História da música eletrônica brasileira ganha filme

“Eletronica:mentes” relata o surgimento do gênero no Brasil

Em que ano a história da música eletrônica brasileira começou a ser escrita? Quem foi seu precursor? Quais foram os primeiros trabalhos lançados e como o gênero evoluiu até o que conhecemos hoje? Essas são apenas algumas das diversas questões que são respondidas e mostradas em detalhes através do filme Eletronica:mentes, dirigido por Dácio Pinheiro.

O longa percorre não apenas a história da música eletrônica no país — desde os anos 60 até os dias de hoje —, mas também conta com músicos de diferentes gerações falando de suas relações com o som eletrônico. O foco parece ser na produção e composição, e não na cultura DJ e das pistas de dança.

“Exploramos um pouco da história, mas nos prendemos mais à reflexão sobre o som e o fazer musical nas diferentes gerações tanto dos artistas que gostam de colecionar sintetizadores analógicos quanto dos músicos que usam computadores e se sentem confortáveis nessa plataforma”, contou Dácio Pinheiro, em entrevista ao UOL.

O fio condutor será através de dois personagens principais: Jocy de Oliveira e Jorge Antunes, figuras tidas como pioneiras deste universo aqui no Brasil. O diretor explica que muito do que foi retratado envolve o lado mais experimental e a obsessão pelo som. “Quando você fala de música eletrônica, as pessoas esperam ouvir falar de EDM, DJ, pista, o que é meio óbvio. E a gente sentiu que não existia um documentário no Brasil que falasse de onde isso veio”, continuou o diretor.

Em pouco mais de uma hora, o filme promete resgatar a ascensão e os desdobramentos que a música teve no país, além de trazer casos curiosos de alguns personagens e fazer diversos resgates do passado, trazendo imagens e histórias preciosas. Por enquanto, Eletronica:mentes está sendo exibido apenas em festivais de cinema e ainda não tem data para ser disponibilizado ao público.

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Novo uniforme do Manchester City homenageia clube histórico do Reino Unido

Em parceria com a PUMA, o time de futebol faz tributo ao lendário clube The Haçienda

A PUMA revelou hoje seus uniformes para a temporada 2019/2020 do Manchester City — e a novidade veio com uma grande surpresa para os fãs de música eletrônica: o uniforme 2 homenageia a cultura clubber da cidade.

Em 2015, anos antes de me tornar editor da Phouse, já tinha contado toda a história da Haçienda, clube lendário de Manchester que funcionou entre 1982 e 1997, um dos primeiros a promover a house music no Reino Unido. Mas esta é provavelmente a primeira vez que a casa encontra tributo no futebol.

A sua icônica decoração amarela com listras pretas na diagonal está agora devidamente impressa nos ombros da camisa reserva da equipe de Pep Guardiola, Gabriel Jesus, De Bruyne e companhia. Inteiramente preto, o kit ainda traz detalhes coloridos nas mangas, em outra apologia ao início da era raver da Inglaterra.

O craque argentino Sergio Agüero atacando de modelo. Ao fundo, uma simulação do design da Haçienda. Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Substituindo a Nike na confecção dos uniformes do time, a PUMA resolveu homenagear a herança cultural e industrial de Manchester. O titular, na sua tradicional cor azul clara, faz menção à Revolução Industrial. “O uniforme Home [titular] de 2019/20 tira a sua inspiração da herança industrial de Manchester, celebrando a bravura, a luta e a personalidade que emergiram dos moinhos de algodão da cidade”, diz o site do City em português.

Novo uniforme titular do Manchester City faz referência à Revolução Industrial

“O padrão de ondas de tecido Jacquard ao longo da camisa é uma representação visual dos teares, que foram parte fundamental da revolução industrial em Manchester. O icônico azul do City é realçado com roxo, uma cor usada em históricos uniformes Away [reserva] e que figura no uniforme principal pela primeira vez”, continua o texto. Sobre o segundo uniforme, escreveram:

“O uniforme Away 2019/20 celebra os anos de ‘Madchester’, um período de extraordinária atividade cultural no fim dos anos 80 e começo dos 90. O uniforme é diretamente inspirado na antiga casa noturna The Hacienda, que foi o epicentro da música, de bandas, de DJs e de artistas emergentes. Usando a cor preta como base, esse uniforme ostenta listras amarelas no ombro esquerdo; uma referência à icônica identidade gráfica da The Hacienda. Um adicional de rosa e do azul do Manchester City criam uma representação colorida deste lendário ícone cultural, que já foi o coração pulsante da cidade.”

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“A parceria entre o Manchester City e a PUMA vai além do futebol. Nós queremos que os torcedores do mundo todo e os mancunianos locais se sintam inseridos nisso, e tudo começa com a combinação dos nossos designs criativos com a autenticidade da história e da cena musical de Manchester”, revelou Adam Petrick, diretor de marketing da PUMA, ao site do clube.

“Nós queremos levar o Manchester City e as iniciativas de marca da PUMA juntos sempre e onde pudermos, e isso significa ir além do campo — até áreas maiores da cultura do futebol, como games, a comunidade, moda e música. É assim que realmente podemos impactar os fãs de futebol de todos os tipos e idades.”

Filme da campanha dos novos uniformes traz o rapper de Manchester Bugzy Malone, ao lado dos craques Sergio Agüero, Oleksandr Zinchenko, o time feminino sub-14 e o treinador Pep Guardiola.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Daft Punk fará parte de exposição sobre música eletrônica em Paris

Kraftwerk, Jean-Michel Jarre e Laurent Garnier também contribuirão com a mostra

Quem estiver pela França entre 09 de abril e 11 de agosto vai poder matar um pouquinho a saudade do Daft Punk. Isso porque o duo será protagonista da exposição Electro: From Kraftwerk to Daft Punk, que será exibida durante esse período na Philharmonie de Paris.

De acordo com informações da imprensa internacional e do site oficial da mostra, Thomas Bangalter e Guy-Manuel De Homem-Christo vão apresentar uma instalação baseada no hit “Technologic”, de 2005. Para isso, o duo francês entregará guitarras, robôs, manequins, figurino, capacetes, projeções audiovisuais, fotografias e outros objetos que remetem à música, um dos maiores sucessos do álbum Human After All.

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E a dupla não é o único projeto artístico lendário presente na exposição. Como o próprio nome sugere, o Kraftwerk será outro nome fundamental do esquema, com direito a projeções 3D e três shows nos dias 11, 12 e 13 de julho.

Além deles, Jean-Michel Jarre emprestará sintetizadores de sua própria coleção, enquanto o DJ Laurent Garnier será responsável por desenvolver a trilha sonora de toda a instalação. Robert Moog, visionário da famosa empresa de synths, e Juan Atkins, um dos pais do techno, também serão abordados, de acordo com o site da Philharmonie.

A curadoria de Electro: From Kraftwerk to Daft Punk é do francês Jean-Yves Leloup.

Produtor anuncia álbum póstumo de pioneiro da house music

Com material inédito, disco trará compilação da famosa série “Director’s Cut”, de Frankie Knuckles e Eric Kupper

Nesta sexta-feira, 18, o lendário Frankie Knuckles faria 64 anos se estivesse vivo. Pra celebrar a data, o amigo e colega de collabs Eric Kupper anunciou hoje um álbum póstumo, que trará todo o material da “Director’s Cut” — série assinada por Knuckles e Kupper, em que a dupla tanto produzia material inédito quanto novas versões de clássicos da house.

O disco, portanto, trará boa parte das últimas produções do padrinho da house music (a série começou em 2011, e Knuckles morreu em 2014). Via SoSure Music, o álbum está previsto para a primavera norte-americana (nosso outono), mas será dividido em partes: o primeiro single será um “Director’s Cut edit” de “Baby Wants to Ride”, um dos maiores clássicos do falecido DJ. O single vem em três versões: o edit da Director’s Cut, em dois tamanhos diferentes, e outro edit, feito por Jimmy Edgar (que será o lado B no vinil).

Este primeiro single chega em vinil no dia 1º de fevereiro, e será lançado digitalmente no dia 15. A Frankie Knuckles Foundation — ONG americana que foca suas ações em educação musical nas escolas, juventude LGBTQ sem-teto e prevenção de AIDS e diabetes — receberá 50% dos lucros do álbum póstumo.

Relembre a original de “Baby Wants to Ride”, de 1987:

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Novo filme sobre as origens do techno está em campanha por financiamento

“God Said Give ‘Em Drum Machines” promete trazer depoimentos das lendas de Detroit

Estudar a história do techno é mergulhar na Detroit dos anos 1980, e até hoje diferentes abordagens já revelaram segredos do movimento cultural que deu origem ao som que se tornou tão popular nos dias de hoje. Esta é a proposta do novo documentário God Said Give ‘Em Drum Machines, que está em campanha de financiamento coletivo para sair em 2019.

Trazendo depoimentos dos pioneiros Juan Atkins, Kevin Saunderson, Derrick May, Eddie Fowlkes, Blake Baxter e Santonio Echols, o filme promete relatar “a comunidade afro-americana que criou o techno e como o negócio da música os traiu”, segundo a breve sinapse do doc.

Faltando 20 dias pra encerrar a campanha do Kickstarter, pouco mais de sete mil dólares foram arrecadados, da meta total de 30 mil. Como de praxe nesse modelo de crowdfunding, há diversos pacotes, dos mais básicos (cinco dólares) aos mais arrojados (dez mil dólares), que dão bonificações como mixtapes, zines e livros e vinis raros autografados.

Você pode conferir todos os detalhes do projeto, incluindo um vídeo de apresentação, a partir da página no Kickstarter.

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TV dos EUA causa polêmica ao dizer que David Guetta trouxe a house ao país

Reportagem revoltou artistas e fãs de música eletrônica no mundo inteiro; Guetta respondeu

Na última sexta, 19, um programa da rede norte-americana deu um fora imenso em uma reportagem sobre o recém-lançado álbum de David Guetta, 7. O Nightline, da ABC News, colocou o DJ num patamar de pioneiro da house music nos Estados Unidos, com a chamada: “Como David Guetta ajudou a trazer a house music aos EUA e trilhou seu caminho ao topo”.

A falha é uma falta de responsabilidade das grandes, já que ignora que a house music nasceu justamente nos Estados Unidos, anos antes de David Guetta lançar sua carreira. Como não poderia deixar de ser, causou muita polêmica no meio da cena eletrônica global. E a internet, ela nunca perdoa.

Foto: Reprodução

Artistas como Honey Dijon, Junior Sanchez e Roger Sanchez compartilharam nas suas respectivas contas do Instagram uma montagem irônica com a capa do disco The House Music Anthem — um dos primeiros marcos da house, lançado em 1986 pela Trax Records —, trocando o nome do pioneiro Marshall Jefferson pelo nome de David Guetta. Ainda há um ironia mais sutil, com o nome da primeira faixa, “Move Your Body” (mexa seu corpo), substituído por “Move Your Finger” (mexa seu dedo), em uma alusão nada honrosa à fama da discotecagem recente de Guetta.

Os artistas ainda se manifestaram dizendo não ter nada contra o francês (Roger Sanchez fez questão de salientar que são bons amigos), mas pedindo que tanto o artista quanto a emissora se responsabilizassem em reparar o erro. Confira as publicações:

 
 
 

Depois da repercussão negativa, o canal trocou o título da reportagem para “David Guetta fala sobre seu álbum 7 e como chegou ao topo”. Para muitos foi o suficiente, mas boa parte da comunidade ainda implicou com outro ponto: na introdução da matéria, David é descrito como “godfather of electronic dance music”.

Se traduzirmos ao pé da letra, temos “padrinho da música eletrônica dançante”, o que também está longe de ser verdade. Por outro lado, é provável que a reportagem esteja se referindo ao gênero Electronic Dance Music (EDM), o qual o DJ parisiense ajudou, sim, a fundar. Entretanto, além de consertar o erro na chamada, a ABC não se manifestou publicamente sobre o rolo.

Quem se manifestou foi o próprio Guetta, que ontem (22) publicou em seu Instagram um comunicado para tentar colocar panos quentes na história toda. Com a foto da capa de outro disco histórico da house — Love Can’t Turn Around, de Farley “Jackmaster” Funk —, o músico mostrou todo seu respeito pelos pioneiros e pela história do gênero, afirmando que deve sua carreira a esse passado.

“Algumas pessoas amam uma controvérsia, mas eu prefiro a positividade. 
Eu me apaixonei pela house music quando adolescente, nos anos 80, ao ouvir pela primeira vez a house de Chicago na rádio em Paris. Foi a faixa “Love Can’t Turn Around”, de Farley “Jackmaster” Funk. Eu fiquei obcecado com o som. A música trazia uma mensagem de amor, ter a mente aberta e reunir pessoas, e isso me inspirou a começar minha primeira noite de house music em Paris, em 1988”, escreveu.

“Mais tarde, quando eu estava administrando um clube chamado Queen, eu convidei DJs como Frankie Knuckles, David Morales, DJ Pierre, Masters At Work, Danny Tenaglia, etc. Eu queria aprender com todos esses pioneiros, e eu também queria compartilhar aquele sentimento incrível com o meu povo. A house music nasceu de pessoas como Frankie Knuckles e Larry Levan. O legado do gênero e desses artistas é muito importante para mim. Essas pessoas, seguidas por outras, ajudaram a abrir o caminho para eu e outros artistas conseguirmos ter carreiras e fazer o que estamos fazendo hoje. Para mim, é tudo sobre amor e reunir gente para celebrar a vida”, concluiu.

  

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Viagem no tempo: assista ao show de Hardwell com a Metropole Orkest

Show foi o último de Hardwell antes de entrar em período sabático

Hardwell comandou ontem, no Ziggo Dome, em Amsterdã, seu último show antes de entrar em um período sabático. E não foi qualquer show. O DJ sincronizou suas batidas com os músicos da Metropole Orkest, híbrido de orquestra sinfônica com banda de jazz, famosa por tocar clássicos da música pop.

Com pouco mais de duas horas de duração e transmissão ao vivo pela web, a chamada Symphony se propôs a passear pela história da dance music com sua “Time Pyramid” (pirâmide do tempo), e foi dividida em três atos: 1978 a 1998, 1998 a 2008 e 2008 a 2018.

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Assim, os dois primeiros atos foram pra encantar qualquer fã do gênero, navegando por clássicos como “I Feel Love”, “Sweet Dreams”, “Thriller”, “Strings of Life”, “Show Me Love”, “Insomnia”, “Music Sounds Better With You”, “Pump up the Jam”,  “Rhythm is a Dancer”, “Born Slippy”, “Children”, “Satisfaction”, “Pjanoo” e “Adagio for Strings”. Em todos esses hits, o DJ mixava os beats e alguns synths e vocais, enquanto a orquestra abrilhantava as músicas com seus mais de 50 instrumentistas e um trio de cantores.

Já o terceiro ato, apesar de abrir com “Get Lucky”, do Daft Punk, foi muito mais Hardwell e EDM. A orquestra praticamente não teve participação — a não ser pelo início e pelo final, e pelos vocalistas —, e o DJ emendou inúmeros hits de nomes como Swedish House Mafia, Avicii (com direito a homenagem, claro), David Guetta, Calvin Harris e Martin Garrix, além de algumas de suas próprias produções. O show foi encerrado com “Conquerors”, collab entre Hardwell e a própria Metropole Orkest, lançada em maio pela Revealed.

Confira como foi esse showzaço na íntegra, no player abaixo:

Hardwell & Metropole Orkest – Symphony [full liveset]

Thank you guys for fulfilling my dream! Music is the most universal language 🙌 I will be back! 🎉

Posted by Hardwell on Thursday, October 18, 2018
“Obrigado a todos por realizarem meu sonho. A música é a linguagem mais universal. Eu voltarei!”, escreveu o DJ em sua postagem.


Com a :DOE :DANCE, o DJ Ban está trazendo o verdadeiro espírito do Dia do DJ ao Brasil

O Dia do DJ não é sobre DJs; é sobre solidariedade

Normalmente o Dia do DJ aqui no Brasil é tratado como uma data para saudar seus DJs favoritos e mandar os parabéns pros amigos que gostam de se arriscar naquele ao vivo nas carrapetas. Também pode ser um dia apropriado pra mandar memes engraçadões no Facebook e até pra refletir sobre as origens da cultura de pista. Mas na verdade, como a história mostra, o Dia do DJ surgiu para algo muito maior. Não é sobre DJs, é sobre união, altruísmo e solidariedade — pode soar meio piegas, mas é fato.

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A data surgiu em 2002, através da união entre a World DJ Fund e a Nordoff Robbins Music Therapy, para realizar em parceria com os disc-jóqueis — que naquela época já haviam se consolidado como pop stars — uma série de eventos beneficentes em diversos países. O primeiro grande evento de celebração da data teve nomes como Sasha, Carl Cox, Pete Tong e Danny Tenaglia ajudando a arrecadar mais de 400 mil libras a instituições de caridade. No nosso país, até o ano passado, não tínhamos conhecimento de nenhuma ação do tipo.

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Até que o DJ Ban Schiavon, figuraça da cena brasileira e dono da escola de DJs que leva seu nome, acostumado desde 2001 a realizar sorteios e premiações importantes aos seus alunos e seguidores, decidiu importar pra cá esse verdadeiro espírito da data. Há exato um ano, ele lançava a :DOE :DANCE, que em sua primeira campanha arrecadou cerca de R$ 12 mil para o GRAAC, mobilizando diversos DJs e produtores da cena para doarem itens valiosos, ingressos de festas ou horas de workshops; a venda desses produtos é o que alimenta as arrecadações para as campanhas da iniciativa.

+ Iniciativa surge para abraçar causas humanitárias através de união do mercado da música eletrônica

Nesses 365 dias, o :DOE :DANCE ajudou diversas outras instituições — como o Lar das Mãezinhas, que foi ajudado graças a um leilão que Ban realizou com mais de 500 discos de sua coleção —, e agora, em sua sétima campanha, volta novamente a mirar no GRAAC, que ajuda crianças e adolescentes com câncer. “O :D:D completa um ano hoje, 09 de março, o Dia do DJ, que como você sabe, foi criado lá na gringa como uma data de atividade social. Embora a DJ Ban EMC já tenha feito inúmeras ações sociais no passado, a inspiração veio justamente após visita ao GRAAC, quando observamos que somente a Ban não daria conta do recado”, contou o idealizador do projeto, em contato à coluna.

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Além de pegar emprestada a influência que os DJs e produtores de música eletrônica possuem hoje em dia para contribuir com causas sociais, o :DOE :DANCE deve ter um efeito colateral muito bem-vindo à cena brasileira: combater as infrutíferas birrinhas por ego e unir geral em uma causa maior. “Num mercado em que muitos dizem união, nós propomos isso, uma vez que o beneficiado é uma causa fora da curva desse mercado… Ou seja, através de  atividades realizadas pelo :D:D, conseguimos alavancar com cunho social a tal união”, explica o Ban. “Via :D:D, tivemos diversas outras escolas de música eletrônica juntas, na Ban ou fora dela. O objetivo é que se alguém quiser fazer algo em qualquer lugar do Brasil ou do mundo, com o nome de :DOE :DANCE ou ‘coco com rapadura’, ele possa. Tá ajudando o próximo, já era”, complementou.

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“Não será possível por causa do :DOE :DANCE uma união saudável [da cena eletrônica], nem nessa encarnação nem na próxima. Não adianta, cada um vai olhar sempre pro seu umbigo, é do ser humano. O que eu vejo é que uma parte da sociedade que não vive essa cena como nós vivemos pode ver ela com outra cara. Ele pode não saber que tem uma birra do DJ ‘X’ com o DJ ‘Y’, e ele pode ver que aqueles DJs ali tão juntos, fazendo algo em prol da sociedade. Fiz eventos aqui na Ban que tinham, sim, concorrentes e caras que não se bicavam, mas eles estavam aqui por um ideal. E o ideal sempre é a causa.”

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A nova ação para ajudar o GRAAC começou no dia 19 de fevereiro, e deve ir até a primeira semana de abril. Segundo o Schiavon, alguns atrasos na programação fizeram com que ele tivesse que reprogramar atividades e aumentar o prazo da campanha. A ideia, desta vez, é chegar até os R$ 15 mil.

Você pode conferir tudo que está programado para essa campanha, saber como ajudar e ler mais sobre a iniciativa no site da :DOE :DANCE.

* Flávio Lerner é editor na Phouse; leia mais de sua coluna.

Filme que mostra o início do techno na Alemanha é disponibilizado no YouTube

Com depoimentos de Sven Väth, “We Call It Techno” investiga as raízes de uma das cenas mais conceituadas da história da música eletrônica.

Lançado em 2008, o documentário We Call It Techno está agora disponível na íntegra no YouTube. Dirigido por Maren Sextro e Holger Wick, o filme foi upado recentemente com legendas em inglês no canal do portal alemão Electronic Beats.

Retratando o início da cena techno na Alemanha, o longa investiga as movimentações de diversos jovens em cidades como Frankfurt e Berlim através de entrevistas, fotos, e vídeos da época. Desde o início das primeiras batidas eletrônicas e da criação do Technoclub, revisitando os fanzines que circulavam entre os adeptos daquilo que se tornou uma religião para muitos, e relembrando os sons que pulsaram pelo país nos anos 80, We Call It Techno remonta o quebra-cabeça daqueles tempos de mudança.

Entre os entrevistados, participam o DJ Sven Väth, pioneiro em Frankfurt, o criador do Technoclub TALLA 2XLC e o DJ e jornalista Claus Bachor, entre outras figuras que viveram os momentos ali retratados.

Segundo a própria Electronic Beats, o filme só ficará disponível para streaming pelo YouTube por um tempo limitado, então é bom assistir enquanto é tempo.

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História e cultura da música eletrônica: Camilo Rocha ministra curso em SP

Curso inédito no Brasil, “O SOM DO FUTURO PASSADO” busca explorar as raízes e o legado da cultura das pistas de dança em nossa sociedade
* FOTO: O pioneiro Giorgio Moroder em seu estúdio futurista, nos anos 70

Passa longe de ser novidade o fato de que a música eletrônica mais do que cresceu e explodiu nos últimos anos, no Brasil e no mundo. Cada vez mais ela se funde com outros gêneros, penetra na cultura pop e dita novos padrões de estética e de consumo. Mas o quanto todos os fãs apaixonados por essa cultura, e mesmo os DJs e produtores, refletem sobre suas raízes e seu papel na sociedade? O quanto essas pessoas conhecem de sua história e de seu legado?

É pensando nessas e em outras questões que o DJ-jornalista Camilo Rocha está inaugurando o curso O SOM DO FUTURO PASSADOCultura eletrônica e sociedade. Hoje repórter especial do Nexo Jornal, o Camilo foi o primeiro jornalista no Brasil a escrever sobre a cena eletrônica e a cultura dos DJs com a seriedade que ela merece, nos anos 90. E se atualmente ele não tem nesse nicho de mercado o seu principal ganha-pão, segue discotecando e, principalmente, sempre ligado no que vem rolando por aí. Por isso, naturalmente, é uma das pessoas mais indicadas a ministrar algo desse calibre.

“O curso vai girar em torno da história da música e de suas relações com a sociedade. É uma mistura desses eixos, pensado em ampliar repertório e fazer conexões entre períodos e manifestações diferentes. Por exemplo, qual foi o contexto em torno dos primeiros experimentos com instrumentos eletrônicos na década de 50, ou como a música eletrônica foi a trilha para a expressão de minorias como a comunidade LGBT e negros”, explicou o Camilo, em contato com a coluna.

“A parte histórica, de origem e desenvolvimento, tem um peso grande. Seja Alok ou L_cio, todos compartilham as mesmas raízes.”

As aulas começam no próximo dia 09 e se estendem por todo o mês de novembro, sempre nas quintas-feiras à noite, no Birô Espaço Compartilhado, em São Paulo. Serão, portanto, quatro encontros semanais de duas horas, em que o jornalista vai passar um pouco do seu conhecimento e convidar à reflexão sobre temas como “A música eletrônica e a diversidade”, “Onde está a arte no trabalho do DJ?”, “Qual a diferença entre techno e house?”,Kraftwerk é mais importante que Beatles?”, “O papel da rave na infância da internet”, “Como a tecnologia barata criou novos gêneros musicais”, “A influência de conceitos como minimalismo, remix e sampling”, “A música eletrônica ainda é a música do futuro?” e “Como a queda do Muro de Berlim influenciou a pista de dança”.

Conheça a história de um dos clubs mais lendários de todos os tempos

Nesses encontros — que também vão contar com participações especiais de personalidades da cena — a proposta é de explorar “décadas de história musical e seu impacto social por meio de aulas expositivas”, através de bate-papos e muita análise de faixas, discos e DJ sets. Como diz parte do release: As músicas serão o fio condutor: faremos audições de faixas e trechos, em áudio e vídeo. A partir destas, virão explicações sobre os artistas, contexto social e cultural, análise musical e seu papel na história. […] Alunos serão estimulados a pensar sobre aquilo que ouvem, a perceber detalhes e nuances.

“A parte histórica, de origem e desenvolvimento, tem um peso grande. Seja Alok ou L_cio, todos compartilham as mesmas raízes”, continuou me contando o Camilo, destacando a importância de se conhecer a história da cultura DJ. “Também trabalharemos com muitas variantes de cada gênero musical. No último dia, vamos falar de máquinas e equipamentos para que os alunos entendam como se cria música eletrônica, para que servem e como operam equipamentos e softwares, mas não de maneira técnica. Sinto que muita gente simplesmente não faz ideia de como essa música acontece.”

“Sinto que muita gente simplesmente não faz ideia de como a música eletrônica acontece.”

Por mais que o foco seja no universo da cultura eletrônica e da arte da discotecagem, Rocha também deixa claro que pessoas que não atuam diretamente nesse nicho cultural são algumas das que mais podem ter a aprender: “Muita gente tem buscado o conhecimento extra, para além do escopo de sua área profissional. Por exemplo, se trabalho com direção artística de eventos, às vezes preciso saber mais sobre certo período histórico ou estético. Se minha área é cinema, às vezes aparece um trabalho que tenha envolvimento de música ou arte”, concluiu.

Volte no tempo e reviva raves históricas

Os interessados podem conferir mais detalhes e ver todo o cronograma de aulas no evento do Facebook. São apenas 20 vagas disponíveis, e para se inscrever basta entrar em contato através do e-mail contato@obiro.com.br. O pacote sai por R$ 400,00 à vista ou duas vezes de R$ 220,00.

Fica a expectativa para que a iniciativa dê certo, e estimule, além de novas edições e novos módulos, outros tipos semelhantes de debate, estudo e reflexão. A cena eletrônica brasileira agradece.

Flávio Lerner é editor da Phouse; leia mais artigos de sua coluna.

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