Protagonismo feminino, B2B ucraniano e drum’n’bass marcaram última abertura do Warung

Nastia e Daria Kolosova foram as grandes atrações da noite, que ainda teve Eli Iwasa, L_cio, Ney Faustini e YokoO

* Com a colaboração de Leonardo Smith
** Edição e revisão: Flávio Lerner

No último dia 21, o Warung Beach Club apresentou Eli Iwasa, L_cio, Ney Faustini, YokoO, Nastia e Daria Kolosova, que estreava no clube. Foi uma festa importante para mostrar a preocupação da casa com a ainda persistente — embora cada vez menor — desigualdade de gênero no cenário eletrônico, com Eli e as DJs ucranianas assumindo o comando da pista principal.

De início, no Garden, o paulistano Ney Faustini foi o encarregado para dar a largada, passando a pista para uma das atrações mais aguardadas da noite: o francês YokoO, DJ bastante querido pelo público do templo desde a sua estréia em 2017, no showcase do selo All Day I Dream. YokoO tem como suas principais características o deep house e o deep tech, sempre mostrando um alto nível de controle sobre a pista com tracks melódicas acompanhadas de drops dançantes, casando perfeitamente com o warmup que foi realizado.

Na sequência, L_cio apresentou um live act emocionante em seu retorno ao club, conduzindo a pista até o amanhecer e mostrando as infinitas possibilidades de criação que um live proporciona ao público. O músico passeou por vertentes do techno melódico e da house, além de apresentar brasilidade através de um de seus releases mais marcantes — o remix para o clássico “Construção”, de Chico Buarque.

Comando feminino no Inside

Segundo o IMS Business Report, até 2018, apenas 19% dos lineups dos grandes festivais foram compostos por DJs mulheres, o que comprova que ainda estamos bastante atrasados no que diz respeito ao equilíbrio de gênero nas importantes cabines mundiais. Esse dado nos ajuda a entender o quão especial foi essa festa no clube em Itajaí, em que somente mulheres foram encarregadas da missão de conduzir a pista principal durante toda a noite.

Iniciando os trabalhos do pistão com muito techno, a residente Eli, em mais uma de suas apresentações memoráveis, preparou o público para a estreante Daria Kolosova. A estreia de um DJ em um club como o Warung é sempre um momento ímpar. Em sua apresentação, Daria fez jus a toda confiança e expectativa colocada em cima dela. A artista teve duas horas para nos mostrar sua qualidade e bagagem musical, conduzindo a pista de forma eletrizante e nos fazendo entender o porquê de ter seu nome entre os grandes do leste europeu.

Daria Kolosova e Nastia mandando um B2B. Foto: Gustavo Remor/Reprodução

A cena ucraniana vem sendo transformada ao longo dos últimos anos, e poucos DJs fizeram tanto quanto Nastia e Daria para colocar o país no mapa do techno mundial. Recentemente essa união vem chamando muita atenção em apresentações em diversos países — e nessa noite, tivemos a oportunidade de presenciar um incrível B2B entre ambas.

Após a apresentação individual de Daria, Nastia se juntou nas mixagens para mais duas horas e meia de som junto de sua conterrânea. Diferentes estilos de techno intercalados com fortes tracks de electro e breakbeat trouxeram uma cadência impecável, com momentos frenéticos e dançantes.

Nastia, que se apresenta frequentemente no clube, mostrou estar totalmente conectada ao público da casa e à vontade para mostrar seu verdadeiro gosto musical. Assumindo sozinha a finaleira da festa, nos presenteou com mais de meia hora de um estilo nada convencional para aquele ambiente: jungle e drum’n’bass. Em seu Instagram, a DJ falou sobre o quão especial foi a sua decisão de finalizar seu set com essas diferentes vertentes que, aqui no Brasil, atualmente parecem esquecidas.

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“O Brasil tem seus próprios heróis do jungle/dnb, como a lenda DJ Marky e o selo Sambass, mas hoje em dia não existe uma cultura, e eu nem sei se existem festas ‘de jungle’ no país. De qualquer forma, eu acredito nesse tipo de som, porque ele traz apenas benefícios: alta energia e uma incrível produção dinâmica”, escreveu.

Nessa noite histórica para o Warung, reforçamos a importância das mulheres estarem sendo cada vez mais valorizadas e colocadas em seu devido espaço de destaque na cena — e também como é maravilhosa a abertura que o clube dá aos artistas de se expressarem verdadeiramente.

A oportunidade de receber um estilo musical diferente durante o nascer do sol da Praia Brava foi indescritível. Após uma noite de techno intenso, foram tocadas tracks com BPM reduzido e muita energia, levantando a pista, arrancando sorrisos do público e deixando essa noite registrada na nossa memória.

Leon Pureza é colaborador da Phouse.

Veteranos do Prodigy voltam com peso e nostalgia em “No Tourists”

Sétimo álbum do famoso grupo de big beat foi lançado na sexta-feira

* Por Rogério Furats

No Tourists, sétimo álbum do Prodigy, já está nas ruas desde a última sexta-feira, 02, e apresenta de cara para o ouvinte um som forte e enraizado, de verniz old school, mas ao mesmo tempo com contornos modernos de produção.

Sem o guitarrista Rob Holliday, que ficou de 2005 até o ano passado na banda, o Prodigy acenou aqui com uma volta às origens, mas isso não significa que você irá dançar somente jungle no álbum novo.

O disco é cercado de batidas quebradas não menos radicais e, do primeiro instante do play, na abertura com “Need Some1”, a percepção fica aguçada tentando reconhecer elementos de base acid e big beat. Liam Howlett, líder do grupo, praticamente revelou essa inclinação nostálgica quando explicou, em comunicado para a imprensa, que “No Tourists se baseia nos melhores elementos da banda”.

 

E o cara não tava de trolagem. Para os fãs da velha alquimia industrial, a segunda faixa “Light Up the Sky” consegue reunir substâncias oriundas de clássicos como “Breathe” e “Voodoo People”, por exemplo. Também com um pé nos anos 90, “We Live Forever” vê Howlett samplear os Ultramagnetic MCs novamente na história do Prodigy; e não faltam opções pra bater cabelo no front como “Resonate”, que através da síncopa do “amen break”, te leva direto pra cena hardcore-rave da Inglaterra, visitando os Altern 8. Aqui o purismo resiste naturalmente, mesmo que Howlett tenha negado o ar completamente retrô do disco, apontando os truques digitais de compressão de áudio e outras sacadas.

Trazendo um pouco de elemento surpresa, que falta no álbum de uma maneira geral, “Boom Boom Tap” insinua uma intro de trap e se desenvolve com beats mais ligeiros do drum’n’bass, e “Champions of London” também soma nas quebradas inflamadas. As colaborações vieram a agregar nos vocais de duas faixas diferentes: o grupo de hip-hop industrial Ho99o9, que colabora em “Fight Fire With Fire”, e o cantor e compositor inglês Barns Courtney acompanha o vocalista Keith Flint na acid house “Give Me a Signal”.

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Confira 6 lançamentos de destaque do final de semana

Músicas novas de Armin van Buuren, Fatboy Slim, Calvin Harris e mais!

A morte de Avicii caiu como uma bomba e pegou a todos de surpresa. O assunto certamente ainda repercutirá bastante nos próximos dias, mas, apesar de enlutado, o mundo da música não parou de funcionar.

Além dos já mencionados “Game Over” (Martin Garrix e Loopers) e o videoclipe de “Key” (Virtual Self), estes foram alguns dos lançamentos de maior destaque no universo da música eletrônica nessa última sexta-feira (20):

Com timbres ácidos, pegada de psytrance, videoclipe promovendo novo game da série Need For Speed e sampleagem da própria mãe, Steve Aoki lançou “Moshi Moshi”, com Vini Vici. A faixa é a quinta e última da série “5OKI”, da Dim Mak Records.

Também com videoclipe, os Chainsmokers lançaram seu novo single, “Somebody”. Seguindo a sonoridade tradicional da dupla, a faixa tem participação do americano Drew Love (metade do duo de R&B THEY.), e saiu pela Disruptor Records.

Já o Major Lazer apareceu com “Tip Pon It”, em parceria dos sempre reconhecíveis vocais de Sean Paul, pela Island Records.

Pela Astralwerks, Calvin Harris pintou com remix houseiro para “Alone”, da cantora americana Halsey. Entre os últimos lançamentos do produtor, este é definitivamente o mais apropriado para bombar nas pistas de dança — o que nos deixa ainda sem entender exatamente que sonoridade Harris deve seguir em 2018.

O icônico Fatboy Slim ganhou agora mais um remix oficial para “Right Here, Right Now” — single do clássico álbum You’ve Come a Long Way Baby, que foi relançado recentemente. Pela Elevate, o remix do veterano britânico Friction aumenta bem o BPM com uma sonzeira na onda do jungle/drum’n’bass.

Com James Newman, Armin van Buuren sucedeu sua experimentação com a disco music em “Sex, Love & Water” com “Therapy”, novo som pela sua Armada Music. A faixa tem uma pegada bastante pop e tropical.