

É possível que esse ato político tenha relação com os protestos recentes na Geórgia, que surgiram depois da polícia local ter agido com violência em operações contra o narcotráfico em dois clubes do país.

Manifestação na Georgia. Foto: Vakho Kareli/Georgian Journal

Rave protesto

No dia 12 de maio, milhares de manifestantes protestaram dançando em frente ao parlamento da Geórgia, no que eles chamaram de “rave protesto”. A rave protesto começou espontaneamente logo após ataques policiais aos clubes Bassiani e Café Gallery, que ficam em Tbilisi, capital do país.

Os atos se dividiram em dois dias: um iniciado na noite do ataque e outro organizado na tarde do dia seguinte. As reivindicações dos manifestantes incluíram a renúncia do Ministro do Interior da Geórgia, Giorgi Gakharia, que ordenou os ataques, assim como o Primeiro-Ministro Giorgi Zirakashvili, além de uma mudança na política de combate às drogas. O manifesto contou com os DJs da programação de sexta-feira no Bassiani, Ateq, Sa Pa e DJ Dustin, que tocaram para uma multidão estimada em milhares de pessoas.

A polícia georgiana alegou que os ataques foram uma tentativa de prender oito traficantes em resposta a cinco recentes mortes relacionadas ao consumo de drogas em Tbilisi. Um defensor público que trabalhava no caso, porém, afirmou que os traficantes em questão já haviam sido presos previamente no mesmo dia, horas antes dos ataques, levantando suposições para o motivo real da ação.

A mídia local ainda informou que 70 pessoas foram presas nos atos — inocentes, de acordo com os manifestantes. Segundo o Ministério do Interior, os que não tinham acusações criminais foram liberados. O Bassiani ainda alegou que as ações de opressão contra o funcionamento do local não se limitam ao ataque de 12 de maio.

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Lei de quase 100 anos que proibia dançar enfim é revogada em Nova Iorque

Lei de quase 100 anos que proibia dançar enfim é revogada em Nova Iorque

Aprovada em 1926, a Cabaret Law exigia licença para que bares e casas noturnas pudessem receber pessoas dançando

Pode parecer bizarro, mas existia uma lei na cidade de Nova Iorque que exigia que estabelecimentos comerciais que vendem comida ou bebida possuíssem um alvará específico para que seus clientes pudessem dançar. Sem ele, a casa poderia ser fechada caso a polícia flagrasse “três ou mais pessoas mexendo o corpo em resposta à música”. E dizemos “existia” no passado, mesmo; criada nos anos 20, ela foi revogada nessa última terça-feira, segundo o Resident Advisor.

Aprovada em 1926, a chamada “Cabaret Law” surgiu na esteira de outras proibições da época, como a famosa Lei Seca. Seu principal alvo eram os clubes de jazz, frequentados em sua maioria pela população negra de bairros periféricos, como o Harlem. A lei ainda barrava qualquer tipo de entretenimento musical de atuar sem a devida licença.

Assim, durante sua existência, sobretudo em suas primeiras décadas, produziu inúmeras distorções na vida noturna — de exigência de burocracias para performances artísticas a patrulhas policiais dentro de clubes, debandando grupos de pessoas que apenas dançavam juntas. Com o tempo, muitas casas fecharam e diversos bairros perderam grande parte da sua movimentação econômica.

Nas décadas mais recentes, no entanto, a Cabaret Law não foi levada muito a sério, contando com uma fiscalização mais complacente — apenas na gestão do prefeito Rudolph Giuliani, nos anos 90, ela voltou com força, sendo usada para fechar diversos clubes e bares na cidade. Mais recentemente, o vereador Rafael Espinal propôs a sua revogação, que enfim foi aprovada. Espinal conseguiu levar o debate à frente, formando comitês com artistas e mostrando que a cidade estava perdendo dinheiro e privando a população de lazer e negócios.

O vereador vem sendo efetivamente uma grande voz da vida noturna de Nova Iorque, por estar atualizado com seu tempo e por propor experiências que hoje estão sendo testadas em outros países com sucesso. A exemplo de capitais como Londres e Amsterdã, ele conseguiu aprovar a criação de um cargo de “Diretor de Vida Noturna”.

Você pode entender melhor o que foi a Cabaret Law nessa matéria do Nexo Jornal, feita pelo Camilo Rocha, e também em reportagem especial do Resident Advisor sobre a vida noturna de Nova Iorque.

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Uma chuva de hipocrisia quer tornar o funk crime de saúde pública

Além de inconstitucional, a tentativa de criminalizar o funk revela o preconceito e a falta de empatia que habitam o coração do “cidadão de bem”.

Nosso país é uma caixinha de surpresas do século retrasado. Como muitos já sabem, foi feita uma proposta através do Portal e-Cidadania, do Senado Federal, que pretende criminalizar o funk como crime de saúde pública a crianças, adolescentes e a família. No portal, você pode propor qualquer lei, e ela fica aberta a votação do público; caso sua ideia atinja 20 mil ou mais votos positivos, ela vai para discussão entre os senadores, podendo ou não virar um projeto de lei.

Pois bem, a ideia legislativa nº 17/2017, do empresário Marcelo Alonso, 46, chegou às mais de 20 mil curtidas, e será discutida no Senado — ainda sem previsão de data —, com relatoria do senador Romário, que foi sorteado. Em entrevista à ISTOÉ, Alonso alega que “o funk faz apologia ao crime, fala em matar a polícia”. “Sou pai de família e se eu não me preocupar com o futuro, amanhã só teremos marginais.  Uso meu intelecto para conscientizar os pais, pessoas de bem, formadores de opinião, policiais, pessoas ligadas à Justiça para mudar este cenário.”

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Da fala e da proposta do empresário, depreendo dois problemas que se somam: a generalização preconceituosa de quem gosta de autoritarismo e o “moralismo de goela” — um atributo cada vez mais encontrado em discussões pelo Brasil. O autoritarismo já é algo extremamente enraizado por aqui: desde os escravizados e mutilados pela “realeza”, passando pelos períodos migratórios em que a população interiorana foi colocada para escanteio nas favelas das grandes cidades, até os dias de hoje, nos quais os guetos parecem ter retomado a vontade de gritar contra as injustiças sofridas diariamente.

Já o “moralismo de goela” parece ter virado um trunfo para qualquer discussão rasa, pois basta se afirmar como “cidadão de bem” ou “pai de família” que você ganha ouvidos para discursar de maneira impertinente sobre qualquer assunto — e depois de uns bons anos de inércia, os temas políticos e sociais explodiram como pauta, tanto na mídia como nas ruas e nas redes sociais. Todos nós estamos pelo menos um pouco radicalizados com os temas que vêm surgindo, e mais do que nunca queremos soluções para muita coisa ao mesmo tempo.

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Em meio a essa euforia desordenada, surge esse tipo de proposta. Se valendo da ideia simplista de que todo funk estimula a criminalidade e a sexualidade, Marcelo Alonso diz absurdos como os expostos acima, enfiando milhões de seres humanos em um saco de lixo que ele imagina ser possível descartar — afinal, se ele quer proibir o funk como um todo, artistas como Anitta, Naldo e Buchecha não poderiam mais se apresentar, nem lançar discos. Os conhecidos “fluxos” e “pancadões”, bem como os bailes mais tradicionais, não poderiam acontecer. Agora traduza essa ideia para outros estilos: que tal proibirmos o samba, que já foi alvo de ações similares no passado, por incentivar as pessoas a viver uma vida boêmia? Será mesmo que nenhum sambista iria tocar sua música em nenhum lugar somente por força de lei? As décadas de ditadura militar não nos ensinaram que tentar censurar música é inócuo?

Outro ponto a ser colocado é que essa proposta vem carregada de um preconceito contra a população pobre e preta do país, e através dos argumentos do empresário, esse preconceito fica ainda mais claro. Estando na superfície da questão, Alonso e todos que apoiam esta maluquice simplesmente ignoram que estamos falando de pessoas de carne e osso, assim como você, querido leitor. Muitos postos de trabalho são criados nesse meio, desde DJs e produtores musicais em estúdio, passando por quem organiza e divulga eventos, até os MCs que hoje ganham cachês variados e vêm atingindo novos patamares de carreira. Como bem destacou o MC Balão — na mesma reportagem da ISTOÉ —, “o funk incentiva as pessoas a terem novos sonhos. Se antes o moleque da favela queria ser jogador de futebol, hoje ele quer ser MC”. Essas pessoas, portanto, possuem aspirações, querem o melhor para si e para suas famílias e amigos, para o local onde vivem, e o olhar raso da proposta, além de aniquilar esse complexo “ecossistema”, reduz todos os seus membros a criminosos, párias da sociedade, com base tão somente no que é dito nas letras. Aliás, não caiamos em outra generalização — a de que o funk só fala sobre sexo, drogas e criminalidade.

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De maneira geral, o funk carioca conta a história do favelado, fala de realidade, leva o jovem pisoteado pela falta de estrutura a acreditar que ele pode ter muito mais do que o mínimo para viver. Porém, desde os seus primórdios, quando surgiu algumas décadas atrás influenciado pelo miami bass, uma gama ampla de vertentes se desenvolveu, e a roupagem do som e da letra vai mudando. Temos o melody, mais cantado e com temas variados; o proibidão, que narra certas realidades indigestas; ou o funk ostentação, que aproveitou anos de crescimento econômico para mostrar que não só os empresários e banqueiros consomem o que é de luxo. Será mesmo que tem como criminalizar tudo isso?

“As letras de funk são um reflexo da vida dessas pessoas. Para mudar as letras, precisamos mudar a realidade delas.”

Em tempos em que se discute muito mais ativamente sobre a necessidade de diminuição do aparato estatal, a proposta vai no sentido de criar mais um mecanismo no qual o Estado iria atuar de maneira regulatória, e como já dito, sem êxito nenhum, somente gerando mais preconceito e violência. Por fim, a violação do artigo 5º, inciso IX, da nossa Constituição Federal aponta a mais pura inconstitucionalidade desse projeto, que somente trará para o seu propositor a vergonha de ter seus argumentos desqualificados no Senado. Artistas como Valesca Popozuda, Anitta e Buchecha estarão presentes nas sessões que discutirão o assunto, e Romário já se mostrou contrário a ela.

Eu poderia citar mais motivos desqualificadores, como a confusão quanto ao gênero musical feita pela proposta, mas em suma, ela traduz uma indignação de muitos que parte do puro preconceito, da preguiça de criar empatia com o outro — o mais sincero reflexo de como estamos parados no tempo. Será que não está na hora de procurarmos entender nossos vizinhos e irmãos, como gostaríamos de ser entendidos?

* Castelan estreia hoje sua coluna na Phouse.

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Prefeitura de São Paulo causa revolta ao interditar festa itinerante

Será inevitável que o painel sobre a cena underground de São Paulo, marcado para hoje à noite na DJ Ban, debata sobre o que ocorreu na madrugada deste domingo, na capital paulista. A ODD, uma das principais festas itinerantes da cultura clubber da cidade — e que terá o DJ Márcio Vermelho como seu representante no painel —, teve sua edição do dia 20 embargada pela prefeitura. A festa estava marcada para ocorrer em um galpão na Rua Palmarino Mônaco, no Brás, e foi cancelada na véspera.

+ DJ Ban transmite painel sobre a cena underground de São Paulo nesta noite

Entre os frequentadores e promotores dessa cena, o assunto não tem sido outro nesta segunda-feira. Em post no Facebook, o secretário Fabio Lepique alegou ter interditado a festa por falta de autorização e de segurança [veja abaixo]. Já o pessoal da ODD alega que estava com todos os documentos em dia, deixa entender que motivos escusos barraram a festa e já promete voltar no dia 10 de junho. “Um documento de interdição ao espaço foi apresentado no início do evento, fruto de uma denúncia, alegando alvará vencido e falta de itens de segurança”, diz comunicado na página da ODD [veja abaixo]. “O fiscal da prefeitura, após verificar a locação e toda a documentação, deixou o local afirmando que poderíamos seguir com a festa, mas foi enviado de volta uma hora depois com os seus superiores, que chegaram informando que fariam uso da força policial caso não encerrássemos as atividades.”

No boca a boca, correm os boatos de que donos de clubes estariam reunindo esforços para barrar as festas itinerantes. De fato, não são incomuns as reclamações, por parte de alguns desses donos, de que as festas independentes, ao contrário dos clubes, não pagam impostos ou ECAD. Também não é nada incomum ver o poder público lutando contra a cultura das pistas de dança. A tradição é histórica e internacional: só para ficar em casos recentes, tivemos o embargo do Ultra Brasil no ano passado, no Rio de Janeiro, o fechamento da Fabric, em Londres, e a tentativa de cancelar um show do Kraftwerk em Buenos Aires, simplesmente por ser uma apresentação fundamentada em sintetizadores.

Ainda assim, até o momento não se sabe com mais detalhes os motivos que levaram ao fechamento da ODD. Mais informações em breve.

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