Protagonismo feminino, B2B ucraniano e drum’n’bass marcaram última abertura do Warung

Nastia e Daria Kolosova foram as grandes atrações da noite, que ainda teve Eli Iwasa, L_cio, Ney Faustini e YokoO

* Com a colaboração de Leonardo Smith
** Edição e revisão: Flávio Lerner

No último dia 21, o Warung Beach Club apresentou Eli Iwasa, L_cio, Ney Faustini, YokoO, Nastia e Daria Kolosova, que estreava no clube. Foi uma festa importante para mostrar a preocupação da casa com a ainda persistente — embora cada vez menor — desigualdade de gênero no cenário eletrônico, com Eli e as DJs ucranianas assumindo o comando da pista principal.

De início, no Garden, o paulistano Ney Faustini foi o encarregado para dar a largada, passando a pista para uma das atrações mais aguardadas da noite: o francês YokoO, DJ bastante querido pelo público do templo desde a sua estréia em 2017, no showcase do selo All Day I Dream. YokoO tem como suas principais características o deep house e o deep tech, sempre mostrando um alto nível de controle sobre a pista com tracks melódicas acompanhadas de drops dançantes, casando perfeitamente com o warmup que foi realizado.

Na sequência, L_cio apresentou um live act emocionante em seu retorno ao club, conduzindo a pista até o amanhecer e mostrando as infinitas possibilidades de criação que um live proporciona ao público. O músico passeou por vertentes do techno melódico e da house, além de apresentar brasilidade através de um de seus releases mais marcantes — o remix para o clássico “Construção”, de Chico Buarque.

Comando feminino no Inside

Segundo o IMS Business Report, até 2018, apenas 19% dos lineups dos grandes festivais foram compostos por DJs mulheres, o que comprova que ainda estamos bastante atrasados no que diz respeito ao equilíbrio de gênero nas importantes cabines mundiais. Esse dado nos ajuda a entender o quão especial foi essa festa no clube em Itajaí, em que somente mulheres foram encarregadas da missão de conduzir a pista principal durante toda a noite.

Iniciando os trabalhos do pistão com muito techno, a residente Eli, em mais uma de suas apresentações memoráveis, preparou o público para a estreante Daria Kolosova. A estreia de um DJ em um club como o Warung é sempre um momento ímpar. Em sua apresentação, Daria fez jus a toda confiança e expectativa colocada em cima dela. A artista teve duas horas para nos mostrar sua qualidade e bagagem musical, conduzindo a pista de forma eletrizante e nos fazendo entender o porquê de ter seu nome entre os grandes do leste europeu.

Daria Kolosova e Nastia mandando um B2B. Foto: Gustavo Remor/Reprodução

A cena ucraniana vem sendo transformada ao longo dos últimos anos, e poucos DJs fizeram tanto quanto Nastia e Daria para colocar o país no mapa do techno mundial. Recentemente essa união vem chamando muita atenção em apresentações em diversos países — e nessa noite, tivemos a oportunidade de presenciar um incrível B2B entre ambas.

Após a apresentação individual de Daria, Nastia se juntou nas mixagens para mais duas horas e meia de som junto de sua conterrânea. Diferentes estilos de techno intercalados com fortes tracks de electro e breakbeat trouxeram uma cadência impecável, com momentos frenéticos e dançantes.

Nastia, que se apresenta frequentemente no clube, mostrou estar totalmente conectada ao público da casa e à vontade para mostrar seu verdadeiro gosto musical. Assumindo sozinha a finaleira da festa, nos presenteou com mais de meia hora de um estilo nada convencional para aquele ambiente: jungle e drum’n’bass. Em seu Instagram, a DJ falou sobre o quão especial foi a sua decisão de finalizar seu set com essas diferentes vertentes que, aqui no Brasil, atualmente parecem esquecidas.

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“O Brasil tem seus próprios heróis do jungle/dnb, como a lenda DJ Marky e o selo Sambass, mas hoje em dia não existe uma cultura, e eu nem sei se existem festas ‘de jungle’ no país. De qualquer forma, eu acredito nesse tipo de som, porque ele traz apenas benefícios: alta energia e uma incrível produção dinâmica”, escreveu.

Nessa noite histórica para o Warung, reforçamos a importância das mulheres estarem sendo cada vez mais valorizadas e colocadas em seu devido espaço de destaque na cena — e também como é maravilhosa a abertura que o clube dá aos artistas de se expressarem verdadeiramente.

A oportunidade de receber um estilo musical diferente durante o nascer do sol da Praia Brava foi indescritível. Após uma noite de techno intenso, foram tocadas tracks com BPM reduzido e muita energia, levantando a pista, arrancando sorrisos do público e deixando essa noite registrada na nossa memória.

Leon Pureza é colaborador da Phouse.

Morttagua e ANNA emplacam duas faixas cada nos destaques de fim de ano do Beatport

Outros 12 brasileiros figuram em alguns dos charts Top 50 de cada gênero

* Atualizado em 21/12/2018, às 11h03

O Beatport também fechou seus números de 2018, e tem brasileiros se destacando! A equipe do portal fez a sua seleção das 50 maiores faixas do ano em cada gênero, em um universo de mais de um milhão de lançamentos no ano. E 14 nomes brasileiros conquistaram seu lugar ao sol nessas listas; dois deles, inclusive, com não só uma, mas duas faixas, o que pode ser considerado um feito bem marcante.

Como um dos principais representantes do cenário progressive house no Brasil, o carioca Morttagua emplacou duas duas faixas entre as melhores do ano no estilo: “Valhalla”, lançada pela sua label Timeless Moment em novembro, e o seu remix para “Looking Back to Look Forward”, do veterano inglês John 00 Fleming.

Conforme as estatísticas do BeatStats, Morttagua ainda colhe outros números bem expressivos: é o artista nacional de progressive house com mais vendas no portal, e a Timeless Moment também é o selo brasileiro com maior vendagem no gênero, encontrando-se na seleta lista dos 30 maiores do mundo.

Quem também conseguiu o mesmo feito foi a DJ ANNA, que acaba de ser anunciada na primeira fase do Ultra Miami. A brasileira, entretanto, se dividiu em duas categorias diferentes: techno (com a faixa “Hidden Beauties”, lançada pela Kompakt Extra em janeiro) e melodic house & techno (com o remix para “Singularity”, do Jon Hopkins, que destacamos aqui). ANNA é ainda a brasileira mais vendida no Beatport, estando em 13º no Top 100 de vendas geral.

https://www.youtube.com/watch?v=_yQX7B02Bsc

Outros filhos da terra que conseguiram destaque foram o mineiro Sugar Hill e o carioca Natema (com “Como Va”, no Top 50 de house); ILLUSIONIZE (com “Eruption, Pt. 3”), Dirtyloud (com “That Rush”) e Future Class (com “Every Second”), todos no Top 50 de future house; o DJ Patife e o Vangeliez (com “Ain’t That Bad”, no Top 50 de drum’n’bass); Victor Ruiz (com seu remix para “Bipolar Star”, de Olivier Giacomotto); Andre Sobota (com o remix de Trilucid e Phil Martyn para a sua “Unmute”, na lista de progressive house), Renato Cohen (com “Morse Song”, no quadro de nu disco/indie dance), o duo TouchTalk (com “Interlude”, em tech house) e o mestre Gui Boratto (com o remix do Kölsch para a sua “618”, no chart de melodic house & techno).

Você pode conferir todas essas listas diretamente no Beatport.

Veteranos do Prodigy voltam com peso e nostalgia em “No Tourists”

Sétimo álbum do famoso grupo de big beat foi lançado na sexta-feira

* Por Rogério Furats

No Tourists, sétimo álbum do Prodigy, já está nas ruas desde a última sexta-feira, 02, e apresenta de cara para o ouvinte um som forte e enraizado, de verniz old school, mas ao mesmo tempo com contornos modernos de produção.

Sem o guitarrista Rob Holliday, que ficou de 2005 até o ano passado na banda, o Prodigy acenou aqui com uma volta às origens, mas isso não significa que você irá dançar somente jungle no álbum novo.

O disco é cercado de batidas quebradas não menos radicais e, do primeiro instante do play, na abertura com “Need Some1”, a percepção fica aguçada tentando reconhecer elementos de base acid e big beat. Liam Howlett, líder do grupo, praticamente revelou essa inclinação nostálgica quando explicou, em comunicado para a imprensa, que “No Tourists se baseia nos melhores elementos da banda”.

 

E o cara não tava de trolagem. Para os fãs da velha alquimia industrial, a segunda faixa “Light Up the Sky” consegue reunir substâncias oriundas de clássicos como “Breathe” e “Voodoo People”, por exemplo. Também com um pé nos anos 90, “We Live Forever” vê Howlett samplear os Ultramagnetic MCs novamente na história do Prodigy; e não faltam opções pra bater cabelo no front como “Resonate”, que através da síncopa do “amen break”, te leva direto pra cena hardcore-rave da Inglaterra, visitando os Altern 8. Aqui o purismo resiste naturalmente, mesmo que Howlett tenha negado o ar completamente retrô do disco, apontando os truques digitais de compressão de áudio e outras sacadas.

Trazendo um pouco de elemento surpresa, que falta no álbum de uma maneira geral, “Boom Boom Tap” insinua uma intro de trap e se desenvolve com beats mais ligeiros do drum’n’bass, e “Champions of London” também soma nas quebradas inflamadas. As colaborações vieram a agregar nos vocais de duas faixas diferentes: o grupo de hip-hop industrial Ho99o9, que colabora em “Fight Fire With Fire”, e o cantor e compositor inglês Barns Courtney acompanha o vocalista Keith Flint na acid house “Give Me a Signal”.

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Para ajudar a promover seu próximo álbum, No Tourists, que chega em 02 de novembro, o Prodigy pintou com dois remixes para “Need Some1” — primeiro e até então único single lançado do disco até agora.

O primeiro deles é do veterano produtor britânico Friction, que pegou a onda big beat da faixa original e a transformou num drum’n’bass pesado. Já o segundo é do Wh0, misteriosa dupla (também britânica) formada neste ano, que imprimiu seu estilo tech house ao single.

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Confira 10 faixas de destaque da última sexta

Da volta do Prodigy ao prog trance de Leo Lauretti

A última sexta-feira, como sempre, trouxe diversos lançamentos no universo da dance music, para os gostos mais variados. Confira dez dessas novas faixas que mais se destacaram:

Começamos com ninguém menos que The Prodigy, que oficializou a volta do grupo com novo single e anúncio de novo álbum — o primeiro em três anos. “Need Some1”, que já chegou com videoclipe intenso, fará parte de No Tourists, previsto para novembro.

Cada vez mais perto de lançar seu segundo álbum, REZZ pintou com mais um single de A Certain Kind of Magic. Contrastando com o som pesado da canadense, o vídeo de “Flying Octopus” traz um desenho fofinho, em que um polvo que sonha em voar constrói um veículo. Mais melódica, a música também foge um pouco dos padrões da artista.

Vintage Culture também tem novidades. O brasileiro liberou a sua nova música, “Pour Over”, em parceria com o produtor canadense Adam K. O lançamento da Spinnin’ Records é bem diferente do som usual de Vintage. “Na busca por inovação sem perder a essência, ‘Pour Over’ foi criada — uma das tracks que eu mais curti produzir”, escreveu o sul-mato-grossense na descrição do lyric video, que já soma mais de 230 mil views.

Depois de “Only Can Get Better”, o Silk City — duo formado por Diplo e Mark Ronson — apareceu com seu segundo single, “Feel About You”. O som segue mais ou menos na mesma vibe do primeiro, e conta ainda com os vocais de Mapei.

Dimitri Vegas & Like Mike estão produzindo o EP Tomorrowland, que trará sete sons inéditos pela Smash the House. Em parceria com Hardwell, os belgas lançaram nessa sexta-feira “Unity”, um big room com todos os predicados para agradar aos fãs.

Quem também está com altas novidades é o DJ Kryder, que acaba de criar sua própria label, Kryteria Records. Para oficializar o lançamento da gravadora, ele lançou “Romani”, com Steve Angello. A música é bem divertida por conter elementos tradicionais da música dos Bálcãs.

Lembram-se de quando o Martin Garrix lançou “Ocean”, com Khalid, e falamos aqui na Phouse que era bem diferente de tudo que ele já tinha feito? Um mês depois, e a faixa ganhou seu EP de remixes oficiais, com sete novas roupagens — incluindo uma do próprio Garrix, com Cesqeaux.

E acompanhando a vibe de remixagens, saiu também o disco de remixes de “My Life”, de ZHU e Tame Impala. Com remixes de KRANE, Just A Gent, Klangstof, Kyle Watson, Brian Cid, Blond: Ish e Finnebassen, o EP surgiu em conjunto com um videoclipe para a faixa oficial.

Se você acompanha de perto o projeto paralelo de Porter Robinson, Virtual Self, já sacou que ele desenvolveu toda uma narrativa, com duas personagens principais (que têm até suas contas no Twitter): Pathselector e technical_angel, que representam a dualidade entre escuridão e luz. Agora, o hit “Ghost Voices” ganhou uma nova versão, “Angel Voices”, que aparece como uma espécie de resposta da personagem angelical para a música.

E pra quem curte um prog trance de respeito, se liga na “Valhalla”, a quinta faixa do novo e repaginado Leo Lauretti. Desta vez, em seu terceiro lançamento pelo selo inglês Enhanced, o brasileiro trabalhou com o canadense Andy Kumanov no que ele garante ser sua última música instrumental por um tempo. “Vou fazer todas minhas próximas faixas com vocal, visto que eu amo vocais e é algo que eu quero incorporar nas minhas tracks faz um tempo“, comentou.

https://soundcloud.com/enhancedprogressive/leo-lauretti-andy-kumanov

+ Relembre os lançamentos de música eletrônica que arrepiaram a última sexta-feira 13

“The Reworks”: Pendulum lança disco depois de sete anos

Disco traz remixes de nomes como Skrillex, Moby e Knife Party

Depois de um hiato de sete anos sem lançamentos, o Pendulum enfim pintou com material novo. Embora não traga inéditas do grupo, o álbum The Reworks saiu nessa sexta-feira, via Earstorm, e representa um projeto inédito na discografia do grupo. A novidade chegou com 12 tracks remixadas de alguns dos  seus maiores sucessos, e com direito a um time cheio de destaques.

Trazendo diversos gêneros da música eletrônica, sobretudo vertentes da bass music, os remixes foram produzidos por nomes como Skrillex (“The Island, Pt. 1 (Dawn)”),  Noisia (“Hold Your Color”), Moby (“Vault”), ATTLAS (“Streamline”), DJ Seinfeld (“Still Grey”) e o próprio Knife Party — duo formado por dois membros do Pendulum, o frontman Rob Swire e Gareth McGrillen —, que remixou “Blood Sugar”.

Para acompanhar o disco, o grupo também anunciou uma nova turnê, com paradas em países da Europa e nos Estados Unidos. 

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Ney Faustini: “Estude música, mais do que você já estuda”

Às vésperas de tocar no Caos, Ney Faustini fala sobre presente, passado e futuro
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Pesquisador musical ávido, discotecário premiado e produtor aclamado por nomes que vão de Ben Sims a Rainer TrübyNey Faustini é um cara habituado a seguir o fluxo do que manda seu coração em quaisquer etapas de sua vida. Como DJ, começou na cena de drum’n’bass. Antes disso, já participava de campeonatos de Kart, paixão herdada do seu pai, piloto da Stock Car nos anos 80 e 90.

As corridas continuam até hoje, mas isso nunca o impediu de curtir e absorver tudo o que a música eletrônica tem a oferecer, fosse nos anos 2000, com os eventos memoráveis como Skol Beats e clubs mitológicos como o Lov.e e o Overnight — fez parte da história destes dois últimos nas cabines, inclusive —, seja como um dos DJs e produtores mais experientes e musicalmente vorazes da atualidade. Hoje costuma carimbar sua presença tanto nos principais clubs atuais brasileiros, como o D-EDGE, onde realiza uma residência muito benquista, quanto em turnês no exterior.

Em uma conversa inspirada e pautada em aspectos do passado, presente e futuro, batemos um papo com o DJ paulistano às vésperas de sua apresentação no Caos, club de Campinas onde vai se apresentar durante três horas nesta sexta-feira, dia 15 de junho, ao lado de Chris Liebing e Victor Ruiz

No maior estilo “somos a média das cinco pessoas com quem mais convivemos”, você se lembra de pessoas, momentos, gestos, crenças ou cenas específicas do seu passado que ficam até hoje marcadas na sua memória como turning points para o desenvolvimento do Ney Faustini como o profissional que conhecemos hoje?

Posso dizer que vivi muitas experiências, algumas boas e outras nem tanto, que me influenciaram diretamente na minha formação como artista nesses quase 20 anos de discotecagem. Falando pelo lado bom, experiências de pista, entre festas, clubs e festivais, são sempre especiais. Lembro bem da primeira vez que ouvi o DJ Marky tocando em uma rave no interior de São Paulo, ainda antes da residência dele no Lov.e, e como aquilo me influenciou a querer tocar drum’n’bass. Da primeira edição do Skol Beats, em 2000, que foi o primeiro festival de música eletrônica que frequentei, e onde pude ouvir vários dos DJs que eu já acompanhava. Das primeiras vezes que vi o Laurent Garnier se apresentando em São Paulo. Dos inúmeros DJs e live acts que pude presenciar nos clubs que mais frequentei na vida, D-EDGE e Lov.e. Sem querer ser nostálgico demais, o meu conceito do “ser DJ” teve base nessa época, final dos 90 e início dos 2000.

Profissionalmente, algumas ocasiões estão marcadas na memória como se tivessem acontecido ontem: minha primeira vez tocando no Lov.e em 2001, abrindo a noite pro Marky; a primeira gig na Freak Chic em 2010, no D-EDGE; a apresentação no primeiro Boiler Room no Brasil, em 2013; mais recentemente, tocar pela primeira vez no Rock in Rio no palco Eletronica, e abrir o palco do Dekmantel em São Paulo, no mesmo dia em que o Jeff Mills o fechou, foram experências fantásticas. Saindo um pouco da discotecagem, lançar meu primeiro disco em vinil, o Sleepless, em 2012 pela Foul & Sunk, foi um divisor de águas pro meu amadurecimento como produtor. Uma lembrança puxa a outra, mas essas foram as primeiras que vieram à cabeça.

A maturidade é algo natural na vida de qualquer pessoa — ainda bem! Como artista, qual o conselho essencial que você daria para o Faustini de uns 20 anos atrás e por quê? 

Eu diria “estude música, mais do que você já estuda”. Eu sempre tive muito prazer em pesquisar, frequentar lojas de disco, descobrir músicas e artistas novos, independentemente de estilos. Esse sempre foi meu foco como apreciador de música, além de DJ. Porém, mesmo começando a produzir, lá por 2009, eu nunca tive uma real formação musical e não me aprofundei no estudo de nenhum instrumento. O que eu sempre tive comigo era o que eu gostava de escutar, meu repertório, e dali eu buscava minha inspiração pra produzir. Estudar a música mais profundamente, mergulhando ainda mais na parte teórica, além de toda diversidade cultural e histórica, é algo que venho fazendo mais recentemente e gostaria de ter feito antes.

“Sinto falta do tempo em que as pessoas se preocupavam mais em aproveitar o momento do que ficar registrando tudo no celular.”

Você é considerado um DJ mais próximo das sonoridades da house music, mas pra esta sexta você foi escalado para um lineup mais techno, ao lado de Chris Liebing e Victor Ruiz. É possível que com esse “empurrãozinho” veremos um lado musical seu ainda mais amplo em Campinas?

Eu naturalmente tenho uma preparação muito particular pra cada situação, e nesta noite não será diferente. Eu evito me rotular e, dentro do possível, gosto sempre de variar, especialmente em sets mais longos. Mas também gosto desses casos, em que existe um foco mais específico. E afinal, Detroit é uma das minhas maiores influências musicais, então a expectativa em abrir uma noite mais voltada ao techno com um set de três horas é enorme. Estou separando várias músicas especialmente pra esta ocasião.

Explorando um pouco mais este seu lado “techneiro”, conta pra gente quais foram as descobertas mais incríveis deste gênero que você realizou ultimamente? 

Além das referências de Detroit e Berlim, tenho escutado também muitos artistas e gravadoras holandesas, francesas, suecas… A Delsin sempre foi uma das minhas gravadoras favoritas e segue firme numa extensa agenda de lançamentos com velhos e novos artistas, assim como a também holandesa Clone. Taapion é um selo mais jovem e que apresentou um time francês de produtores que gosto muito, encabeçado pelo Shlømo. De uma maneira geral, estou sempre acompanhando gravadoras como Echocord, ESHU, ARTS, Tikita, Ilian Tape, Curle, Mistress, Suchitech, The Corner, Non Series, Skudge, entre tantos outros.

Foto: Divulgação

É difícil barrar a energia da noite de SP. Aliás, do dia também. Mas quais são as outras cidades brasileiras onde você já tocou e sentiu também uma energia singular no público ou na forma como consomem cultura e arte?

Os três estados do Sul estão com festas e projetos muito consolidados, mas acho que tenho uma relação mais próxima com Floripa, por conta da minha residência na Troop, e é sempre incrível tocar por lá. O que me impressiona no Sul, além do que rola nas capitais, é o interesse de um público cada vez maior por música eletrônica underground em cidades do interior.

Momento nostalgia: sua bagagem data desde o fim dos anos 80. Você fez parte de momentos históricos do cenário. De quais características da cena clássica você mais sente falta hoje? 

Eu tento não ser tão saudoso com situações e cenários de antigamente, porque dentro das inúmeras opções que existem de festas hoje, sempre dá pra achar alguma com a qual você se identifique. Dito isso, sinto falta do tempo em que as pessoas se preocupavam mais em aproveitar o momento do que ficar registrando tudo no celular. Nada contra fazer pequenos registros, eu gosto de relembrar alguns momentos também, mas rola um exagero hoje em dia.

“Temos que aproveitar as facilidades que o mundo moderno oferece à profissão, mas não se atinge um trabalho sólido e autêntico através de atalhos.”

Muitos DJs chegam ao sucesso de repente, às vezes já perto de um auge que pode acabar igualmente rápido. Mas você é de uma geração em que a maioria segue uma curva longa até um reconhecimento mais sólido. Que aspectos de uma longa carreira você acha impossíveis de serem adquiridos por DJs “fast-food”, e que realmente fazem falta para um artista? 

A quantidade de “novos DJs” que entram na profissão por motivos não tão musicais cresceu bastante de uns anos pra cá. Gente em busca de sucesso rápido e que nunca teve real interesse pela música e pela arte em si. Ser DJ exige alguns sacrifícios e muito amor, algo que vai bem além das ferramentas de marketing e redes sociais. Vi muita gente da minha geração, e da anterior também, abrindo mão de muita coisa na vida pra poder comprar vinil e equipamentos. Temos que aproveitar as facilidades que o mundo moderno oferece à profissão, mas não se atinge um trabalho sólido e autêntico através de atalhos, e acho que isso vale pra tudo na vida. Repertório e feeling de pista, por exemplo, são aprendizados longos e continuos, só pra citar dois aspectos essenciais.

Passarinhos me contaram que você tem algumas novidades pro futuro próximo, de internacionalidades ao vinil. Confirma pra gente?

Neste ano quero dar um foco maior aos meus trabalhos autorais, já que acabei fazendo mais remixes nos últimos três anos. O último que terminei, pro japonês Tominori Hosoya, deve sair em agosto pela Bucketround, gravadora espanhola de deep house que lança apenas vinil. Incluo nessa fase atual de trabalhos novas colaborações com meus amigos do Fractal Mood e com o sueco Sean Dixon. Pro segundo semestre também estou planejando uma tour em algumas cidades da Europa.

Foto: Divulgação

Uma cor, um filme, um movimento, um sentimento, uma ação, uma reação… O que mais pode te inspirar além do som?

Cidades são sempre inspiradoras, e essa relação de amor e ódio com São Paulo é uma influência constante. Em 2011 decidi passar dois meses em Berlim só pra experimentar a sensação de viver uma rotina, ou a falta dela, por lá. Eu tento sempre absorver um pouco de cada lugar que eu vou, a trabalho ou a passeio. Se tiver arte, museus pra visitar e lugares históricos, melhor ainda. Situações mais extremas de sentimento, de felicidade ou tristeza, também são muito inspiradoras.

Você já tocou algumas vezes no Club 88, mas será a primeira vez no Caosdos mesmos sócios. E estreia logo em, como já foi dito, noite grande de techno. Quais são as suas expectativas para o dia 15 de junho?

Toquei uma vez no Club 88, quatro anos atrás. Conheço a Eli Iwasa desde os tempos do Lov.e Club, e vinha acompanhando toda a montagem do Caos com a expectativa de que seria um club pra se tornar referência no interior de São Paulo. Vi fotos e vídeos de algumas das festas que rolaram nos últimos meses, e já deu pra sentir um pouco de como é a atmosfera por lá. O Chris Liebing é uma lenda, e imagino que vá rolar uma peregrinação partindo de várias cidades pra essa noite. Nada como experimentar a sensação de tocar em lugar novo com a casa cheia, e pegando essa energia de começo de festa. A ansiedade é enorme!

* Rodrigo Airaf é colaborador eventual da Phouse.

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Expoentes do drum’n’bass juntam-se em coletânea voltada à saúde mental

Disco surge como uma das respostas à morte de Avicii

Muita conversa sobre saúde mental na indústria da música eletrônica entrou em foco após a morte do DJ sueco Avicii. A cena vem se mobilizando em torno do tema, e desta vez a discussão resultou em um disco exclusivo com participação de diversos projetos de peso do drum’n’bass, como The Prodigy, Chase & Status e Pendulum.

Tanto artistas quanto fãs e profissionais do meio já iniciaram a discussão sobre como a pressão das agendas dos DJs podem prejudicar a saúde mental e resultar em diversas doenças como a depressão e o estresse. Pensando nisso, Ben Verse, ex-MC do Pendulum, mobilizou amigos na tarefa para produzir o primeiro volume da Mind State, coletânea que chama atenção para o tópico e angaria fundos para instituições voltadas à saúde mental dos músicos.

Em um comunicado via e-mail, Ben contou como a ideia foi espontânea e pessoal: “Eu escrevi uma lista de pessoas que conheço que poderiam estar interessadas na ideia. Liguei para elas. […] Quando caras como The Prodigy estão dispostos a isso, realmente abrem portas”, escreveu. “O primeiro passo para evitar transtornos mentais é conseguir se abrir para alguém. Para os músicos, é importante ter a opção de ligar para um telefone, trocar uma ideia e compartilhar seus sentimentos, antes de ir ao encontro de últimos recursos como álcool ou drogas. A indústria musical não é um emprego estável. […] Com o Mind State Vol. 1, queremos encorajar as pessoas a procurar outras e conversar.”

A coletânea é uma colaboração com o Getahead Festival, que é o primeiro evento 24 horas dedicado à saúde mental, bem-estar e música, reunindo shows, festa e painéis e conversas sobre o assunto. A edição mais recente rolou ontem, em Londres. Metade dos lucros do disco serão revertidos às instituições parceiras do festival: Help Musicians UK e Music Minds Matter.

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Techno se mantém como gênero mais vendido no Beatport pelo 3º ano consecutivo

Plataforma lança ferramenta para descobrir novos talentos

O Beatport apresentou seu gráfico de gêneros mais vendidos no último ano, e não há muitas diferenças em relação ao quadro anterior. Techno, tech house, house, deep house drum’n’bass seguem ocupando as primeiras posições. Este já é o terceiro ano consecutivo que o techno segue campeão de vendas na plataforma.

A maior surpresa fica por conta da categoria melodic house & techno, que foi inaugurada em março e já ocupa a sexta posição. Electronica/downtempo trocou de lugar com o trance, enquanto progressive house e indie dance/nu disco fecham o Top 10 — future house, psytrance e electro house, por outro lado, registraram quedas mais acentuadas. 

Techno mais vendido
Foto: Mixmag/Reprodução

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Outra novidade anunciada pela empresa são os chamados Hype Charts — novos tipos de charts que colocarão em destaque faixas de gravadoras independentes e que normalmente têm menor visibilidade. A iniciativa vem para estimular os DJs a “cavarem mais fundo” e descobrirem sons diferentes. Os Hype Charts estarão centrados justamente nos dez gêneros mais vendidos, e passam a integrar a plataforma do Beatport no começo de junho.

As novidades vêm pra acompanhar o crescimento que a plataforma teve na receita de vendas — um salto de 8% de acordo com o relatório do IMS, o que corresponde a quase o dobro do ano anterior.

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DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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A morte de Avicii caiu como uma bomba e pegou a todos de surpresa. O assunto certamente ainda repercutirá bastante nos próximos dias, mas, apesar de enlutado, o mundo da música não parou de funcionar.

Além dos já mencionados “Game Over” (Martin Garrix e Loopers) e o videoclipe de “Key” (Virtual Self), estes foram alguns dos lançamentos de maior destaque no universo da música eletrônica nessa última sexta-feira (20):

Com timbres ácidos, pegada de psytrance, videoclipe promovendo novo game da série Need For Speed e sampleagem da própria mãe, Steve Aoki lançou “Moshi Moshi”, com Vini Vici. A faixa é a quinta e última da série “5OKI”, da Dim Mak Records.

Também com videoclipe, os Chainsmokers lançaram seu novo single, “Somebody”. Seguindo a sonoridade tradicional da dupla, a faixa tem participação do americano Drew Love (metade do duo de R&B THEY.), e saiu pela Disruptor Records.

Já o Major Lazer apareceu com “Tip Pon It”, em parceria dos sempre reconhecíveis vocais de Sean Paul, pela Island Records.

Pela Astralwerks, Calvin Harris pintou com remix houseiro para “Alone”, da cantora americana Halsey. Entre os últimos lançamentos do produtor, este é definitivamente o mais apropriado para bombar nas pistas de dança — o que nos deixa ainda sem entender exatamente que sonoridade Harris deve seguir em 2018.

O icônico Fatboy Slim ganhou agora mais um remix oficial para “Right Here, Right Now” — single do clássico álbum You’ve Come a Long Way Baby, que foi relançado recentemente. Pela Elevate, o remix do veterano britânico Friction aumenta bem o BPM com uma sonzeira na onda do jungle/drum’n’bass.

Com James Newman, Armin van Buuren sucedeu sua experimentação com a disco music em “Sex, Love & Water” com “Therapy”, novo som pela sua Armada Music. A faixa tem uma pegada bastante pop e tropical.

JAUZ e DJ Snake quebram tudo em “Gassed Up”

Misturando diversas vertentes, “Gassed Up” é um dos grandes lançamentos do dia

Outro lançamento de destaque desta sexta-feira (06) é a collab entre JAUZ e o DJ Snake, “Gassed Up”. Com um BPM elevado, o single combina o peso da bass music com beats sincopados — incluindo uma pitada de drum’n’bass —, hardcore e timbres da house music/garage dos anos 90, que mantém uma leveza agradável em contraste ao peso dos graves. Certamente, pode ser considerado um dos grandes lançamento do ano no segmento.

Apesar de Snake ter surgido recentemente com seu próprio selo, a faixa chega pela Bite This, label de JAUZ.

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Para série de mixes da Apple, Carl Cox voltará ao drum’n’bass

O DJ está escalado para integrar a “Apple Music’s One Mix Drum & Bass”

Carl Cox fará parte de uma nova série de mixes especiais pela rádio Beats 1, da Apple Music. No dia 30 de março, o DJ abrilhantará a Apple Music’s One Mix Drum & Bass com um set do gênero — algo que não faz há sete anos.

A série voltada ao drum’n’bass dura por todo este mês, com um mix novo a cada sexta-feira. Além de Carl Cox, participam outros nomes icônicos: Kasra (que já teve seu set publicado no dia 02), Etherwood, Pola & Bryson e High Contrast.

Também no dia 30, Cox toca um evento em São Francisco para arrecadar fundos para seu camping no Burning Man — o Playground.

Você pode conferir os mixes da One Mix Drum & Bass através do site da Apple.

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3º episódio de série sobre os 20 anos do Ultra relembra a expansão do festival

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3º episódio de série sobre os 20 anos do Ultra relembra a expansão do festival

Assista ao novo capítulo de “20 Years of Ultra”

Dando sequência nas comemorações de 20 anos do Ultra, foi lançado o terceiro episódio da série que vem documentando a história do festival.

Neste episódio, o ponto central é o ano de 2007, no qual o UMF evoluiu ainda mais em tamanho e na diversidade do seu lineup. O evento foi ampliado para dois dias, e surgiu a ideia de palcos menores para cultuar estilos eletrônicos mais de nicho, como o drum’n’bass.

Tiësto relata que o público era muito mais variado naquele ano, enquanto Ferry Corsten lembra-se de como começaram a circular conversas de fãs que não gostavam das mudanças e adições, enquanto outros curtiam tudo ao máximo.

Há ainda depoimentos de DJs como John Digweed, David Guetta, Carl Cox, Andy C e Afrojack, além de cenas inéditas de sets e shows — como os de The Cure e The Killers, que rolaram naquela época.

+ CLIQUE AQUI para conferir mais episódios de “20 Years Of Ultra”

DJ Marky solta remix cheio de groove para grupo inglês

Confira o novo lançamento do ícone do drum’n’bass mundial

Depois de um ano do lançamento do álbum Dirt & Soul pela Circus Records, o grupo inglês Dr Meaker voltou ao estúdio para remixar a primeira faixa do CD. Pra isso, convidou ninguém menos que a lenda do drum’n’bass mundial, o nosso DJ Marky.

A versão original possui uma atmosfera mais orquestrada que escala para versos cheios de baterias quebradas e graves espessos, mas Marky e o grupo mudaram esse cenário para um d’n’b tropical, marca registrada do brasileiro.

O lançamento foi na segunda-feira, 12, pela própria Circus, que há anos faz lançamentos de destaque no mercado da bass music.

Confira o som:

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Porter Robinson lança primeiro EP de seu projeto paralelo, Virtual Self

Com cinco faixas, o EP autointitulado traz referências diversas — de hardcore techno a animações japonesas

Porter Robinson lançou ontem Virtual Self, primeiro EP de seu projeto paralelo de mesmo nome. O projeto debutou no mês passado, a partir da faixa “EON BREAK”, e desde então o produtor vinha promovendo outros sons e teasers, até culminar com esse primeiro disco (ouça abaixo).

No EP autointitulado, temos diversas referências que permeiam o mundo do artista — de hardcore techno e drum’n’bass à música de videogame e animações japonesas. Da primeira à última faixa, os sons foram cuidadosamente construídos, passando da empolgação inicial de “Particle Arts”, para a complexidade de “a.i.ngel (Become God)”, terminando com  a já previamente conhecida “EON BREAK”.

A estética visual nas redes sociais do Virtual Self também apontam para esse mundo dos games e animes, com dois personagens em 3D (Pathselector e technic-Angel têm até contas próprias no Twitter) e animações na mesma linha. Há ainda uma primeira apresentação ao vivo do projeto marcada para 8 de dezembro, no Avant Gardner, em Nova Iorque, e os ingressos já estão esgotados.

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Outra curiosidade em torno do alias de Robinson foi destacada no começo deste mês pelo portal EDM Sauce, que analisou, por sua vez, um post de um usuário do Reddit que fez praticamente um trabalho investigativo com pistas deixadas pelo DJ. A análise parte de um tweet do Virtual Self contendo o número “7124324609”; o tweet foi apagado pouco tempo depois.

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Suspeitando se tratar de um número de telefone, que tinha o código de área do Estado de Iowa, o fã ligou para o número e, segundo seu próprio relato, pôde ouvir uma voz feminina recitando algo com uma música ao fundo. A mensagem levou à descoberta de uma “Virtual Self Records”, e entre as funções da empresa havia um sem fim de atividades, entre elas, ser uma plataforma para jogos de realidade virtual.

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Como proprietária da marca, ainda está registrada a CloudGate Studios, especializada em aplicativos e tecnologias de realidade virtual. Tudo indica, portanto, que o Porter Robinson deve apresentar algo relacionado ao universo VR/gamer. Porém, apesar do registro público, a empresa negou ter qualquer conexão com o artista. É aguardar pra ver onde tudo isso vai terminar. Enquanto isso, ficamos com o belo EP de estreia do Virtual Self.

Rob Swire fala sobre compor novo álbum para o Pendulum

O DJ e produtor Rob Swire afirmou que vai começar a trabalhar num novo álbum do Pendulum. As declarações vieram através de tweets, em que Swire declarou estar “de saco cheio” da EDM, com seus timbres muito iguais, e do que chamou de “fEsTiVaL bAsS”.

No segundo tweet, ele dá alguns detalhes sobre o novo disco: “[O álbum] Terá guitarras, voz e drum’n’bass, e será completamente irrelevante, o que eu estou começando a achar que na verdade pode ser algo bom”.

Já se vão sete anos sem um álbum novo do Pendulum, que marcou por fundir, de um modo bastante particular, os universos da música eletrônica e do rock. O grupo, contudo, segue firme em turnês mundiais, com datas nos principais festivais de música eletrônica — em 2016, deram as caras no Ultra Miami e no EDC; neste ano, têm shows marcados no Ultra Japão e no britânico Creamfields.

Ouça “Tarantulla”, um dos clássicos da banda:

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Com vocais de James Arthur, Rudimental lança novo single

O grupo inglês Rudimental tem como sua principal marca misturar soul com drum’n’bass, mas sem deixar de lado um passeio por outros estilos, o que garante uma identidade sonora forte. O novo single da banda, “Sun Comes Up”, é mais uma prova dessa versatilidade.

A faixa tem toda uma aura tropical, carregada por baterias dançantes e teclados que se somam à voz de James Arthur, que confere uma emoção a mais com suas melodias fortes. Arthur foi vencedor do show de talentos The X Factor em 2012, levando a final com uma versão de “Impossible”, da cantora Shontelle, e já lançou singles aclamados como “Recovery”, em 2013, e a balada “Can I Be Him”, seu último lançamento solo.

O Rudimental, por sua vez, está para lançar em breve um novo álbum, que deve incluir essa faixa em sua tracklist.

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Goldie reforça a tese de que membro do Massive Attack é Banksy

Banksy foi desmascarado? É possível que sim — e melhor ainda, tudo indica que ele seja um dos grandes nomes da música eletrônica. Goldie, lenda do drum’n’bass, recentemente deu uma entrevista no Distraction Pieces Podcast, do apresentador Scroobius Pip, e aparentemente deixou escapar que o verdadeiro nome do artista gráfico mundialmente conhecido como Banksy seria Robert.

A discussão girava em torno da indústria da arte, e Goldie reclamava: “Me dê uma letra em forma de bolha, coloque numa camiseta e escreva ‘Banksy’ nela e está tudo ok. Podemos vendê-la agora. Sem desrespeito ao Robert, eu acho ele um artista brilhante. Acho que ele virou o mundo da arte de cabeça pra baixo”.

Apesar de não ter citado um sobrenome, ressurgiram as suspeitas de que o artista anônimo é Robert Del Naja — o “3D”, vocalista do conceituado grupo de trip-hop Massive Attack e amigo de Goldie —, já que no passado especulou-se que Banksy seria o nome de um grupo de artistas liderados por Del Naja (que, antes de fundar a banda, já tinha fama como grafiteiro). Uma matéria de 2016 do Daily Mail ainda liga uma turnê do Massive Attack aos locais onde surgiram artes de Banksy alguns dias depois. À época, Robert negou.

Logo após a “gafe”, Goldie trocou de assunto e começou a falar de jazz, mas a internet não perdoa — o nome “Banksy” chegou a entrar nos trending topics globais do Twitter. Até agora nenhum pronunciamento oficial foi feito confirmando ou negando as suas palavras.

Confira algumas artes de Banksy:

Pelo segundo ano consecutivo, o techno é o gênero mais vendido do Beatport

Gênero mais vendido no Beatport desde o ano passado, o techno confirmou a onda positiva e se manteve no topo por mais um ano, como aponta o IMS Business Report 2017. Como é possível ver no gráfico do relatório, o techno e o tech house se mantêm estáveis nas duas primeiras colocações, enquanto o drum’n’bass e o trance tiveram os maiores saltos no período, pulando, respectivamente, para o quinto e o sétimo lugares. Por outro lado, o electro house teve a queda mais brusca, despencando sete posições em doze meses.

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A análise do Beatport contrasta com a dos gêneros mais tocados por DJs através do KUVO, ferramenta da Pioneer para auxiliar na remuneração de direitos autorais dos produtores que têm suas faixas tocadas por DJs. Esse segundo gráfico revela a house mantendo-se em primeiro, representando nada menos que 20% de todas as faixas. Se o techno é rei no Beatport, no Kuvo ele caiu do terceiro para o quarto lugar no último ano; o drum’n’bass também apresenta um salto notável neste gráfico (oito posições), enquanto o trance sequer consta no Top 10.

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